The Best Voice - USA
5 Audition - Hilary White
Notas iniciais

POV Hilary White
Horas antes da apresentação, o nervosismo começou a tomar conta de mim. Eram 7 horas da manhã, e eu não tinha conseguido dormir nem um segundo. Fiquei me imaginando na frente de mais de mil pessoas, sendo que 4 delas seriam famosos.
Tinha começado a ensaiar a 2 semanas antes, e isso era muito pouco. A música que iria cantar era Someone Like You, da Adele, que segundo meu amigo, tinha ficado "cool" na minha voz.
Coloquei a minha melhor roupa de frio, já que o programa seria em Nova York, e aqui fazia muito frio. Meu pai, pela primeira vez na vida, concordou em me levar de carro até o local onde ia acontecer a primeira audição, e minha mãe "decidiu" ir junto. Pelo menos isso ele fizeram por mim!
As audições começariam às 11 horas, e eu era o numero 122. A ansiedade era tanta, que eu não pude me conter em roer as minhas unhas, que pela primeira vez em séculos, eu tinha passado um pouco de esmalte. Meu cabelo estava mais arrumado do que o normal, mas mesmo assim estava uma droga. Minha roupa era um moletom preto e uma jaqueta jeans sem mangas, uma calça preta com desenhos de girassóis, coturnos e uma toca cinza, e acredite ou não, essa era a minha melhor roupa de frio. Não tinha passado maquiagem nenhuma, mas não era por não querer, era por não saber mesmo, e de jeito nenhum ia pedir para minhas irmãs.
A sala que ficava atrás do palco estava lotada de pessoas se arrumando, conversando com outros participantes ou com suas famílias... E algumas se amostrando.
Minha mãe ficou falando um monte de baboseira na minha cabeça, enquanto eu roia minhas unhas, que já estavam todas quebradas naquele ponto, e o esmalte já tinha saído praticamente tudo.
Uma garota linda estava do meu lado, tinha cabelos cacheados, usava uma jaqueta de couro, uma blusa escrita "ZIP" (nem me pergunte o que isso quer dizer) e uma calça jeans que deixava ela com um ar sexy. Ela era bonita, não posso negar, mas provavelmente deveria ser mais uma daquelas garotas que amam se amostrar por aí.
A garota, assim como eu, estava com a mãe. Mas elas pareciam se dar super bem, como a maioria das pessoas ali presente, conversavam sobre não sei oquê. Pareciam estar super animadas, e isso me deixou com um pouco de vergonha. Ela com certeza era mais velha do que eu, devia ter 17 ou 18 anos. O seu nome era Lucy, e ela era o número 123. Como eu sei? Todos tinham uma plaquinha com o nome e o número, isso fazia com que todo mundo ali parecessem presidiários.
Tinha também uma garota que se chamava Emily, e ela usava uma roupa tão ridícula que eu pensei porque alguém em sã consciência usava aquilo. Ela deveria ter quilos de maquiagem no rosto, sem contar naquele vestido ridículo que deixava quase seu corpo inteiro amostra. E ela era o número 50.
E tinha um garoto... mas depois a gente fala sobre isso.
Voltando sobre o assunto da garota bonita, depois de um tempo eu comecei a perceber que ela não era nem um tanto fútil, na verdade ela era bem simpática.
–Oi. -Por incrível que pareça, uma pessoa ali decidiu puxar assunto comigo. -Eu sou a Miller, Lucy Miller! -Ela parecia bem animada.
–Oi.-Disse com um pouco de vergonha. Quando alguém fala comigo, eu não sei o que falar, e ai as pessoas começam a me achar meio estranha. Eu acho que é porque eu sou meio estranha mesmo. -Eu sou a Hilary... White.
–Gostei. Ta nervosa, né? Eu também, é normal, todo mundo fica assim. Eu acho.
–Quer batatinha? -Ela perguntou, tirando um pacote de Ruffles de não sei onde.
–Não obrigada. -Na verdade eu queria, mas não aceitei por educação. Não cairia muito bem eu aceitar, já que eu acabei de conhecer ela. Estranho, eu acho que tinha acabado e me importar com a opinião de alguém.
–Vai cantar o que? Você parece ser meio punk, legal. Eu vou cantar Turn My Swag On, do Soulja Boy. To muito nervosa, você também né? Eu você não é de falar muito mesmo?
– Someone Like You, Adele. -Ela parecia encantada, não sei por que. -Eu to muito nervosa, deve ser por isso. -Dei um sorrisinho meio torto ao dizer aquilo. Lucy parecia ser legal, não metida, não fútil, apenas legal, e bonita, muito bonita.
Duas coisas que eu tinha percebido sobre Lucy Miller até aquele momento:
1º Ela fala, e ela mesma responde por você.
2º Ela não consegue ficar 2 segundos sem falar nada.
–Curti seu gorro! Você é de onde? Eu sou de San José! Conhece?
–Conheço, sim. É bem longe, né?- Perguntei, tentando ser um pouco mais simpática. — Sou daqui mesmo, Nova York.
