The Best Job

43 A última chama


— Claro que não pode ficar com ela. — Sabo resmungou, pela milésima vez aquele dia.

— Posso ao menos segurar?

— Não.

— Sabo-kun, deixe o menino segurar. — Koala pediu.

A contragosto, Sabo deixou que o sobrinho segurasse Sammy. Blaze pegou-a meio sem jeito. Ela era gordinha como um bebê deve ser, além de um pouco pesada para ele, que também tinha pouca idade.

— Venham, venham! É hora de comer! — uma voz atrás de si falou.

Estavam há alguns dias na casa de Dadan, nas montanhas, o lar provisório de Blaze. A casa de Makino era pequena e simples, e ela sempre tentava fazer sala para eles quando estavam lá, excedendo-se além de suas capacidades. Portanto, Sabo percebeu que o melhor era ficar na casa de sua infância mesmo, onde, apesar de dividirem o recinto com vários ladrões, se sentia à vontade.

Surpreendentemente carnes foram separadas para que eles almoçassem, e, num canto, ele, Dadan, Blaze e Koala conversaram calmamente, em contraste com o rebuliço ao lado, dos outros membros do grupo lutando por comida.

— Aquele Luffy é demais, não muda nunca. — Dadan reclamava, de boca cheia. — disse que voltaria com você e ficaria um pouco, mas partiu pra outra ilha! Aquele menino ainda me mata, um dia.

— Dadan-san, não seja tão dura com ele. — Koala pediu, com um sorriso calmo. — Luffy-san precisou ir para apoiar o amigo, é uma causa nobre.

— Huh, mesmo assim! — teimou. — você não deveria ser assim tão compreensiva, jovenzinha. Mulheres como nós temos que- EI, CALEM A BOCA! — virou-se de repente para gritar, depois retornando para a conversa. — temos que manter os homens em rédea curta, pra entenderem logo quem é que manda!

— Por isso que você não tem marido, não é, Dadan? — Sabo ironizou.

Uma veia saltou na testa da mulher.

— Não tenho por opção! Saiba que fui muito requisitada quando mais nova, era tão bonita quanto a mocinha aqui. Só não via lucro em ter um marido, enganar homens e sugar todo o dinheiro deles era muito mais lucrativo. — riu alto.

— Vejam! — Blaze chamou. — ela gostou de mim!

Blaze tinha colocado Sammy de pé, e estava abraçado a ela.

— Que bom, Blaze. — Koala sorriu para ele, pegando um copo com bico. — dê isso aqui a ela, por favor.

— E tome cuidado, ela pode engasgar! — o loiro advertiu, preocupado.

Blaze se afastou um pouco mais com Sammy, deixando os adultos a sós.

— Dadan, gostaria de saber como foi a criação de Blaze até agora. — pediu, adquirindo agora um tom mais sério.

A ruiva olhou para trás, checando se o menino realmente estava longe, distraído com outra coisa. Agora ele brincava de tapar os olhos e dizer “achou!” para a bebê, que ria histericamente do garoto.

— Uma mulher de cabelos róseos a deixou aqui, você sabe. Ele era só um bebêzinho na época. — suspirou. — mas a vinda dele… É difícil de explicar. Estávamos todos sofrendo muito com a morte do Ace, mas quando Blaze veio – os olhos da mulher se encheram de emoção. — ah, tudo mudou. A vila inteira ficou em festa. O Ace ainda estava morto, e isso doía, é claro, mas…

— ...Apenas em deixar um pedaço dele vivo – Koala completou, compreendendo completamente o sentimento da ruiva. — Ace trouxe de volta a alegria para seus corações.

Dadan assentiu.

— Não gosto muito dessas coisas sentimentais. — ela secou o canto dos olhos, já se livrando do menor resquício de uma lágrima. — mas é exatamente isso.

Sendo sincero, Sabo ficou feliz quando soube da existência de Blaze pelo mesmo motivo. Jamais imaginara que Ace poderia ter feito um filho por aí. Em sua mente, a visão de seu irmão como uma inocente criança não o deixava visualizá-lo tendo relações com uma mulher. Mas, bem, Ace, assim como Sabo, era um homem saudável em vida. O menino ali era a prova viva disso.

