The Bet
22 Epílogo: O Baile.
Notas iniciais
Bailes são sempre eventos importantes na escola. São raros de acontecer e, para os alunos, experiências que provavelmente serão lembradas para o resto de suas vidas – Seja por fotos, conversas de amigos ou simplesmente por uma breve sensação de nostalgia.
Desse modo, é justificável querer preparar-se adequadamente para um evento como esse. Mesmo que isso leve horas.
Dawn colocou a escova de cabelo na mesa em frente ao espelho, levantando-se cuidadosamente para não pisar nas bordas de seu vestido tomara-que-caia longo. Ela usava sua pulseira de sempre num dos braços, cuja pedra tinha a mesma cor de rosa perolado da saia lisa e delicada que caía até seus pés.
Ela sorriu para o espelho – isso teria que bastar. Já tinha feito ondas na ponta do cabelo e o prendido em um meio-rabo, e só faltava calçar seus sapatos.
Virando-se para seu celular, viu que eram quase sete horas. Felizmente, tinha conseguido se arrumar bem a tempo; sabia que seu acompanhante para o tal baile não gostava de esperar.
– Idiota. – Ela bufou, cruzando os braços. – Como ele acha que eu consigo ficar apresentável todo dia? Mágica?
Com um último suspiro, andou até a cama e se sentou, colocando as sandálias de salto prateadas nos pés. Após isso, agarrou a bolsinha também prateada ao seu lado e levantou, apagando a luz e saindo pela porta.
– Ah, Dawn! – Sua mãe avistou-a do sofá ao lado das escadas. – Seu acompanhante chegou mais cedo! – Foi aí que ela viu, sentado ao lado de sua mãe, seu ‘príncipe’ olhando o que parecia ser um álbum.
Espera aí... Um álbum?
– E-ei! O que é isso aí?! – Ela exclamou, quase tropeçando com os saltos enquanto corria até onde Paul estava e arrancava o livrinho de suas mãos. O movimento súbito fez com que algumas fotos caíssem no chão da sala.
Todas de quando ela era criança. Todas de momentos embaraçosos de quando ela era criança.
– Mãe! Eu disse para nunca mais mostrar esse álbum para nenhum dos meus amigos, e você vai e mostra ele logo para...! – Ela virou-se para o garoto que agora segurava uma das fotos que haviam caído. – E você! Larga isso agora!
– Você realmente gostava de doces, hein? – Paul abriu um sorriso sarcástico ao levantar a foto de uma Dawn de uns seis anos com o rosto lambuzado de chocolate. Ela, ficando mais vermelha que um tomate, agarrou a foto das mãos dele e enfiou-a no álbum que ainda segurava com sua mão livre.
– Eu era uma criança, ok? – Dawn fez bico, agachando para pegar as outras fotos. Depois, direcionou um olhar mortal para o garoto que mantinha o sorriso. – Você estava menos chato ontem.
– Eu estava de bom humor ontem. – Ele deu de ombros. – Não gosto de bailes, só estou indo porque você quer ir.
– Mas vai ser uma ocasião única! – Ela deixou o álbum no chão, virando-se para ele.
– De pessoas idiotas dançando, comendo até passar mal e comentando a roupa dos outros. – Paul rebateu, cruzando os braços e fingindo uma voz animada. – Que divertido!
– Você podia pelo menos dar uma chance ao baile. O pessoal da comissão se esforçou e tudo mais! – Dawn protestou, finalmente se levantando. – Bom, se você vai ser assim a festa inteira, pelo menos reclame no caminho. Todo mundo já está lá.
– Tá. – O garoto suspirou, também se levantando. A mãe de Dawn, que observara toda a cena com um sorriso largo, levantou-se para despedir-se de ambos.
– E não se esqueça de voltar cedo, ok? – Ela ajeitou uma mecha de cabelo da filha e se afastou um pouco para olhá-la de cima à baixo. – Você está linda.
– Obrigada, mãe. – Ela corou um pouco, sorrindo.
– Cuide bem dela, ouviu? – Johanna voltou-se para o garoto, que apenas assentiu com um sorriso. Dawn se perguntou mentalmente como ele e sua mãe continuavam se dando tão bem.
– Boom, vamos? – Ela segurou-o pela mão em seguida, confortável demais em poder fazer isso novamente para ficar com vergonha. Paul entrelaçou suas mãos quase que imediatamente, embora seu rosto permanecesse sério.