–Ah sim, muito longe, mas nem tanto. Que daora, Nova York, aqui é legal. Você é legal.
Senti minhas bochechas queimarem. Eu não sou muito de conversar, como já devo ter dito, quando alguém fala comigo eu fico meio envergonhada, e isso faz com que eu pareça estranha. Já que eu sou mesmo.
–Obrigada. Você também é legal.
–Ei, tem um gatinho te olhando! -Eu fiquei procurando o gatinho. Literalmente. Eu fiquei procurando um gato. Não um menino bonito. Um gato mesmo. Entendeu por que eu sou estranha?
Era realmente um menino lindo. Olhos azuis que se pareciam com o mar, bochechas rosadas, cabelo despenteado... a não ser pelas roupas, que pareciam que ele era gay. Não tenho nenhum tipo de preconceito, mas parecia mesmo. Suspensório, blusa listrada, calça colada. Ele parecia gay. Mas era bem bonito.
–Número 122, compareça ao palco daqui a 5 minutos. -Uma voz de computador disse. Demorei alguns segundos para perceber que era a minha vez. Lucy fez com que eu se esquecesse dos problemas da vida, com que eu me esquecesse de tudo. Gostei dela, mesmo.
O menino continuou me olhando até eu subir ao palco.
Duas mulheres loiras, um homem negro e bonitão, e um cara meio rockeiro. OH MY GOD, eram eles!
Sabe quando você não acredita no que vê? Eu estava assim mesmo. Eu congelei. Fiquei parada ali, no meio do palco, olhando de um lado para o outro. A plateia aplaudia, e aquelas pessoas me fitavam esperando alguma coisa. Não parecia ser verdade. Mas era.
–Olá! -Lili disse olhando para mim
–O-o-lá. -Disse gaguejando.
–Você está nervosa meu amor? -Disse Lisa, eu amo aquela mulher.
–É.. não.. -Disse parecendo uma retardada.
–Vai cantar o que? -Disse o moreno bonitão, Mark.
–Someone Like You, Adele.
–Oh, boa escolha. Vá enfrente! não nos decepcione.
Como assim? Eu ia ter que cantar? Agora? Ali?
Depois de alguns segundos (que pareceram horas) eu percebi que sim, eu ia ter que cantar ali, agora.
E foi isso que eu fiz.
A plateia explodiu em aplausos. Eu não acreditei no que via. Todas aquelas pessoas me aplaudindo, a sensação era incrível. Os jurados me encaravam encantados, Lisa estava até com a mão no peito e com a boca aberta. Tudo isso era por causa de mim? Eu tinha feito aquilo? Eu tinha tanto talento assim? Não, acho que não.
Eu nem tinha ido não bem assim. Tinha desafinado do refrão, praticamente detonado a música.
–Ai. Meu. Deus! Hilary! Isso foi incrível! -Lisa disse arfando a cada palavra
–A melhor! -Completou Josh, que até então estava quieto. Você tem noção disso? Meu cantor preferido disse que eu tinha feito a melhor apresentação! Não parecia verídico.
–Obrigada. -Disse, quase não dando para ouvir. Eu estava com um sorriso de orelha a orelha.
–Por mim, você já passou!
Depois desse e mais alguns elogios, que eu parecia não acreditar que eram para mim, tive de deixar o palco. E quem estava ali me esperando? O gatinho de olhos azuis. E a garota bonita e simpática, Lucy. Eles estavam no maior papo furado.
–Oi. -Disse olhando para Lucy. O menino me encarou, e eu quase tive um ataque cardíaco.
–Oi Hilary! Esse daqui é o Peter. -Ela disse apontando para o "deus grego" dos olhos azuis e roupas gays. -Como foi?
–Oi... -Disse o deus grego, vulgo Peter.
–Oi... -Eu estava quase infartando. -Eles disseram que eu fui bem. -Não queria me gabar dizendo que eles tinham adorado, amado, e dito que eu fui a melhor.
–Ai meu Deus! Quem bom, agora sou eu! -E saiu saltitante para o palco. Fiquei me perguntando se ela era assim mesmo, ou se ela estava assim por causa do nervosismo. E com isso, ela me deixou ali, com o deus grego, sozinha.
–É... oi. -Ele disse.
–Oi — Disse automaticamente. -Vou indo, minha mãe está me chamando. -Não queria ser mal educada, minha mãe não estava me chamando, e ele reparou. Mas você não tem noção de como é ter um deus grego daqueles te olhando.
Saí correndo feito uma boboca em direção da minha mãe, que estava meio que dormindo sentada.
Então chegou a pior parte, a parte que decidiam quem passava ou não. Chamaram uns 20 nomes, e não chamavam o meu, nem o de Lucy.
–John Brown! -Juro que vi Lucy dar um risinho quando anunciaram que esse tal de John passou.
–Emily Lawrence! -Não pude deixar de fazer uma cara de insatisfeita.
E depois de 5 nomes...
–Peter Davis!
–Lucy Miller!
–E por último... -Anunciou o apresentador.
–Hilary White!
Eu ouvi isso mesmo?
Fale com o autor