— Ele sabe que é filho de Jewelry Bonney?

— Sabe, mas não liga muito. — ela pensou naquilo um pouco. — também nunca o vi falando sobre o pai. Acho que não o odeia como Ace quando criança, mas não o venera.

Blaze era muito parecido com Ace, era impossível negar a paternidade. Apesar do garotinho ter olhos violeta e cabelos cor-de-rosa bem vívidos, as sardas e traços do rostos eram idênticas as de Ace. Às vezes, quando conversava com o sobrinho, os pelos do braço se arrepiavam ao reconhecer nele a forma como o irmão falava, mexia os ombros ou a forma como estreitava os olhos.

Se Blaze tivesse olhos e cabelos pretos, poderia jurar que era o próprio Punhos de fogo.

— Blaze – ele o chamou, quando o próprio voltou ao círculo de adultos. — você é igualzinho ao seu pai, sabia?

— Hmm… — o rosado pensou naquilo por alguns instantes. — isso é bom?

— Não sei. Você acha isso bom?

— Não sei também, mas…

Sabo esperou calmamente pela resposta da criança.

— Acho que eu preferia parecer com você, tio.

E se surpreendeu com o que obteve.

(…)

— Não posso acreditar que moraram aqui! — Koala exclamou, adentrando na simples casa na árvore.

Koala havia se interessado por ver mais dos lugares de sua infância e, uma vez que a casa de seus pais de sangue e a área nobre de Goa eram completamente proibidos, restou apenas mostrar a casa que construíra com os irmãos, quando ainda estavam juntos.

— Está bem conservada. — admirou-se, olhando ao redor.

— Eu fico aqui. — Blaze explicou orgulhoso, andando com os pés sujos. — eu uso isso aqui de base. Descobri sozinho, sabia?

— Você fica aqui durante o dia, brincando? — Koala perguntou a ele.

— De dia, de noite… Às vezes durmo também.

— Dormir? Aqui, sozinho? Não sente medo?

— Que nada, eu sou forte, que nem um pirata! — Blaze deu soquinhos no ar.

— Oh, entendo. — a moça sorriu para ele, afagando seus cabelos. — não preciso ficar com medo de nenhum animal da floresta, não é? Com dois homens fortes aqui.

— Como se você temesse animais. — riu Sabo. Ele se virou para Blaze. — minha namorada aqui é muito forte, é a melhor lutadora de karatê do tritão que existe no mundo!

As palavras de Sabo chamaram a atenção de Blaze, que olhou curioso para ele. O loiro notou que, estranhamente, o menino parara a agitação e começara a encará-lo, concentrado em seus pensamentos infantis profundos.

Mais tarde, quando os dois saíram para o rio para se banhar – por insistência de Koala, que dizia que Blaze estava sujo demais. — aproveitou para introduzir o assunto. Ele esfregava os cabelos róseos do menino com o shampoo, que após vários sermões finalmente parou para se lavar adequadamente.

— Blaze, por que você ficou quieto? — perguntou.

— Agora?

— Não, não… Quando saímos da casa da árvore. Você ficou calado, quase não abriu a boca.

O menino ficou em silêncio por uns instantes, pensando sobre o assunto.

— Não é nada, tio Sabo. — disse – é que eu achei que você e a tia Koala fossem casados.

Aquilo pegou Sabo de surpresa, e até parou de esfregar os cabelos. Blaze achava que Koala era sua esposa?

— Por que pensou isso? — perguntou ao voltar a esfregar. Pegou uma bacia e jogou água em sua cabeça.

— É que vocês parecem um casal. E têm um bebê.

— Revolucionários não se casam.

— Por que não?

— Porque…

Ia responder, mas percebeu que, na verdade, não tinha resposta para aquilo. Ieni e Liam eram revolucionários, e eram casados. E separados, e depois casados de novo. Nada impedia que ele e Koala se casassem. Porém, bem… Eles jamais teriam uma vida de casados comum, ao menos não enquanto não conseguissem mudar o mundo em que viviam. Não teriam uma casa fixa, nem um emprego normal e não voltaria no fim do dia, encontrando Sammy fazendo os deveres da escola e sua esposa ocupada com afazeres domésticos. Riu, imaginando a cena. Aquilo aqueceu seu coração.

