The Big Four - A Nova Geração
13 Como Virei Uma Babá Imortal
Notas iniciais
Capítulo 12
A Loirinha olhou em volta curiosa, e Norte e Sandy desceram do trenó. Ela olhou para mim e levantou as sobrancelhas, apontando a frigideira ameaçadoramente.
— Ei, ei, calma aí Loirinha! — Ele disse levantando as mãos como se estivesse me rendendo. Ela cerrou os olhos e continuou a me encarar.
— Ele não vai te machucar, Rapunzel. — Norte disse com uma risada, segurando a pança.
— Este é Jack Frost, guardião do Inverno. — Ele disse apontando para mim, logo depois baixou a mão e apontou para ela.
— Conheça Rapunzel, nossa mais nova guardiã!
Rapunzel foi baixando a frigideira, ainda bem desconfiada. Ela desceu do trenó e abriu a boca para falar, mas olhou para um canto da sala e arregalou os olhos. Todos nós olhamos para lá a tempo de ver uma terceira figura se formar no cristal. Era de um garoto e um.........dragão? Acho que todos buggamos nessa parte. A Loirinha correu até o cristal com os cabelos arrastando atrás e segurou o pedestal.
—Soluço! —Ela falou sorrindo, olhando para Norte e depois Sandy. A garota tinha um sorriso muito bonito, que me fez sorrir também. Olhei em volta esperando ver a Fada voar até a novata e checar os seus dentes, mas eu não a achei, deve ter ido escoltar o novo guardião, antes que eu fizesse isso.
—Sim, sim pequena, ele também é um guardião, como nós. —Norte disse abrindo os braços.
—Por que sou uma guardiã? —Ela perguntou me fitando com seus olhos extremamente verdes.
—Você morreu, e foi escolhida pelo homem na lua, digo, pelo sol, no seu caso.
Eu respondi ficando um pouco confuso, Norte e Sandy se entreolharam, mas eu tentei manter a pose de expert em guardiões.
—Entendo.......Mas, como vou poder voltar para a minha família? —Ela perguntou um pouco séria, nós dois sabíamos que ela já sabia a resposta. Espera, como ela se lembrava? Abri a boca para questiona-la, mas fui interrompido pelo Coelhão, que fez um buraco abrir bem perto de Rapunzel, fazendo ela se assustar.
De dentro dele saiu a Ruiva e o Coelho, assim que ela chegou, seus olhos se focaram em mim. Ela instantaneamente franziu as sobrancelhas e olhou em volta, sua expressão se suavizou quando encontrou Rapunzel, e as duas correram até se abraçarem. Que cena fofa, pelo visto a Ruiva e a Loira já se conheciam. Será que todos os novos guardiões já se conheciam? Achei isso no mínimo engraçado, e fiz uma nota mental para pesquisar no registro sobre eles e na biblioteca sobre qualquer coisa relevante que me ajudasse a entender aquela coisa estranha que o sol fez.
Não achava que devia ter um "homem do Sol" ou algo parecido assim. Norte e Sandy pareciam muito calmos com essa coisa do Sol, então eu acredito que isso já deva ter acontecido antes. Espero que o Homem da Lua responda ás minhas perguntas. Enquanto estava perdido em meus pensamentos, a duas meninas começaram a falar muito rápido e muito alto, coisa de garota, vá entender.
A porta do salão rangeu e se abriu, revelando do outro lado a Fada extremamente sorridente e o tal de Soluço, que nem sequer olhou em volta, só parou o olhar nas garotas e sorriu. Elas pararam de se abraçar e correram até ele. Que sorte a dele. Digo, de encontrar as amiguinhas dele.
:3
Merida era muito mais rápida que a Rapunzel, alcançando ele antes. Ela o abraçou e sua massa de cabelos ruivos praticamente cobriu o garoto. A Loirinha abraçou os dois e os três ficaram assim por um tempo, até que o Canguru pigarreou, chamando a atenção de todos. Acredito que eu não era o único a ter perguntas, mas acredito que Norte tinha um plano para conversar com eles, principalmente com a Ruiva, já que era bem esquentadinha. Eu tinha certeza que nenhum deles iria aceitar bem o fato de estarem realmente mortos e não poderem voltar para suas vidas antigas ou famílias. Eu esperava que eles não se lembrassem de nada, mas sabia que era o oposto.
Eles não sabem a maldição que teriam que carregar, principalmente porque já sabia que eles iriam se decepcionar indo até suas antigas famílias, e que eles não os veriam. Eu não espero muita maturidade nesse quesito. Só não fazia a mínima idéia do que Norte ia contar para eles, eu iria fazer questão de estar presente, talvez assim conseguisse algumas respostas.
Norte deu uma de suas risadas e segurou o cinto da pança.
