Nova Jersey


O sol pairava alto no céu, derramando-se em folhas implacáveis de calor que faziam o asfalto cintilar como se a própria terra estivesse se dissolvendo. Era meio-dia de um domingo, e o toque dos sinos da igreja se esvaía atrás dele enquanto Henry atravessava as portas de madeira gastas, deixando-as bater com um rangido surdo.

Essa tinha sido sua última esperança.

Ele caminhava lentamente, seus sapatos polidos ecoando oco contra o pavimento vazio, o som devorado pelo silêncio sufocante da tarde. A oração ainda ecoava em sua mente — palavras desesperadas e desajeitadas oferecidas a um Deus que ele passara a maior parte da vida ignorando. Mas agora... agora ele não tinha mais para onde recorrer.

Rachel estava morrendo.

Os médicos o asseguravam que faziam tudo o que podiam, mas Henry já há muito havia parado de acreditar neles. As garantias vazias, os sorrisos estéreis — não significavam nada. Então, hoje, pela primeira vez em anos, ele havia se ajoelhado nos bancos como um homem implorando por migalhas sob uma mesa que ele já zombava.

Ele não sabia se isso o fazia um hipócrita ou simplesmente humano.

Precisando ficar sozinho com o emaranhado bagunçado de seus pensamentos, tomou um caminho desconhecido, longe da igreja — descendo uma rua estreita ladeada por árvores esqueléticas cujos galhos nus balançavam contra o azul forte do céu. Uma brisa leve roçou suas costas.

Então — abruptamente — o vento mudou.

Ele bateu em seu rosto de frente, afiado e súbito, como se o próprio ar tivesse recuado diante de algo invisível.

Ele parou, franzindo a testa, os olhos vasculhando a rua vazia. Nenhuma alma à vista. O mundo parecia suspenso, sem fôlego.

Então uma voz — calma, ressonante — quebrou o silêncio.

“Olá, Henry.”

O pulso de Henry disparou ao se virar rapidamente. Um homem estava no meio do caminho, como se a terra o tivesse exalado silenciosamente para a existência. Era alto, com um rosto sem idade e olhos que brilhavam com uma clareza inquietante.

“Quem diabos é você?” Henry exigiu, a voz áspera de desconfiança.

O homem sorriu levemente, quase como se a pergunta o entediasse. “Meu nome é Michael. Estou aqui para lhe fazer uma oferta.”

Henry exalou com força, virando-se de volta. “Olha, amigo, não tenho tempo para alguma proposta de vendas. Não hoje.”

Os passos de Michael acompanharam os dele, leves e sem pressa. “Na verdade... estou mais interessado em fazer uma compra.”

Henry parou abruptamente, a irritação dando lugar a algo mais frio. “Seja lá o que for, não estou interessado.”

O tom de Michael suavizou, mas havia uma certeza firme por trás dele. “Mesmo que isso pudesse salvar sua esposa?”

Henry congelou.

Ele se virou lentamente, os olhos estreitando em fendas. “O que você acabou de dizer?”

Michael permaneceu exatamente onde estava, como se estivesse enraizado na própria terra. “Sua esposa. Rachel. Eu sei que ela está doente. Sei que os médicos desistiram, mesmo que não digam isso na sua cara.”

A garganta de Henry se mexeu silenciosamente enquanto ele engolia, olhando ao redor da rua novamente, meio esperando câmeras escondidas ou algum truque elaborado.

“Quem diabos é você?” ele pigarreou.

“Já lhe disse,” disse o homem pacientemente. “Michael. Embora... alguns me conheçam por outro nome.”

Uma pausa leve, quase divertida.

“O Príncipe dos Anjos.”

Henry soltou uma risada incrédula, passando a mão pela boca. “Você é louco.”

Michael deu um passo mais perto, pousando uma mão firme mas gentil no ombro de Henry, sua voz baixando em um sussurro resoluto. “Não. Mas você está prestes a desperdiçar a única oportunidade que terá.”

Os músculos de Henry se tensionaram, o instinto mandando-o recuar — mas algo nos olhos do homem o prendeu no lugar.

