The Best Day

1 Capítulo único


Notas iniciais
Esse texto começou com uma ideia, terminou com outra e não sei exatamente se eu gostei, mas prometo fofura a cada um que visualizar e ler. Feliz dia das mães a todas, aliás!

O dia das mães da família Bridgerton era sempre recheado de tradições. A primeira que Benedict vivenciou ainda quando criança foi levar café na cama para sua mãe junto de Anthony e de seu pai, Edmund. Era sempre um dia alegre para ele que, pelo menos naquele dia, podia ficar até tarde na cama dando e recebendo carinho de Violet enquanto comiam e brincavam.

Esse hábito, para infelicidade dele, durou poucos anos. Conforme a família foi crescendo, já não era mais viável ter tanta criança comendo em cima de uma cama, de modo que a refeição passou do café da manhã para o almoço e do quarto dos pais para o jardim. A mãe também passou a ter que dar atenção aos mais novos, algo que ele entendia completamente pois amava os irmãos, mas lá no fundo, em seu íntimo, ele sentia falta de ter mais momentos com sua mãe que tanto lhe entendia.

E como não sentir? Era ela quem sempre o acolhia quando seu pai se juntava com Anthony pra pregar peças nele, por exemplo. E era com ela que ele compartilhava seu lado mais sensível, como quando se apaixonou por uma amiguinha de Daphne quando tinha apenas oito anos de idade e teve seu primeiro coração partido. Além disso, os dois tinham um bom gosto por arte e poesia, de modo que foi ela quem viu seu primeiro esboço de desenho — quando ele nem pensava ainda em ser artista mas gostava de fazer aquilo.

Ver essa conexão se distanciar um pouco com os anos, ainda que fizesse sentido, não deixava de ser doloroso para Benedict, mas ele tentou se adaptar ao que tinha. Mesmo quando adolescente, quando as conversas com a mãe já tinham mais segredos que outrora, ele sempre dava um jeito de, no dia das mães, acordar antes dos outros com uma bandeja de comida e acordá-la para que eles pudessem ter aquele tempo juntos. E mesmo quando se casou, aquele hábito não cessou, ele apenas passou por adaptações. Tinha a sorte de ter uma esposa que também via em sua mãe uma mãe e que amava fazer parte daquela união.

Agora, ele ia pela 37ª vez fazer aquilo novamente, em uma data diferente, mas sabia que aquele seria o café da manhã mais especial que compartilhariam. Porque agora, na beira da cama de sua mãe, não teria mais somente ele ou ele e Sophie, mas ele, Sophie e todos os seus filhos, inclusive o que Sophie carregava em seu ventre, que em breve carregaria o nome dela.


24 horas antes...


Como a família Bridgerton tinha o hábito de todos se reunirem em Aubrey Hall no dia das mães para celebrar a matriarca, no Meu Chalé os festejos maternais ocorriam um dia antes, no sábado. Sophie tinha o costume de levantar cedo, abrir todas as janelas da casa e fazer sua torta favorita para desfrutar da companhia de seus filhos e seu amado marido em um piquenique perto do lago. Só depois disso era que eles partiam para a casa principal da família.

Naquele ano, no entanto, estava um pouco difícil de fazer aquele ritual. Primeiro porque Sophie não conseguia se ver acordando cedo em meio ao sono altamente letárgico que sentia. Segundo porque ela tinha um leve enjoo só de pensar em aspirar o cheiro de sua torta favorita, mesmo sendo a que mais amava. E terceiro porque ela teria que usar aquele dia para contar aos seus rapazes que estava grávida.

Com a gestação confirmada por um atraso de duas semanas em seus períodos junto aos outros dois sintomas anteriores, mesmo se conseguisse levantar e cozinhar, ela não gostaria de fazer uma caminhada tão cedo da manhã até que aqueles hormônios da gravidez deixassem ela mais tranquila. Como resolver esse problema? Ela questionou enquanto pensava em abrir os olhos para levantar. O enjoo matinal era sempre o pior e ela se sentia delirar por, de repente, sentir o cheiro de sua torta favorita em sua cabeça.

Seriam os hormônios deixando ela louca?

Não, porque logo o cheiro se denunciou em meio a voz de suas quatro crianças — seu marido e seus três filhos — muito perto da porta do quarto. Quando ela abriu os olhos ao escutá-lo abrir a porta, viu Benedict com uma bandeja, Charles segurando sua torta favorita e os outros dois menores tentando, juntos, carregar mais uma dessas bandejas.

— Surpresa! — Foi o que Benedict conseguiu dizer vendo sua esposa já acordada na cama.

Como não se sentir amada? Como não se emocionar? Ela só conseguiu sorrir com olhos cheios, dizer "Não acredito!", e os meninos largaram tudo na cama antes de pularem em cima dela com abraços e beijos no rosto. Charles acabou colocando a torta perto demais dela e, em meio a avalanche de garotos, Benedict sussurrou:

— Está tudo bem?

Ela se sentia ficar verde com aquele aroma e respondeu com um riso nervoso enquanto tentava fazer com que William não jogasse o seu peso em cima de sua barriga. Quando os meninos finalmente se sentaram ao seu lado, ela olhou pro seu esposo e olhou pra torta sabendo que não teria mais como esconder aquilo ou ele pensaria que ela tinha odiado a surpresa, quando ela era tão amante de café da manhã na cama quanto ele. Na verdade, ela estava dividida entre vomitar pelo cheiro da torta ou chorar ao receber mais uma demonstração gratuita de amor de seus quatro homens.

— Eu amo vocês e... eu tô grávida e... — Ela tentou continuar, mas o choro a venceu. — É o cheiro da torta, mas eu juro que eu amei!

E então ela abriu um grande berreiro colocando a mão na boca. O seu choro logo foi acolhido por seu marido, mas fez com que William, que não entendia o que estava acontecendo, também chorar. E de repente todos estavam chorando. Benedict ria de felicidade e chorava de emoção na mesma proporção.

— Você não tá brincando, tá, amor?

— Não! Você acha que eu recusaria minha torta? — Ela explicou aos soluços — Eu só tô enjoada. Mas sou tão feliz por ter vocês! E agora teremos mais um aqui.

— Ou uma. — Benedict acentuou extasiado.

E todos riam e choravam. Sophie e Benedict se beijavam em meio aos abraços das crianças. Era o caos. Sophie não sabia ainda como iria lidar com mais uma criança no meio daquilo, apesar da certeza que teria o amparo do seu eterno marido. Mas ela sabia que teria todo aquele amor e cumplicidade só iria se multiplicar e naquele momento, mesmo querendo arremessar sua comida favorita janela abaixo, sabia que tudo aquilo bastaria, para sempre.

Notas finais
Me deixe saber o que você achou, por favor. Fico muito feliz quando recebo comentários.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!