The Beginning of the End (versão atualizada)
15 A Calmaria Antes da Tempestade
Notas iniciais
A tempestade rugia quando eles chegaram à casa de Bobby, o rangido familiar da varanda quase abafado pela chuva que chicoteava. O trovão rasgava o céu sobre Dakota do Sul, um eco apropriado ao som da quarta trombeta que havia despedaçado os céus horas antes. Amelia atravessou o quintal, suas botas pesadas na lama, seu olhar distante e desfocado.
Dean já a esperava na varanda, braços cruzados, olhos se estreitando enquanto alternava o olhar entre ela e Castiel. “Então... o que diabos acabou de acontecer?” ele perguntou, a voz afiada, quase defensiva.
Sam estava ao lado dele, mais cauteloso, mas igualmente insistente. “A quarta trombeta... vimos o céu se rasgar daqui. Vocês dois estão bem?”
Amelia não respondeu. Ela tirou o casaco encharcado dos ombros e passou por eles, entrando na casa, os ombros tensos. O calor lá dentro mal tocava sua pele. Os olhos de Castiel seguiram sua subida pela escada, notando a rigidez em seus passos, o silêncio se adensando ao redor dela como névoa.
A voz de Dean o puxou de volta. “O que há de errado com ela?”
Castiel não respondeu de imediato. Apenas balançou a cabeça, seu sobretudo pingando no assoalho. Então ele se virou e silenciosamente a seguiu.
No andar de cima, Amelia sentou-se na beirada da cama, os braços apertados ao redor de si mesma, como se se preparasse contra uma força invisível. Os sons abafados da casa lá embaixo — o murmúrio baixo de Sam e Dean discutindo a quarta trombeta, o rangido dos passos de Bobby — pareciam distantes, irrelevantes, como se a tempestade da qual haviam escapado a tivesse seguido para dentro, se enterrando sob sua pele.
Castiel ficou parado à porta por um momento, seus olhos traçando a linha rígida de sua coluna, o modo como seus dedos se agarravam às mangas. Ele atravessou o quarto silenciosamente, sentando-se ao lado dela, mas deixando espaço suficiente para que ela ainda pudesse respirar livremente, se assim escolhesse.
O ar entre eles estava denso, carregado não apenas do que não fora dito, mas de tudo que fora sentido após a visita de Gabriel.
Amelia inspirou trêmula, olhando para a chuva escorrendo pela janela. A pergunta pairava não dita entre eles: o que ele disse a você? Mas Castiel não a pronunciou. Apenas ficou ali, presente, paciente, esperando que ela escolhesse.
E foi isso — sua recusa em pressionar — que finalmente fez as muralhas dentro dela começarem a rachar.
Ela não se virou para encará-lo imediatamente. Em vez disso, sua voz emergiu lentamente, como se arrastada de algum lugar há muito esquecido. “Você provavelmente quer saber... o que Gabriel me disse.”
O olhar de Castiel se aguçou, mas ele permaneceu em silêncio.
Amelia exalou, seu hálito embaçando o vidro frio à sua frente. “Não foi só o que ele disse. É o que ele me fez lembrar. Ou talvez... o que ele tornou impossível de ignorar.”
Ela engoliu em seco, a dor subindo de dentro do peito. Ela não pretendia falar sobre isso naquela noite, não queria trazer os fantasmas de seu passado para esse momento frágil, mas agora que surgira, parecia inevitável.
“Durante toda a minha vida,” ela continuou, sua voz mais frágil agora, “eu fui ensinada a me esconder. A fingir que eu era... comum. Minha mãe cuidou disso. Não porque ela tinha vergonha, mas porque me amava. Porque ela sabia o que aconteceria se alguém descobrisse o que eu realmente era.”
Seus dedos, tão apertados ao redor das mangas, lentamente afrouxaram enquanto ela falava. Seus olhos brilharam, embora ela se recusasse a deixar as lágrimas caírem.
Castiel se aproximou um pouco mais, sua presença firme, silenciosa — sem julgamento, apenas compreensão.
“Ela me escondeu de todos... até de Bobby,” Amelia sussurrou, sua voz falhando. “Disse a ele que eu estava morta. Assim, ninguém viria me procurar.”
Sua garganta se apertou, mas ela se forçou a continuar, como se o próprio ato de contar fosse uma forma de libertação.
“Mas os anjos descobriram de qualquer forma,” ela sussurrou, sua voz se quebrando com a lembrança. “Eles a mataram. Porque ela se recusou a me entregar.”
Ela finalmente se virou para olhar Castiel, seus olhos crus de dor, e algo mais: desafio, culpa, uma necessidade desesperada de ser vista além da arma que tantos outros queriam que ela fosse.
“Ela foi a única que nunca quis nada de mim. Nunca quis me usar.”
As palavras pairaram pesadas entre eles, saturadas de anos de silêncio e luto.
“E agora...” Ela riu amargamente, embora não houvesse humor algum nisso. “Agora parece que todo mundo ou quer me destruir ou me usar. Eu nem sei qual é pior.”
