The Best Friend
52 Capítulo 52
Notas iniciais
Beeijão.
Isabella parou em frente a porta do sobrado e sentiu um alivio enorme por chegar em casa e se sentia mais aliviada ainda ao pensar que, finalmente, poderia tirar esse sapato horrível que machucava seus pés. A garota abriu a porta e suspirou se sentindo anestesiada pelo conforto do lar, fechou a porta com o pé e caminhou até o sofá, jogando o corpo e, juntamente a ele, sua bolsa. A menina enrolou uma mecha do cabelo no dedo indicador, pouco antes de retirar os sapatos e deixá-los jogados a alguns centímetros de onde estava sentada.
De repente a garota se lembrou de que não deveria estar sozinha, afinal hoje era folga de Justin e ele havia combinado de estudar com uma amiga da faculdade. Então ele estava casa.
–Justin. – ela chamou. – Jus, você está ai? – perguntou, dando um pulo do sofá.
–Na cozinha. – ela abriu um sorriso assim que ouviu a voz baixa dele penetrar em seus ouvidos, deixando seu corpo em um estado de êxtase.
Isabella caminhou lentamente até onde ele estava e passou seus braços pela cintura dele, abraçando-o por trás, enquanto ele se mantinha escorado na mesa. A garota respirou calmamente e deixou sua testa tocar as costas dele, cruzando suas mãos em frente o peito dele. Justin sentiu um beijo delicado ser depositado em suas costas e fechou os olhos, mordendo o lábio inferior.
–Tenho uma péssima noticia. – disse ela. – Quer dizer, péssima para mim, já que você não fazia questão de que eu arrumasse um emprego. – completou. – Enfim, a maioria deles só admite quem tem mais de dezesseis. – ela se soltou dele e passou a mão pela franja, arrumando-a. – Conclusão: Nós vamos ter que esperar até que eu complete dezesseis. – a garota fez uma breve pausa, tocando os ombros dele. – Você acha que pode dar conta até lá? – perguntou encarando-o com uma sobrancelha arqueada. Foi então que ela notou que havia algo de errado. Esse não era Justin. Ele não era tão calado como esse garoto que estava em sua frente. Havia algo de muito errado ali, e os olhos dele lhe disseram isso quando ele lhe olhou por míseros segundos. – Aconteceu alguma coisa? Você está tão calado.
–Aconteceu sim, Bella. – a voz baixa dele denunciava de que ele estava chateado, magoado ou arrependido. – Eu fiz algo do qual eu nunca deveria ter feito e vou me arrepender eternamente se você não me perdoar. – Isabella franziu a testa e o encarou.
–O que você fez? – perguntou rápido e seu tom de voz denunciava sua aflição. Seus olhos estavam perdidos e ela não sabia nem o que pensar.
–Me perdoa Isabella. – ele a encarou fixamente e logo depois umedeceu os lábios. – Foi um erro, eu cometi um erro. Me perdoa.
–O que você fez? – perguntou, desta vez em um tom de voz mais alto. Ela viu Justin abaixar a cabeça e encarar seu all star. Ela suspirou, tentando se acalmar e olhou para ele novamente. – Diga logo. – disse frime. – O que foi que você fez?
–Eu e Valerie... Nós... Nós estávamos aqui estudando...
–Sei disso! – ela gritou.
–Quer me deixar falar? – Justin ameaçou dar um passo para frente, mas desistiu assim que olhou nos olhos dela e viu o transtorno nitidamente refletido nos mesmos. – Eu, quer dizer ela... Valerie me beijou... Ela me beijou. – Bella sentiu como se ele arrancasse seu coração com as próprias garras, como se ele lhe ferisse com os espinhos da traição. Os lábios do homem que ela amava haviam tocado os lábios de outra mulher, uma mulher desconhecida. Uma mulher que nunca o amaria como ela o amava. – E eu correspondi. – seus olhos se encheram de lágrimas na mesma hora e a cada segundo a dor da verdade lhe matava por dentro. Pouco a pouco. – Eu gostei Isabella. Gostei de beijar a Valerie.
A garota não sabia o que dizer, não sabia nem o que pensar. O que seria deles agora? Se Justin gostava da tal Valerie por que enganá-la? E o que seria dela? E todo o amor que ele jurava existir? O que aconteceu com ele?
