Notas iniciais
Às vezes eu me pego besta com o fato de eu ter acertado uma teoria que eu criei e adicionei à fanfic: a de que o Exército Revolucionário – o meio que eu mais gosto em One Piece – consegue sua força treinando crianças desde pequenas até a fase adulta, de forma que, quando crescem já são “especializadas”. Isso me deixa tão feliz > < Quando eu criei The Best Job a Koala e o Sabo tinham acabado de surgir do mangá e tudo que eu criei aqui foi da minha mera imaginação… Fico muio feliz que se aproxime, de certa forma, com o original. Enfim, aproveitem o capítulo :)

O coração de Sabo parecia que não iria mais aguentar. Aqueles lábios, aquela garota, tudo nela conseguira despertar nele um desejo afetivo e sexual que jamais desejara antes por nenhuma mulher. Ela o deixava sem fôlego, sem fala, sem ação, e muitas foram as vezes que agira feito bobo perto dela. E, para piorar, ela ainda viera com essa de beijá-lo num momento assim, que estava vulnerável.

Koala, que antes estava sentada numa cadeira ao lado da cama dele, agora estava em pé, inclinada, ainda com os lábios encostados no do loiro. Sabo pensara, por alguns segundos, que a professora de karatê achava que ele ficaria sem ação, que seria só mais um selinho – mas é claro que não. Sabo começou a mover os lábios, e, mesmo meio fraco por conta da febre, puxara a companheira para perto de si, obrigando-a a ficar sentada na beirada de sua cama.

Sabo se sentia como um adolescente perdendo o BV. Claro, eles já haviam se beijado na vez em que foram ver as estrelas na superfície do quartel general, mas nada era comparado àquilo. Nem ele e nem ela sabiam exatamente o que estava fazendo, mas de qualquer forma deixavam o instinto guiá-los. E, diga-se de passagem, parecia estar dando certo.

A moça arqueou as costas ao sentir as mãos calejadas do conselheiro levantar, devagar, a barra de sua blusa.

Isso foi como um aviso para ela, que bruscamente se separou do outro.

— … — Sabo ficou olhando para ela, ainda recuperando o fôlego, meio desnorteado. Ele não estava entendendo bem o porquê da amiga ter interrompido o beijo daquela forma, bem na hora em que a coisa estava ficando boa.

— Eu… — ela não sabia o que dizer. Estava morrendo de vergonha tanto por ter iniciado o beijo quanto por ter acabado com ele. Olhava para todos os lados, menos para o rosto do rapaz, que ainda procurava por uma resposta no rosto da garota. Foi quando ela, ainda muito vermelha e mordendo o lado inferior de vergonha, abaixou de volta a barra de sua blusa, que ele entendeu.

Ele havia exagerado. Ela estava, de fato, gostando do beijo – mais do que ele podia imaginar – mas ele estava levando a situação a um nível que ela não estava pretendendo. Sabo havia deixado o desejo carnal falar mais alto que a razão. Como era bobo, estava na cara que ela não iria querer aquilo ali, com ele, naquela hora. Se sentia um idiota por não perceber.

— Desculpa. — fora a única coisa que conseguia dizer, e jogou as mechas de cabelo do rosto para trás. — eu não queria…

— Tudo bem, tudo bem. — ela respondeu nervosa, gesticulando com as mãos. — é só qu-

Koala foi interrompida pela porta, que se abriu de forma brusca, revelando uma garotinha de cabelos róseos e orelhas de coelho que todos conheciam: Nina.

— Oi! — a menina finalmente cumprimentou, levantando uma das mãozinhas. Ela entrou eufórica no quarto de Sabo, fechou a porta e rapidamente pulou na cama de semana, deitando-se ao lado dele. — Fiquei sabendo que você tá com febre, Senpai. É por isso que você tá vermelho? — a pequena olhou para Koala, que ainda estava corada. — Olha, acho que a koibito-chan pegou sua febre.

— Sim, Nina, eu tô com febre. — Sabo riu de canto, ignorando o que a garota dissera por último. — você veio fazer o que aqui?

— Fazer companhia. — disse a garotinha de 5 anos incompletos.

Um silêncio mórbido se instalou no local.

— Koibito-chan, deita aqui com a gente.

Nina bateu com a mão aberta no lado direito da cama, que era o lado vago. Koala hesitou, olhou nos olhos de Sabo como se perguntasse ao superior como sair daquela situação, mas ele apenas sorriu novamente e deu ombros, como se dissesse que era melhor fazer o que a pequena queria. Koala suspirou, se levantou, e então se deitou na cama, de modo que Nina ficara entre os dois.

