Notas iniciais
*Sentimentos Intermináveis* Oii gente, mais um capítulo pra vocês. Vou ver se consigo liberar o próximo de Nuestra Pasion amanhã porque to sem internet. Ps: Eu sei que o formato do capítulo está estranho, mas prometo que no próximo volta ao normal!! Não se esqueçam de comentar, favoritar e acompanhar. Amo vocês. Boa Leitura. ♥️

Angeles Saramego.

Minha respiração mal funcionava, parecia que eu tinha desaprendido a viver. Meu coração apertava com o turbilhão de lembranças que me invadiam enquanto eu observava German Castillo bem na minha frente, como nunca pensei que fosse acontecer, era um misto de sentimentos intermináveis.

O clima era tenso, dava pra sentir a aura pesada que nos rodeava. A única coisa que eu queria era pegar minha filha e sair correndo pra qualquer lugar longe daqui, mas meu corpo parecia não querer obedecer ao meu comando. Era notório que isso aconteceria em algum momento, eu só não eserava que acontecesse tão rápido.

Teria de aprender a lidar com isso.

Então minha única escolha era baixar o olhar e tentar não me magoar ao lembrar dos meus últimos dias em Buenos Aires. Ver o German aqui na minha frente me abalou como eu nunca pensei que aconteceria, meu coração acelerou e me sentir ficar trêmula de nervosismo, esses sentimentos insuportáveis que me bombardeavam em milésimos de segundos eram perigosos demais podendo até destruir o que eu construí passo a passo com Leonardo. Mas bastou em pôr meus olhos em German depois de tantos anos, para saber que ele viraria minha vida de ponta a cabeça.
— O que veio fazer aqui, pai? – Ouvi a voz da minha sobrinha nos salvando de toda aquele incômodo desnecessário.
Mesmo atônita meu cérebro trabalhava constantemente para me livrar daquele constrangimento, então eu fiz a única coisa que estava ao meu alcance. Virei-me para Alice a observando e fazendo um carinho em seu rostinho sonolento.
— Er... Vim buscar você filha.

Ele me parecia claramente incomodado.
Pela primeira vez encarei German de verdade, estava muito mudado. Me parecia mais um iceberg que quase não deixava transparecer as emoções, porém eu disse quase.
— Tô com sono mamãe… – Alice disse manhosa.
Suspirei ao sentir o olhar surpreso dele recair sobre mim. Surpresa!
— Tudo bem meu anjo, vem cá. Nós já vamos. – Falei baixo enquanto a pegava no colo, aconchegando ela em meus braços. German me olhava intacto como uma pedra, entendo o motivo de se sentir tão desconfortável.

Eu também me sentia assim por dentro, chocada.
— Bom Vilu, eu já vou. Até amanhã. – Me despedi de Violetta com um beijo.
— Até tia. Tchau Leo, tchau princesa.
Leonardo acenou com um sorriso para minha sobrinha, assim como Alice.
— Vamos amor?
Olhei para ele mais uma vez, desviando o olhar rapidamente.
— Vamos sim, com licença.

Ajeitei Alice em meus braços já indo em direção a saída, antes de eu chegar no estacionamento sinto uma mão forte segurando meu ombro. Eu sabia de quem era, só não queria acreditar.
Por mais rápido que fosse, meu braço se arrepiou ao seu toque quente. Por sorte ele não percebeu que ainda tinha efeito sobre mim, não deixaria nunca mais German invadir minha vida.
— Espera Angie! – German pediu.
Me virei o olhando friamente, German retirou a mão do meu ombro num lampejo.
— O que quer?
— Quando voltou da Europa?
Sorri cínica. Ele achava que ainda tinha algum direito de saber sobre mim depois do que fez?
— Isso não te interessa.
German pigarreou.
— Aceita ir jantar lá em casa? – O olhei incrédula. – Leve sua família, Vilu vai adorar te ter por perto.
Mordi meu lábio inferior mau acreditando em sua cara de pau, como assim ele me convidava pra ir jantar em sua casa como se nada tivesse acontecido? Balancei minha cabeça negando.
— Obrigada pelo convite, mas eu....
Antes que terminasse de responder Alice pareceu despertar e pulou no meu colo.
— Vamos mami, por favor, vamos. Eu quero brincar mais com a Vilu!
A olhei séria.
— Você não estava com sono?
Alice me fitou sapeca.
— Sim mas eu quero ficar com minha prima! – Fez bico.
— Alice, melhor não. Já tá bem tarde....
— Por favor mami. – Juntou as duas mãozinhas me olhando com os olhinhos fofos de gatinho. Respirei fundo, como negar um pedido dessa boneca?
— Tudo bem.
German sorriu fraco e Alice comemorou em meu colo.
— Então vamos né mocinha.
— Até mais tarde! – German se despediu.