– Vamos acabar logo com isso. – Ele suspirou, olhando de soslaio para sua namorada – que estava deslumbrante, por sinal, não que ele diria isso alto – e puxando-a pela porta. – Só espero que eles toquem músicas bregas à noite inteira. Isso sim seria...
– Patético? – Ela cortou-o com um sorriso cínico. – Pare de reclamar, príncipe. Você vai ver, vai mudar de opinião logo que chegarmos lá! – E, virando-se para trás, acenou por uma última vez. – Até mais, mãe!
– Divirtam-se! – A mulher acenou de volta, observando-os sair e fechar a porta. Abrindo um sorriso largo, ela abaixou-se para pegar a última foto que restava – a de um garoto e uma garota, ambos de uns seis anos de idade, dormindo juntos debaixo de uma árvore do parquinho.
– Eles crescem tão rápido... – Johanna suspirou, olhando para a porta. Ambos tinham mudado de jeitos diferentes, mas as pulseiras que usavam nas mãos ainda brilhavam com a mesma intensidade de sempre – tanto agora, quando saíram, quanto na foto.
Talvez sua mãe estivesse certa; talvez elas tivessem mesmo o poder de manter unidas as pessoas que as usavam.
xxx
As luzes multicoloridas cobriam todo o espaço do salão, e inúmeros jovens alternavam-se na pista de dança, mesas espalhadas pelos cantos ou no buffet localizado mais ao fundo.
E, claro, quando se trata de comida, há duas pessoas que não perdem para absolutamente ninguém.
– Hmm, tá uma delícia! – Ash exclamou enquanto comia outro dos pequenos sanduíches dispostos no que antes era uma pirâmide, agora quase que inexistente.
– Ei, deixa um pouco para mim, Ketchum! – May falou ao seu lado, tendo acabado de engolir o que deveria ser sua vigésima trufa de chocolate – Ela não estava realmente contando, sentiria menos culpa desse jeito.
Bom, eles tinham sim dito que o buffet era maravilhoso e haveria uma mesa de doces, então não deveriam ficar surpresos que dois jovens esfomeados tivessem ficado sem comer a tarde inteira só para provar da comida.
– Nós tiramos eles de lá? – Drew perguntou de uma mesa próxima com uma sobrancelha arqueada. Misty ajeitou uma das alças do seu vestido longo de degradê azul para depois suspirar.
– Não, deixa eles. É melhor. – A ruiva virou-se para os outros integrantes da mesa, que conversavam entre si. Mais especificamente, Blue conversava com Silver enquanto Green sentava silenciosamente ao lado dos dois e Crystal e Gold estavam em outra discussão.
Eles parecem mais um casal de idosos brigando desse jeito. Misty revirou os olhos, voltando-se novamente a olhar para a mesa de comida. O Ash, no entanto, nem parece estar aqui comigo. Idiota.
– Ah, já vi que alguém vai dormir no sofá hoje. – Blue riu do outro canto da mesa, chamando a atenção da ruiva. Ela estava absolutamente linda com o vestido azul escuro sem alças de inúmeras camadas que era mais curto na frente e deixava uma saia caindo até os pés por trás de suas pernas nuas. Linda, mas ainda assimtipicamente travessa. – Se fosse eu, deixava ele sem comer por uma semana, Misty.
– É melhor um de vocês dois ir lá. – Brendan comentou, voltando a sentar-se em uma cadeira e encarando sua amiga de infância com uma gota. – Se eu conheço a May, ela vai ficar ali até não se aguentar mais em pé.
– Eu vou, então. – A ruiva suspirou, levantando.
O grupo sentado observou enquanto a garota se aproximou de seus alvos, puxou Ash pela orelha com uma mão e May pelo braço com a outra, e começou a arrastá-los de volta à mesa.
– Ela é prática. – Green disse com uma sobrancelha arqueada. Os outros também concordaram, tentando não rir da cara das duas vítimas da ruiva quando ela os pôs de pé em frente a eles.
– Ai, Misty! Você podia ter sido um pouco mais legal, sabia? – Ash reclamou, com as mãos sobre uma orelha.
– Se eu fosse mais legal, vocês dois nunca sairiam de lá. – Misty retrucou, cruzando os braços. – Agora garotas, vocês vão passar a noite inteira sentadas ou vão ir dançar?