Logo, ficaram os três deitados na cama de Sabo, deitados em silêncio olhando para o teto, sem dizer uma palavra. Era estranho, considerando que Nina era uma garotinha de quase cinco anos bem saudável e que adorava falar e perguntar sobre tudo.

— Parece até que vocês são meus pais. — Nina disparou repentinamente.

Koala ficara sem palavras com o susto.

— P-Por que diz isso? — Sabo perguntara, mas estava na cara que também estava chocado.

— Quando o Jay-chan era vivo, o tio Liam e a tia Ieni dormiam muito assim com ele. Tipo uma família com um filho, sabe. — a menina explicou calmamente, ainda fitando o teto.

Koala queria, sabia que deveria dizer alguma coisa, mas se via sem palavras. Estava na cara que Nina estava sentindo falta de pais, mas ela não sabia o porquê e nem sabia sobre seu passado.

— Nós não temos idade suficiente para ser seus pais, Nina. — Sabo explicou, de forma calma e tranquila. — por que você está pensando sobre isso?

— É que… — a menina pensou, como se escolhesse melhor as palavras. — eu queria ter uma mamãe e um papai, pra quando eu fazer aniversário, que nem você, eles me encherem de presentes, me colocarem pra dormir, pra minha mãe fazer penteados em mim e… — ela fez uma pausa. — não sei, coisas de pais, sabe.

— Entendo. — foi a última coisa que Sabo disse, antes de olhar para Nina e ver que a menina acabara de cochilar.

— Ela dorme rápido. — Koala disse ao se virar de lado, ficando de frente para Nina e Sabo. Sabo fizera o mesmo para fitar as duas garotas.

— É… Dorme sim. Já está tarde.

— Sim, até eu estou com sono…

— Somos dois.

E então, Sabo, Nina e Koala dormiram ali, os três, juntos naquela noite, sem nem mesmo comentar sobre o beijo de mais cedo.

Mais tarde, Rokka passou no quarto de Sabo para ver se estava tudo bem, e deu de cara com a cena.

Ele nunca havia visto Nina dormir com uma expressão tão feliz.

(…)

Na manhã seguinte, Sabo e Koala voltaram ao ritmo de trabalho que já lhes era cotidiano. Koala dava aulas para os pequenos e Sabo resolvia seus assuntos como conselheiro. Depois de terminar mais um dia de aula, Koala tomara banho e fora até o quarto de Sabo, onde este costumava estar trabalhando. Pegou-se perguntando se ele não estaria vadiando, mas para sua surpresa ele estava realmente concentrado no que lia. – algo sobre Tequila Wolf, embora não conseguisse ver bem -

Como ela havia entrado sem bater, ele virou-se curioso para ver quem era.

— Ah, oi! — ele cumprimentou, virando-se de volta para o papel. — não precisava ter vindo tão rápido, não tem tanta coisa pra fazer, eu já estou acabando. E o Hack me ajudou, também. — explicou, apontando para o tritão com a caneta com tinha em mãos. Koala olhou para o tritão, que lia jornal sentado na cama de Sabo, e se cumprimentaram. — esse caso é realmente interessante.

— Num sentindo ruim, imagino. — ela se abaixou pra ver melhor o papel, ficando com o rosto perto do rosto dele. — sobre o que se trata?

— É sobre um local de construção de uma ponte em massa, e pelo que pudemos constatar está em construção ao longo de aproximadamente 700 anos, a pedido do Governo Mundial. O principal problema é que está sendo realizado por vários escravos que são criminosos ou pessoas de países que não são aliados ao Governo Mundial . O objetivo desta tarefa aparentemente impossível é conectar várias ilhas em conjunto, embora o propósito disto seja desconhecido.

— Nós vamos nessa missão? — ela indagou tirando um dos papéis da mão de Sabo e analisando.

Sabo achara curioso como ela sempre imaginava que sempre que ele tivesse uma missão ela deveria ir junto, afinal, poderia muito bem acontecer de ser uma missão apenas dele, já que seu cargo era maior que o dela. Mas sabia que, lá no fundo – ou nem tão no fundo assim – se sentia como ela. Desde que Koala fora quase abusada sexualmente por um mafioso obeso enquanto o conselheiro não estava, ficava com um pé atrás com a ideia de que a maníaca por limpeza poderia ser chamada para uma missão sem ele.

É, de fato, ele não poderia julgá-la.