Acenei com a cabeça e saí dali o mais rápido possível indo para o carro onde Leo já nos esperava mexendo em seu telefone com a cara fechada, entrei com Alice mesmo no banco da frente observando Vilu e o pai se abraçarem.
— O que houve? – Leonardo questionou me tirando do transe.
— Não houve nada. – Dei ombros. Cada célula do meu corpo gritava ao lembrar que eu teria que jantar na mansão. – German nos convidou para jantar.
Leo arqueou a sobrancelha.
— Não gostei dele Angie. Tenho um forte pressentimento que vocês dois já....
Coloquei a mão em sua boca rapidamente, não deixando ele terminar.
— Nós nada. Nada!! German é meu cunhado, nunca aconteceu nada entre a gente.
Olhei para Alice que estava entretida com o seu tablet, nem ligando para nós. Porém eu sabia que o olhar de Leo me fitava duro.
— Será que podemos ir pra casa? – Pedi impaciente.

Ele bufou ligando o carro e dando partida. Durante o caminho não trocamos nenhuma palavra, Leo estacionou o carro e nós descemos. Fui na frente um pouco chateada já abrindo a porta e Alice entrou se jogando no sofá nos fazendo rir.
— O que foi isso, mocinha?
— Ah mami, vou dormir um pouquinho.
A olhei divertida.
— Tudo bem, mas só porque passou o dia comigo. Daqui a pouco te acordo, tá? – Alice concordou se aninhando nas almofadas. Fui até ela beijando seu rostinho.
O medo de perdê-la me golpeou novamente como um soco, tinha medo que ele percebesse as semelhanças - que não eram poucas - que nossa filha tinha herdado dele. Me sentir desmoronar pouco a pouco por dentro, meu interior fazia uma guerra ao pensar nele. Aquele encontro havia me abalado, me perguntei várias vezes como estaríamos se tudo aquilo não tivesse acontecido, estaríamos casados? Alice teria irmãos? Uma parte de mim queria muito saber, onde estaríamos agora? German me fez sentir coisas que nenhum outro conseguiu, eu o amei tão intensamente, mas isso ficou no passado quando ele me acusou de ter roubado seu maldito dinheiro. Balancei a cabeça espantando esses pensamentos.

Tudo o que eu precisava era de nossa filha, uma pequena parte de nós dois. Alice e eu, isso era o suficiente para me deixar feliz.
— Angie, podemos conversar um pouco?
O olhei séria, concordando.
— Eu confio em você Angie. Só não gostei dele, mas se você diz que nunca tiveram nada eu vou confiar. – Leo disse com calma.

Sorri um pouco sem mostrar os dentes, aquilo realmente havia sido muito importante.
— Obrigada, eu precisava escutar isso. – O abracei.

Seus braços fortes me envolveram pela cintura me aconchegando ali como se eu fosse uma criança indefesa.
E pela primeira vez no dia, me permitir relaxar.

German Castillo.

A imagem de Angeles não saia da minha cabeça desde que eu cheguei, confesso que fiquei muito feliz ao ver que estava bem e mais maravilhosa que antes, o tempo havia sido generoso com ela. Mas por outro lado se eu imaginava tentar qualquer coisa, tudo tinha ido por água abaixo quando eu vi que ela tinha seguido em frente. Angie tinha outro homem e ainda por cima havia formado uma família, me pergunto a todo instante se teríamos ido tão longe assim se eu não tivesse a mandado embora.

Com certeza sim, pelo tempo com certeza já teríamos casado. Sorri com o pensamento, Angie seria minha esposa! Eu acordaria e a veria todos os dias, e mesmo que acontecesse imprevistos no meu dia eu não me importaria pois ao chegar em casa teria MINHA Angie comigo. Droga, por que eu não acreditei nela? Tentei achar culpados para o que aconteceu, Esmeralda… Jade… Matias, nenhum deles era tão culpado assim, eles jogaram a isca e eu caí tão rápido quanto um peixe porque queriam me separar da única mulher que eu amo.

