The Beauty And The Brute
5 V. Mudança de Situação
Notas iniciais
Boa leitura ;)
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
De manhã, no café da manhã, o encontrei quieto, um pouco em conflito consigo mesmo. Mas continuava com a mesma expressão fechada.
Me sentei na mesa e comecei o teste:
– Bom dia.
– Bom dia.
Ele respondeu depois de um tempo, a contragosto e indiferente.
Começamos a tomar café da manhã. Até ali em silêncio.
– Eu pensei que o dono da empresa não tivesse que trabalhar tanto. – comentei, tentando ser mais aberta. – Tem outras pessoas para trabalhar por você, não?
Ele remexeu-se, desconfortável. E ainda sem contato visual perguntou:
– Por que deixaria de trabalhar?
– O que faz quando não trabalha?
– Eu sempre trabalho.
– Por quê?
Assim que perguntei, ele soltou um garfo e fez barulho, seguindo com uma baforada impaciente.
– Por que quer tanto que me comunique com você? Não pode apenas viver sua vida?
– Não existe como viver em um lugar com uma pessoa e não trocar palavras com ela. Isso é ruim.
– Não parece nem um pouco ruim pra mim.
– Porque nunca fez. – encolhi os ombros. – Apenas continue, e vai acabar se sentindo bem com isso.
– Que seja. – baforou, já levantando da mesa e me deixando lá. – Estou indo trabalhar.
– Boa sorte no trabalho.
Desejei, apenas deu as costas e seguiu. O que me fez intervir:
– Não vai me desejar boa sorte também?
– Por quê?
Quis saber sem se virar.
– Porque eu desejei a você.
– Boa sorte na escola, agora adeus.
Se foi.
Foram muitos momentos assim durante uma semana. No início ele ainda dava muitas crises de desconforto, mas depois, começou a agir um pouco mais naturalmente ao responder minhas perguntas e até começou a fazê-las.
Era difícil para um homem que sempre viveu sozinho, em sua mansão, sem dar satisfações sobre nada para ninguém. Ter de compartilhar seus pensamentos agora. Antes era apenas ele e sua mente fechada.
Nunca baixava a guarda, estava sempre retraído. Mas ele faz isso há tanto tempo que duvido que possa mudar essa parte.
No final de semana, eu saí e vi que ele estava dentro do escritório. Já não me sentia mais apreensiva, então abri a porta. O encontrei na frente do computador, muito concentrado
– O que está fazendo?
Durou para responder.
– Trabalhando.
– É fim de semana!
Reivindiquei, abismada.
– O que isso importa?
– Não vai para a piscina?
– Piscina? – cogitou como se fosse estranho. – Eu não uso a piscina.
– Por quê?
– Não há necessidade.
– Você trabalha o tempo todo e não faz atividade física? Como vai manter a boa forma?
Toquei no ego dele, sabia que isso ia funcionar. Ele ficou um tempo sem responder, pensando.
– Eu estou indo. – avisei. – Se quiser ir...
Saí da sala.
Não sabia se ele viria, mas, foi boa a tentativa. Confesso que estava sendo um tanto estimulante tentar convencê-lo de ter uma vida social e de lazer, eu gostava de pensar que estava conseguindo mudar alguém como ele.
Fui até a piscina e depois de tomar uma chuveirada, dei um salto e caí lá dentro. Deixei que toda aquela água refrescasse meu corpo, lavasse minha alma. Não podia mais suportar viver naquela tensão sempre. Estava tentando me adaptar e essa era uma das melhores formas.
Eu queria convidar Misha, ou o Patrick para um mergulho, mas ainda não sabia se era seguro chamá-los, tinha acabado de ir morar com Vincent e isso seria um pouco abusivo de mais para ele. Eu os via no colégio e às vezes os visitava para estudar. Por enquanto achava melhor não provocar.
Fiquei ali um tempo e acabei me distraindo, deixando os pensamentos voarem para lugares bons.
Quando algo puxou meu pé e me assustou. Meu coração deu um pulo. Fiquei chocada quando o culpado saiu da água. Vincent, que ria, divertindo-se com meu susto.
Arregalei os olhos enquanto assistia àquela cena um tanto apavorada. Nunca pensei que fosse vê-lo rir antes. Tinha os cabelos molhados, pois havia mergulhado para me pegar de surpresa.
– Você é boba.
– Você está rindo...?
Pisquei.
– Estou.
