The Best Damn Things
1 Welcome Back to Hell
Notas iniciais
“São quase uma da manhã e para ser sincero não estou tão sóbrio quanto deveria, vim a essa boate – jurando que seria a última das férias – por conta de ser aniversário de um conhecido. Todos da sala viajaram para ver parentes distantes ou simplesmente por lazer. Já Marcelina e eu ficamos em casa sem ter o que fazer, ela se divertia trancada no quarto maratonando séries e eu obviamente não faltei em tentar me divertir, fui em várias festas mas nenhuma era divertida sozinho.
— Então, não vai me dizer o seu nome? – perguntou a garota com a qual dancei a noite toda, fazendo com que eu voltasse minha atenção a ela.
— É Paulo – ri sem jeito pela distração e a respondi – e o seu?
Tínhamos acabado de sentar em um sofá no canto da boate para conversar um pouco e recuperar o fôlego, além de muita dança também tiveram muitos beijos e depois de ter essa mesma rotina as férias inteiras, aquilo já estava me cansando. Começamos a conversar e quanto mais eu a conhecia menos sentia vontade de continuar conhecendo, o assunto foi acabando aos poucos e me distraí observando as pessoas bebendo e se divertindo. Escutei a garota resmungar algo mas continuei distraído observando a festa e bebendo quando lembrava de o fazer. Estava pensando em inventar qualquer desculpa para a garota e dar o fora dali quando todas as luzes se apagaram e agora o que eu ouvia em vez de músicas era o barulho de dezenas de pessoas reclamando e gritando para o vazio por tal acontecimento. Ao mesmo tempo senti a mão da garota ao meu lado segurar a minha, mas logo soltou e pediu desculpas.
— Ficou com medo? – perguntei em meio a risadas.
— Foi só um susto, nada demais…
— Pois pode ficar tranquila, eu te protejo do escuro – disse a provocando.
— Muito engraçado, porque ainda está conversando comigo mesmo?
— Quase esqueci – entendi aquilo como uma indireta para voltar beijá-la e o fiz.
De início a mesma retribuiu o beijo, e de todos os beijos que tive com ela esse foi bem diferente, algo me prendia a ela e eu não conseguia esconder minha necessidade de continuar aquele beijo, de sentir mais daquele sabor e perfume que não tinha reparado antes, infelizmente não demorou muito para a garota me empurrar e sair correndo. Nesse momento as luzes e a música voltaram e pude ver as costas da garota ao qual eu tinha acabado de beijar indo embora…
— O que tá olhando? – olhei para quem falava atrás de mim e era a mesma garota que eu tinha dançado antes.
— Espera, você não estava aqui agora mesmo? – perguntei confuso com o que tinha acabado de acontecer, eu a vi correndo, sei que vi.
— Não, bobinho, eu te falei que iria ao banheiro pouco antes das luzes se apagarem. E sinceramente que perda de tempo hein? Fiquei na fila d…. – parei de ouvi-la assim que a mesma confirmou que não estava presente durante o apagão.
Se não foi ela, quem eu beijei? Eu não conseguia admitir para mim mesmo o que tinha acabado de acontecer, aquele não foi só o melhor beijo de toda a noite, mas o melhor beijo que tive na vida e agora eu nunca saberia quem era sua dona.”
— PAULO! Vamos, se você não levantar logo vai fazer a gente se atrasar pro primeiro dia de aula. – acordei com Marcelina gritando do outro lado da porta, resmunguei que descia em cinco minutos e escutei seus passos indo embora.
Eu tinha sonhado outra vez com o que aconteceu na boate nessa última semana de férias, todos os dias depois do ocorrido o único sonho que tive foi esse e a cada dia que se passava eu sentia mais a revolta por não saber quem era a dona daquele beijo, e por não poder beijá-la novamente. Decidi esquecer isso por ora e comecei a me trocar, ainda tem muitas garotas no mundo para serem beijadas, não posso deixar que o beijo de uma desconhecida me afete tanto assim.