No final das contas me doeu quando percebi que o único culpado de tê-la perdido, era apenas eu.
— E então o que você acha? – Ouvi Ramallo me tirar de meus devaneios.
O olhei confuso. Não tinha prestado atenção em nada.
— Acho uma boa ideia. – Dei ombros.
— Então você acha uma boa ideia a empresa do Sr. Matteo construir um prédio num terreno sagrado para tribos indígenas? – Ramallo me observava sério.
— Não! Não, é claro que não. Liga agora pra essa gente e diz que o projeto não foi aprovado.
Ramallo suspirou.
— Eu ligo, mas antes por que você não conta pro velho Ramallo o motivo de ter ficado tão pensativo depois de ter ido buscar sua filha huh?
Ofeguei irritado ao lembrar daquele homem a chamando de amor e daquela criança linda em seus braços.
— Angie voltou pra Buenos Aires. – Comecei sério, Ramallo arregalou os olhos com um sorriso que mau cabia em seu rosto. – Encontrei com ela no Studio.
— Que boa notícia meu amigo! Depois de tanto tempo vocês vão poder conversar e esclarecer tudo....
Revirei os olhos cansado. Isso era outra coisa que me doía admitir.
— Não Ramallo esquece, não podemos ter mais nada. Angie tem família agora.
Ramallo me mirou surpreso.
— Como assim?
— É o que você entendeu. Angie tem um marido e uma filha perfeita, uma menina linda demais.
— E então…? O que você vai fazer?
— Nada Ramallo, não posso mais fazer nada! Já tive todas as chances possíveis, e ela vem jantar aqui então tente não falar nenhuma besteira.
— Eu tento. – Brincou.

Antes que o respondesse a campainha toca, fazendo meu coração querer pular fora do peito. Ela havia chegado, saí da sala junto com Ramallo já vendo Vilu e Angie abraçadas, sorri com nostalgia.
—Tia! Que bom que resolveu vir jantar aqui. – Vilu comentou animada. Angie riu.

Estava simplesmente perfeita! Me inebriei com seu cheiro gostoso permeando todo o ambiente, era o mesmo perfume de quando ainda éramos noivos!

Desviei meu olhar por alguns segundos antes que babasse ainda mais.
— Viluuuuuu! – A pequena garotinha pulou no colo de Violetta animada, que a segurou entre risos.
— Oi princesinha! Que linda você está. – Vilu babava em sua priminha.

Não conseguia tirar o olho dela completamente hipnotizado por sua beleza. Usava um vestido branco com listras pretas justo ao seu corpo de mangas que iam até o cotovelo, e um salto nude lhe dando o ar de mulher elegante como realmente era.
— Olá Angie. – A cumprimentei tentando disfarçar o turbilhão de sentimentos intermináveis que me rodeavam.
— German. – Me cumprimentou friamente.

Eu certamente merecia esse cumprimento frio depois de todo o sofrimento que eu a fiz passar.
— Meu amor, precisa de alguma coisa? – O homem perguntou atencioso.
— Não amor, obrigada. – Ela sorriu doce pra ele.

Acenei para seu marido o encarando sério ao lado da Angie – minha Angie – não gostando nada de presenciar essa encenação. Ok, não era uma mentira. Eles se gostavam de verdade, dava pra perceber pelos olhares carinhosos trocados. Mas o que eu poderia fazer? Nada além de desejá-la com tudo de mim.
Por um lado eu me sentia tranquilo, por saber que ela estava bem e estava feliz com alguém que também lhe fazia feliz e que cuidava dela como merecia, mesmo que meu coração apertasse eu estava aliviado. Eu teria que me controlar ao máximo, não poderia deixar ninguém perceber que eu estava me corroendo de ciúmes da Angie.

Para que meu coração se quebrasse ainda mais, percebi que eu havia a perdido pra sempre. Havia perdido seu amor no momento em que ela se entregou para outro e teve essa criança tão linda que instantaneamente eu desejei que fosse minha.

Entretanto tinha uma pergunta que martelava forte em minha mente. Ela também o amava?

Geral.

— Srta. Angeles! Que bom revê-la aqui! – Ramallo a cumprimentou com um sorriso.
Angie sorriu e o abraçou.
— Ramallo! Senti sua falta. – Ambos se soltaram com sorrisos. – Esse é Leonardo, meu futuro marido. Amor esse é Ramallo, assistente pessoal do German.
— É um prazer. – Ramallo estendeu a mão.
— Igualmente. – Leo a apertou com um sorriso.
— E aquela boneca nos braços de Vilu é Alice, nossa filha. – Angeles a apresentou orgulhosa.
— É tão linda quanto a mãe.
— Obrigada. – Alice respondeu convencida fazendo todos rirem.
— Quantos anos você tem princesa? – German perguntou a olhando fixamente.