Encolheu os ombros e voltou a ficar fechado.
– Por que não faz isso sempre?
Sugeri, dando um risinho. Acabei me distraindo um pouco com o seu peitoral despido, as linhas do seu abdômen eram perfeitamente desenhadas, fazia par perfeito com seus músculos e suas costas largas. Fingi que não estava reparando nele, até porque, era humilhante.
– Não importa.
E mergulhou na água, nadou até o fim da piscina com longas braçadas. Para alguém que não fazia isso sempre, ele parecia um nadador nato.
– Foi assim com conseguiu chegar à boa forma?
Perguntei. Ele fez algo parecido com um sorriso, era um começo. Veio se aproximando para que eu pudesse ouvir melhor sem precisar gritar da ponta da piscina.
– E outros exercícios.
Contou, e começou a ficar entretido numa conversa, pela primeira vez. Fiquei radiante. Era como ver um filho dar os primeiros passos.
– E impressionou muitas garotas? – sorri maliciosamente, tentando ganhá-lo. – Qual foi sua última namorada?
– Não namoro.
Desfez da ideia.
– Sério?
– Sim. Tenho muita coisa para cuidar. Não tem por que me envolver com uma pessoa...
– Já tentou alguma vez?
– Como eu já disse, não.
– Então por isso acha que não há motivo. – expliquei. – As pessoas se envolvem para se sentirem bem. É uma boa sensação. Melhor do que trabalhar.
– Trabalho dá frutos.
– Relacionamentos também.
Debati. Mas assustadoramente, não era como uma discussão séria. Estávamos apenas impondo nossas ideias, e ele estava mais flexível.
– Não bons o bastante.
– Não é tão legal ter uma casa grande quando nem usa a piscina direito.
Dei o exemplo.
– Você tem umas ideias das quais nunca ouvi falar.
– Qual a última vez que foi ao cinema?
– Não me lembro.
– Assiste televisão?
– Não preciso.
– Precisa fazer algo para compensar o seu trabalho.
Falei.
– Talvez. – aquela resposta me surpreendeu. – Mas fale mais.
Franzi a sobrancelha. Achei que tivesse ouvido ele me pedir para falar.
– Falar?
– Você fala e eu escuto. Gosto de fazer isso agora.
Falou como se não fosse nada de mais, talvez porque não tenha notado como aquilo era um avanço. Meu rosto se iluminou.
– Isso é bom. – elogiei. – Não se sente bem agora? Não é ruim conversar não é?
– Não é tão inútil quanto pensei... Nem sei o que pode definir isso.
– É uma coisa que faz você se sentir bem.
– Diferente. Não sei se é bem.
– Ainda vai se acostumar com essa coisa de se sentir bem.
Assim que disse isso, me senti no direito de jogar água nele, depois ri. Ele ficou me encarando um pouco em dúvida sobre o que eu tinha feito. Mas depois, fez o mesmo e seu risada.
O som da sua risada era grave e sutil, mas que o dava muito charme. Era muito irônico que um homem bonito como ele, se assemelhasse a um velho ranzinza no jeito de ser.
– Me conte sobre seu pai. E sobre a sua vida.
Quis saber mais.
Ele ficou pensativo.
– Meu pai era o dono da empresa. Minha mãe me abandonou quando criança e... Só.
Fiquei impressionada. Não tinha nenhum sentimento vindo da parte dele, talvez ele nunca tenha refletido sobre o assunto.
– Gostava do seu pai?
– Ele era um bom homem de negócios. – que coisa fria de se dizer. – não nos falávamos muito.
Então era isso. Ele tivera uma infância solitária, com um pai que não o educou, não lhe deu nenhuma referência de comportamento, apenas de que deveria trabalhar.
Não sabia se relacionar com pessoas, não sabia como agir diante delas ou reconhecer seus sentimentos.
Talvez porque tenha visto o pai, sua única referência, ser desse jeito. Era triste, e ele nem se dava conta.
– Meu pai era um grande homem. – eu disse. Sorri ao me lembrar. – Sei que deve pensar que não porque ele não tinha nenhum emprego importante. Mas ele cuidava de mim, e me fazia me sentir amada. E pode duvidar, mas isso é muito.
Não reagiu, ficou calado.
– Quando eu cheguei, me surpreendi com a casa. – comentei. – Não pelo tamanho, eu imaginei que fosse enorme. Mas porque achei que você, por ter uma empresa de carros modernos, teria uma casa mais atual, sabe? Um estilo mais autêntico?