P.O.V Alicia
Cheguei à escola e as meninas já estavam reunidas na arquibancada, depois de longas férias sem muito contato eu já não via a hora de conversar com elas de novo. A única que não estava presente era a Maria Joaquina, me encontrei com Marcelina pouco antes das férias acabarem de vez e a mesma me disse que Maria tinha sido mandada pelos pais para estudar em Nova Iorque por seis meses, pelo que entendi aconteceu uma grande briga entre os três sobre o comportamento dela. Se depois de praticamente nove anos ela mudou? Até que mudou, mas não com todos. Mesmo nos tratando melhor e sendo mais gentil, ela continuou tratando Cirilo e outras pessoas como sua empregada, Joana, mal. Ela ainda tinha dificuldades em aprender a não diferenciar as pessoas por seu “bolso” e mandar ela para morar com seus avós paternos foi uma última tentativa de seus pais de mudar esses pensamentos bobos.
Fui até as meninas com um grande sorriso e assim que fui notada Valéria pulou em cima de mim.
— Ali, você chegou! Senti tanto a sua falta, menina do skate. – falou enquanto me sufocava com seu abraço.
— Tudo bem, tudo bem, eu já entendi. Oi meninas, eu também senti muita falta de todas vocês. – falei logo escutando as meninas me cumprimentando enquanto riam da minha tentativa falha de sair do abraço de Valéria.
— Isso foi tão sentimental… – disse Laura, como já era de se esperar.
— Agora que já estamos todas aqui podemos conversar direito. Então meninas, como foram suas férias? – Marcelina disse enquanto me ajudava a fazer Valéria me soltar.
Do outro lado do pátio estavam os meninos, conversando animadamente e rindo o tempo todo. Davi estava com a cabeça enfiada em seu tablet jogando um jogo qualquer, mas isso não o impedia de participar da conversa dos meninos. Ele e Valéria continuavam juntos, mesmo com algumas brigas aqui e outras lá eles nunca se desgrudaram e parece que a coisa realmente vai longe com os dois. Observei Mário chegar, cumprimentar seus amigos e vez ou outra dar uma espiada em nossa direção, me virei para ver o que ele estava olhando, era Marcelina, é claro. Ele já tinha me contado que quando mais novos sempre mandava cartas anonimamente a ela, essa paixão secreta nunca acabou, mesmo dizendo a mim e a si mesmo o contrário. A meu ver essa negação toda é por causa de Paulo, mesmo brigando o tempo todo com a irmã, ele demonstra ser muito ciumento a menor aproximação de um menino de fora do grupo, já que todos os seus amigos sabem as possíveis consequências da tentativa de algo além da amizade da menina.
Voltei minha atenção as meninas e Valéria que sorria.
— Passei uma semana com meu Davizinho e a família dele, conheci tantos parentes que mal lembro o nome de todos. – respondeu a pergunta de Marcelina toda sorridente.
— Hmmm… E dormiram no mesmo quarto? – provoquei com um sorriso malicioso.
— Claro que não, Alicia! – retrucou rápido enquanto corava, algo que raramente acontecia. – Ficamos em quartos separados e fomos vigiados o tempo todo, essa era a única condição de meus pais para me deixarem ir.
— E não tentaram dar uma escapadinha no meio da noite? – perguntou Margarida.
— Bem… – começou Val enquanto escutava nossas risadas – Nós até tentamos mas em todas as tentativas acabei sendo pega, fiz a primeira coisa que pude pensar e agi como se tivesse chamando um gatinho, outras vezes fingi que procurava comida… Agora minha querida sogrinha deve achar que sou sonâmbula.
— Oh girl, você não tem jeito mesmo, né? — falou Bibi rindo e vendo Valéria mostrar a língua para ela.
— E você, ruivinha, como foram suas férias? – Margarida perguntou entrando na conversa.
— A mesma coisa de todo ano, visitamos meus avós e alguns primos. Não aguento mais os mesmos enfeites de natal, as mesmas conversas e músicas. – disse revirando os olhos.
