The Best Republic
7 50 Turns!!
Notas iniciais
— Ok, pode me explicar o porquê de você ter ficado presa na cadeira da aula de filosofia? – Pergunta o Luke depois de eu contar o motivo de eu ter ficado na sala do professor Arnold um pouco mais do que o esperado e quase dado um bolo nele.
— Você sabe quem fez isso e o motivo... – Digo revirando os olhos. Apesar de nunca admitir isso em voz alta: já estava cansada dessas pegadinhas o que mais me desmotiva é que eu já estava ficando sem idéia do que fazer com o Trent. De fato essa mini competição deixou nós dois mais próximos do que eu gostaria de admitir e gostando ou não, ele já não estava na lista de pessoas que eu odiava.
— Não sei por que vocês continuam com essa coisa de criança! – Lá vem o sermão usual do Luke, reviro os olhos com a progressão dos fatos que são apresentados com razão – Estamos na NYU, todos sonham um dia com isso tudo e vocês ao invés de contribuírem e gastarem energia com pesquisas e alguma coisa produtiva que vá levar vocês, principalmente você, a algum lugar ou carreira melhor remunerada. Ficam gastando energia com joguinhos para ver quem desiste primeiro, só para depois falar que ganhou na cara do outro. – Quando abro a boca para me defender, ele ataca, novamente – Já sei que você vai falar que isso é parte do seu futuro trabalho: não entregar um caso até que esteja finalizado, mas tenho uma surpresa para você: isso tudo, esse jogo se chama infantilidade e você mais do que ninguém deveria se envergonhar disso....
— Luke chega! – O interrompo antes que ele comece a falar que a fome na África é minha culpa também — Eu sei que sou culpada por estar fazendo parte desse “jogo” mas eu não vou desistir e ponto.
— Luke acho melhor você abandonar esse caso, já conversei com ela e ela não vai desistir tão fácil – Diz Brooke interrompendo a minha fala e sentando ao lado do Luke dando um beijo na bochecha do mesmo e me dando uma piscadela.
— Obrigada pelo apoio Brooke!! – Digo a cumprimentando com um sorriso vitorioso.
— Não há de quê! – Diz ela dando uma olhada para o hambúrguer dela como se estivesse dando um “olá” – Como minha mamãe diz: temos que reconhecer quando vemos um pato teimoso, pois se não ele não irá parar de ganir até conseguir o que quer! – Diz ela após uma grande mordida no hambúrguer.
— Está me chamando de pata teimosa? – Pergunto com o rosto revirado. Essa expressão combina mais com a minha mãe que a mãe da Brooke, afinal a mãe dela é toda requintada e madame e a minha é quase que o oposto.
— Exatamente isso que ela está falando! – Diz Luke rindo da minha cara enquanto a boca da Brooke estava ocupada com as batatas fritas.
— Até que combina bem – Digo rindo junto com eles.
— Qual vai ser o troco? – Pergunta Luke
— Vai ter que esperar para ver! – Não sabia exatamente o que iria fazer, mas dessa vez ia ser grande, tinha que ser para tentar acabar com isso de uma vez. Não estou agüentando mais esse jogo, apesar de ter gostado no inicio e ter sido divertido me cansei.
— Assim você vai me matar de curiosidade – Diz Brooke quando ela da uma folga na sua comilança.
— Depois eu te conto – Digo dando uma piscadela para ela. Dou uma checada no celular quando ele vibra até ver que é a minha mãe me ligando depois de um longo tempo sem falar com a mesma é quase impossível imaginar o que ela tem para me falar. – Gente, tenho que atender isso. – Digo me afastando e apontando para o celular. Eles dão umas respostas estranhas que não entendo mas considero como um sim.
— Oi — Digo
— Cadê o oi, mãe?! Não acredito que você ainda pode estar brava comigo só por eu ter te deixado na faculdade que você queria entrar – Começa a mulher que me deu a vida, só que hoje não estou a fim de escutar a sua vitimização por isso a corto
— Se me ligou para ver como eu estou como uma boa mãe faria a resposta é: estou bem. Se me ligou para ver se eu estou brava por ter me deixado em NYU a resposta é: não. Se me ligou para perguntar se eu ainda estou brava com você por ter me deixado em uma republica cheia de meninos fedorentos e baderneiros a resposta é: sim, ainda estou brava e não vou ficar bem por um longo tempo ainda. E só para constar: preferiria estar falando com o Zeke
— Filha... – Começou Alexia
— Alexia fale de uma vez o motivo – Digo com a voz um pouco alterada. Não sei por que continuo a chamando de mãe depois de tudo o que ela me fez passar, isso quando eu ainda era criança. Eu sei que a culpa foi minha, mas não tinha motivo para fazer o que ela fez comigo.