– É uma casa de família, está conosco há anos. – explicou. – E por incrível que pareça, meus carros podem ter design de última geração, mas prefiro os modelos clássicos para outras coisas.
– Por isso nunca se mudou? – quis saber. – Até porque, você mora aqui sozinho e nunca pensou em ter uma família, então...
– Acho que sim.
Sorriu de lado.
Quando saímos da piscina, eu tomei um banho e peguei o almoço para comer na sala, assistindo TV.
Não me surpreendeu nada que quando Vincent chegou na sala de jantar, deu por minha falta e veio perguntar o que eu estava fazendo.
– Você vai sujar o sofá.
Indicou, pasmo com a minha atitude.
Eu não consegui evitar a risada. Ele é tão careta às vezes.
– Deixa de ser fresco. – estalei a língua e voltei a ver TV. – Não quer ver comigo?
– Eu como na mesa.
Pronunciou com rigidez.
– Não ia morrer se comesse aqui uma vez.
Dei de ombros.
Ele somente deu as costas e foi almoçar. Dessa vez não funcionou. Quando terminei de comer, Nally veio e gentilmente levou meu prato. Estava começando a me acostumar com aquelas mordomias . Lilian e Jafar me ligavam sempre para saber como eu estava e continuavam tentando me tirar dali. Mas admito que sentiria falta de Nally e Théo, que sempre estava radiante no jardim.
E Vincent... Era uma pena ter de deixá-lo só. Mas não podia ficar ali para sempre e tentar concertá-lo.
De repente senti um peso no outro lado do sofá e lá estava ele. Um pouco enfezado, provavelmente tinha terminado de almoçar e estava ali para me fazer companhia. Tentei agir como se nada estivesse acontecendo.
Às vezes ele parecia uma criança. Orgulhoso, teimoso e caprichoso. Precisava ter muita paciência para mantê-lo contente.
Dava para ver que ele ainda não sabia como lidar com o fato de que gostava da minha companhia agora.
– Que programa é esse?
– “The big bang theory”.
Respondi à sua pergunta e achei que dois minutos depois ele escondeu um riso. Estava gostando do programa.
Antes ele estava sério, contraído e mal encostava no sofá. Depois, estava deitado e completamente largado ao meu lado. Nally trouxe a pipoca que eu pedi e eu o ofereci:
– Quer?
Ele ficou me encarando, um pouco em dúvida. Depois acabou cedendo e pegando um punhado. Nunca imaginei estar naquela situação com ele. Sentada no sofá tranquilamente assistindo um programa de televisão.
– Como ficou sabendo de mim?
Perguntei, por curiosidade. Já começara a escurecer. Ele ficou um tempo em silêncio e depois disse:
– Minha secretária lamentou sobre a sua situação para mim.
– E você resolveu me ajudar?
Sorri com a ideia. O fato dele ter tomado essa decisão ainda me fazia acreditar de que ele apenas escondia o seu lado bom que se importa com os outros.
– Foi.
– Não sentiu medo?
Vi ele franzir o cenho, completamente perdido.
– Do que eu sentiria medo?
– Ah, você sabe. – dei-lhe um tapinha no ombro. – De que eu não gostasse de você... Ou que eu fosse uma adolescente chata, irritante.
Então ele deu risada, bem alta e uniforme dessa vez.
Revelou. Fiz um muxoxo, fingindo estar mais ofendida do que estava realmente.
– Por que acha isso?
– Eu não sabia que podia ter esses tipos de problemas até você chegar.
Contou.
– Mas e agora?
– Não é mais exatamente um problema.
Confessou.
– O quanto a eu não gostar de você? Você se preocupou com isso?
– Isso nunca me preocupou antes.
– Agora te preocupa?
Nossos olhares se cruzaram, era difícil não se perder naquelas órbitas claras que pareciam tão dominadoras. O jeito controlador de Vincent o deixava sedutor.
– Agora você gosta de mim. – soltou aquilo. E depois pareceu desconcertado. – Eu acho.
Sorri como resposta, ainda fiquei um pouco zonza em ter de olhar nos olhos dele. Estávamos muito perto um do outro.
– E você gosta de mim?
Sussurrei, um tanto suplicante, o que fez um rubor crescer nas minhas bochechas.
Ficou me fitando, sem saber o que dizer e no fim admitiu em tom baixo:
– Não sei o que é gostar de alguém.
