The Best Republic
2 Nightmare - Capítulo 1
Notas iniciais
Como cheguei aqui eu não sei, mas não foi para cá que eu imaginei que iria. Quando passei na faculdade, achei que ficaria no conforto da minha linda e magnífica casinha, com a minha mãe lavando a minha roupinha, não imaginei, nem por um segundo, que eu viria parar numa preparação para as pessoas que vão viver atrás das grades.
Para falar a verdade, eu nem sei como eu vim parar no meu quarto, que eu divido com um nerd que já ocupou mais da metade dele com seus computadores e pôsteres, apesar dele ser legal e tudo.
De todas as opções que a minha mãe tinha, ela preferiu ficar com a que tinha tradição, ou seja, os tigres, que pela fama que eu ouvi nos corredores da faculdade era a pior, pois era a que fazia mais eventos bombásticos, ou seja, um lugar horrível para uma menina que queria passar despercebida na faculdade.
Quando entrei nesse hospício, eles começaram a encher a paciência, eu nunca fiquei tão doida para entrar no meu quarto, sussurros como “Oi, gracinha, as panteras são do outro lado do campus, quer que eu te leve lá?”, “Mal voltei e já tem carne aqui, assim meu amigo vai subir o patamar”, “Gracinhas assim não deviam ser permitidas no meio dos lobos maus.”, essa sinceramente foi à melhor, porque de maus eles nem tinham a cara, pareciam um monte de patetas.
Tive uma grande vontade de mandar todos se foderem, já que não tinham nada melhor para fazer, ou melhor, irem arrumar a casa, pois o cheiro de vômito e suor estava impregnando o meu nariz e eu sinceramente não tinha nem coragem de olhar para os lados para ver o que tinha espalhado pelo local, subi direto para a ala que eu achava que eram os quartos e lá encontrei uma plaquinha com o meu nome, o que não foi difícil, pois a porta já estava emperiquitada com coisas dos stars wars, o que realmente chamou a minha atenção.
Meu lema para sobreviver era: Nunca chegar em casa antes das meia noite, eu não sabia quem eu poderia encontrar, nunca olhar para os lados para eu não ter vontade de arrumar a casa alguma hora e ficar contaminada com algum vírus contagioso, sempre entrar e sair o mais brevemente possível e só assaltar a geladeira no meio da madrugada.
Dois dias se passaram que eu estava na faculdade, meus dias se resumiam em ir às aulas obrigatórias, fazer as aulas extras (inclusive a Educação Física avançada, o que era uma desgraça, pois não conseguia dar nem uma volta direito, mas ao mesmo tempo era bom porque tinha uns meninos bem bonitos que tiravam a camisa durante as voltas, o que me dava uma bela visão do peitoral deles) e mais algumas de minha escolha, ia para a biblioteca e as meia noite voltava para casa, já que o toque de recolher da faculdade era as dez, assim não precisava ver ninguém, mas sabia que não demoraria em uma festa acontecer e eu ter que ficar fazendo hora na arquibancada da quadra, ou melhor, dormir na arquibancada da quadra.
–Teddy, você escutou alguma coisa do que eu disse? – Olho para frente e percebo um par de óculos me encarando, com a luz acesa, como eu não percebi que o meu colega de quarto levantou, acendeu a luz e ainda me fez uma pergunta?
– Sim, eu sei – Disse balançando a cabeça, mesmo não tendo idéia do que eu acabei de afirmar, mas ele sendo nerd, não me meteria em confusão.
– Então, repete! – Diz ele co voz firme e desconfiando da minha afirmação anterior
– Que eu sou a menina mais inacreditável da sua vida – Digo dando um sorriso torto, sabendo, e bem, que a resposta certa não era essa.