Sua voz vacilou, sua compostura finalmente se despedaçando.
Sem dizer uma palavra, Castiel estendeu a mão, segurando suavemente seu rosto entre as palmas, seus polegares afastando as lágrimas que ela nem tinha percebido que haviam finalmente caído. Ele se inclinou mais, suas testas quase se tocando, seu hálito quente contra os lábios dela.
“Você não é o que eles querem que você seja,” ele disse suavemente, com firmeza. “Você é... você.”
A simplicidade daquilo a desfez.
Por um momento, nenhum dos dois se moveu. O ar entre eles crepitava, não com a tempestade lá fora, mas com algo muito mais íntimo, muito mais perigoso.
Então, com um olhar hesitante, procurando, Castiel inclinou a cabeça e pressionou um beijo leve como uma pena em sua têmpora, depois outro no canto de seu olho, saboreando o sal de sua dor.
A respiração de Amelia se entrecortou, suas mãos instintivamente encontrando o peito dele, agarrando o tecido de sua camisa como se quisesse se prender a algo sólido.
Seus lábios traçaram um caminho reverente ao longo de sua bochecha, de sua mandíbula, pausando a poucos centímetros de sua boca. Ele a olhou então, plenamente, como se perguntasse — é isso que você quer?
E naquele momento, cada muro que ela já havia erguido desabou.
“Sim,” ela sussurrou, a palavra mal audível, mas inegável.
Castiel fechou o espaço entre eles, sua boca capturando a dela em um beijo que foi ao mesmo tempo terno e avassalador, contido e ainda assim cheio de um anseio que ambos haviam negado. Suas mãos deslizaram até a cintura dela, puxando-a para mais perto, enquanto as dela exploravam o terreno desconhecido e sagrado de seu corpo.
Eles se moveram juntos lentamente, reverentes, como se descobrissem o que significava ser humano, precisar, se render.
O mundo lá fora continuava a desmoronar, mas ali, naquele quarto, com apenas o som de suas respirações misturadas e a chuva batendo no vidro, havia algo dolorosamente inteiro na maneira como se encaixavam.
E quando, finalmente, seus corpos se pressionaram plenamente um contra o outro, não havia mais necessidade de palavras.
Apenas o entendimento compartilhado de que eles não estavam mais sozinhos.
Seus corpos se moveram juntos com uma urgência silenciosa, mas com uma paciência quase reverente, como se nenhum dos dois quisesse quebrar o feitiço frágil que se tecia entre eles. Amelia podia sentir a força das mãos de Castiel a ancorando, mas não havia nada de forçado em seu toque — apenas devoção, apenas a promessa silenciosa de que ali, agora, naquele momento, ela estava segura.
Cada beijo que ele colocava ao longo da curva de seu pescoço, cada exalação sussurrada contra sua pele, despia mais uma camada da armadura que ela usara por tanto tempo. E ela deixou.
A chuva lá fora se intensificava, açoitando as janelas como uma coisa selvagem desesperada para entrar, mas era distante, irrelevante — tudo além dessas paredes havia se dissolvido em um borrão indistinto. Tudo que existia era o calor do corpo de Castiel pressionado ao dela, a maneira como seus lábios buscavam os dela repetidamente, cada beijo se aprofundando, tornando-se mais faminto à medida que a contenção cedia à necessidade.
Amelia arqueou-se contra ele, suas mãos entrelaçando-se no cabelo escuro dele, puxando-o para mais perto enquanto um som suave e involuntário escapava de sua garganta. Ela não estava acostumada a isso — ser desejada sem uma agenda, ser tocada sem ser reivindicada como uma arma, um símbolo, um peão.
Ela ofegou suavemente quando as mãos dele traçaram caminhos reverentes sobre sua pele, despertando sensações que ela há muito enterrara sob o medo e o controle. E Castiel... Castiel foi paciente, observando-a de perto, lendo cada lampejo de hesitação, de permissão, esperando que ela o guiasse adiante.
Quando ela se moveu, permitindo que ele se aproximasse ainda mais, ele soltou um som ofegante, quase humano — um gemido suave, entrelaçado de desejo e contenção mal contida.
Suas roupas se tornaram uma barreira que nenhum dos dois queria mais, despidas peça por peça, lentamente, como se temessem que apressar-se pudesse acordá-los de um sonho no qual nenhum ousava acreditar ser real.
E quando não restava mais nada entre eles além de pele, respiração e tudo o que não fora dito, eles se encontraram novamente — plena, completamente.
As mãos de Castiel se espalharam ao longo de seus quadris, ancorando-a enquanto eles se moviam juntos, seus corpos encontrando um ritmo tão natural quanto respirar, tão inevitável quanto a tempestade lá fora. Os dedos de Amelia cravaram-se nos ombros dele, não por medo, mas pela dor esmagadora de finalmente — finalmente — ser vista, ser tocada, não como uma força a ser usada, mas como uma mulher, como ela mesma.