— Eu iria gostar se vocês fossem casados. — Blaze voltava a dizer.

— É mesmo? Por que diz isso?

— Porque você é meu tio, e se ela casar com você, vai ser minha tia também. — as bochechas do menino enrubesceram, levemente envergonhado. — eu gosto da tia Koala.

— Gosta, não é? — sorriu, compadecendo do menino.

Se estivesse na situação dele, com uma mãe adotiva doente e não podendo estar junto, sem nunca ter conhecido o pai ou a mãe de sangue e tendo que morar com bandidos das montanhas ainda tão pequeno, também se apegaria a uma referência materna que era Koala.

Sua parceira estava mudada desde o nascimento de Sammy. Talvez fossem os hormônios, não tinha certeza, mas ela estava muito mais protetora e cuidadosa em relação a crianças. Em poucos dias ali, Koala insistira a Sabo que deviam fazer umas compras de roupas para Blaze.

— Ele precisa usar meias e sapatos – dissera ela, enquanto caminhavam até a loja de roupas infantis. — já viu o estado dos pés dele? Estão muito arranhados e sujos.

Desde então, Blaze vinha sendo cuidado por Koala, e parecia se apegar muito a ela, e a ele próprio, claro. As tardes treinando com o sobrinho eram muito divertidas, ele tinha um grande potencial para se tornar o que quisesse: pirata, marinheiro, caçador de piratas. Considerando a admiração dele por piratas, imaginava que a primeira opção venceria.

O velho Garp não ficaria muito satisfeito com aquilo, mas quem sem importava?

~

— Como assim não há um joalheiro por aqui? — reclamava com o prefeito da vila.

— É uma vila pequena, meu rapaz. O último joalheiro que esteve aqui faleceu há três anos, e os filhos foram embora, não quiseram seguir os passos do pai. — explicava Woop Slap, calmo e resignado. — se quiser uma joia, terá que encomendar pela revista, que vem da cidade.

— E em quanto tempo chegaria?

— Uma semana, talvez duas. — o senhor fez uma pausa para tossir. — entregas aqui na vila costumam demorar.

— Não tenho tempo a perder desse jeito. — contestou.

— Sugiro então que vá até lá. Indo pessoalmente, poderá retirar na hora.

Blaze se interessou pelo conteúdo da conversa, e puxou a camisa do tio.

— Tio Sabo, nós vamos na cidade? — ele parecia encantado com a possibilidade. — sempre quis ir lá.

Suspirando, o conselheiro se deu por vencido. Pôs o chapéu e a casaca, vestindo-se o mais bem possível para não chamar atenção entre a população. Não parecia exatamente um nobre, mas suas roupas usuais – as que não tinham buracos ou rasgos – poderiam fazê-lo facilmente se passar por um burguês.

Segurando Blaze pela mão, passaram por diversas lojas e em quase nenhuma via algo que lhe era agradável. As joias eram todas tão pomposas e tinham tantos zeros que quase o deixavam tonto. Passado algum tempo do passeio, sentaram-se em um banco e pararam um pouco para respirar. As pernas curtas do menino já estavam cansadas de tanto andar.

— Estou com fome. — disse ele. — bem que a gente podia ter trazido a comida da tia Koala, né, tio Sabo?

— Verdade. — assentiu distraído. — sabia que ela nem considera a própria comida tão boa?

— O que?! — a surpresa do rosado era genuína. — mas é tão deliciosa! Bem melhor que a da Dadan.

— A Dadan só sabe assar carne de animal, não sabe de fato cozinhar. — sorriu zombeteiro. — Koala cozinha bem, mas o cozinheiro da base cozinha melhor, devo admitir. Rokka tem mãos mágicas, acho que suas habilidades só perdem para o cozinheiro do Luffy.

— Rokka? Que nome engraçado. — Blaze riu. — ele também é engraçado?

— Ele definitivamente não é engraçado.