–Não acredito. – foi a única coisa que ela conseguiu pensar, que não acreditava no que estava acontecendo. – Vo-você me traiu! – ela gritou colocando a mão na boa e dando passos para trás. – Você me traiu, Justin. – o garoto balançou a cabeça e tentou caminhar para perto dela, mas viu a rejeição refletida em apenas um gesto indicando que ela queria que ele não se aproximasse.
–Não é traição! – gritou.
–Não? – ela riu irônica e o encarou, sentindo vontade de matá-lo ali mesmo e enterrá-lo no primeiro pedaço de terra que encontrasse. – Você a beijou e vem me dizer que isso não é traição? Ora, por favor, Justin!
–Seria traição se eu a amasse, mas eu não a amo. Eu amo você!
–Ama mesmo? – Isabella limpou as lágrimas e o olhou com certo desprezo.
–Amo mais do que tudo nesse mundo. – ele tentou refletir toda a sinceridade que havia em seu coração naquelas simples palavras, mas a menina estava amarga demais para notar qualquer tipo de sentimento.
–Se amasse não me trairia. – disse indiferente.
–E você? – perguntou, fazendo-a franzir a testa. – Você me ama?
–Não muda de assunto. – vociferou.
–Se você me amasse me perdoaria por esse simples erro. – disse baixinho, enquanto arriscava um ou dois passos.
–Simples erro? – ela suspirou. – Você diz isso por que não foi traído. Diz isso por que não está se sentindo uma inútil, sendo capaz de ser substituída por qualquer uma.
–Eu sei o que é ser traído, Isabella, sei o que é se sentir substituído. É horrível. – ele se aproximou, mantendo-se apenas alguns centímetros longe dela. – Mas eu não te substitui, em momento algum e eu sei que nosso amor é muito maior do que isso.
–Eu sei que meu amor por você é grande, mas não sei se é o suficiente para perdoá-lo.
–Eu não senti nada, Bella. – disso, logo após um suspiro. – Não houve sentimento algum.
–Gostar é um sentimento. – informou. – Não é?
–Você sabe o que eu quis dizer!
–Sei, mas não tenho certeza de que posso confiar nas suas palavras. – a garota fechou os olhos e algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto. – Por que elas são capazes de me aconchegar como os raios de sol que penetram pela cortina do quarto, mas também sabem me ferir como um punhal que é cravado em meu peito.
–Não fale assim. – por alguns segundos ele fora capaz de sentir a dor dela, como no dia em que descobriu estar sendo traído por Caitlin. – Não fale como se eu tivesse mentido para você sobre meus sentimentos esse tempo todo.
–Mas vem mentindo de uns tempos pra cá. – ele franziu a testa, não entendendo onde ela queria chegar. – Ou acha mesmo que vou acreditar que essa traição se iniciou hoje?
–Eu não estava te traindo, porra! – ele gritou. – E eu nunca te trai antes! – Justin passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os, enquanto bufava. – Caralho é tão difícil acreditar em mim? – ele olhou para ela que estava escorada na parede e chorava baixinho, mantendo o rosto coberto pelas mãos. O menino caminhou até ela, que respirou fundo e procurou controlar o choro. – Olha pra mim, Isabella! – ela respirou fundo e ele fechou os olhos, sentindo a raiva dominar seu ser. – Olha para mim, porra! – gritou.
–Não grita comigo! – foi a vez de ela elevar a voz. Justin bufou e balançou a cabeça positivamente.
–Bella... – Justin respirou fundo e deslizou suas mãos até a cintura dela, tocando-a com delicadeza.
–Não me toque! – disse entre os dentes. O menino deixou suas mãos apoiadas na parede, mantendo a garota presa entre seus braços. A respiração dele se chocava contra o rosto dela, fazendo-a ficar com olhos fechados. Ele colou suas testas e se manteve de olhos fechados.
–Você acha mesmo que se eu estivesse te traindo, eu iria contar a você que nos beijamos hoje? – ele viu a garota apertar os olhos com força e suspirar. – Prometemos que seriamos sinceros um com o outro. – seus dedos tocaram o braço dela levemente, arrepiando-a, mas a garota esquivou o braço. Justin suspirou e passou a língua pelos lábios. – Eu amo você.
–Chega! – gritou. – Chega de mentir, Justin, chega! – ela tapou o rosto com as mãos. As lágrimas persistiram em cair, mas ela foi mais forte. Vencendo-as no final. Bella passou a mão pelos cabeços, sentindo grande vontade de beijá-lo. Estava enlouquecendo com toda essa aproximação deles.