Ele aparentou tão indefeso e inofensivo, tinha algo nele que me deixava com pena. O quanto ele era só. E como na verdade, não tinha culpa de ser como era.
Fui destemida e dei um beijo na sua bochecha, deixando-o alarmado.
– Pois eu acho que gosta.
Curvei os lábios.
Ele descontraiu os músculos ao ouvir o que eu disse. Um silêncio pairou no ar, e eu só conseguia ficar vidrada nos seus olhos, que eram hipnotizantes e altamente envolventes. Meu coração palpitou um pouco e na mesma hora eu caí em si.
Me afastei e pigarreei, me corrigindo. Não era muito bom estimular essa atração que sentia por ele. Eu sabia que não fazia sentido desejá-lo e com certeza não faria isso. Mas não era muito surpreendente quando Vincent Thomas era simplesmente irresistível aos olhos.
Ele tinha um corpo invejável, estava sempre bem vestido, e seu rosto parecia mais uma pintura. Não era muito difícil ser assim sendo tão bem sucedido e tendo dinheiro para manter toda sua aparência em ordem.
Não devia me distrair com isso.
********
No dia seguinte eu acordei cedo de mais. Não sei por que, apenas fiz.
Tão cedo que tomei o café da manhã e Vincent nem sonhava em acordar, e ele sempre acordava cedo.
Resolvi então passear pelo jardim, encontrar as roseiras que eu gostava tanto e explorar um pouco mais. Até porque o jardim era tão extenso que não conseguia enxergar tudo.
Saí e comecei a caminhar pelo jardim, haviam roseiras em toda parte, um pátio gramado, e uma fonte de granito no centro. Continuei explorando e avistei mais à frente, um senhor de boina, com uma enorme tesoura, retocando um dos arbustos no formato de um diamante.
Ele tinha cabelos crespos ruivos e um óculos de grau sobre os olhos. Estava muito entretido com seus cortes.
Me aproximei amigavelmente.
– Oi.
Saudei, timidamente. Ele desviou o olhar para me ver e abriu um sorriso receptivo:
– Olá, senhorita. – falou com enorme entusiasmo. – me falaram muito de você, é a nova moradora da casa.
– O senhor deve ser o jardineiro.
– Sou sim. – e pegou na minha mão com suas palmas enrugadas, docemente beijou-a. – Sou George Timble, encantado.
Sorriu para mim.
– Sou a Valerie, muito prazer.
– Valerie. – repetiu. – a que devo a honra de uma presença tão ilustre?
– Estava conhecendo o jardim. Ele é enorme.
– Ah, sim, é. – virou-se para o arbusto e continuou repicando. – São mais de três terrenos, a mãe do Sr. Gregory gostava muito de jardins e mandou construí-lo.
– Eu adoro as rosas. – contei. – queria ajudar o senhor em alguma coisa, posso?
– Ah, mas é claro. Tenho muito tempo fazendo isso e já me dói um pouco ter de subir nas árvores. A senhorita podia me ajudar a colocar uma lâmpada nova naquela árvore? Tem lâmpadas penduradas por todo o jardim, e acendem à noite. Aquela sempre me dá muito trabalho.
Apontou para uma árvore alta de folhas cor-de-rosa.
Não me parecia nada de mais.
– Claro.
Dei de ombros. Fomos até a árvore e havia uma escada que ajudava a subir. Ele me entregou a lâmpada com as mãos já trêmulas e cansadas de idoso.
– Vou segurar a escada para não cair.
Disse.
– Tudo bem.
E comecei a subir na escada, com a mão para o alto, segurando a lâmpada. Quando cheguei no último degrau, ainda estava distante e mesmo que me esticasse não conseguiria alcançar e cairia.
– Vou subir num dos galhos para conseguir fazer melhor.
Avisei.
– Tome muito cuidado.
Assenti para ele e pisei devagar no tronco da árvore, me segurei e só então pude encaixar a lâmpada perfeitamente, pendurada no fio.
– Pronto.
Sorri, e me preparei para descer quando de repente, minha sandália escorregou, tentei me segurar mas minhas mãos pairaram no ar e tudo que conseguir sentir foi a queda, meu corpo caindo pesadamente na grama.
– Senhorita!
George gritou, já tarde de mais. Minha cabeça havia batido em algo e me senti tonta, com uma pontada de dor na testa. Não enxerguei muito bem, mas ouvi a segunda voz:
– Valerie!
