The Best Days Of My Life
3 2-Quando eu decidi que seriamos amigos
Notas iniciais
Muito tempo depois, aqui estou eu de novo!
Boa Leitura!
2-Quando eu resolvi que seriamos amigos.
Eu morava em Icaraí, bairro vizinho ao centro, num dos apartamentos em frente à praia. Hoje era grande coisa, mas na época em que meu pai comprará o apartamento não era nada. Era um prédio pequeno, de apenas quatro andares com varanda, em tons de preto e cinza.
Normalmente eu era educado, e cumprimentava o porteiro que trabalhava ali desde que era pequeno, mas eu estava cansado e irritado. Morava no terceiro andar, um dos apartamentos no fundo do corredor.
Abri a porta, sabendo que a encontraria aberta, joguei minha mochila no sofá sabendo que minha mãe brigaria comigo assim que visse e fui para o meu quarto. Era um apartamento de três quartos e meu quarto era o simples, mas era o meu recanto de paz. As paredes num tom de verde, minha cor favorita, repleto de pôster de algumas de minhas bandas de rock favorita. Minha cama de solteiro com lençóis verdes e lisos que minha mãe deve ter arrumado pela manha, o guarda roupa de madeira escura, a pequena mesa que usava para estudar e desenhar o que surgisse em minha mente. Tudo era um conjunto perfeito que formava o meu lugar, aquele lugar que sentia que poderia me jogar na cama, sem tirar o uniforme e pensar sobre absolutamente nada.
E foi isso que fiz, embora estivesse quente do lado de fora e meu corpo estivesse suado e fedido, eu me joguei na cama, chutando os meus tênis em qualquer lugar e jogando um travesseiro no meu rosto.
Embora eu tentasse minha mente não pensava em outra coisa que não fosse na tímida e quase misteriosa Sofia, a sua voz, seu sorriso. Tudo passava em minha mente como um daqueles vídeos de fotos que se ver na Internet. Eu estava irritado comigo mesmo, não havia razões plausíveis para que ficasse tão fascinado numa menina que me parecia tão comum.
Ela era muito bonita, admitia isso como homem que era, e seu jeito tímido me fazia pensar o que tanto ela escondia, mas era apenas isso. Nada além, apenas curiosidade masculina, e culpei meus hormônios adolescentes por isso.
Talvez o fato de que a ultima vez que me relacionei com uma garota, mesmo que por uma hora, já fazia muito tempo. Não era extremamente namorador, mas era homem, adolescente e vivia em uma época que ir a festas e ficar com garotas era normal. Namorei algumas, namoros curtos de meses que na maioria do tempo terminava com uma grande amizade.
Ela parecia aquele tipo de garota raro hoje em dia, o tipo puro que pouco sabia a respeito desse lado da vida.E isso era algo atraente para nós homens.
Disse a mim mesmo que essa vontade, esse desejo de saber quem ela é, era movido apenas pelo meu espirito de investigador.Minha mãe dizia, que em meus 4 anos, a minha brincadeira predileta era descobrir tesouros-que nada mais era que seus brincos e colares -desvendar as mortes dos vários peixes que morreram na mão de minha mãe, por falta de alimentação.Essa brincadeira durou até meus 8 anos, quando o mundo literário me prendeu de forma inexplicável.
Sofia era para mim um mistério, e eu desejava desvenda-la e quando descobrisse os segredos, eu perderia o interesse e minha vida retornaria ao normal.
E esse era um plano perfeito, se nós, seres humanos, fossemos puramente racionais.
Naquela noite eu estava absurdamente quieto.
Não era conhecido por ser falante,mas na maior parte do tempo mantinha um dialogo com as pessoas ao meu redor.
Eu não havia parado de pensar em Sofia e já havia chegado a um ponto de se tornar irritante.Todos os seres ao meu redor sabiam que quando eu estava em silencio significava eu estava pensando e muito.
Ela é só uma garota!
A garota mais misteriosa que você já conheceu, disse aquela parte irritante de minha mente que algum psicólogo denominou subconsciente.
-Pare de pensar,Daniel.-soou a voz de minah mãe,através do tilinir dos talheres.
Meu pai e minha irmã mais nova a olharam,seguido por mim.
Minah mãe,Ana,em seus quase 50 anos, seus ainda bonitos cabelos caramelos e olhos negros brilhantes,jamais aumentava a voz.Nunca.Nem mesmo no dia em que fiquei suspenso na terceira serie após bater em um garoto que tentou roubar minha namorada.
Nada nessa vida irritava tanto minha mãe do que eu passar minutos,horas,olhando para o nada,pensando em tudo e me movendo automaticamente.
-Tudo bem.-respondi, terminando o jantar que era servido na nossa sala de estar-jantar.A pequena mesa de quatro lugares, redonda e com tampo de vidro se localizava frente e a janela, a uma distancia segura para que minha irmã não enjoasse do cheiro do mar.
A minha direita a janela aberta fazia a cortina amarela balançar, a minha esquerda um móvel escuro agrupava a TV,o DVD, livros, CDs,louças, e um rádio.Junto a única parede vermelha sangue da sala um sofá cinza, repleto de almofadas de cores quentes completava.
Minha mãe era um ser feliz, como jamais vira, e a sala representava isso.Em cada quadro, em cada vaso de flor, em cada foto, em cada pequeno objeto.Tudo.
Meu pai, Antônio,em seus mais de 50 anos, cabelos grisalhos,olhos castanhos e a pele morena como a minha, era o equilíbrio perfeito para minha mãe.
Tranquilo,observador,sereno, de um inteligência ímpar, era o necessário para que minha mãe se afogasse em sua felicidade interior e como o mundo deveria ser.
Minha mãe era professora de Matemática,e mais que isso, uma educadora ideológica, que sonhava e fazia agir o que ela acreditava.Meu pai, Engenheiro civil, era mais pé no chão, mais fixo.
Talvez sejam por isso que dão certo a tantos anos, eles brigam, se desentendem, mas pouco tempo depois estão juntos novamente.
Seus avós são pessoas muito especiais, filha.Eles me ensinaram todos os meus valores, que tanto prezo, me ensinaram a não ser mais um idiota e sim aquele que fará a diferença.Me ensinaram que as pessoas devem ser tratadas pelo que são e não o que aparento.Sem que nem sempre fiz o que me ensinaram, mas eu tentei.
Olhei para minha mãe e comi depressa o que restava do meu prato, deixando a louça na pia e voando para o meu quarto, onde peguei a toalha e fui pro banho.
Não demorei demais, minha mente estava distante o suficiente para que me afogasse no chuveiro.Me vesti coma primeira cueca limpa e blusa que eu vi.Estava quente como o fim do verão que era, então liguei o ventilador e a televisão tentando me distrair.
Naquele dia, filha, eu estava muito irritado com o simples fato que não tirar sua mãe da cabeça.Ela é apenas uma garota a final, e eu poderia ter outras se quisesse.Então decidi parar de pensar nela, e fui ver um filme de ação qualquer, com tiros, armas e sangue.
Fale com o autor