The Beautiful Girl.
37 Capítulo 37 - Assaltos e Flagras.
Notas iniciais
POV Ally
Já fazia uns 15 minutos ou mais que eu caminhava. Na verdade eu não fazia a mínima ideia de para onde eu estava indo. Eu só não queria voltar, e ter que forçar um sorriso para Piper e para os meus pais, ou entrar em meu quarto e dar de cara com Austin. Eu só queria ficar sozinha. Eu observava cada rua: Crianças andando de Skate, ou de bicicletas, sempre com os pais cuidando deles. Caminhei um pouco mais até que encontrei a praça que eu, Trish, Austin e Dez sempre vínhamos brincar quando crianças. Sorri ao ver os balanços onde Trish sempre empurrava Dez com muita força, louca pra o ver cair. Mas quando isso acontecia ela corria preocupada para perto dele, e o ajudava a levantar, minutos depois eles estavam discutindo de novo.
Sentei em um banco e aproveitei a boa brisa que a noite em Miami me dava. Mas percebi que a praça estava quase vazia, isso porque a hora já se avançava. Na verdade, percebi alguns movimentos estranhos, como se eu estivesse sendo observada. Me levantei de um súbito e me pus a caminhar, querendo sair dali. As ruas estavam silenciosas agora, e eu não fazia a mínima ideia de quanto tempo eu tinha ficado sentada lembrando da minha infância. Me senti sendo seguida, e isso nada me agradou. Apressei os passos, e quando menos esperei minha boca foi tapada e eu fui puxada para um canto de uma casa. Tentei gritar, mas não consegui.
–Sabia que uma garota andar sozinha à essa hora é muito perigoso? Passa tudo agora, o celular tudo. Vai Vai! -Era um homem, não muito velho, devia ter uns 24 anos. Ele gritava e apontava uma faca para mim. Me apavorei, quando trêmula eu pensei em pegar o celular para entregá-lo, escutei uma voz ao longe. Alguém falava ao celular e se aproximava, eu devia estar muito nervosa, pois eu tinha quase certeza que a voz era muito conhecida por mim. O ladrão se apavorou e antes que gritasse ou algo do tipo, ele levantou a mão e me acertou na cabeça com o cabo da faca. Ele não queria que eu chamasse atenção, e conseguiu. A pancada me fez ficar fraca e eu cai no chão, com a vista embaçada pude vê-lo correr se esgueirando por um beco. Eu estava tonta, e não conseguia me levantar, passei a mão onde eu havia levado a pancada e um pouco de sangue veio em meus dedos. Minha vista embaçou ainda mais, mas antes de perder totalmente a consciência, pude ouvir um grito, e se eu não estava enganada, a pessoa tinha gritado o meu nome assim que me encontrou.
POV Austin
Eu andava de um lado para outro. Já eram 22h e nada dela chegar. Decidi não ficar mais ali esperando, e fui até a sua casa. Tia Penny abriu a porta.
–Austin! Você sabe onde a Ally foi? Ela não nos disse onde ia, e até essa hora não chegou, eu estou ficando preocupada. -Ela falou quando eu entrei.
–Não Tia, eu não sei onde ela foi. Eu vou atrás dela agora mesmo, só vim avisar. -Ela assentiu e Tio Lester me olhou confuso e preocupado.
–Mas se ela não disse onde ia, como você irá encontrá-la? -Ele perguntou. — Ally nunca fez isso! O que deu nela em sumir assim? -Ele estava frustrado. Meus pais apareceram e se juntaram a eles na sala.
–Eu vou procurar ela. Não deve estar longe. Eu vou trazê-la de volta, não se preocupem. Me liguem caso ela volte antes de mim. -Falei e sai às pressas. Eu ligava milhares de vezes, mas seu celular só dava desligado.
O que ela queria com isso? Me fazer pagar com a mesma moeda? Se for isso está conseguindo porque eu estou preocupado, mas eu sinto que algo não está certo.
Decidi afastar esses pensamentos, minha morena está bem. Só está com raiva de mim, em alguma praça aqui perto. Logo eu a encontraria e a explicaria tudo, pedindo desculpas por minha burrice.
Corri o mais rápido que pude, mas as ruas vazias e a hora avançada me deixava cada vez mais preocupado. Nada dela atender, e nada de uma ligação me avisando que ela já tinha chegado.
–Atende Ally! -Falei impaciente enquanto mais uma vez, o telefone dela dava desligado. -Que droga! -Gritei na rua. Eram quase 23h e nada. Andei por ruas conhecidas, várias praças e nada dela. Mas onde será que ela se meteu?! Eu já estava além de preocupado.
Olhava atento a todos os lugares que eu rapidamente passava e nada. Até que meu celular tocou, era um número que eu não conhecia. Rapidamente atendi.