—Bom, já que estamos quase todos reunidos aqui, gostaria de dar algumas explicações para todos, porém, antes disso, acredito que Merida queira buscar seu amigo, Angus nos estábulos, certo?
Os olhos de Merida se iluminaram, e eu entendi na hora o que Norte queria, e achei arriscado. Perguntei-me por que ele queria separa-los, e percebi que nem ele próprio sabia muito bem o que fazer. O castelo nunca deve ter recebido tantos guardiões assim, ao mesmo tempo. Merida claramente só pensava em Angus, que devia ser um cavalo, mas, tinha medo do que essas pessoas chamavam de "mascote" já que uma tinha uma iguana e o outro um dragão. Angus poderia ser muito bem um hipopótamo ou golfinho bípede, sei lá.
A Ruiva saiu do salão, sendo acompanhada por um Yeti e dois duendes, Soluço a seguiu, sem falar nada. Pelo visto se o Coelhão fosse eu poderia dizer que foram dois guardiões com uma coelhada só.
BADUMMM TTTCSSSSS
Sou hilário. Isso foi uma merda. Bom, vou deixar piadas ruins com o Primeiro de Abril. Serião, não queiram conhece-lo.
Norte, a Fada e Coelhão se entreolharam. Eu olhei para Sandy e ele mexeu os ombros como se dissesse "Tô por fora também."
—Certo, logo que eles voltarem você poderá se juntar a eles, pequena Rapunzel. —Norte disse com um sorriso.
— Punzie, gosto que me chamem de Punzie. — Ela disse sem levantar a frigideira e com um pequeno sorriso.
— Ah, mais é claro, senhorita Punzie. Peço para que me acompanhe até a minha sala, com os outros guardiões.
Ela só fez um sim com a cabeça e endireitou a postura, seguindo a Fada pra dentro da sala de Norte.
Preferi ser o último a entrar, para ter uma visão de todos já dentro da sala. Norte tinha se sentado atrás de sua enorme mesa de madeira, Coelhão estava com as costas apoiadas do lado da porta, rodando um dos bumerangs nas patas. Punzie, tinha se sentado em uma poltrona perto da mesa, e a fada flutuava perto de Sandy, ambos de frente para ela, a uns três metros. Eu tomei um impulso e voei até uma das vigas do teto, para que pudesse ficar bem em cima de Rapunzel, e não chamar muita atenção.
Talvez não tivesse sido a melhor ideia do mundo.
— Você voa????? — Punzie perguntou sorrindo animada.
— Um pouco. — Eu disse dobrando as pernas e soltando o meu peso para trás, de um jeito que ficasse preso pelos meus joelhos.
Ela abriu mais o sorriso e ficou olhando para mim tipo *u*. Achei engraçada a sua reação.
— Tenho certeza que Frost pode mostrar para a senhorita o castelo mais tarde, assim vocês podem conversar sobre voo. — Ela fez um sim com a cabeça e voltou o seu olhar para o coroa. Como uma criança com certeza faria, esperando por uma história.
— Bom, meus parabéns, você foi escolhida pelo Sol, e agora é uma guardiã! Perguntas? — Realmente, melhor explicação da história.
Rapunzel piscou algumas vezes e se mexeu na poltrona, tenho certeza que ela esperava por mais. Ela nem devia saber muito bem o que perguntar.............Há! Então era isso. Norte e os guardiões não queriam explicar tudo a ela, somente o que ela perguntasse. Mas, por que?
Não falei nada por enquanto, e me concentrei em assimilar toda a conversa deles.
É claro que ela perguntou sobre a família, mas Norte conseguiu uma saída estratégica, dizendo que infelizmente ela tinha morrido mesmo, e agora estava no mundo dos espíritos guardiões, porém, se os pais dela acreditassem nisso, ela poderia conversar com eles normalmente, e até toca-los, se ela quisesse. Ela me parecia uma pessoa com uma mente bem aberta, então aceitou isso calmamente e perguntou se ela poderia ter as coisas que estavam com ela na hora que ela caiu do barranco.
— Mas é claro que sim! Os duendes já devem ter recuperado todos os seus bens. Só sinto em dizer que só pode recuperar aquilo que estava com você na hora da morte.
Ele explicou, ainda sorridente.
Ela assentiu e a Fada passou a mão pelos cabelos dela.
— Vou até o meu castelo pegar suas lembranças e a dos seus amigos, mesmo que vocês aparentemente se lembrem de tudo, é melhor prevenir, não é mesmo? — A fada perguntou abraçando a Loirinha e saindo sem falar com mais ninguém pela janela.
Não vou mentir, eu também queria minhas memórias, mas entendia que eles eram claramente diferentes. Por hora eu não ia tretar. Por hora.