– Dançar? Cheguei na hora certa! – A voz de Dawn foi ouvida por trás do grupo, e eles viraram a cabeça para vê-la ao lado de seu ‘príncipe’ (o que eles nunca chamariam Paul em voz alta se não quisessem uma sentença de morte), sorrindo.
– Dawn! – May, que havia se recuperado do susto, foi a primeira a recebê-la. – Você está linda!
– Obrigada! – Ela sorriu para a garota, entregou sua bolsa para Paul e, ignorando completamente o olhar de “você vai mesmo me deixar aqui?” que ele a direcionou, se voltou para o grupo. – E então, vamos?
– Claro! – Blue levantou no mesmo minuto, puxando Crystal pela mão que, ainda no meio de uma discussão, não tinha nem ouvido nada até o momento. – Vamos tomar essa pista de dança!
– Ei! O que-?
Crys não teve tempo de falar nada antes de ser puxada pelas amigas. O grupo de garotos restante só pôde encarar enquanto elas iam em direção de um grupo grande de pessoas que dançava no meio da pista.
– Elas não tinham que ficar perto da gente hoje? – Drew tentou seguir sua namorada pelos olhos enquanto ela andava. May estava mais bonita que o normal hoje, e ele tinha o pequeno receio de que outras pessoas, vulgo garotos, também percebessem isso.
– Deixa elas. – Green suspirou, bebendo um gole de ponche. – Blue estava triste o dia inteiro pela Yellow não ter vindo. É bom que elas se distraem um pouco.
– Então você se preocupa sim com ela! – Gold, que estava quieto até o momento, apontou um dedo para o mais velho do grupo. Mas, após receber um olhar mortal, retirou o dedo rapidamente. – Tudo bem, eu paro de falar.
Silver, silencioso como sempre, desviou os olhos de sua “irmã” para prestar atenção na conversa. Fora realmente um susto o que ocorrera com o pai de Yellow, e fazia sentido ela querer pular o baile por hoje, então...
Ele suspirou. Apesar de quase não falar com ela, a loira ela uma boa pessoa (sem falar que era também a melhor amiga de Blue).
O que será que ela está fazendo agora? O ruivo não pode deixar de se perguntar.
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Yellow encarou o teto de seu quarto. Mal podia acreditar que esse era um dos últimos dias que passaria nele por algum tempo, mas, bom, não é como se os acontecimentos do final de semana não tivessem sido surpreendentes.
Ela direcionou seus olhos verdes para a janela – já havia anoitecido há algum tempo. Suas amigas deveriam estar dançando nesse momento, ela sorriu.
Para falar a verdade, uma parte dela queria ter ido ao baile. Quer dizer, era uma oportunidade única – ninguém sabe o que poderia acontecer em um ano e, além disso, bailes são sempre inesquecíveis.
Mas outra parte dela, a que tinha passado a manhã inteira chorando com a notícia de que teria de se afastar de seu pai, não queria nem se mover de sua cama. Ela suspirou.
De repente, o pequeno beep! De seu celular a acordou de seus pensamentos. Alcançando-o com um dos braços, ela levantou-o até em cima de seu rosto e sorriu ao ver quem tinha mandado a mensagem.
Red. Depois dos acontecimentos de ontem, eles estavam oficialmente juntos. Parecia um conto de fadas, um sonho quase impossível de ser realizado, e ela estaria nas nuvens até agora se sua vida não estivesse tão trágica.
Está melhor?
Era uma frase curta e simples, mas ela não conseguia achar uma resposta de poucas palavras. Sua menta estava confusa com as possibilidades do futuro, e, enquanto ela se sentia mais calma do que estava antes, o aperto desconfortável em seu coração não tinha sumido.
Para falar a verdade, não sei. Mas estou melhor do que antes.
Ela apertou o botão de enviar, e esperou.
Hmm. Está bem o suficiente para ir até sua janela?
Yellow piscou. Sentando na sua cama com um impulso, ela pôs os pés no chão frio do quarto e caminhou até a janela, olhando para a rua.
Ele estava lá, olhando em sua direção, um sorriso abriu em seu rosto assim que a viu. Ele fez um sinal para ela descer, e a garota piscou ao ver que ele carregava uma caixa – ou melhor, duas – em suas mãos.
Sem gastar mais um segundo, ela foi rapidamente até o andar de baixo e abriu a porta. Seu namorado sorriu para ela, não deixando de perceber o olhar curioso que ela tinha ao observar o que ele carregava.