–Alô? -Falei e continuei a procurá-la.
–Austin? -Parei ao ouvir a voz de Elliot na outra linha.
–Elliot? -Perguntei surpreso.
–Sim, sou eu. Me escute, eu preciso que você fale com os pais da Ally. Eu estou com ela no hospital e... -Eu gelei.
–O QUÊ? COMO ASSIM NO HOSPITAL? O QUE ELA TEM? -Eu gritava e perguntava esperando desesperadamente pela resposta, meu coração batia mais forte que o normal.
–Ela está bem agora, levou uma pancada na cabeça, em um assalto, traga os pais dela Austin, estamos aqui no hospital de Miami. -Meus olhos marejaram e eu já não conseguia ver nada direito em minha frente.
–Eu estou indo para aí. -Falei e logo a ligação se encerrou.
Enquanto eu corria desesperado voltando para casa várias perguntas se formavam em minha mente. Ally tinha sido assaltada? Como isso tinha acontecido? E o que Elliot fazia lá? Mas isso não tinha a mínima importância para mim no momento. Eu só queria vê-la e constatar que o meu amor estava bem.
Corri o mais rápido que pude e ao chegar em casa pude ver os olhares curiosos das nossas famílias.
–A Ally está no hospital. -Falei e minha garganta se retraia ao dizer isso, lágrimas invadiram meus olhos e seus pais se desesperaram assim como os meus. -Elliot me ligou, ele está lá com ela, pelo o que eu pude entender ela foi assaltada e levou... -Eu comecei a chorar e me controlei -Levou uma pancada na cabeça, ele me disse que ela está bem, mas nós temos que ir para lá agora. -Eu falei e a minha mãe e a Tia Penny começaram a chorar. Tio Lester parecia desolado e meu pai estava muito preocupado também.
–Ai meu Deus! -Tia Penny gritou -Vamos logo! Vamos! -Saímos nós cinco de casa e o meu pai era o que estava em melhor estado para dirigir. Assim que falei o hospital, uns 20 minutos depois nós estávamos correndo para dentro do local. Era o hospital onde a mãe da Ally trabalhava. Corremos e assim que chegamos lá Elliot estava sentado em uma das cadeiras. Assim que vi seu rosto notei que tinha um hematoma, e estava roxo bem ao lado do seu olho esquerdo.
–Oh Elliot! Minha filha cadê ela? -Ela perguntou chorando e ele a abraçou.
–Ela ainda está dormindo, o médico me falou que a pancada não foi séria, e que ela está bem. A senhora pode ir vê-la. O quarto é o 107. -Ela assentiu e andou rapidamente junto com Lester. Meus pais se sentaram aliviados e eu olhei para Elliot. O clima entre nós era meio pesado.
–O que aconteceu? -Perguntei e ele me olhou.
–Eu não sei ao certo. Eu só estava indo para casa, quando escutei um grito. Vi alguém fugir e uma garota ao chão. -Meu coração disparou ao ouvir aquilo, minha morena caída ao chão. -Eu corri para ajudar, mas a surpresa foi grande ao ver que era a Ally. Eu pedi ajuda e a trouxe para o hospital, assim que pude eu procurei seu número e te liguei para avisar a família. -Ele falava cordialmente. E eu assenti. Quebrando meu orgulho eu me pronunciei.
–Obrigada. Por tê-la socorrido. Muito obrigada. -Eu disse.
–Não precisa agradecer, eu fiz por ela. -Meus pais prestavam atenção na conversa, e nos olhavam estranhos, como se percebessem que nós dois não nos davam bem.
Ele se sentou e eu esperei agoniado, enquanto os pais da Ally não saiam para que eu finalmente pudesse vê-la.
E enquanto eu estava sentado naquela cadeira, algumas lágrimas desciam por meu rosto discretamente.
Tudo tinha sido culpa minha. Eu sumi. Eu a deixei preocupada e ela tinha saído por minha causa. Se eu não tivesse feito a estupidez de ter desaparecido pela a tarde inteira, ela não teria saído com raiva de mim e agora ela estaria em meus braços e não deitada desacordada em uma cama de hospital.
Tudo era culpa minha. E eu não conseguia me perdoar por isso. Apois um tempo esperando Elliot levantou, e tinha ido beber água. Meus pais conversam algo e eu continuava olhando fixamente ao corredor, louco para ir até a minha namorada. Um médico se apromixou, e ele tinha alguns papéis nas mãos.
–Algum de vocês é o responsável por Ally Dawson? -Eu levantei como de um súbito da cadeira.
–Eu sou, prazer, Austin Moon -Falei e nós trocamos um aperto de mãos e ele me olhou por sobre os óculos.