E essa me era um pouco familiar. Tentei abrir os olhos quando vi Vincent agachando transtornado para me tirar do chão, e logo fechei-os de novo, sendo tomada pela escuridão.
*******
Acordei gemendo, meu corpo todo dolorido, minha cabeça desatinou numa dor intensa que me fez abafar o lugar com a palma da mão.
Fui abrindo os olhos com dificuldade e estava no meu quarto. Vincent sentado ao meu lado me observando alarmado e Nally na companhia de George de pé, mais adiante, me observando com semblante preocupado.
Eu ia dizer alguma coisa, mas me calei para gemer mais uma vez quando Vincent tocou uma bolsa de gelo enrolada num pano na minha testa e incomodou um pouco.
– O que estava tentando fazer?
Vincent perguntou, parecia irritado, e cheio de tensão na sua voz, como se na realidade, o fato de eu ter me machucado tivesse sido o motivo de estar irritado.
– Estava ajudando o George com o jardim.
Pronunciei num fio de voz.
– Eu vou ter uma conversa com esse velho depois, agora...
Vincent disparou falando com rigidez, e tive de interromper, chateada:
– Não...! – parou de falar e ficou me observando, surpreso. – Não foi culpa dele, ele pisei em falso e caí. Eu que resolvi ajudar.
– Que seja, mas não faça isso de novo. – repreendeu, com nervosismo. Olhei bem para ele, com as sobrancelhas arqueadas e me dei conta de que estava tenso porque havia ficado preocupado. – Levou uma pancada na cabeça e poderia ter sido sério.
– O médico está chegando para examiná-la.
Nally avisou, sorrindo de onde estava.
– Obrigada.
Curvei os lábios para ela e George, que me assistia com preocupação. Quando me voltei para Vincent, percebi que ele estava bufando para o lado, como se estivesse acabado de levar um grande susto e agora estivesse aliviado.
– Deixe-me sozinha com ela.
Ele mandou, num tom grave para os dois que estavam perto da porta. Por um momento fiquei tensa, achando que ele iria me dar um sermão por ter posto minha vida em risco. O que era uma atitude muito admirável da parte dele.
Os dois saíram silenciosamente da sala e me deixaram sozinha com ele.
Ele ainda suspirou fundo antes de falar, como se quisesse se acalmar antes de dizer qualquer coisa.
Senti o seu toque na minha mão, leve e cauteloso e me deixou mais impressionada ainda.
– Acho que estou preocupado com você.
Revelou num fio de voz, calmo. Fugiu do contato visual como se estivesse envergonhado.
– Eu estou bem.
Tranquilizei, ainda me sentia lisonjeada com sua preocupação. Aparentava estar sofrendo pelo que aconteceu.
– Eu liguei para aqueles seus tios. – contou. – Achei o número deles no seu celular e disse que você levou uma queda. Eles pediram para que você ligasse ao acordar.
– Obrigada.
Realmente estava pasma pelo quanto estava sendo atencioso comigo. Ele se esticou e pegou o celular na bancada, para que eu ligasse.
– Se precisar pode chamar, o médico já deve estar chegando.
Falou ao se levantar e seguir até a porta, quieto.
Aquilo fora decididamente, algo que não estava esperando.
Vincent estava criando laços comigo, ou ao menos, estava se importando com alguém; comigo. E eu, sinceramente, estava começando a gostar dele. Mais do que antes, eu estava apreciando a sua companhia. A sua presença naquela casa estava deixando de ser um peso, para ser algo tão natural quanto respirar.
Estávamos sabendo coisas da vida do outro agora, e se aproximando. Estávamos construindo um relacionamento e eu não sabia exatamente o que era.
Não era exatamente de “pai e filha”, mas também era mais íntimo que uma amizade. Era afeto. Tinha conseguido me apegar a ele e despertar o interesse dele por se afeiçoar por mim também.
Aquilo era bem maior do que eu esperava. E eu estava gostando.
Só devia ter cuidado com a parte de mim que gostava de olhar para ele. O quanto estava sempre perfeito, musculoso, tenso por estar atrasado, ocupado com os negócios. Essa parte autoritária e sensual e tornava ele irresistível.
E com certeza essa parte de mim nunca deixaria que ele se tornasse um pai para mim, estava me sentindo atraída por sua beleza.
Notas finais
Vejo vcs no próximo? Espero que sim.
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
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