Ela o empurrou bruscamente e bagunçou ainda mais os cabelos. Parecia uma louca tendo um surto psicótico. O menino a olhou assustado e viu-a caminhar até o quarto, com lágrimas em seus olhos.
–Bella! – gritou, seguindo na mesma direção dela.
Assim que entrou no quarto, Bieber viu a menina escorada na penteadeira e encarava fixamente seu reflexo no espelho. Lágrimas rolavam e seus olhos ficavam cada vez mais vermelhos e irritados. Isabella passou o dorso da mão pela maçã do rosto, mas de nada adiantou, visto que mais lágrimas molharam novamente sua bochecha.
–Se ela me visse agora iria adorar, não? – perguntou encarando o reflexo dele no espelho. Justin franziu a testa, mas se manteve calado. Imóvel. – Como eu fui burra, meu Deus! – exclamou, apoiando o rosto nas mãos e os cotovelos sobre a penteadeira. – Eu acreditei em você, acreditei nas suas juras de amor, mas tudo o que queria era sexo! – gritou. – Está satisfeito agora?
–Não fale de mim como se eu fosse um cafajeste! – disse ofendido pelas palavras que ela acabava de dizer. – Sabe muito bem que eu nunca me aproveitaria de você dessa maneira. Àlias de maneira alguma.
–Puf! – ela rolou os olhos e limpou novamente ao redor dos olhos. Sua maquiagem estava completamente borrada agora. – Perdi a capacidade de acreditar naquilo que você diz! – ela se virou para ele e o encarou, mantendo-se escorada no móvel. – Só gostaria de saber o por que. Só isso.
Justin comprimiu os lábios e ela balançou a cabeça negativamente, olhou de relance para a janela e sentiu uma grande necessidade de andar por aquelas ruas e esquecer-se um pouco de quem era Justin Drew Bieber e o que ele havia feito. Ela sorriu levemente, sendo monitorada pelos olhares desesperados de Justin. Bella batucou levemente os dedos sobre a própria coxa e sorriu tomando sua decisão.
–Aonde vai? – perguntou o menino imediatamente, assim que a viu caminhar até a sala. Ela calçou os sapatos novamente e se dirigiu até a porta.
–Para qualquer lugar que me faça esquecer quem é Justin Drew Bieber, o maior babaca que eu já conheci! – exclamou, enquanto abria a porta escancaradamente. Justin suspirou. Sabia que ela precisava de um tempo, mesmo que ficasse com certo medo por ela sair por ai. Sozinha. Ele abaixou a cabeça, deixando-a ir.
[...]
Já fazia quase trinta minutos que ela estava caminhando. Não fazia a mínima idéia de onde estava agora. As ruas não estavam movimentadas e ela não sabia que horas eram. Tinha deixado o celular em casa. Isabella olhou em sua volta e deu de ombros, não se importando com as conseqüências que essa atitude poderia tomar. Justin ficaria preocupado. Argh! Eu não preciso mais me importar com os sentimentos dele, seria justo depois do que ele fez comigo, não? Pensou, enquanto caminhava até uma praça.
Isabella avistou um banco próximo dali, mas havia alguém sentado no mesmo, bebendo algo que ela logo concluiu ser bebida alcoólica. Sem hesitar ela se aproximou e sentou-se no banco. Lágrimas já se faziam presentes em seus olhos, mas não de dor, de raiva. Raiva por se importar tanto com alguém que beijou outra pessoa sem se importar com seus sentimentos. A garota soluçou e abaixou a cabeça, não querendo que a pessoa do lado percebesse que estava chorando.
–Aê, se vai chorar é melhor se mudar de banco, tem muitas outras opções por ai! – disse o garoto sentindo-se levemente irritado pelo choro baixo da menina. Ela passou as pontas dos dedos pelas lágrimas e fechou os punhos, desabando no choro, segundos depois. – Ta, tudo bem, pode ficar! – disse impaciente. – Agora me diz por que esta chorando, por que se eu vou ser obrigado a suportar suas lágrimas eu mereço saber o motivo, não? – Bella franziu o cenho e olhou para o rosto dele pela primeira vez.
–Traição. – disse amarga.
–Hum, tai um ótimo motivo pra ficar zangada e encher a cara. – ele riu logo depois. – Posso te ajudar se quiser.
–Não, não pode! – discordou.
–E se eu te desse uma bebida mágica, capaz de te fazer esquecer tudo por alguns segundos? – ele arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto.
–Isso ai que está bebendo? Não obrigada! – balançou a cabeça negativamente.