– Eu tenho uma coisa para te entregar. – Red comentou, sorrindo, e a loira fez espaço para ele entrar. Quando a porta já estava fechada, ela virou-se novamente para encará-lo.
– O que é?
– Acho melhor você ver por si mesma. – Ele riu, estendendo as caixas. – A sua é a de cima.
– Ela pegou a caixa de forma hesitante, um pouco confusa. Andando até a mesa da cozinha, abriu-a com cuidado e sentiu seu coração falhar uma batida ao ver o que havia dentro.
– Onde você conseguiu isso? – Ela perguntou com a voz fraca, levantando delicadamente um vestido branco longo, com mangas de uma renda delicada. Não tinha nenhuma dúvida, aquele vestido definitivamente era...
–Seu pai disse que queria te dar isso. – O garoto comentou, tossindo. – Estava no sótão da casa das suas primas, elas me ajudaram a achar.
– Mas... Por quê...? – Ela trouxe o tecido junto a si, confusa.
– Ele disse que não queria descobrir que você perdeu uma noite tão especial como essa por causa dele. – O garoto deu de ombros. -...Esse vestido era da sua mãe, não é?
A loira encarou-o, e assentiu. Andou até um porta-retrato virado de costas numa mesinha de canto e pegou-o.
– É a única foto da mamãe que deixamos aqui. Da festa de formatura... – A garota encarou a foto por alguns segundos.
–... Esse baile acontece à cada Olimpíada, Yellow. Podemos ir ao próximo. – O moreno comentou atrás dela.
Yellow desviou o olhar da foto para ele. Depois, voltou a olhar para o vestido que segurava.
–... Não. – Ela falou de repente. – Meu pai está certo; eu não posso deixar uma noite como essa passar.
– Tem certeza? – Red andou até o seu lado.
– Tenho. – A loira sorriu, voltando a olhar para a caixa. — ...Bom, os acessórios da mamãe estão ali... Acho que só precisamos de sapatos e um terno para você agora.
– Não precisamos, não. – O garoto segurou a outra caixa, sorrindo. – Suas primas mandaram um presente para você. Elas disseram que estão te esperando para te ajudar a se aprontar lá.
– Elas pensam em tudo mesmo, hein. – Yellow suspirou, sorrindo em seguida. – É melhor não as deixarmos esperando, então. Vamos!
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– Nossa, estou morta! – Dawn comentou, sentando novamente na cadeira. Ela encarou seu namorado pelo canto do olho, e fez bico. – Você poderia ter ido lá me chamar para dançar, sabia.
– Não começa, Dawn. – Paul suspirou, estendendo a ela um copo de ponche. – Toma.
– Ah... – Ela pegou o copo, e sorriu para ele. – Obrigada.
– Eu me assusto mais com esses dois a cada dia que passa. – Gold comentou do outro lado da mesa, encarando o casal com os olhos semicerrados. – Como é que ela consegue fazer ele ser legal com ela?
– Do mesmo jeito que eu consigo te aturar, Gold. – Crystal suspirou ao seu lado.
O moreno piscou, tentando processar o que ela havia dito, e abriu um sorriso malicioso. Apoiando um cotovelo na mesa, encostou o rosto numa das mãos.
– Deixa eu pensar... – Ele a encarou com seus olhos dourados, — Por que você me ama?
Crystal voltou os olhos para ele, observando desde o sorriso debochado em seus lábios até os contornos de seu rosto. Ele era um belo idiota, realmente. Ela até se admirava da força que tinha de não corar quando ele chegava perto dela desse jeito.
Talvez, ela sentiu os cantos da boca puxarem para cima, só dessa vez, ela pudesse ceder ao que ele queria.
E, pegando-o de surpresa, inclinando-se para frente para roubar um beijo dele.
– Acertou. – Crystal sorriu, sentindo uma pontada de satisfação ao ver a expressão incrédula e rosto corado que ele ficara, e levantou-se da mesa. – Vou pegar algo para beber.
Gold piscou.
– Vocês... – O garoto de olhos dourados começou, apontando para a garota que acabara de partir. – Vocês viram isso?! Ela me beijou!
– Eu pensei que casais fizessem isso. – Silver comentou com uma sobrancelha arqueada.