— Nós não vamos, vou acompanhar daqui mesmo. — explicou. — há outros membros que são bem competentes que estão mais perto de lá, no caso, do East Blue.

— O East Blue, hein… — Koala devolveu o papel para Sabo e voltou a ficar de pé. — você já foi lá alguma vez? Digo, sem contar a época que era criança. — ela perguntou inocentemente.

A moça não estava prestando atenção, mas na sentado na cama de Sabo, lendo jornal, Hack — que tem o tom de pele amarelado -, estava branco. Ele estava pasmo com a notícia do momento, que era algo inacreditável: Portgas D. Ace estava preso.

Sabo mirava o rosto da parceira, confuso.

— Oi? — foi a única coisa que conseguiu perguntar, e isso deixara Koala confusa.

Todos naquele quarto estavam confusos.

Entretanto, o fato de Hack ter ouvido Koala falar sobre passado com Sabo o despertou como uma bomba sendo jogada em seu rosto. Ele se levantou num pulo da cama e puxou Koala para fora do quarto, enquanto esta apenas se deixou ser levada por estar mais confusa que cego em meio a um tiroteio.

— Koala…! — Hack gritara um sussurro, olhando para todos os lados do corredor, checando se havia alguém por perto. — você… Por favor, não faça isso de novo.

— I-Isso o que? — a garota já estava assustada. Não havia dito nada demais e Hack estava suando frio como se a garota tivesse dito que é aliada do Governo. — Hack, você tá bem?

— Sabo deve ter lhe contado sobre seu passado antes de chegarem aqui em Baltigo, não é mesmo? — questionou, e Koala assentiu. — pois bem… É estritamente proibido comentar com o Sabo sobre qualquer coisa relacionada ao seu passado antes de ter entrado para os Revolucionários, e essa regra serve para todos, desde próprio Dragon-san até o mais novato aqui dentro. Então, por favor, não faça isso de novo.

— Mas por que? Isso não faz sentido nenhum. — a professora já estava frustrada por não entender absolutamente nada.

Hack pareceu pensar por um instante se deveria contar para ela a verdade ou não, mas ao ver a expressão profundamente chateada de Koala, suspirou.

— Ele não entenderia se você citasse o passado dele aqui. — explicou. — se o Sabo não estiver em um navio, ele não se lembra do que acontecia em seu passado, não se lembra de seus irmãos e nem de sua antiga família.

— Ele… Não se lembra? — Koala estava pasma. — como ele não se lembra? Por que ele se esquece do passado?

— ...Não sei de muitos detalhes. O Sabo, assim que entrou para os revolucionários não se lembrava de nada, mas um acidente fez com que ele sofresse esse efeito colateral de esquecer do seu passado assim que deixa de pisar em um navio. Inclusive ele tem fortes dores de cabeça quando desce de um. É o que eu sei.

Não era apenas aquilo que Hack sabia, e se sentia mal, do fundo do coração, por mentir para Koala. Provavelmente quando ela descobrisse a verdade olharia torto para ele e poderia até deixar de ser sua amiga, mas tinha que correr o risco. Koala era uma jovem muito esperta e principalmente curiosa, e não poderia vacilar em dar muitas informações para ela.

Agora tudo se encaixava na cabeça de Koala. Ao descer do navio Sabo realmente estava meio esquisito e com dores de cabeça. Além disso, seu quarto no navio era cheio de coisas relacionadas ao seus irmãos, como cartazes e seu diário, diferentemente de seu quarto em Baltigo. Oh, era óbvio! Por isso o diário dos piratas ASL não estava ali.

— Isso… É tão cruel com o Sabo-kun… — comentou cabisbaixa, ainda assimilando a informação.

— Eu sei, mas…

Hack parou de falar ao ouvir passos no corredor. Era Sabo.

— Por que vocês saíram daquele jeito? Não entendi nada. — contou, rindo de lado.

— É que… — Hack ia começar a falar, mas Koala interrompeu.

— Não foi nada, Hack apenas estava me dando umas ideias de aulas para as crianças. — Koala pôs-se na frente do tritão, dando um sorriso forçado para o loiro. — agora vamos voltar, quero saber mais sobre esse caso de Tequila Wolf.

Hack estava aliviado por Koala ter aparentemente entendido a situação. Não parecia que ela iria mudar de ideia repentinamente e insistir a falar com Sabo sobre seu passado, e isso deixava mestre em karatê do tritão mais tranquilo.

Porém, nem tanto, afinal, Ace dos punhos de fogo ainda estava nas mãos do governo.

