The Best Damn Things

6 Don't tell your mother


Notas iniciais
Oioi nenes, gente eu não sei nem o que falar o plano era fazer dois capítulos postar, fazer dois capítulos postar... Fiquei esse tempo todo pra fazer dois capítulos e no final tenho só meio e to postando . Gente, quero confessar que a história da maju tem um fundo de verdade. Para quem não sabe, a Maju foi inspirada de início em uma amiga minha, de mesmo nome, mas agora de personalidade elas não são nada parecidas, modelei a Maju personagem da forma que eu precisava mas a história que ela conta aqui é um pouco da minha, nos avisos finais eu falo o que tem de diferente pra não dar spoiler. Enfim, é isso então aproveitem a leitura e voilà...

P.O.V Maju

Assim que Alicia saiu, o silêncio predominou por toda a casa, mas como ninguém queria voltar a estaca zero de tédio, decidimos que o jogo continuaria. Algumas perguntas aqui, outras ali, até que a maldita garrafa digital apontou em minha direção e eu sabia que me obrigariam a escolher verdade. Não me entendam errado, não é que eu tenha algo a esconder, só existem assuntos delicados demais para se tocar e jogando um jogo desses, é grande a possibilidade de chegarmos em algum deles.

— Verdade ou Desafio, Maju? – disse Bibi.

— Verdade.

— Por que você saiu da sua outra escola? – perguntou.

— Eu fui expulsa, próximo? – respondi tentando evitar mais perguntas e clicando no celular que estava no meio da roda para a garrafa virtual girar, apenas para a ver caindo em mim outra vez.

— Por que você foi expulsa? – disse Valéria sem ao menos perguntar o que eu escolheria.

— Não vai nem me dar a chance de escolher desafio? – ri de nervoso.

— É responder ou pagar mico. – falou Valéria cruzando os braços.

— Então… – não sabia por onde começar, eu realmente não tenho problemas em falar sobre quem sou mas aquela situação realmente mexeu comigo e mesmo depois de dois meses ainda não gosto de mencionar. – Eu estudava em um colégio cristão e como todo colégio do tipo, eles são bem rígidos. Eu tinha essa amiga, e nós éramos realmente próximas, sabe? Um dia eu descobri que ela tava em depressão e se mutilava, eu fiquei muito preocupada com ela e passei a dar todo o carinho e amor que eu tinha em mim a ela, quando dei por mim estava apaixonada. Mas eu nunca tinha me sentido desse jeito por uma garota antes, então no início foi muito confuso, principalmente porque ela aceitava todo esse meu amor mas o amor dela não era o mesmo. Nós sempre andávamos abraçadas na escola ou de mãos dadas, brincamos, rimos, tiramos fotos zoadas, mas ela nunca me dava bola, na escola. Em nossas casas era totalmente diferente, trocamos selinhos, carícias, entre outras coisas mas ela nunca teve coragem de me beijar porque queria que seu primeiro beijo fosse com um garoto. Ao mesmo tempo que ela me dava carinho, fazia com que eu me sentisse um monstro por gostar de garotas. Na escola, nunca passava de abraços, mas não era isso que as pessoas viam, com o tempo começaram a nos chamar de lésbicas quando passavam pela gente, fazer piadinhas sobre posições sexuais quando nos viam chegar, e diversos tipos de brincadeiras idiotas, nós ficávamos muito mal. Um dia, a diretora nos chamou e disse que foram procurar ela pra dizer que nós duas estávamos praticamente nos comendo no banheiro da escola, o que era mentira pois nenhuma de nós tinha sequer dado o primeiro beijo, tentamos nos defender mas ela não quis saber, disse que chamaria nossos pais para uma conversa e que estaríamos convidadas a nos retirar no ano seguinte. – terminei abaixando a cabeça.

— Depois disso os professores passaram a proibir as duas de fazerem trabalhos juntas, mudou ela de lugar para ficarem longe uma da outra, acabou que ela ficou com ódio de tudo e todos, se assumiu lésbica, beijou uma das melhores amigas e desfez a amizade com a menina que a confundia. – contou Leonor.

Todos ficaram em silêncio por um minuto, como se ainda estivessem processando. Eu não precisava contar tudo de uma vez, mas eu não queria que continuassem as perguntas sobre.

— Que bom. – ouvi Margarida dizer.

— Ta louca Marga? A menina foi expulsa injustamente, sofreu bullying, homofobia e ainda pagou de trouxa pra quem gostava e isso é bom? – Marcelina disse abismada.