–Não é o que estou bebendo! – ela franziu a testa e continuou a encarar seus pés. – É outra coisa! – ele sorriu de canto novamente e foi a fez dela arquear uma sobrancelha. O garoto sorriu e posicionou a mão sobre a boca da garrafa movimentando-a de um jeito estranho, como se fizesse uma mágica na bebida. A menina percebeu outro sorriso nos lábios dele. – Pronto, pode beber, é uma receita mágica que te faz esquecer as coisas ruins! – o menino colocou a garrafa no banco e a empurrou na direção da menina.
–O que é isso? – perguntou encarando-o séria.
–Ta, é só vodka! – disse alterando seu tom de voz. – Pode te ajudar se quiser! – deu de ombros.
–E se não me fizer esquecer?- perguntou encarando o liquido da garrafa, enquanto cogitava a idéia de aceitar a proposta.
–Só se eu estiver muito enganado ou só se você estiver muito fudida! – ele riu baixo e a viu pegar a garrafa e levá-la até a boca, tomando uma boa quantidade. Isabella bebeu, sentindo o liquido amargo descer queimando por sua garganta.
–Argh! – disse estendendo a língua para fora, deixando claro que havia detestado a bebida “mágica”. – É horrível.
–Pelo visto você nunca bebeu antes! – disse debochando. – Vai se acostumar... A propósito quantos anos você tem menina?
–Quinze! – respondeu balançando a garrafa e levando-a novamente até a boca, fechando os olhos e bebendo uma boa quantidade de vodka.
–Uau, é nova! – ele riu e ela rolou os olhos. – Tenho dezenove. – ele sorriu de uma forma debochada e estendeu a mão para ela. – Se vai beber minha vodka eu tenho o direito de saber seu nome... Prazer, me chamo Tyler!
–Isabella! – disse sorrindo fraco e apertando a mão dele.
–Nome legal! – sorriu. – Vai, me conta tudo o que quiser, desabafa pro seu amigo aqui!
A menina franziu o cenho e riu pelo nariz, deixando se levar pelo momento. Queria esquecer o menino, não? Ela iria aproveitar tudo o que aquilo pudesse lhe proporcionar. Tudo.
[...]
Isabella já se encontrava bêbada, dizendo coisas sem sentidos e conversando com alguém que havia conhecido a algumas horas atrás. Já era meia-noite, Justin estava desesperado a sua procura pelas ruas parisienses, mas ela não se importava. Na verdade ela nem se lembrava de Justin agora, tudo o que sabia fazer era rir de qualquer coisa que estivesse ao seu redor. Sua memória estava fraca, sua voz embriagada e muitas vezes demorava a concluir uma simples frase.
–Ok, preciso que me diga onde conseguiu essa bebida “mágica”! – disse rindo fraquinho.
–Shiiu. – o menino a calou imediatamente e olhou ao seu redor. – Ninguém pode saber que isso existe, garota! – ela sorriu e ele se afastou. – É um presente... Enviado por Deuses... Que sentiram pena de nós, meros mortais, por sofrermos tantos. – ela gargalhou e ele juntou-se a ela rindo descontroladamente.
–Isabella? – ambos ouviram o nome dela ser pronunciado ao longe e olharam para os lados procurando o indivíduo que o havia dito. – É você, meu amor? – por mais que estivesse bêbada ela reconheceu a voz preencher seus ouvidos, fazendo-a sorrir abertamente. – Oh meu Deus Bella, eu estava tão preocupado com você! – disse o menino chegando mais perto dela. – Só Deus sabe o tamanho do meu desespero!
Ele tocou a face dela e sorriu aliviado por encontrá-la sã e salva. Mas ela se lembrou da confissão que ele havia feito horas atrás e fechou os olhos, sentindo a dor lhe corroer. Precisava de mais vodka, muito mais.
–Não toque em mim... Bieber! – ela gritou. O namorado franziu a testa, sentindo o hálito dela e percebendo que ela havia bebido através de sua voz embriagada. – Não toque em mim.
–Você bebeu? – perguntou frustrado. Nunca pensou que um dia veria sua garota bêbada em uma praça à meia-noite, acompanhada de um completo estranho. – VOCÊ BEBEU? – berrou. Ela fez um sinal que não com a cabeça e ele tomou a garrafa das mãos do menino que estava quase tão bêbado quanto Isabella. – O que é isso? – perguntou a si mesmo, analisando o rótulo da bebida.