Naruya Rokka podia ser definido como qualquer coisa, menos engraçado. Não sabia o porquê mas sentiu que, naquele mesmo instante, do outro lado do oceano, Rokka espirrava após ter o nome citado.

Encerrando aquele assunto, levou o sobrinho para almoçar em um restaurante mais simples da região. Blaze comeu com tanta rapidez que chegou a se engasgar e bebeu água de uma vez só, igual a como Ace fazia quando era garoto, antes de aprender boas maneiras.

— Makino-san não te ensinou etiqueta? — perguntou a ele.

— Ela me ensinou algumas coisas. — Blaze brincava de rolar ervilhas no prato, distraído. — mas não tinha força pra muita coisa. É por isso que eu tive que morar com a Dadan.

Sabo perguntou-se se o sobrinho sentia falta da vida que levava antes.

— Você queria morar com ela? Makino-san, quero dizer.

— Eu… — o menino ponderou. — gosto dela. Gosto da Makino-san, mas não. Ela não pode ficar comigo. — balançou a cabeça. — ela só pode cuidar de si mesma, não pode cuidar de mim.

Diria a ele algo para aplacar, ao menos um pouco, sua tristeza, mas foi interrompido pelo som de vozes à porta do restaurante. O gerente discutia com um homem alto, que usava uma cartola surrada na cabeça.

— Seu burguês imbecil, já disse que é para colocar na conta! – disse ele, um voz familiar.

— O senhor já nos enrola há dois meses, comendo sem pagar. Avisei da última vez que não era pra voltar sem dar o que nos deve! – o gerente esbravejava, ameaçando-o com uma vassoura na mão.

O homem se deu por vencido e foi embora, cuspindo no sapato do gerente antes de sair.

Conhecia aquele homem.

Era seu pai.

(...)

— Outlook.

Ele havia mudado com o tempo. Já era perceptível os fios brancos começando a crescer nas têmporas, e a barba, sempre perfeitamente feita, agora estava crescida e iluminada de pontos brancos. Outlook III estava mais magro: sua papada, sempre aparente, agora dera lugar a um queixo magro e flácido. E sua pele, mais do que nunca, estava marcada por rugas e linhas de expressão.

Sentado no chão de uma rua afastada, encostado na parede, ele olhou para Sabo. Primeiro com dúvida, sem reconhecê-lo, em seguida com pavor, ficando de pé de prontidão.

— S-Sabo? – ele mal conseguia falar. – você... O que faz aqui?!

— Vim rever minhas raízes. – respondeu em tom tranquilo. – não faz mal relaxar um pouco, não é?

O mais velho engoliu o seco. Tentava controlar o medo que sentia do filho.

— Eu o vi mendigando comida no restaurante, agora pouco. – continuou a falar.

— Isso é culpa daquele empregadinho de merda. Ele não sabe com quem está mexendo.

— Ao que parece, com um indigente. O que há com essas roupas? Onde estão suas vestes de grife?

Raiva e frustração passaram pelo olhar de Outlook, que finalmente notou o jovem garotinho ao lado de Sabo, segurando em sua mão com tanta intimidade.

— Quem é esse? É seu filho?

Sabo não se deu ao trabalho de responder.

— Então você esteve com uma mulher. – o “pai” concluiu, tomando mais coragem. – que ironia, quando era pequeno sempre tentou nos agradar dizendo que faria de tudo pelo bem da família, se casando com uma princesa. Veja como estamos agora, Sabo, e tudo por sua culpa: sua mãe agora é a amante de um velho burguês e eu assim. Se nunca tivesse feito o que fez junto daquele bando de rebeldes e seguido os costumes da família, todas as nossas vidas estariam nos eixos.

Cuspiu na bota de Sabo.

— Você me enoja, garoto insolente.

Surpreendeu-se com sua calma. Esperava que Outlook tivesse uma reação assim, movida pela raiva e humilhação de decair tanto. Mas não sentia pena dele. Tudo o que acontecera era resultado de suas próprias escolhas, e Sabo não era um homem benevolente ao ponto de se compadecer por pessoas assim.

Seu pai era Dragon, não aquele homem. Sua família era Koala, Sammy e todos os seus amigos, — além de Luffy, claro – e não as pessoas que o trouxeram ao mundo.