— Não isso Marce, que bom que ela saiu de lá. Que bom que ela nos encontrou e nós encontramos ela. – levantei a cabeça quando Margarida terminou de falar e a vi sorrindo para mim, um sorriso tão lindo, não pude conter o meu em resposta.

— Laura, você tá chorando? – disse Carmem preocupada.

— Desculpa gente, é que essa história foi tão sentimental. – respondeu limpando as lágrimas e acabamos rindo pela sensibilidade da garota.

O jogo continuou e o logo o clima triste foi embora, Jaime teve a brilhante ideia de procurar bebidas na cozinha, achou algumas cervejas e começou a tomar com os meninos. Com o tempo, a inocência do jogo foi embora e perguntas mais quentes estavam sendo feitas, os desafios voltaram e foi uma ótima oportunidade para levar os casais não assumidos a ficarem um tempo juntos, os desafiando a ficar tal tempo trancados em algum lugar.

— Margarida. – disse Valéria animada.

— Desafio. – respondeu com um olhar determinado.

— Você vai… – começou e foi interrompida por Marcelina sussurrando em seu ouvido, assim que terminou começaram uma discussão com o olhar e Valéria olhou para Margarida com um sorriso agora malicioso. – ficar 15 minutos trancada no banheiro de cima com a Maju.

— Uma garota? – perguntou Margarida com a expressão de dúvida.

— Prefere com o Adriano? – pude ouvir Valéria sussurrar, então Margarida levantou e pegou minha mão me puxando em direção as escadas. – FOI O QUE PENSEI! – escutei Valéria gritando, devido a distância.

Eu não tive tempo nem de raciocinar o que estava acontecendo e quando vi já estávamos no banheiro, trancadas. Parei pra pensar que tínhamos feito o mesmo com vários dos casais e agora estávamos na mesma situação, comecei a rir e ela me olhou como se eu fosse louca.

— Elas querem que a gente fique? – perguntei.

— Provavelmente. Mas o que tem de engraçado nisso? – perguntou cruzando os braços.

— Nada. – disse parando de rir.

— Acha engraçado a ideia de ficar comigo? Não me acha bonita o suficiente ou só não faço seu “tipo”?– perguntou sem olhar pra mim.

— É bem ao contrário, acho que você que não gostaria de ficar comigo. – confessei.

— Por que não? – disse dando de ombros ainda sem olhar pra mim.

— Só pra você saber, você é bem mais meu “tipo” do que imagina. – falei e a vi virar seu rosto pra me olhar. – Além de que é a garota mais bonita que eu já vi na vida. – confessei e vi um pequeno sorriso sobre seus lábios.

Quando dei por mim, suas mãos estavam em minha nuca, as minhas em sua cintura e nossos lábios unidos. Seu beijo era completamente envolvente e seu gosto era diferente de tudo que eu já havia provado, se pudesse continuaria a beijando, mas infelizmente como todo ser humano, precisávamos de ar. O beijo foi quebrado com nossas respirações ofegantes, e com nossos corpos ainda colados abri meus olhos a observando, ela estava sorrindo de olhos fechados. Durante a semana que se passou a observei muito, a cada sorriso seu eu sentia vontade de sorrir junto, sabe aquele tipo de pessoa que te passa uma energia tão boa que só de você estar perto dela seus problemas simplesmente desaparecem? Eu mal a conhecia e já estava me apaixonando por ela.

— Isso foi… – comecei.

— Interessante. – completou.

— Você gosta de coisas interessantes? – perguntei me aproximando novamente.

— Muito. – respondeu.

E assim voltamos a nos beijar, esquecendo tudo a nossa volta, nossas preocupações, problemas, onde estávamos e até mesmo, nossos nomes.

Notas finais
Eu amo esse capítulo rsrs já sabem o por quê né? Para começar, sim eu sou lésbica. A história é basicamente a mesma, só que: eu estudava em uma escola normal pública, isso aconteceu no meu nono ano, a escola que eu frequentava não tem ensino médio e isso não era motivo suficiente nos papéis pra eles conseguirem nos expulsar. Eu realmente fui chamada na diretoria por "estar agarrando a amiguinha" no banheiro da escola sendo que eu ainda não tinha nem ideia de como se beijava. A idéia de colocar minha história foi da minha fiel companheira talita szsz, eu ainda tenho muita magoa das pessoas que riam de mim e da diretora, infelizmente. Por fim, antes que me perguntem, eu tenho 17 anos. REALMENTE ESPERO QUE TENHAM GOSTADO AMORES SZSZSZ Ei, você. Obrigada por dedicar a minha fanfic um pouquinho do seu dia, aproveite bastante o que vos resta dele e até o próximo capítulo.