–Uma bebida mágica, enviada por sei lá quem, que me fez esquecer você por algum tempo. – respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo. – Mas ai você aparece e... BUM... FODE COM TUDO OUTRA VEZ! – gritou movimentando os braços.
–Não, garota, isso é vodka e com canela! – respondeu repreendendo-a com o olhar. – Droga Isabella, você é alérgica à canela! – lembrou.
–Sou? – ela enrugou o nariz e o encarou. – Bem... Isso é um fato curioso sobre mim!
–Vem, nós vamos pra casa! – ele tentou levantá-la pelos braços, mas ela se recusou a ir e se encolheu no banco. – Bella, por favor!
–NÃO. – gritou. – EU NÃO VOU VOLTAR, NÃO VOU SER SEU BRINQUEDINHO OUTRA VEZ. – berrou. Justin suspirou. — NÃO VOU BIEBER, NÃO VOU!
–Isabella, eu... – tentou dizer.
–NÃO. VOU. – gritou pausadamente. – NÃO QUERO IR! – ela cobriu o rosto com as mãos e agarrou o garoto que estava ao seu lado, puxando-o o pela manga. – NÃO DEIXA ELE ME LEVAR, TYLER, NÃO DEIXA!
O menino levantou ainda meio grogue e ficou de frente para Justin.
–Ei, deixa a menina cara, deixa ela se divertir, ela nem quer ir com você! – disse tranquilamente, porém isso estava deixando Justin irritadíssimo.
–Cara, meu negócio é com a garota e vê se não se mete, antes que eu me sinta na obrigação de meter um soco no meio do seu nariz, seu bebadozinho de merda! – Tyler arqueou uma sobrancelha e ergueu as mãos, em sinal de paz.
–Relaxa, irmão, eu vim em missão de paz. – disse fazendo “v” com os dedos e dando dois passos para trás. – Mas a garota não quer ir com você!
–Ela não tem escolha. – disse indiferente. Justin suspirou, pensando na situação em que se metera. Em que Isabella havia se metido. Tyler sentiu-se menos ameaçado e sentou-se novamente no banco.
–Ele é sempre assim? – perguntou para a garota, que lhe lançou um olhar raivoso.
–Frouxo. – vociferou, olhando para o garoto. Semicerrou os olhos e sentiu seu namorado agarrar seu braço esquerdo novamente e puxá-la, fazendo-a ficar em pé. – Ei, eu disse que não quero ir e você está machucando meu braço!
–Não, não estou. – disse simplesmente. – Vamos!
–Ei! – gritou, mas Justin não deu bola e continuou andando, enquanto a puxava para ir junto com ele. Isabella bufou e passou a mão pelos cabelos, seguindo junto com o namorado. Olhou para Tyler mais uma vez e o viu levar a garrafa quase vazia até a boca.
[...]
Justin fechou a porta e se manteve encostado na mesma, observando atentamente a sua garota, enquanto a mesma ficava parada no meio da sala, massageando as têmporas. Sua cabeça estava explodindo. Ele suspirou e decidiu fingir que tudo estava bem na medida do possível.
–Sua mãe ligou. – comentou fingindo que tudo estava bem.
–Hum. – ela continuou o que estava fazendo, determinada a esquecê-lo. O menino apertou os lábios e a encarou profundamente, o efeito do álcool estava passando, ou pelo menos era o que parecia. Isabella olhou ou seu redor e foi até a cozinha, sendo seguida por Bieber. – Quero mais daquela coisa... É... Como chama? – perguntou abrindo as portas dos armários na esperança de alguma bebida alcoólica, mas Justin não bebia.
–Vodka! – ele olhou para ela e a viu sorrir, assim que ouviu o nome invadir sua mente.
–Isso. Tem mais disso por aqui? – ela parecia não se lembrar de onde estava e ela sabia que não havia bebidas como essa em sua casa.
–Não, e mulher minha não bebe! – seu tom de voz soou zangado, magoado, ferido.
–Sua mulher? – ela cruzou os braços em frente ao peito e balançou a cabeça negativamente. – Não sou mais sua mulher, Bieber! – ela arqueou uma sobrancelha e voltou a procurar por algo que pudesse fazê-la esquecer Justin por mais tempo. Mas como faria isso com ele em sua frente? – Deixei de ser quando seus lábios tocaram os de outra mulher, uma mulher desconhecida! – informou. Isabella suspirou e fechou a porta do armário com força. – Quer saber? Quero que você, Valerie, minha mãe e o mundo todo se foda! – gritou. – E não quero mais essa porcaria de vodka!