Antes que pudesse dizer algo, Blaze soltou-se de sua mão e socou o estômago de Outlook, que caiu no chão se contorcendo de dor. Arregalou os olhos, surpreso com a força e a precisão do sobrinho. Apesar disso, ele tinha uma expressão infantil: olhos molhados de lágrimas não derramadas, rosto vermelho e lábio tremendo.

— Blaze... – murmurou, perplexo.

— Desculpa, tio Sabo. – disse o menino. – mas ele falou coisas ruins de você. Eu não gosto.

Outlook vomitou um pouco no chão, e grunhiu.

— Merdinha... Filho de uma cadela...

Foi a vez de Sabo o chutar, bem na bunda. Ele se contorceu novamente.

— É, Outlook, eu realmente não me casei com uma princesa, e não fui tudo o que você quis. – Sabo se agachou perto dele, com um sorriso irônico no rosto. – mas tenha certeza de que tenho algo bem melhor do que uma princesa: uma coala e seu filhote.

(...)

— Amor?

Koala levantou o olhar. Era tarde da noite, e fora para o lado de fora da casa de Dadan, para pegar um pouco de ar. Todos dormiam, e o lugar era sempre tão movimentado que ficava difícil ter um momento de paz, tranquila. Sua vida, em si, já era bem agitada, mas em um lugar como aquele, nas montanhas, era difícil de não sentir vontade de desfrutar.

— Sabo-kun. – sorriu para o namorado. – a Sammy finalmente dormiu?

— Como uma pedra. Blaze não desgrudou dela, dormiram abraçados no futom.

Sabo se sentou ao lado dela, numa tora de madeira. Tirou a casaca que vestia e cobriu-a, para aquecê-la, e fez uma chama com a mão direita. Fazia tanto frio à noite que era possível ver a fumaça quente no ar ao falar.

— O Blaze é um menino tão doce. – disse ela, pousando a cabeça no ombro do conselheiro. – ele é astuto e prestativo, e muito esperto pra idade. Nina e as outras crianças se dariam muito bem com ele.

— E ele é muito forte, também. – acrescentou Sabo, lembrando-se do acontecido de mais cedo. – como o pai na idade dele.

— Acha que Ace-kun o teria amado? – ela olhou nos olhos de Sabo, brilhantes pelo reflexo das labaredas — se ele estivesse vivo, e pudesse conhecer quem era o filho?

Pensou naquilo por uns instantes.

— Imagino que Ace não saberia bem como agir no início. – admitiu. – mas não tenho dúvidas de que o amaria. Ele tinha raiva de Roger, mas isso não interferiria em sua relação com o próprio filho. Blaze é, e sempre vai ser um resquício dele.

— Deve ser por isso que Makino o batizou de Blaze, “chama”. – gracejou.

— Não foi ela quem o nomeou assim. – disse a ela. – foi Bonney.

Ela franziu o cenho.

— A mãe de Blaze? – ele assentiu. – então talvez ela tenha tido algum sentimento por Ace.

— Talvez. – deu de ombros. – mas não importa. Ele é nosso agora.

Koala piscou, processando as palavras dele. Sentou-se direito na tora, e quando iria perguntar o que ele queria dizer com aquilo, sentiu um objeto no bolso do casaco. Não contendo a curiosidade, enfiou a mão no bolso e sentiu algo aveludado.

— O que....?

Seu corpo todo se arrepiou quando abriu a mão, revelando uma delicada caixinha preta. Olhou para Sabo, perplexa.

— Não vai abrir? – ele apagou a chama da mão e tirou calmamente a caixa da mão dela, abrindo-a.

Ali havia um par de anéis simples, de cor dourada, com uma única pedrinha azul – a cor do mar, e a preferida dos dois. – tão pequena que nem causava relevo.

— Gostou?

— Eu... Eu... – a voz dela falhava. – são lindas.

Ele encostou a testa na dela, um gesto íntimo muito utilizado entre os dois quando queriam ser carinhosos.

— Fico feliz... Porque quero que a use, todos os dias, pelo resto da vida... Como minha esposa.