– Não é a mesma coisa, irmão-ruivo-da-Blue! – Ele se virou para o outro, balançando as mãos freneticamente. – Ela nunca fez isso! Sou sempre eu que tomo a iniciativa e...
–... Ei, pessoal. – A voz de Drew interrompeu os que falavam no momento, e ele apontou para a entrada do salão com uma sobrancelha arqueada. – Aquela ali não é a Yellow?
Eles olharam na direção indicada, para a silhueta de um casal que surgia dentre as luzes multicoloridas da festa. Algumas pessoas próximas dali pararam de falar, dando espaço para os dois – e foi só aí que eles constataram que se tratava sim de Yellow... E do namorado dela.
– Então ela resolveu vir, afinal. – Misty sorriu para todas as pessoas que encaravam a cena incrédulos. – Isso vai ser divertido.
Yellow engoliu em seco, olhando timidamente pelo canto do olho para as pessoas que a encaravam. Ok, ela tinha esquecido completamente a comoção que seria entrar com Red no baile.
Ela sentiu um aperto leve em sua mão, e olhou para o garoto ao seu lado – que sorria sem graça para ela.
– Desculpe por isso.
A loira retornou o sorriso e balançou a cabeça. Ela não se importava com os olhares (e os xingamentos internos que deveria estar recebendo de diversas garotas nesse momento.) nem com o que mais poderia vir em seu relacionamento com alguém como Red – ela o amava demais para se importar com uma coisa como essas.
E ela podia provar isso para ele.
Ficando na ponta dos pés, ela pôs uma mão no rosto dele e, sem qualquer tipo de aviso, selou seus lábios – para a surpresa do garoto e de todas as pessoas que observavam.
– Ela o beijou! – Blue levantou da cadeira de boca aberta. – Na frente de todo mundo! – Ela não sabia se se sentia surpresa ou orgulhosa. Talvez os dois.
– Isso é o que eu chamo de entrada triunfal. – Brendan comentou com uma sobrancelha arqueada. May tinha sim contado a ele de sua amiga que aceitara um desafio no início das aulas, mas ele nunca adivinharia que ela era do tipo de fazer algo tão ousado.
Ele encarou o grupo sentado ao seu redor, e sorriu de canto. Ela tem bons amigos.
– Ah, eles viram a gente! – May acenou para os dois, que agora vinham depressa em meio às pessoas que falavam entre si.
Ao chegarem, Blue pôs-se a bater palmas bem alto, sendo acompanhada pelo resto do grupo (mesmo os dois mal humorados que, como sempre, ficaram quietos). Yellow corou como um tomate assim que ela começou, tentou gaguejar alguma coisa que envolvesse “pare com isso” e por fim decidiu ficar quieta.
Red, ao seu lado, não conseguiu conter seu riso – só ela mesmo, para beijá-lo no meio da escola inteira e depois ficar envergonhada pelas consequências.
– Pensei que não vinha hoje, Yellow. – Dawn comentou, sorrindo, quando todos pararam de aplaudir.
– Bom, eu acabei mudando de ideia, hehe... – A loira riu, ajeitando uns fios soltos de seu cabelo preso em um rabo de cavalo alto e se sentando em uma cadeira.
– Que ótimo que mudou, então! – Blue levantou para abraçá-la. – Essa festa não seria a mesma coisa sem você.
– Estávamos até pensando em ir à sua casa trazer a festa até você, sabe. – Misty completou, pondo-se ao lado da prima depois que o abraço terminou.
– Obrigada, pessoal. – Ela sorriu para o grupo, — Mas eu não perderia essa noite por nada!
– Agora que vocês estão aqui... – A garota travessa do grupo puxou Yellow pelo ombro, colocando-a ao lado de seu companheiro de dança – Por que não vão dançar, hmm?
Ela olhou de canto para as milhares de garotas que olhavam para a mesa com ódio, e abriu um sorrisinho. Isso era uma revanche por todas as vezes que aquelas garotas idiotas do fã-clube de seus amigos falavam mal dela pelas costas. Bem feito!
– Eh? – A loira olhou para sua amiga, para o garoto ao seu lado, e inclinou o rosto para o lado. – Você quer ir?
– Claro. – Red sorriu, puxando-a pela mão para a grande pista de dança.
– Se é assim, então vamos! – Ela puxou Green de sua cadeira. – Não é, Greenzinho?
Ele a encarou por um segundo, e ela o encarou de volta. Ficaram uns três segundos entretidos numa competição interna até que ele, por fim, suspirou.