“Como... como você me conhece?” Henry perguntou, agora mais baixo.

O sorriso de Michael era triste, quase compassivo. “Vocês humanos são sempre tão céticos, tão lentos para aceitar o que não podem ver.” Ele exalou pelo nariz e disse simplesmente: “Eu sou Michael. Um dos Cinco Arcanjos. Filho do Altíssimo.”

Henry balançou a cabeça, recuando um passo. “Mesmo que isso seja verdade — que diabos isso tem a ver comigo?”

“Tudo,” disse Michael simplesmente, abrindo as mãos. “Você foi escolhido para me ajudar a derrotar meu irmão.”

Henry encarou, vazio. “Seu... irmão?”

Michael assentiu uma vez. “Lúcifer.”

Henry zombou, a incredulidade presa na garganta. “Espera... isso é sobre o Apocalipse?”

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Michael. “Exatamente.”

Henry soltou uma risada curta e incrédula. “Isso é loucura.”

A voz de Michael permaneceu composta, mas cortou claramente o pânico de Henry. “Pode ser. Mas também é verdade.”

Henry engoliu em seco, o calor do sol de repente opressor contra sua pele. “O que você quer de mim?”

Michael deu mais um passo à frente, sua presença preenchendo toda a rua de algum modo. “Preciso do seu corpo.”

Henry recuou como se tivesse levado um tapa. “Desculpe?”

“Meu receptáculo,” Michael esclareceu. “Este”—ele gesticulou vagamente para sua própria forma—“não é forte o bastante para suportar a guerra que está por vir.”

A mente de Henry girou. “Você quer... me possuir?”

“Sim,” disse Michael, com a mesma naturalidade de quem fala do tempo.

A boca de Henry se torceu em nojo. “E por que diabos eu deixaria você fazer isso?”

Os olhos de Michael brilharam com algo antigo e inexorável. “Porque eu posso curá-la.”

Henry congelou.

Michael continuou, a voz agora mais suave, como se oferecesse absolvição: “Esse câncer está matando-a. A cada hora ela enfraquece. Mas eu posso fazê-lo desaparecer... como se nunca tivesse existido.”

Os punhos de Henry se fecharam ao lado do corpo. Sua mente gritava para correr, para descartar aquilo como delírios de um lunático, mas seu coração... seu coração ousava esperar.

“E por que,” Henry perguntou baixinho, “eu deveria acreditar em você?”

Michael inclinou a cabeça, quase gentilmente. “Porque eu sou um anjo. Minha palavra é verdade.”

O silêncio se expandiu entre eles, espesso e trêmulo.

Henry olhou para os próprios sapatos, para as rachaduras no pavimento, para os fantasmas de todas as escolhas que o levaram até aquele momento.

Rachel. Seu rosto, pálido e consumido, piscava atrás de seus olhos. Sua voz, quase um sussurro: Não desista.

O que ele ainda tinha a perder?

Devagar, olhou para o estranho.

“Tudo bem,” disse, a voz áspera e resoluta. “Eu aceito.”

Michael sorriu.

Um único estalar deliberado de dedos.

“Sua esposa vai viver,” disse simplesmente.

Então o ar ao redor deles se fragmentou — uma luz branca e cegante explodiu de cada poro da forma de Michael, acompanhada de um zumbido baixo e ressonante que vibrava pelos próprios ossos da terra. O brilho se intensificou, jorrando de cada fenda do receptáculo até que o homem caiu como uma marionete, seus fios violentamente cortados.

A luz se condensou num instante, desaparecendo no peito de Henry.

Ele arfou, sua coluna arqueando enquanto uma força ardente o atravessava, mudando-o, recriando-o por dentro.

Quando a luz se desvaneceu, ele ficou perfeitamente imóvel.

Um suspiro lento e avaliador.

Então, ele rolou os ombros como se vestisse um velho casaco familiar.

“Agora,” murmurou para a rua vazia, a voz carregada de algo não inteiramente seu, “esperamos pelo som das sete trombetas...”