Angeles se desesperou, se Alice dissesse sua idade German faria as contas e tiraria suas próprias conclusões, isso não poderia acontecer de nenhuma maneira. Quando a menina ia responder, uma mulher gordinha de cabelos negros aparece na sala nervosa.
— SR. GERMAAAAAAN! SR. GERMAN! – Olga entrou na sala escandalosamente.
Angie respira aliviada. De qualquer forma, era errado ficar mentindo dessa maneira, mas era a única forma de deixar tudo como estava.
— O que foi Olga? Pra quê todo esse escândalo? – German perguntou sério.
— A SOBREMESA!! QUEIMEI SEM QUERER, ME DESCULPE!!! – Olga choramingou entre gritos.
Angie e Violetta se entreolharam rindo ao ver que Olga não tinha mudado em nada mesmo.
— Tá tudo bem, Olga. Faça outra se isso te deixar melhor.
— Mas…– Murmurou chorosa.
— Olguinha tá tudo bem, nós vamos comer mesmo assim. – Vilu disse terna. – Agora cumprimenta a Angie…
Angie sorriu abrindo os braços para recebê-la num abraço. Porém Olga se virou e a olhou como se não fosse ninguém importante ou por talvez não tê-la reconhecido e Angeles a encarou surpresa.
— Ah muito prazer! – Disse rapidamente com um aceno e foi virando-se para Violetta. – Minha pequenina, eu não queria fazer isso. Eu te prometi um jantar maravilhoso não foi? De quem é essa menininha tão bonita?
Leonardo olhou para Angie confuso, e Ramallo mexia no telefone para disfarçar a vergonha assim como German.
— Tá tudo bem Olguinha, já disse. Agora vai cumprimentar a ANGIE! – Violetta enfatizou entre risos o nome da tia que tanto amava.
A ficha de Olga caiu e ela encarou Angeles, surpresa.
— A Angie está aqui? Ai meu Deus, por que não me disse antes? – Disse indo até a loira e a abraçando forte. – Angieeeee! Que saudades de você minha bonequinha.
— Olguinha. – Ambas continuaram abraçadas.
German percebia o quanto Angeles fazia um bem danado para todos na casa, e desejou fortemente que tudo voltasse a ser como antes.
— Quanto tempo minha princesa! Está tão mudada, tão mais linda.
— Obrigada Olguinha. – Disse com ternura.
— Bom, apresentações feitas que tal irmos jantar? – German pediu com um sorriso. Seu olhar pairou em Angie de mãos dadas com Leonardo por alguns segundos e ele bufou espantando o incômodo/ciúmes.

Na verdade mais ciúmes do que o incômodo.
— Acho uma ótima ideia. Estou faminta! – Alice brincou e Angie a olhou séria.
— Quer sentar do lado da Vilu meu amor? – Perguntou carinhosamente e pequena assentiu animada.

Sentaram-se na seguinte ordem. German na ponta, Violetta ao lado esquerdo com Alice ao seu lado e Angie ao lado direito com Leonardo ao seu lado.
Olga serviu o delicioso jantar, começaram a comer em um desconfortável silêncio. Angie olhou para German desconcertada pela quinta vez em meio ao jantar, se perguntava qual seria o tamanho da sua felicidade caso nunca tivessem se separado. Mas logo dentro de si obteve sua resposta, seria enorme.

Seguiu o olhar para a aliança de namoro em seu dedo, e se sentiu culpada por estar confusa em relação a German. Respirou fundo, decidida a esquecer qualquer mínimo sentimento que ainda tinha restado pelo pai de sua sobrinha, a partir de agora ele seria apenas o pai de Violetta e nada mais.
Olhou terna para Vilu e Alice vendo que tinha os melhores presentes que a vida poderia ter oferecido, sorriu voltando o olhar para German que agora a observava sério. Angeles ruborizou desviando o olhar rapidamente, porém ao olhar Violetta percebeu que ela alternava os olhares entre os dois desconfiada.
German observou Angie, mudada porém linda. Parecia mais uma deusa! – Pensou consigo. Olhou para Alice e para Leonardo vendo que ela não parecia nem um pouquinho com aquele homem, e tinha os mesmos olhos de Vilu quando era pequena. Mas sendo filha de Angie, com certeza tinha pego alguns traços da prima e nada mais.