– Tudo bem.
– Yay! – A mais velha deu um pulinho de alegria e encaixou seu braço num dos dele. – Até mais, pessoal!
Os integrantes da mesa continuaram a observar os dois se movendo pelo salão – o que era fácil, pois as pessoas estavam literalmente abrindo espaço para eles passarem – e, bem nesse momento, a melodia suave de uma valsa começou a tocar.
– Ah, as músicas lentas começaram! – Dawn levantou de repente, voltando-se para Paul. – Vamos lá! Só uma, por favor!
O garoto a fitou. Se ele dissesse não, ela ficaria o irritando com isso pelo resto da vida (ele se lembrava de vários momentos parecidos com esse em sua infância). E, por mais que ele odiasse dançar, odiasse festas e não conseguisse suportar todas aquelas pessoas num mesmo lugar, ele gostava de deixá-la feliz.
Não que ele fosse admitir isso tão cedo. Talvez nunca.
...Ah, como se alguém ainda não soubesse que ele a amava.
– Tudo bem. – Ele levantou, e pôde jurar que nunca viu um sorriso tão grande em seu rosto. Aproximando-se de seu ouvido, ele sussurrou. – Mas você vai ficar me devendo.
– D-devendo o que? – Ela perguntou, sentindo todo seu sangue direcionar-se para seu rosto, olhando para ele. Seu príncipe apenas sorriu do jeito que sempre fazia quando queria irritá-la e deu de ombros, puxando-a pela mão.
– Quem sabe.
Os integrantes que sobraram da mesa encaram os dois com uma gota. Eles preferiam não saber o que Paul tinha em mente.
– Uh, bom, isso foi estranho. – Ash comentou, terminando de comer – sim, comer – o conteúdo de seu prato, e virando-se para a ruiva que tinha se sentado ao seu lado. – Você não vai dançar?
– Se alguém me convidasse, sim. – Ela respondeu, sentindo uma veia brotar em sua testa. — Mas como ninguém fez isso à festa inteira, então não.
– Ah. – O garoto piscou, e sorriu em seguida. – Quer ir comigo, então?
É sério isso? Foi o que provavelmente todos os que estavam sentados tinham pensado no momento.
– Quer saber? – Misty suspirou, e sorriu em seguida. – Quero sim.
– Se vocês vão dançar, então eu vou também! – Ele se levantou de sal cadeira, e foi correndo na direção em que Crystal tinha ido.
– Ele não perde tempo, huh. – A ruiva do grupo virou-se para os outros sentados, — Vocês não vêm?
– Vou ficar. – Silver se adiantou para responder, cruzando os braços e olhando para a pista de dança onde sua “irmã” estava no momento.
–Eu quero ir! — May sorriu, levantando-se e ajeitando seu vestido vermelho. Drew tomou isso como incentivo para levantar também, mas foi interrompido por uma mão em seu ombro.
...Que revelou ser Brendan, que sorria com uma pitada de arrogância.
– Desculpa aí, alface ambulante, mas a primeira dança é minha. – Ele falou, controlando-se para não rir da expressão de raiva que ele fez.
– E quem disse isso? – O outro rebateu, levantando e pondo-se de frente a ele.
– Vamos lá garotos, não briguem. – May se meteu no meio dos dois, cruzando os braços e fazendo bico. – Vocês não podem tentar se entender pelo menos hoje?
– Não quando ele está tentando se aproveitar da minha namorada. – Drew bufou. A garota sentiu seu rosto esquentar minimamente quando disse isso (ela ainda não estava acostumada com a palavra namorada ainda), mas forçou-se a se manter impassível.
– Drew, é só a primeira dança, ok? Eu já tinha prometido isso para ele. – Ela pousou uma mão em seu peito, tranquilizando-o. – Depois disso, eu serei toda sua.
Ele piscou, abriu um sorriso convencido logo em seguida e ela pôde jurar que nunca corou tanto em toda a sua vida.
– Q-quer dizer, toda sua para dançar no baile! Bom, tecnicamente eu sou sua namorada, então não é só nisso... M-mas não é nesse sentido! — Ela se embolou nas palavras enquanto tentava explicar, balançando as mãos freneticamente para os lados.
– Tudo bem, May, eu já entendi. – O garoto de cabelos verdes aumentou o sorriso, surpreso com o dom da garota à sua frente de ser tão adorável quando nervosa (E irritada, o que deixava suas implicações ainda mais divertidas).