A rua voltou ao silêncio.

E o mundo seguiu em frente, alheio ao fato de que o campo de batalha do Céu e do Inferno acabara de reclamar mais um soldado.


|•|


O Impala preto abria caminho pela extensão desolada da rodovia, os pneus zumbindo sobre o asfalto rachado. Acima deles, o céu noturno se estendia, vasto e indiferente, enquanto os faróis cortavam a escuridão como lâminas gêmeas.

À distância, um pássaro solitário — assustado pelo ronco do motor — alçou voo, sua silhueta desaparecendo no vazio negro como tinta acima.

Já fazia mais de uma hora desde que haviam saído da casa de Bobby, e agora a forma sombria de Rover Hill se aproximava, o trecho final de sua jornada quase completo.

Amelia havia escolhido ir com eles, silenciosa no banco do passageiro, sua postura relaxada, mas seus olhos perpetuamente alertas. Dean dirigia com a mesma estoica concentração de sempre, as mãos firmes no volante com determinação silenciosa. O único som dentro do Impala era o ronronar constante do motor, o rangido ocasional da estrutura do carro enquanto avançava pela noite.

A estrada estava vazia, deserta — apenas quilômetros intermináveis de pavimento rachado sob o dossel de estrelas. A escuridão os envolvia por todos os lados, quebrada apenas pelos pálidos feixes de luz dos faróis.

Sam, sentado no banco de trás, finalente quebrou o silêncio.

“Eu não entendo por que Jesse fugiu quando você tentou atacá-lo,” ele disse, inclinando-se levemente para a frente, sua voz baixa, cautelosa. “Quer dizer… ele é poderoso. Ele poderia ter lutado com você, certo?”

Amelia não se deu ao trabalho de olhar para ele, seus olhos ainda fixos à frente, na estrada desaparecendo sob eles. Sua voz estava calma, analítica.

“Por que o Anticristo arriscaria o pescoço se já tinha feito o que veio fazer? Ele me viu como uma oponente digna de sua cautela.” Ela soltou um leve, mas sem humor, riso. “Se eu fosse ele, teria feito o mesmo.”

Sam franziu a testa. “Mas… ele não quis te matar. Não de início.”

“Não.”

“Por quê?”

Sem hesitar, Amelia respondeu: “Porque antes de tentarem me matar, eles farão tudo o que puderem para me ter do lado deles. Só como último recurso tentarão me eliminar.”

Sam digeriu aquilo em silêncio por um momento antes de perguntar: “E os anjos?”

Antes que Amelia pudesse responder, uma súbita mudança no ar anunciou uma presença familiar e inquietante.

“Eles querem todos mortos,” Castiel disse calmamente, materializando-se do nada no banco do passageiro ao lado de Amelia.

“Castiel!” Dean exclamou, batendo com a mão no volante enquanto lançava um olhar pelo retrovisor.

O anjo estava ali, ao lado de Amelia, como se sempre tivesse estado. Sua expressão era indecifrável, mas seus olhos azuis percorreram cada um deles, um a um.

“Droga, Cas — já conversamos sobre você simplesmente aparecer assim!” Dean resmungou, exasperado, apertando ainda mais o volante.

Sam, inclinando-se para a frente, ignorou a reclamação de Dean. “Espera… matá-los? Por quê?”

Antes que Castiel pudesse responder, Amelia interveio, sua voz afiada com algo entre zombaria e desafio. “Perguntem ao seu amigo aqui,” ela disse, inclinando levemente a cabeça na direção de Castiel sem sequer olhar para ele. “Ele já tentou me matar uma vez.”

Sam piscou, surpreso. “Mas… por quê?”

Amelia se mexeu ligeiramente no banco, mas manteve o tom desprendido, quase clínico.

“Existem regras no Céu, Sam. Uma delas: um anjo jamais, sob nenhuma circunstância, deve ter um filho com um humano. Meu pai quebrou essa lei.” Ela lançou um olhar para Castiel, depois voltou para Sam. “E ele não apenas quebrou — ele é um anjo caído. Isso torna tudo pior. A existência de um descendente de um anjo caído andando pela Terra é… inaceitável.”