– Você chega a ser mais avoada do que eu, como você quer fazer direito assim, menina?! – Diz ele indignado desistindo e sentando-se na sua cama a minha frente. O nosso quarto era de se esperar, o lado dele era coberto de pôsteres, com estrelinhas no teto a cama de solteiro encostada na parede e a escrivaninha em formato de L em frente à cama, onde a escrivaninha terminava começava o armário, ela estava com vários livros e computadores. Já o meu lado estava com a parede nua, a cama perfeitamente bagunçada a escrivaninha com vários livros e roupas jogadas, o armário era em cima da cama embutido com o final da escrivaninha que tinha um armário em pé, fiquei com a parte que tinha mais armários, mas não adiantava de nada, já que quem usava a maioria é o Luke, esse armário em cima da cama me da o maior medo, mas não seria comigo que iria cair, eu sou uma pessoa muito boa para isso.
– São coisas diferentes, Luke! – Digo – Isso eu aprendo com a prática, assim como você vai aprender a ser... – No que ele não deve ser bom? – Mais rápido no computador – Digo com um sorriso debochado
– Você é uma pateta – Diz ele por final e eu nem ligo, ele é a única pessoa próxima a amigo que eu tenho aqui
–Você vai me dizer o que te fez levantar e acender a luz para me dizer, ou vai me deixar no escuro? – Pergunto
– A nobreza vai querer conhecer a plebe. — Mas que porra de enigma é esse? Vamos, Luke é meia noite, à hora do sono. – O presidente e seus súditos reais vão vir amanhã às quatro nos dormitórios ver pessoalmente cada um e dizer as regras. Os estudantes de direito vão ter que se apresentarem as seis, que vai ser depois da aula de ciência política.
– Tudo bem – Digo me levantando, trancando a porta, desligando a luz e desejando boa noite ao meu colega de quarto, mal sabe ele que eu não vou aparecer aqui, nem que me condenem, provavelmente é para conhecer as pessoas em quem eles vão fazer trote e eu não vou ser uma delas.
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–Vários filósofos pensavam na forma em que os sábios, governariam e seriam a cabeça do desenho, pois esses tem mais conhecimento sobre as coisas e ao invés de guerras, promover a paz com o seu intelecto... – A aula de filosofia política é a melhor, o professor é maravilhoso, o problema é que estava quase no final, quase na hora de os estudantes de direito terem que se apresentarem aos representantes da república. – Assim, a plebe seria os pés, ou seja, à vontade, ela comandaria o desejo da população, que seria moldada pelos sábios, para promover a satisfação de todos – O sinal bate e o professor passa um livro sobre essa filosofia, liberando a turma em seguida. Vou direto para a biblioteca, colocar em prática o que eu aprendi lendo alguns livros, inclusive o que o professor de ciências passou
– Teddy – Chamou-me o professor. Caminho até ele e ficamos nós dois apenas na sala de aula e ele arruma suas coisas. – Percebi que a senhorita é bem elevada para essa aula básica, gostaria de fazer uma aula mais aprofundada no assunto? – Diz ele se virando para mim e me olhando nos olhos. Sorrio, mas salto por dentro, claro que eu iria aceitar e é isso que faço – Essa aula vai ser dada agora na sala seis, acompanha-me? – Pergunta ele e eu apenas acento positivamente com a cabeça.
Mais uma aula de ciência política e algumas outras no final, saio as nove das minhas atividades, vou para a biblioteca, pesquiso algumas noticias, falo com a minha mãe e o Zeke pelo skype, dou entrada no livro que o professor pediu-me e vou embora, pois a monitora me expulsou da biblioteca, vou para a quadra e fico lendo, até que as luzes se apagam.
Ouço gritos bem altos, puta que pariu, vou presenciar um assalto na minha frente? Que palhaçada é essa?
– Vocês vão ter que formar filas e a cada resposta errada uma peça de roupa a menos e o nosso amigo vai ter o prazer de jogar comida em vocês. – Diz um menino encapuzado sem camisa, ele era forte e bem alto
– Isso mesmo, os selecionamos, pois eram os melhores intelectualmente, agora vamos selecionar os que estão aptos fisicamente. – Diz o outro mais baixinho e cheiinho. Devia ter uns dez encapuzados, formando um círculo e colocando os meninos vendados em fileiras, até que eu reconheço o Luke, Minha Santa Brigadeira, ele não merece isso...