– Ah. – Ela então parou sua explicação, abaixando os braços. Ele aceitara assim tão fácil? Drew normalmente preferiria admitir que usava condicionador com cheiro de rosas antes de deixa-la fazer algo sozinha com Brendan.
–... Só tem uma condição para isso.
Viu, ela sabia que não seria assim tão fácil.
– O que é, então? – May perguntou, cruzando os braços. Misty, que já tinha desistido de esperar e fora com Ash para a pista, provavelmente estaria encarando o garoto com uma sobrancelha arqueada nesse momento.
– Eu quero que você use isso. – Ele disse, tirando uma caixinha de um dos bolsos. A garota ficou em silêncio, com os olhos arregalados, observando-o tirar de lá um colar delicado.
– Drew... – Ela examinou as pequenas rosas vermelhas do acessório (três, para ser mais exata) e os raminhos prateados com cristais que compunham o colar. – É lindo. Quando custou isso?
– Isso não importa, selvagem. – Ele pegou o presente delicadamente de suas mãos, levando as pontas do colar até se encontrarem atrás do pescoço dela. – Ele é seu agora.
Ela encarou o presente e voltou os olhos para o garoto à sua frente. Quem diria que o garoto que ficava a irritando desde sempre em sua escola fosse fazer uma coisa dessas um dia?
O tempo pode mesmo fazer coisas incríveis com as pessoas.
– Obrigada, Drew. – A garota mostrou um de seus melhores sorrisos, ficando na ponta dos pés em seguida e dando-o um beijo rápido na bochecha. – Não vou tirar isso nunca.
Brendan suspirou, encarando o casal. Eles podiam ser um pouco menos melosos... Talvez fosse efeito colateral das brigas idiotas que os dois sempre tinham? Algum sintoma comum em casais denominados de “opostos de atraem”?
O que quer que fosse, ele não saberia tão cedo. A única garota que ele gostara na vida já amava outro... E se apaixonar novamente parecia estar fora de questão no momento.
– Bren? – Ele olhou para cima, vendo May se aproximar. Ela tinha um sorriso sem graça no rosto. – Desculpe à demora, você sabe como é o Dreweca.
– Não tem problema. – Ele sorriu para ela, estendendo sua mão. – Vamos?
– Sim!
Com passos lentos, ambos se direcionaram até a pista de dança. A melodia suave da valsa os conduzia lentamente de um lado para o outro, mas o garoto aproveitava a lentidão da música para conversar com sua amiga de infância.
– E você viu aquele cara ali? Parece que tomou banho de ponche. – Ele virou-a para encarar um garoto com uma marca grande de vermelho no terno.
– Ruby, isso é maldade. – Ela riu, olhando para o rosto irritado do amigo. – Eu me lembro do dia em que você derramou suco de laranja na sua blusa e ficou resmungando sobre isso pelo resto do dia.
– Era a primeira blusa que eu fiz, é claro que ia ficar triste. – Ele bufou, — E não me chame pelo meu segundo nome, May. Você sabe que eu odeio quando você faz isso.
– Tudo bem, futuro designer de moda milionário. – A garota zombou dele, rodopiando antes de voltar para os braços do mesmo. – Só quero que saiba que esse vestido é só meu, entendeu? Se você ousar fazer isso, vou te chamar de Ruby para o resto da sua vida!
– Como quiser, May. – Ele riu, resolvendo então mudar de assunto. – Mas então, como vai a confusão com a sua prima?
– Ah, isso? – Ela sorriu para ele. – Parece que ela vai mesmo se mudar lá para casa.
– É mesmo? – Brendan piscou. Ele já tinha ouvido várias histórias sobre a famosa prima encrenqueira de sua melhor amiga, mas nunca a conhecera. Como será que ela era?
May pareceu entender a dúvida nos olhos rubis de seu amigo, pois comentou logo em seguida:
– Acho que você vai gostar dela. Saph pode ser um pouco aventureira demais às vezes, mas somos bem parecidas fisicamente!
– Fisicamente? – Ele franziu a testa. – Ela tem o rosto parecido com o seu ou algo assim?
A garota riu dele, o que o deixou mais confuso ainda. Foi só depois de se controlar que ela conseguiu falar o que queria:
– É muito mais do que isso, Bren.
xxx
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