Dean resmungou sob a respiração, mas manteve os olhos na estrada. “É, bem… odeio interromper a história de ninar, mas…” Ele acionou a seta, trazendo o Impala a uma parada suave na calçada. “Chegamos.”

A rua estava absolutamente deserta, silenciosa, exceto pelo zumbido tênue de uma velha placa de néon.

O Castle Storage Depot se erguia do outro lado da rua — sua fachada sombria e utilitária banhada por intermitentes lampejos de luz da placa piscante acima. O brilho pálido vacilava, lançando sombras irregulares que dançavam ao longo das paredes de tijolos e se acumulavam nos cantos do beco vazio.

Já passava da meia-noite.

Dean desligou o motor, e o ronco do Impala se dissipou em um silêncio sufocante.

Ele se virou no assento, olhando para os outros. “Certo. Todo mundo sabe o plano. Querem que eu repita mais uma vez?”

“Dean, relaxa,” Amelia disse friamente, lançando-lhe um leve sorriso antes de desaparecer do carro num instante — sua forma evaporando em nada, com mal um sussurro.

Castiel a seguiu, desaparecendo tão silenciosamente quanto.

Dean e Sam trocaram um olhar antes de se inclinarem para frente, espiando pelo para-brisa.

Lá estavam eles — já parados na calçada, do outro lado do depósito, lado a lado, suas figuras delineadas nitidamente sob a luz trêmula do néon.

Amelia e Castiel caminharam em uníssono, seus movimentos precisos, determinados, enquanto avançavam pela rua estreita em direção à entrada dos fundos.

“Pronto, anjo?” Amelia perguntou, sua voz baixa, com um toque de provocação brincalhona, enquanto alcançava a maçaneta enferrujada da porta.

A resposta de Castiel foi firme, quase impassível. “Sempre.”

“E você?”

Um brilho de antecipação reluziu nos olhos dela enquanto apertava com mais força a maçaneta. “Mais do que nunca.”

Com um rápido aceno para ele, ela girou a maçaneta, o metal rangendo em protesto enquanto a porta se abria com um estalo.

Juntos, eles entraram, desaparecendo nas sombras do depósito.

A iluminação no cômodo era fraca, um brilho anêmico lançado por uma única lâmpada nua no teto, apenas o suficiente para revelar o intrincado pentáculo gravado nas tábuas empoeiradas do chão — uma armadilha projetada para capturar qualquer demônio tolo o bastante para cruzar seu limiar. Tudo estava arranjado com precisão cirúrgica, mas não havia sinal de anjos. Nenhum lampejo de presença celestial. Apenas a pesada imobilidade de um lugar há muito abandonado.

O olhar de Castiel percorreu as sombras, sua voz um sussurro áspero. “Tem certeza de que a espada está aqui?”

A testa de Amelia se franziu enquanto ela examinava o cômodo com uma sensibilidade preternatural, seus sentidos se estendendo além do físico. “Eu tinha,” ela disse lentamente. “Cada pista, cada presságio apontava para cá… mas agora não sinto nada. Nem um traço de energia angelical.”

A expressão de Castiel se endureceu instantaneamente, suas suspeitas irrompendo em um lampejo de fúria justa. “Você orquestrou isso, não foi?” Seus dedos se fecharam ao redor do punho de sua lâmina angelical e, sem outra palavra, ele avançou contra ela.

“Castiel, pare!” A voz de Amelia cortou o ar carregado, afiada e desafiadora — mas a lâmina já estava erguida, alta sobre ela.

Ela fechou os olhos instintivamente, prendendo a respiração ao se preparar para o frio, impiedoso corte de aço contra a carne… mas ele nunca veio.

Em vez disso, o silêncio se despedaçou com um som úmido e nauseante.

Os olhos de Amelia se abriram rapidamente, justamente quando a espada de Castiel cravava fundo na garganta de um homem que estava diretamente atrás dela — um anjo renegado, sua expressão congelada em choque enquanto ícor celestial jorrava da ferida mortal. O corpo sem vida tombou pesadamente aos pés dela.