— Queria eu, não aguentar mais ir para os Estados Unidos todo ano. – Valéria falou como se não acreditasse na ruivinha. – Okay, a Alicia e a Marce já sabemos que passaram as férias aqui mas e você Laurinha?
— Eu fui com a Marga visitar os parentes dela no interior, nós andamos a cavalo e tinha tanta comidinha gostosa! Foi tão romântico. – respondeu com ar sonhador.
— Só não foi nada romântico quando ela caiu dele. – contou Margarida rindo.
— É impressão minha ou os meninos estão nos encarando demais? – Marcelina perguntou fazendo com que todas prestassem atenção ao grupo do outro lado do pátio.
— Estão mesmo, o que será que eles estão conversando? – questionou Bibi.
— Vindo dos meninos, eu não quero nem imaginar. – falei e em seguida o sinal tocou para entrarmos na sala.
P.O.V Mário
— Mário?
— An… Oi?
— Tá olhando o que? – Daniel perguntou passando as mãos na frente do meu rosto.
— Eu? Eu não tô olhando nada, só tava pensando. – respondi nervoso.
— Ele tava olhando pra Marcelina, só faltou a babinha escorrer – Davi disse caçoando de mim.
— Ele tava o que? – disse Paulo com expressão de raiva de ciúmes.
— Que isso cara, tá maluco? Eu babar na Marcelina?
— Então agora minha irmãzinha não é boa o suficiente pra você? – Paulo disse, invertendo totalmente o que eu falei, sério, achava que só as mulheres faziam isso.
— Não é isso, Paulo, a questão é que eu e sua irmã somos só amigos, ela é quase uma irmã pra mim. – tentei me explicar.
— É esse quase que me preocupa. – resmungou.
— Relaxa, Paulo. O Mário sabe como você se sente com garotos perto de sua irmã. – Jaime começou tentando me ajudar.
— Foi só uma brincadeira, não precisa levar a sério. – Adriano continuou.
— Brincadeira mais sem graça essa. – Paulo disse ainda com cara de ciúmes e logo colocou os fones.
Mas, falando sério, não contem pra ninguém. Eu realmente estava olhando para a Marcelina, ela estava mais bonita que o normal hoje e não era por causa do cabelo que ela tinha arrumado diferente ou da maquiagem que ela fez. O sorriso dela por estar com as amigas de novo era tão grande que me fez querer sorrir junto, mas em parte ficava com aquela pontinha de ciúmes pois eu também queria que ela sorrisse assim por mim, “Como assim, Mário? Você gosta da Marcelina?” vocês poderão pensar, e sim, a resposta é sim. Esses dois meses longe, sem poder ver ela ou seu sorriso, sem poder falar com ela, me fizeram perceber o quanto eu a amo. Ela é uma das minhas melhores amigas e eu sou um dos dela, sei que ela me ama mas se é do mesmo jeito que eu a amo, disso eu já tenho minhas dúvidas… E mesmo se amasse, o que eu faria em relação ao Paulo? Ele é meu melhor amigo e super ciumento em relação a irmã, não quero nem imaginar o que ele pode fazer comigo se descobrir que eu sou apaixonado por ela, é em parte covardia de minha parte, sei disso, mas esse ano as coisas vão mudar, vou me aproximar mais ainda dela e descobrir se seus sentimentos são limitados a apenas amizade ou são mais do que isso, que nem os meus, e se ela retribuir meus sentimentos, bem, depois a gente resolve as coisas com ele.
— Marcelina ou não, as meninas estão realmente mais bonitas esse ano. – disse Daniel fazendo nós encararmos as meninas com mais atenção, inclusive Paulo que agora já tinha deixado os fones de lado.
— Elas perceberam, disfarça! – sussurrou Kokimoto fingindo se interessar no teto, e assim seguimos ele. Em seguida, o sinal tocou e fomos em direção a sala.
Notas finais
Obrigada por dedicar a minha fanfic um pouquinho do seu dia, aproveite bastante o que vos resta dele e até o próximo capítulo.
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