Mais uma vez, eles estavam na mão do governo.

(…)

Os dias se passaram normalmente, assim como a relação de Sabo e Koala. Nem ela, nem ele sabiam exatamente porque evitavam tocar no assunto do beijo e continuar como se nada tivesse acontecido, mas pelo menos não estavam em pé de guerra como anteriormente. Agiam como melhores amigos, como parceiros e às vezes até como irmãos, mas sabiam que tinha algo de diferente, lá no fundo.

Assim, o aniversário de Sabo chegou; finalmente, o loiro faria 20 anos. Até mesmo Dragon, que estava previsto para voltar de missão dois dias depois de seu aniversário adiantara tudo para conseguir comemorar com o pupilo. Obviamente ele não admitia, utilizando a justificativa de que acabara o que precisava fazer mais rápido que o esperado e o aniversário de Sabo era apenas uma feliz coincidência, mas todos – principalmente os mais antigos – sabiam bem que ele estava ali pelo conselheiro.

O loiro nunca ligara, realmente, para o aniversário. A única coisa que se lembrava de seu passado era sua data de nascimento e seu primeiro nome, e nada mais, e de qualquer forma isso não lhe era importante.

Mas naquele dia, em especial, ele queria aproveitar e se divertir com Koala. Podia ser qualquer coisa que ela tachasse de divertido, até mesmo fazer uma faxina geral, apenas queria passar um tempo com a melhor amiga. Logo, deu três batidas na porta do quarto dela e esperou que atendesse. Acordada certamente ela estaria, já que a amiga acordava junto com as galinhas.

— Sabo-kun! — ela disse animada ao abrir a porta. — feliz aniversário! Meus parabéns! — Koala se aproximou de Sabo e o abraçou com força, e ele rapidamente retribuiu o abraço. — nossa, como você está cheiroso! Tá até mais arrumado…

Ele pensou em dizer que se arrumou mais para ela, mas de qualquer jeito que dissesse soaria esquisito.

— Impressão sua. — brincou. — você… — olhou bem para ela, e a garota estava vestindo roupas bem casuais e um avental. — por que está de avental?

— Ah! — ela olhou para as próprias vestes e ficou na dúvida sobre o que dizer. — e-eu estou devendo uma para o Rokka e vou ajudá-lo na limpeza da cozinha.

— Sério? — ele estranhou. — você e o Rokka? Vocês se odeiam!

— A vida é assim, né, hehe… — limitou-se a dizer.

— Bem, então eu vou te ajudar. — Sabo deu ombros.

— QUE? — Koala engasgou, ficando levemente desesperada. Sabo nunca fora assim tão grudado nela, porque justo naquele dia ele estava tão chiclete? — não, hoje é seu aniversário, você não pode fazer limpeza hoje.

— Hoje é só mais um dia, claro que eu posso ajudar com a limpeza! — ele disse arregaçando as mangas do casaco. Ele sorriu para Koala e perguntou: — então, quando vamos começar? Agora?

Koala já estava vermelha de nervosismo. Olhou para um lado e para o outro procurando por uma luz no fim do túnel, até que vira Tamura passar com uma pilha de papéis – para variar – no corredor.

— Tamura! Venha cá! — chamou-lhe com uma animação exagerada. O rapaz de cabelo esverdiado, meio nervoso se aproximou do casal.

— O que desej-

Koala desferiu um leve ataque com a mão em sua barriga – rápida o suficiente para que nem um dos dois rapazes visse – que fora o suficiente para fazer Tamura cair no chão e todas as suas folhas se espalharem.

— Oh não, Tamura está passando mal! — ela fingiu surpresa. — Ajude-o Sabo-kun, eu estou meio ocupada no momento… — e então ela saiu em passos apressados, sumindo rapidamente dali.

Tamura estava confuso.

Sabo estava confuso.

O dia estava confuso.

A vida era confusa.

Notas finais
Parece que várias coisas aconteceram em pouco tempo, não é mesmo? Descobrimos, em parte, sobre fatos estranhos sobre o Sabo, Nina sentindo falta de ter pais, Hack sendo mais protagonizado, Ace continua preso, informações sobre Tequila Wolf, o nível de testosterona do Sabo aumentando ( ͡° ͜ʖ ͡°) [Amy-chan adora uma putaria]... Uau! Esse capítulo saiu até mais gordinho que o último. Deixem aí nos comentários suas opiniões, o que eu posso melhorar... A opinião de vocês é tudo! Bem, até o próximo capítulo. o//