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Prólogo

“Nem todos os seres são iguais. Alguns deles agradecem por viver e outros... Outros apenas vivem. Há muitos anos, pessoas afirmaram a existência de vampiros. Estariam eles certos disso? Por falta de provas nada fora confirmado... Uma pena, pois estavam certos.

Como dito, nem todos os seres são iguais. Eu não sou igual a você. A morte seria uma solução para mim, mas eu não posso morrer. A imortalidade vem sendo minha amiga ao longo do tempo. Vampiros nunca serão como humanos... Talvez você possa ser igual a mim. Mas eu não teria essa oportunidade, se eu pudesse escolher. A imortalidade foi rogada em mim como maldição e desde então, tenho pensado no quão estúpido é se sentir inútil na maioria das vezes. Quisera eu mudar meu passado, mas infelizmente, um vampiro não possui esse poder.

Eu sou Benjamin. Benjamin Murderi. Hoje o clã para qual eu pertenço iria se reunir para uma caçada, mas houve um imprevisto e bom, eu estou com muita fome agora. Você pode (ou não) estar se perguntando o que nós caçamos. Nós caçamos seres vivos, qualquer tipo de sangue (sendo ele de animal ou humano), podemos sentir tal cheiro a quilômetros de distância.”



Capítulo Um

O vampiro já entediado de escrever, agora estava “morto” de fome. Benjamin só escrevia para que a hora passasse mais rápido — o que não adiantaria. Sem paciência para reunir as folhas, jogou-as no sofá e deixou-as espalhadas ali. Ele iria caçar com ou sem o clã, estava decidido até se lembrar de que não poderia sair do castelo, pois o vampiro cometera várias coisas que não devia. Em um movimento rápido, Benjamin se levantou da poltrona e recuperou a postura. Seu quarto — que não era lá essas coisas e cada vez mais obscuro depois que chegara ali, de cortinas cor-de-sangue e os móveis de madeira só podiam ser vistos através da luz que penetrava uma única janela que não possuía uma cortina, deixando o quarto com apenas um ponto de claridade — viu toda a bagunça das festas reunidas num lugar só. Ele sabia que aquilo continuaria do mesmo jeito e como não tinha nada a fazer, reuniu as mudas de roupa (maioria que não era sua) e jogou-as dentro de seu guarda–roupa. “Ninguém teria de vê-lo por dentro mesmo” pensara o vampiro e sem paciência para terminar o que havia começado, jogou-se sobre a cama. Ele não possuía relógios, pois sabia bem que horas eram e que a hora que não queria que chegasse, logo estaria ali para lhe atormentar... “Seria hora de vê-lo novamente” pensava. Mal conseguira pronunciar seu nome. Entenda que não era medo, talvez ódio mas nem Benjamin sabia o que sentira. Cansado de pensar na mesma coisa por horas, o vampiro adormecera.



△△△


Por incrível que pareça, o dia amanheceu totalmente azul e sem nuvens.

Previa Benjamin que o dia não seria tão bom quanto queria que fosse e o fato de amanhecer tão rápido o aborrecia. O mesmo entrara no banheiro e ligara a torneira da pia, esfregava suas mãos molhadas em seu rosto com tal ferocidade, como se estivesse sujo. Ao sair do banheiro, foi em direção ao guarda-roupa e dali só pegara um jeans preto, com rasgos nos joelhos e uma camiseta regata preta. O vampiro não possuía músculos, nem bíceps. Era alto e magro, de certa forma. O cabelo preto e aos ombros sempre tivera vontade própria para ficar bagunçado. Sua pele de transparência branca se dava bem com o preto, sua cor registrada. Benjamin fora cobiçado por muitas vampiras importantes de seu clã e até mesmo de clãs inimigos mas nunca demonstrara interesse algum por elas.

Benjamin saiu de seu quarto, não estava afim de ficar sozinho. Foi à procura de Samantha, que provavelmente estaria em seu quarto com algum vampiro qualquer, o que não faria diferença pois se algum estivesse lá, o mesmo teria de sair. Todos sabiam que mesmo sendo paciente, Benjamin não gostava de matar alguém do próprio clã, isso nunca era bom e por essas e outras ele não podia sair do castelo já havia algumas semanas.


Ao chegar ao quarto de Samantha, entrou, mesmo sem bater — educação nunca fora um bem de Benjamin. Lá dentro havia uma garota — era branca como Benjamin, mas tinha os olhos verdes, o cabelo era longo e escuro — e assim que vira o vampiro entrar, sorriu. Antes que Benjamin pudesse comentar que não havia ninguém além deles no quarto, Samantha falou.

— Você por aqui? Que milagre.
Benjamin já estava sentado ao seu lado no sofá quando retrucou.

— Não é milagre, você sabe que essas coisas não existem. Apenas senti sua falta.
A vampira riu.

​ — E isso não é um milagre?

— Samantha, você é tão linda quando fica quieta...
O vampiro aproximou-se da vampira, colocando uma de suas mãos no rosto da mesma.

A outra estava sob a cintura dela e com movimentos vagarosos, Benjamin já a deitara no sofá e estava sobre ela. Samantha o fitava, ao observar o que ele fazia. Quando aproximou seu rosto ao dela e por fim iria beijá-la alguém abriu a porta. Era Laurenci.

Benjamin sentou-se rapidamente no sofá — sem que nada Laurenci percebesse — e fingiu prestar atenção ao programa que passava na TV. Não chegou nem a desviar seu olhar para ele. “Não vale a pena” tentou se convencer de que não seria bom matá-lo por estar ali quando não devia. Samantha havia ficado brava também.

— Mas que porra você está fazendo aqui, Laurenci?!

△△△


Narrado por Benjamin

Laurenci era o namorado de Samantha, é um idiota. Parece então, que não conseguiu superar o fim do namoro... Bom saber. Só não o matei ainda porque Sam sente algo por ele, é claro de ver. Laurenci é um fraco que pertencia à outro clã, sendo assim eu poderia matá-lo sem problema. Ele parece incomodado com a minha presença, mas eu não vou sair. Quem tem de sair é ele, não eu. Laurenci e Samantha estavam brigando na minha frente. Samantha não tinha problema com isso, mas o vampiro idiota tinha. Eu sei que eu não deveria me meter mas ele estava se aproximando demais dela... Virei-me para olhá-lo.

​ — Algum problema, Benjamin?
Ele estava me encarando. Pensei que não seria corajoso o suficiente para isso.


​ — Ahhh... Muitos. Preciso citá-los?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.