Continuou a observando enquanto esta comia serena, ficou pouco perturbado ao saber que esteve nos braços de outro do mesmo jeito que já havia sido dele tantas vezes, e esse pensamento logo o tirou a fome, mas continuou comendo e fingindo que isso não lhe afetava mais.
Violetta já observava o pai e a tia desconfiada, percebia que em alguns momentos do jantar eles trocavam olhares. Sabia dos sentimentos de seu pai, mas será que Angie ainda sentia algo? Tinha que descobrir, e tentar fazer alguma coisa pelo bem de sua família.
— Mamãe, quero colo. – Alice pediu manhosa com a boca toda lambuzada de chocolate pela sobremesa.
O que fez todos rirem da fofura daquela criança.
— Vem cá meu amor. – Angie a pegou no colo, limpando sua boquinha e a ninando.

(…)


— Angie? – Violetta a chamou séria. Sorriu carinhosamente ao ver sua priminha dormindo calma no colo da tia. – Ela dormiu rápido né?
— Sim, estava bem cansada. – Angie olhou a filha carinhosamente fazendo uma carícia em seu rostinho corado. – Precisa de alguma coisa, Vilu?
— Vamos no meu quarto? Preciso conversar com você.
Angeles a observou nostálgica, igual aos velhos tempos. Entretanto tudo tinha mudado.
— Vamos.

Angeles Saramego.

— Então sobre o que quer falar? – Perguntei sorrindo enquanto me encostava em sua escrivaninha.

Seu quarto não havia mudado nada em todos esses anos, Alice certamente teria gostado muito desse quarto.
— Senti muito a sua falta, tia. – Vilu me abraçou.

Ri, retribuindo seu abraço e fazendo um carinho em seus cabelos castanhos. Só Deus sabe o quanto havia sentido falta da minha sobrinha, o quanto me doía ficar sem ela por tanto tempo.

Mesmo sendo uma mulher e sabendo se cuidar sozinha, eu queria está por perto… Pra cuidá-la, protegê-la de tudo. E meu coração pesava quando eu pensava que não havia feito isso durante os últimos 6 anos.
— Também senti sua falta, sobrinha linda. Agora vamos poder pôr todas as novidades em dias, quero saber de tudo viu? – Murmurei divertida sem desfazer do abraço.
Vilu riu me contagiando também.
— Está me deixando envergonhada. – Disse entre risinhos. – Eu também quero saber de tudo, viu senhorita?
Nós rimos cúmplices.
— Sobre mim não tem muito o que saber. – Dei ombros fingindo desdém. Ela desfez do abraço.
— Tem certeza? – Continuou desconfiada.
Por um segundo eu desconfiei que ela sabia sobre a paternidade de Alice, mas percebi que não tinha como afinal nem toquei no assunto.
— Tenho… Tenho sim… – Continuei me tentando controlar o nervosismo. – Mas por que pensa assim?
— Seus olhos. – Disse séria.
— O que tem meus olhos?
Não conseguia entender o motivo dessa conversa.
— Angie, seus olhos não negam! Vi como você olhou para o papai no jantar, você ainda sente algo por ele, não é? — Violetta me questiona séria.

Confesso que fui pega de surpresa. A mirei cansada e logo desviei o olhar para Alice que dormia serenamente na cama de Violetta. Depois de tudo o que German me fez sofrer tanto aqui quanto quando meus primeiros anos na França, eu não podia me permitir sentir mais nada por ele a não ser indiferença. Ele não significa mais nada na minha vida.

Alice, Violetta e Leonardo sim.
— Vilu as coisas entre nós sempre foram muito complicadas, eu não ligo mais para seu pai! Não sinto mais nada por ele a não ser afeto, e mesmo que eu sentisse… Eu iria me obrigar a esquecê-lo de qualquer jeito, nem que pra isso eu tivesse que voltar para a França novamente! – Respondi juntando todas as convicções que tinha.
Não podia deixar German se aproximar mais que o necessário e me magoar novamente.

German Castillo era definitivamente uma página virada na minha história.

Notas finais
Espero que gostem. ♥️ Não se esqueçam das regrinhas básicas! Fiquem com Deus. ♥️