— Norte. — Coelhão disse quando ela já se aproximava da porta, para sair.
— Ah, mas é claro, como eu pude esquecer? — O coroa riu enquanto abria uma das gavetas e pegava uma boneca russa, arremessando em seguida para Punzie. Ela a pegou no ar e sorriu para a pequena boneca.
— Essa boneca representa você. Todos temos uma. Com o passar do tempo suas camadas vão se abrir, e você vai descobrir o seu Centro.
— Obrigada, Papai Noel! — Ela disse segurando a boneca com cautela e sorrindo para o Coelhão, que também não conseguiu conter um sorriso. Rapunzel colocou uma mão na maçaneta, mas não saiu, só encarou a porta por alguns segundos.
— Quem é a Ceifadora? — Ela perguntou virando só a cabeça. Coelhão parou de sorrir instantaneamente, assim como os outros guardiões.
— Quem ? — Norte perguntou, como se não soubesse de quem ela estava falando. Essa era uma pergunta que eu também estava louco para descobrir a resposta.
— Bom............... — Norte começou a falar, mas o Canguru o interrompeu.
— Existem vários guardiões, mas pelo menos da nossa seção, nunca ouvi nem falar de uma com esse nome. Sinto muito não poder ajudar. Olha, nosso primeiro dia como guardião é bem confuso, acredito que você esteja cansada, então sugiro que Jack te leve até o quarto onde vai ficar hospedada por aqui. Logo levo uns ovos de páscoa para você e seus amigos. Certo? — Ele perguntou sorrindo e abrindo a porta para ela.
Ou Rapunzel acreditava muito fácil em tudo, ou era uma ótima atriz. Eu desconfiava que era mais a primeira alternativa. Ela só sorriu para quem estava na sala e assentiu, me esperando para sair de lá.
Passei pelo Canguru e tive certeza de outra coisa, o que quer que esteja acontecendo, os guardiões não queriam que nem eu ouvisse.
Eu não fazia a mínima ideia de onde Rapunzel ia ficar, então agradeci mentalmente quando um Yeti apareceu e nos guiou até a ala Oeste do castelo. Ficamos um bom tempo sem falar nada, até que ela olhou para mim e perguntou:
— Jack, como foi que você virou guardião? Caiu mesmo em um lago?
— Isso mesmo, geralmente todo mundo conhece a história. — Eu disse mexendo com o cajado, fazendo ele bater de leve no chão, o cobrindo com uma fina camada de gelo.
— Mas, e você? — Eu continuei. — Como mo....virou uma guardiã?
— Bom, nem eu sei muito bem como, eu estava indo acampar com Merida e Soluço, então em uma trilha para o camping eu escorreguei. Rolei o barranco e ......... morri. — Ela disse com uma risada no final. — Não foi nada muito heróico, foi até meio idiota.
— Que nada, para o sol ter te escolhido é porque ele viu algo único em você, algo que te faz especial, entende? — Perguntei com um cotoveladinha.
Ela deu outra risada e passou a mão nos cabelos, que se estendiam uns trinta metros atrás de nós.
— Sempre teve esse cabelão? — Perguntei olhando para trás.
— Na verdade, meu cabelo era aqui. E era castanho. — Ela disse colocando a mão na altura do maxilar e depois apontando para o meu. — Sempre foi branco?
— Na verdade, era castanho. — Eu disse e nós dois rimos, meio sem graça e sem saber muito bem o que falar.
Graças ao Homem da Lua logo viramos em um corredor secundário com uma porta no final. Pelo visto eles três, ou melhor, nos quatro íamos ficar separados.
Um quadro dos guardiões chamou minha atenção, mas logo passos rápidos do outro lado do corredor a roubaram.
Um Yeti apareceu falando e gesticulando com Merida, que parecia bem brava.
— Nem pensar. — Ela disse virando a palma para ele como se fosse " Talk to the hand " e apontou para mim.
— Se liga albino, ou ficamos juntos, ou não ficamos! — Eu respirei fundo e olhei para a janela, xingando baixinho o Canguru por ter me transformado em uma babá imortal. Vou lutar pelos meus direitos de férias e um salário decente.
Encarei meu reflexo por um instante, mas logo percebi que não era eu, era Ela. Ceifadora. Incrível como ela parecia estar em todos os lugares. Tentei ficar com uma expressão neutra, porque a última coisa que eu queria era mostrar para os novos guardiões que nosso castelo era assombrado por uma garota louca.
O reflexo dela colocou o indicador sobre os lábios, pedindo silêncio, e depois piscou para mim, desaparecendo. Meu reflexo logo voltou, mas do outro lado da janela, bem no batente, tinha a boneca russa da Ruiva.
Afinal, qual era a dessa garota?
Sinceramente, eu não queria ser o primeiro a descobrir.
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