— Eu não agüento mais ficar pedindo o seu perdão, você gostando ou não, eu gostando ou não, você continua sendo a minha filha e sempre vai ser. Eu sei que o que eu fiz não tem razão e sei que a gente deveria conversar sobre isso, mas sempre que me aproximo para conversar sobre o que aconteceu você arranja um motivo para se afastar. A culpa não é minha a partir do momento em que você me bloqueia. – É o que eu precisava; agora Alexia estava chorando comigo no telefone
— Motivo, eu preciso do motivo! Estou ocupada – O que não deixa de ser verdade, Luke e Brooke são mais mães do que a minha própria mãe. Então em ordem de prioridade eles vêm antes, certo?
— Vão fazer uma homenagem aos militares mortos e escolherão o dia 19 para isso, caso você não recorde o dia dezenove é na quinta feira. O traje é completo e começa as oito em ponto. Vai ter uma janta e depois vão fazer as condolências, como você é de maior eles queriam que você recebesse a condecoração de seu pai e eu concordei. – Diz ela por fim e meus olhos se enchem de lagrimas conforme ela despejou tudo em cima de mim.
— Ok, vou estar lá – Minha voz está um pouco embargada e controlo para que ela não saia mais assim — Tchau, eles estão me chamando aqui! – Antes que ela possa se despedir, eu desligo o celular e corro em direção ao banheiro mais próximo. Tudo começa em fleches: o bebê, meu pai, a luz e em fim os braços de meu pai ao meu redor imóveis.
— Teddy! – Brooke entra no banheiro e me vê encolhida no canto com os joelhos no peito, os braços ao redor do meu corpo e a cabeça entre ambos os joelhos. Ela começa a decidir o que vai fazer ou falar, mas acho que a preferência dela foi a mais inteligente. Ela simplesmente me abraçou, o que eu aceitei de bom grado, e não falou nada. Ela ficou comigo esperando o choro acabar e eu nem sabia que estava chorando até ela perguntar se já tinha terminado.
Quando saímos do banheiro com os braços de Brooke ainda ao meu redor Luke vem correndo em nossa direção e só agora percebo o quanto o garoto mudou desde que eu o conheci. Ele cortou os cabelos em um corte que o deixava com a aparência de sempre estar arrumado, apesar de nunca estar. Estava musculoso, isso deve ser graças a aula de educação física avançada, a qual tínhamos hoje um pouco mais tarde. Ele está usando uma calça que destaca a sua perna musculosa com uma blusa eu também não ficava para trás nesse quesito e estava com seus óculos, o que me permitia dizer com certeza que ele era o Luke.
Brooke apenas acenou para o mesmo fazendo um gesto de “não” com a cabeça. Ele se deteve com qualquer frase que ele estava pronto para falar e apenas me abraçou pelo outro lado. Ficamos assim por um tempo apenas vendo as pessoas passarem, até Brooke dizer que precisava terminar o lanche dela para poder tomar a sobremesa , que ela estava morrendo de fome e que só pediu o hambúrguer para poder tomar o sorvete depois.
— Mas você podia ter comprado somente o sorvete, patetinha – Disse Luke de um modo tão carinhoso que ele nunca faz comigo. Eu sabia que tinha algo entre os dois e essa demonstração de afeto estava longe de ser “a melhor” dos dois
— Qual seria a graça? – Perguntou ela — Um sorvete não é um sorvete se ele não for acompanhado por toda a família celulite! — Isso me fez rir mais ainda – Viu, ela já está melhor!!
— Não tem como ficar mal com vocês discutindo se a “família celulite” fica diferente se só um membro for comido. – Digo fazendo os dois sorrirem e Brooke me soltar para voltar a mesa terminar com a sua família feliz.