Ela bateu a mão sobre a mesa e caminhou até o quarto, sendo, novamente, seguida por ele. A menina se jogou no colchão e cobriu a cabeça com o travesseiro, resmungando alto pela sua dor de cabeça.
–O que foi? – perguntou o menino aproximando-se dela.
–Minha cabeça, dói muito, parece que vai explodir! – reclamou fazendo careta. – Sou fraca para bebidas. – concluiu.
–A dor faz parte da ressaca. – informou. – Pode passar pela manhã, ou não. – ele a segurou pela cintura, fazendo ela se sentar e beijou sua testa. Seu nariz captou imediatamente o cheiro de álcool e ele franziu a testa, pensando que não queria dormir com ela cheirando à álcool. – Vem, você precisa de um banho!
Ele a ajudou caminhar, afinal ela não conseguia nem pensar direito, quem dirá caminhar sem esbarrar em algo. Assim que chegou ao banheiro Justin tratou logo de despi-la, tirando primeiro a blusa azul marinho que ela usava.
–Ou, ou, ou, o que é isso? – perguntou parecendo assustada com a tentativa do garoto de retirar suas roupas.
–Quando vamos tomar banho costumamos tirar a roupa primeiro, sabia? – perguntou irônico.
–Não vou deixar que me veja nua! – disse confiante, enquanto segurava firmemente a barra da blusa.
–Já te vi nua uma vez, lembra? – ela franziu a testa e balançou a cabeça negativamente. Ela está bêbada, não seria novidade se esquecer do que fizemos anteontem. Pensou e logo ouviu Isabella resmungando um “ai” e voltando a massagear as têmporas. – Posso te ajudar com a dor de cabeça, mas primeiro um banho... E pra isso precisamos nos livrar da sua roupa. – Ela respirou fundo e deixou que ele retirasse suas peças de roupa. Justin a conduziu até o Box e ligou o chuveiro na temperatura mais gelada possível.
–EI, QUAL É A SUA? – gritou, aparentando raiva por ele ter lhe jogado um jato de água gelada.
–É só água gelada, você precisa disso, agora entra ai! – ordenou. Ela bufou e abraçou o próprio corpo entrando debaixo do chuveiro. Em poucos segundos já batias os dentes de tanto frio.
Justin apertou os lábios e se concentrou no som da água caindo. Aquilo foi o suficiente para ele se distrair, pensando em tudo o que havia acontecido hoje. Primeiro ele havia beijado a Valerie e depois brigou com Isabella, que saiu por ai e encheu a cara com um estranho, então agora ele estava sendo obrigado a dar banho em sua namorada por que ela estava alcoolizada demais para fazer isso sozinha. A culpa caiu sobre seus ombros. Se não tivesse tocado os lábios de outra garota por malditos segundos, nada disso teria acontecido. As lágrimas dela nunca teriam caído e ela não sairia por ai e nem conheceria o tal Taylor. Ou seria Tyler?
–Isso é algum ti-tipo de to-tortura? Quanto te-tempo a mais eu tenho que fi-ficar aqui? E quanto tempo de vi-vida eu tenho até que me-meu corpo perca to-todo o calor e eu co-congele? – as palavras dela sendo pronuncias em meio as batidas dos dentes chamou a atenção dele. Justin olhou para ela e, por incrível que pareça não a estranhou nem um pouco. Isabella tremia dos pés a cabeça e sua pele estava muito mais branca que o normal e os lábios extremamente roxos e se chocavam a todo o estante.
Ele estendeu-lhe a toalha, mas tudo o que ela fez foi se abraçar a ele, procurando por um pingo de calor. Justin respirou fundo e fechou o chuveiro, envolvendo a toalha no corpo dela e a abraçando, permitindo que ela lhe molhasse o quanto fosse necessário. Caminhou com ela até o quarto e tratou logo de separar uma roupa quente para a menina, que ainda tremia próxima ao criado mudo. Ajudou-a a se vestir e logo já estava deitado com ela sobre seu peito, com a camiseta totalmente molhada. Ao olhar para a garota percebeu que seus lábios já não estavam mais tão roxos como antes e que a mesma já estava quase se entregando ao sono, mas foi quando a viu suspirar baixinho é que decidiu que estava na hora de tomar seu próprio banho.
–Eu amo você, Isabella, por que é tão difícil acreditar em mim? – perguntou à ela, acariciando seus cabelos molhados e lisos, depositando um beijo em sua testa logo depois.
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