Sem fazer barulho, por mais incrível que possa parecer, corro em direção a sala de manutenção das quadras, olho dentro da sala e não tem nenhum guardinha, provavelmente devem ter o subornado. Entro na sala e começo apertar vários botões, até que aparece a imagem da quadra que eu queria, aperto mais botões e a luz da mesma acende, jogo o irrigador de água e rapidamente todos saem correndo, pois pensam que o jardineiro Freud deve estar indo para lá. Ele não se dá com tecnologias, por isso ele sempre vai conferir se o gramado está sendo molhado, em poucos dias eu já percebi isso, pois sempre saio da biblioteca para a quadra por conta disso, assim a luz fica acesa até mais tarde, dando tempo de eu fazer as minhas coisas até a hora do meu sinal de recolher.
– Ei, o que você está fazendo ai? – Olho para trás e vejo um barrigudo com uma caixa de roscas na mão.
– Fazendo justiça? – Pergunto balançando os ombros com um sorriso amarelo estampando o rosto.
– A senhorita vai fazer justiça na sala da diretora, já passou e muito do horário de estar na cama! – Ele vem em minha direção, mas eu viro a cadeira para o lado contrário e saio correndo, o que não impede de ele vir correndo atrás de mim. Começo a correr como se a minha vida dependesse disso, ou melhor, como se tivesse um pote de doritos com coca na minha frente. Começo a ficar sem ar, quando dou por conta que já estou, praticamente, na república. Olho para trás e nem sinal do gordo, ou seja, a aula de educação física está fazendo algum resultado, ou o gordo é mais sedentário do que eu e a república é perto dessa área de manutenção das quadras, o mais provável é a segunda opção.
Entro na república e faço o meu mantra, até perceber que a casa está muito silenciosa, sempre há pelo menos gemidos ou conversas, mas dessa vez nem sinal de algo tão característico para mim, ou seja, eu estava sozinha. Mudo meu rumo até a cozinha e assalto a geladeira, pego coca, um copo de suco, maça, um pacote de doritos, um pacote de cebolitos, banana, ta pensando o que? Sou natural! Para pegar tudo isso, tive que subir no balcão para alcançar, infelizmente ainda continuo com um metro e cinqüenta e três de pura gostosura. Subo as escadas sem o menor cuidado, pareço um godizila andando. Abro a porta do meu quarto e em seguida tudo que estava em minha mão cai, ou melhor, desmorona.
– O que uma mulher está fazendo aqui?– Minha primeira impressão dele: Lindo, sexy, provocante, gostoso e muito cheiroso, a sua primeira impressão sobre mim: Gorda, ladra, descabelada, baixa e fedorenta. Não me culpem se eu corri e me descabelei e só tomei banho hoje de manhã e não comi nada hoje, por isso estou com uma draga na minha barriga – Sabia que nós homens não gostamos quando roubam a nossa comida, Teddy?
– Qu....Quem é você? – Minha voz vacila e eu começo a pegar as coisas do chão e ele, nem se movimenta.
– Pode me chamar de seu mais novo pesadelo – Diz ele com um sorriso cínico e passando por mim, chutando o meu pacote de doritos. Levanto-me bufando e indignada com o que ele acabou de fazer, mudando os meus pensamentos todos para: babaca. Ele encosta-se à parede contrária a porta, e eu olho diretamente em seus olhos negros, os quais eu não enxergo nada, eles são totalmente impenetráveis – Não pense que é só porque é mulher você não vai receber trote e da próxima que marcarem horário apareça na hora certa, não temos tolerância, conversei com a diretora e você tem que tentar se enquadrar e nós não somos tão pacientes – Diz ele desencostando da parede e fechando a porta do meu quarto.
Deito-me na cama e desisto de comer tudo o que eu trouxe. Toda a falação começa e assim percebo que os novatos chegaram de seus castigos, Luke entra no quarto mais fecho os olhos, não queria conversar, só queria ficar imaginando o que estava se passando por de trás daqueles olhos tão imparciais.
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