Quando se virou, Castiel estava bem ali, seu rosto a poucos centímetros do dela, tão perto que ela podia sentir o calor tênue e elétrico irradiando dele. Seus olhos, intensos e brilhantes como gelo, se fixaram nos dela, tornando impossível desviar o olhar.

“Pela primeira vez…” ele murmurou, sua voz baixa e deliberada, invadindo o espaço dela com uma facilidade desconcertante, “sua sorte prevalece.”

Amelia engoliu em seco, seu pulso disparando sob a pele, embora forçasse sua expressão a permanecer firme sob o peso do olhar dele.

“Atrás de você!” Amelia gritou, seus instintos entrando em ação quando outro anjo se materializou das trevas, arma erguida.

Antes que Castiel pudesse reagir, Amelia lançou sua própria lâmina à frente, em um arco fluido e letal, perfurando o atacante no coração. Os olhos do anjo brilharam… depois se apagaram por completo.

Mas a emboscada só havia começado.

Seis outros anjos emergiram das sombras mais profundas, cada um vestido com ternos impecáveis, suas espadas celestiais reluzindo com intenção mortal.

O mais alto dos anjos avançou, sua presença sufocante, a voz escorregadia com uma satisfação venenosa. “Miguel ficará muito satisfeito ao saber da sua presença, Amelia.”

Ela sorriu friamente, erguendo o queixo enquanto seu nome ressoava pelo cômodo com uma familiaridade deliberada. “Olá, Euzin. Lindo te ver também.”

O anjo inclinou a cabeça com uma curiosidade fingida, seu olhar deslizando em direção a Castiel. “E veja só… Castiel. Sempre suspeitei que você se misturava com os nascidos do barro, mas… uma Nephilim?” Seu sorriso se alargou, tornando-se algo ainda mais venenoso. “E agora, você está até tentando roubar a espada do meu mestre.”

“Isso não é da sua conta, não é, Euzin?” retrucou Castiel friamente.

Euzin riu, balançando a cabeça como se repreendesse uma criança desobediente. “Ah, Castiel… você se desviou tanto do que um dia foi.”

O insulto atingiu com precisão, incendiando algo frio e perigoso nos olhos de Castiel. Ele apertou a empunhadura da espada, erguendo-a em um desafio silencioso.

Euzin apenas sorriu mais amplamente, recuando para o fundo da sala enquanto seus subordinados se espalhavam. “Matem-nos.”

A ordem pairou no ar como uma sentença de morte.

Num instante, os anjos avançaram.

A sala irrompeu em caos — uma sinfonia de aço em choque, grunhidos de esforço e o guincho de lâminas cortando o ar. Castiel e Amelia moveram-se como um só, seus ataques uma coreografia brutal e perfeita, moldada pela necessidade.

Amelia cravou sua espada no primeiro anjo que investiu contra ela, seu grito rasgando a escuridão enquanto sua essência se desfazia. Antes mesmo de seu corpo atingir o chão, outro caiu sob o golpe impiedoso de Castiel.

Em meio ao turbilhão de movimentos, Amelia despachou outro agressor com uma estocada violenta, restando apenas um para enfrentá-la. Pelo canto do olho, viu Castiel sendo encurralado, dois anjos o pressionando com força contra a parede oposta.

Sem hesitar, Amelia lançou sua espada através da sala com precisão letal. Castiel a agarrou no ar, girando com uma graça sobrenatural. Com ambas as lâminas, transpassou os dois anjos em um único e fluido movimento e, sem pausar, lançou de volta a espada da Nephilim.

A lâmina cravou-se no último anjo que espreitava Amelia, seu grito sufocado marcando o fim do confronto.

Ofegante, Amelia recuperou sua arma, os olhos percorrendo a sala. Mas Euzin havia desaparecido — sumido no éter como o covarde que era.

“Covarde,” ela cuspiu, sua voz ecoando no silêncio súbito e opressivo.