Sua cabeça tombou contra o travesseiro, os olhos se fechando enquanto onda após onda de sensação a atravessava, mas não era apenas o físico — era tudo o mais. Os anos de isolamento, de desconfiança, a memória assombrada do sacrifício de sua mãe, o medo de que ninguém jamais a quisesse de verdade pelo que ela era.
E agora... ali estava ele.
Ela abriu os olhos, e ele estava ali, sobre ela, dentro dela, seu olhar preso ao dela com tal intensidade que a deixou sem fôlego. Nenhuma palavra foi dita entre eles. Nenhuma era necessária.
Eles se moveram juntos em perfeita sincronia, cada um encontrando consolo e salvação no outro, seus gemidos engolidos pelo rugido da tempestade além das paredes.
E quando tudo terminou, permaneceram entrelaçados, suas testas pressionadas uma contra a outra, seus peitos arfando com o ritmo compartilhado do cansaço e de algo muito mais profundo — algo que nenhum dos dois ousava nomear ainda.
Os dedos de Amelia traçaram distraidamente a linha do maxilar de Castiel, maravilhando-se com a ternura silenciosa em sua expressão, com a maneira como ele a olhava como se ela não estivesse quebrada, nem perigosa, mas simplesmente... ela.
Ele estava deitado ao lado dela, a respiração irregular, a mão ainda tremendo suavemente onde repousava sobre sua pele. Apesar de toda a sua força silenciosa, havia algo de frágil em seu silêncio — como se a imensidão do que acabara de acontecer entre eles o tivesse deixado, ao mesmo tempo, enraizado e despedaçado.
Os dedos de Amelia traçavam distraidamente a linha do maxilar de Castiel, maravilhada com a ternura silenciosa em sua expressão, com o modo como ele a olhava — como se ela não fosse quebrada, nem perigosa, mas simplesmente… ela.
Por um longo instante, tudo o que existia era o sussurro de suas respirações, misturando-se suavemente no espaço calmo entre os dois.
Então, com delicadeza, Castiel virou o rosto em direção ao toque dela, sua mão erguendo-se para repousar sobre a dela, firme e quente. Sua voz, baixa e serena, carregava o peso de algo frágil, mas certo.
“Você não precisa mais lutar sozinha” disse ele, os olhos firmes nos dela, constantes como a chuva lá fora. “Quando as sombras voltarem… deixe que eu carregue uma parte delas.”
Seu polegar roçou levemente sobre os nós dos dedos dela, ancorando-a na quietude que compartilhavam.
Mas à medida que os segundos se alongavam em silêncio, enquanto a tempestade lá fora começava a ceder, seus pensamentos voltaram a espiralar para o espaço que Gabriel havia aberto dentro dela.
E se isso também for só mais uma ilusão?
A voz dentro de si era baixa, mas insistente.
E se até ele só quiser aquilo que eu posso oferecer, e não quem eu sou?
Ela se mexeu levemente, puxando o lençol mais alto sobre os ombros nus, como se, de repente, estivesse com frio — apesar do calor do corpo dele ao seu lado.
Castiel percebeu a mudança, a testa se franzindo naquele jeito suave e preocupado que ela já aprendera a reconhecer. Mas não disse nada — apenas passou os dedos por entre os cabelos dela, silencioso em seu consolo.
Ainda assim, as dúvidas permaneciam.
O que Gabriel dissera — ou melhor, insinuara — ainda corroía suas bordas. Ele não precisava ter dito com todas as letras; a semente fora plantada: até mesmo os mais próximos poderiam vê-la apenas como um meio para um fim.
Ela engoliu em seco, virando o rosto contra o ombro de Castiel, tentando obrigar o conforto de sua presença a silenciar as vozes em sua mente.
Mas elas não se calavam.
Você não sabe o que ele quer de verdade, a voz sussurrou. Assim como não soube com mais ninguém.
Ela soltou o ar de forma trêmula, apertando-se mais contra ele, precisando sentir — só por mais um instante — que aquilo, fosse o que fosse, era real.
Castiel beijou suavemente o topo da cabeça dela, o fôlego constante.
Mas Amelia permaneceu ali, olhos abertos no escuro, encarando o teto encoberto de sombras — o corpo saciado, mas a mente… fraturada. As palavras de Castiel ainda ecoavam na quietude entre os dois, suaves e firmes, como uma mão estendida na escuridão. Ela queria acreditar nelas. Deus, como queria.
Mas acreditar era mais difícil do que lutar.
E naquele espaço frágil e vulnerável — com o calor dele ao lado, e o mundo lá fora esquecido por um breve momento — ela entendeu que a tempestade não havia realmente passado.
Ela apenas havia se mudado para dentro dela.
E ainda assim, quando os dedos dele roçaram suavemente os dela, firmes e pacientes, ela se permitiu ter esperança — só um pouco — de que talvez, um dia, encontrasse o caminho para fora da tempestade.
Se ele ainda estivesse ali para recebê-la.
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