— Eu sei que você não está bem e que isso tem a ver com a ligação que você recebeu – Luke diz ainda abraçado comigo e ambos estamos olhando para Brooke se afastar. – Não importa o que seja eu estou com você para o que der e vier, você é a minha irmã! Sei que você não vai querer falar comigo sobre o que aconteceu, mas quero que saiba que te entendo e independente do que for: eu estou com você!
— Já sei qual vai ser a próxima – Digo e Luke se afasta e me olha como “definitivamente a pessoa mais louca que já vi”, mas logo depois ele entende e começa a rir.
— Qual vai ser a próxima pegadinha?
— Vai ter que esperar até a gente chegar a republica. – Digo enquanto ando pelas cadeiras do shopping e ele vem atrás de mim pedindo para que eu conte a ele prometendo que não irá contar a ninguém.
Quando pegamos o carro Brooke senta na cadeira do navegador enquanto o Luke vai dirigir. Quando paramos no sinal vermelho enquanto a Brooke procurava uma estação de radio boa sussurro no ouvido de Luke um “obrigada” ele sorri e acena com a cabeça pelo retrovisor. Depois do abraço que eles me deram hoje, o sorriso dele foi o sentimento mais repleto de sossego que eu experimentei a mais de anos.
Depois disso quando chegamos ao campus ficamos conversando perto da quadra até o técnico vir em nossa direção e quase me puxar pelas orelhas por eu ter faltado tanto e se depender ter que me reprovar na matéria. O que fez Luke e Brooke começarem e rir e o técnico começar a brigar com Luke também, o que me renderia uma boa gargalhada se eu não estivesse sendo puxada para o meio da quadra.
— Bom quero que dêem cinqüenta voltas depois que trocarem de roupa para aquecer depois vocês vão se juntar com o resto para acompanhá-los – Diz ele e quase começo a rir. Cinquenta voltas é o que eu vou correr por todas as aulas que eu faltei! E nas minhas condições acho que não agüento nem vinte. Levanto a mão e ele aponta para que eu fale
— Eu não tenho certeza se o senhor se recorda, mas eu não faço essa aula a uns dois meses ou mais. – Ele concordou balançando a cabeça e arqueou uma sobrancelha quando eu parei de falar me encorajando a falar mais – Não sei se agüento cinqüenta voltas e ainda acompanhar eles depois – Digo apontando para o grupo de meninos no centro da quadra
— Então sugiro que você comece logo, pois quem quis faltar às outras aulas foi você, desse modo, cinqüenta voltas é o mínimo que terá que fazer para recuperar as notas que você perdeu. – O meu olhar de desespero deve ter sido tão grande, pois todos os meninos da quadra começaram a rir, mesmo sem entender o que estava acontecendo.
— Acho melhor a gente ir andando – Diz Luke no meu ouvido e me puxando para o vestiário. Vou ao meu armário, pego minhas roupas que chegavam a estar com cheiro de mofo por falta de uso e vou a uma cabine, enquanto o Luke faz esse processo com um sorriso enorme no rosto; ele só pode ser sádico.
— Luke, se eu morrer, saiba que eu te amo e fala para Brooke que ela é a minha pessoa – falo com ele através da cabine que eu estava.
— Está assistindo muito Grey´s anatomy – Diz ele da cabine do lado – Você não vai morrer, então para de ser dramática
— Eu? Dramática? – Pergunto com um tom de espanto na voz – É ele que está querendo o meu fígado mal passado!! – Quando falo isso o Luke começa a rir junto com outra pessoa e por mais eu me odeie um dia, foi essa risada que me alegrou ao invés da do Luke. Por mais que eu me odeie, o ponto alto do meu dia foi quando eu saí da cabine e vi o Trent sorrindo comigo e não de mim, quando eu o vi olhando para mim e não através de mim, como se ele quisesse me ler, ele só estava ali para mim. Por mais que eu me odeie saber que ele estava ali para mim fez com que o meu coração parasse uma batida e fez com que eu o admirasse.
— Vamo tampa!! – Diz Luke batendo devagar na minha cabeça – Se não vai ficar o dia inteiro correndo!
— Tá bom – Saio do vestiário com Luke ao meu encalço perguntando o que foi aquilo. O grande problema é que eu também não tinha a resposta!! Que droga está acontecendo comigo? Só o que me faltava perder o controle do meu próprio corpo! Logo agora que eu tinha que fazer cinqüenta voltas!
Fale com o autor