Ela se voltou para Castiel com um leve e desprovido de humor curvar de lábios. “Se você não estivesse tão ocupado tentando me matar metade do tempo… faríamos uma bela dupla.”

Mas Castiel não respondeu, já caminhando em direção à porta, sua expressão ilegível. Do limiar, ele gesticulou bruscamente.

Momentos depois, Dean e Sam entraram no cenário pós-batalha, examinando o chão manchado de sangue.

“Droga,” murmurou Dean, absorvendo a carnificina. “Perdemos a melhor parte?”

Castiel virou-se para ele, a cabeça inclinada, expressão indecifrável. “Melhor parte?” repetiu, confuso. “Como… exatamente… isso é a melhor parte?”

Nenhum dos irmãos respondeu. Sam apenas fechou a porta atrás deles, selando-os dentro do ar estagnado, tingido de sangue.

“Então… e agora?” perguntou Sam em voz baixa.

Amelia avançou para o centro da sala, sua voz calma mas resoluta. “Agora… vem a parte difícil.”

Ela ergueu as mãos e, posicionando-se no coração do pentagrama, começou a entoar em uma voz mais antiga que o próprio tempo:


הלהבה של מוות, באים אלינו, כדי להגן על האידיאל שלו. הילה של אהבה מעיינות

החרב שלך, להיות אור מצטייר נשמות.

קדימה, להגן עלינו במאבק הזה, תכליתי.


As palavras saíam de seus lábios em um ritmo ao mesmo tempo estranho e assombroso, ressoando na medula da sala. Do lado de fora, a luz da lua esmaeceu, como se as próprias estrelas recuassem, engolidas por uma maré avassaladora de absoluta escuridão.

Dean se remexeu, inquieto. “Que diabos está acontecendo?”

O olhar de Castiel permaneceu fixo em Amelia, um pequeno vinco se formando entre suas sobrancelhas. “Você realmente achou que Miguel deixaria sua espada largada aqui, achou?” disse ele, sua voz baixa e tensa com implicação. “Ela está abrindo uma passagem… para o plano onde a espada realmente reside. Ela responderá… àquele que ousar chamá-la.”

Acima de suas cabeças, a lâmpada começou a piscar violentamente, lançando explosões maníacas de luz antes de se apagar de vez, mergulhando a sala em uma escuridão opressiva, quase total. Apenas o brilho fraco e trêmulo de um poste de luz distante restava, mal empurrando de volta a penumbra.

Amelia cambaleou ligeiramente, seu corpo tremendo enquanto a invocação puxava algo profundamente dentro dela. Suas pupilas desapareceram sob um véu de pura luz branca, seus olhos tornando-se dois orbes de energia ofuscante. Um fio fino e escuro de sangue escorreu de uma narina, despercebido por ela enquanto seu foco se estreitava para um único ponto.

A sala parecia colapsar para dentro.

E então — bem no coração do pentagrama — ela apareceu.

Uma espada, suspensa no ar, envolta em chamas pálidas e ondulantes. Seu punho era intricado, sigilos antigos gravados com precisão, pulsando suavemente como se estivesse viva — a Chama da Morte.

Os joelhos de Amelia vacilaram ligeiramente, mas ela se forçou a ficar ereta, exalando trêmula, seus ombros arquejando sob o esforço. Sua pele estava pálida, a mancha carmesim sob o nariz vívida contra sua palidez.

Ela se virou, sua voz rouca mas resoluta. “Vai… Dean.”

Dean encarou a arma, o assombro misturado à apreensão, então avançou lentamente. Sua mão fechou-se ao redor do punho.

No momento em que tocou, um poder bruto percorreu seu corpo como fogo selvagem, seus músculos tensionando-se involuntariamente enquanto a espada o reconhecia. Sua aura o envolveu, antiga e terrível.

Dean cerrou os dentes, apertando mais o punho. “Peguei,” murmurou, a voz mal passando de um sussurro.

Ao redor deles, a escuridão pareceu pausar, silenciosa e expectante — como se o próprio universo estivesse prendendo a respiração.