–Olá, sou o doutor Phillips, Mas e o rapaz que a trouxe? — Ele perguntou e eu respondi muito calmo.
–Ele não é responsável por ela, eu sou. -Meus pais estavam calados e atentos a conversa.
–Muito bem Austin, -Ele sorriu -Ally está bem, na verdade ela ainda está dormindo por conta dos remédios. Me parece que ela foi acertada na cabeça, e ouso a dizer que seria algo como um cabo de uma faca. -Minha mãe se assustou pondo a mão na boca, e meu peito se contraiu -Mas foi apenas tudo externo, ela está bem. Vocês são os pais dela? -Ele perguntou se dirigindo à minha família.
–Ah não, somos amigos. Os pais dela foram ao seu quarto, estão com ela agora mesmo. -Meu pai falou.
–Ah me desculpem, eu não passei por lá agora por isso não os vi. Bem, em todo caso, Ally precisará passar a noite aqui, ela precisa ficar em observação. E apenas uma pessoa pode ficar como acompanhante. Qualquer coisa me procurem -Ele sorriu- Até logo senhores, Austin. -Ele fez um aceno com a cabeça e saiu.
Os pais de Ally caminhavam mais calmos do que quando entraram, e apesar de tudo pareciam aliviados.
Eu caminhei até tia Penny e a abracei. Ela sorriu me apertando.
–Eu posso ir vê-la, por favor? -Quase supliquei e ela sorriu.
–Você deve ir vê-la. Aliás ela não para de te chamar. -Eu franzi o cenho.
–Mas eu pensei que ela fosse demorar a acordar, o doutor falou... -Ela sorriu e beijou minha bochecha.
–Ela está dormindo, mas perdi as contas de quantas vezes ouvi ela falar seu nome enquanto nós estávamos lá. -Eu sorri emocionado -Mesmo estando dormindo ela está te esperando. -Ela falou e eu sai andando às pressas ao quarto 107. Não preciso dizer que meu coração estava descompassado, porque desde que ela demorou a chegar que ele já não estava bem.
Abri a porta devagar e minha respiração sufocou um pouco ao vê-la. Ela estava mais branca que o normal, e tinha um curativo no topo da cabeça, ao lado esquerdo. Meus olhos marejaram e eu me aproximei ao vê-la respirar lentamente. Sentei ao seu lado na cama e respirei fundo pegando sua mão pequena.
E então ela falou meu nome, inconsciente.
–A-austin. -Falou fracamente. -A-Austin. -Não sei a partir de qual momento as lágrimas já desciam em meu rosto.
–Eu estou aqui meu amor. Não se preocupe. -Falei e afaguei seu cabelo. -Me desculpe Ally, a culpa é toda minha. Primeiramente eu não deveria ter sumido, e depois, mesmo você chateada eu não podia ter te deixado sair sozinha. Eu... Eu sinto muito meu amor. Me perdoe. -Eu falei mesmo sabendo, que ela não estava me ouvi do.
–Você sabe que eu sou teimosa. Seria inútil tentar me segurar. -Ao ouvir a sua voz levantei a cabeça rapidamente e me pus a encarar aqueles olhos castanhos tão vivos. Ela sorriu e eu chorei mais ao ver que realmente, ela continuava bem, e que era a mesma.
–Meu amor. -Eu falei acariciando seu rosto e ela sorriu fracamente, e então me lembrei que ela ainda estava com raiva. -Ally por favor, me deixe explicar. Eu...
–Eu não quero saber de nada. -Ela falou e eu engoli em seco ficando meio abalado.
–Mas amor, eu... -Tentei me explicar mas ela me interrompeu.
–Não quero saber de nada disso agora Austin, nada disso me interessa agora. -Mais uma vez engoli em seco. Ela meneou a cabeça. -O que me interessa agora é você. Por favor, vamos deixar isso de lado por enquanto. -Meus olhos com certeza brilharam e eu a abracei delicadamente para não machucá-la.
–Eu pensei que quando me visse, quisesse me bater ou algo do tipo. -Eu disse e ela me apertou mais.
–Não posso me dar ao luxo de fazer isso, não quando eu tive medo de me acontecer alguma coisa e eu não ter me despedido de você. De eu poder ter morrido e só me lembrar que o nosso último momento foi uma briga. -Ela disse me fazendo rapidamente encará-la.
–Ally não repita isso. Você não sabe o quão desesperado eu fiquei, eu... Meu Deus! Eu te amo tanto! Eu me desesperei ao saber que você estava no hospital. -Ela sorriu e acariciou meu rosto.
–E eu quando estava sendo atacada só pensava em você, em como eu poderia estar com você naquele momento, e que eu poderia não mais vê-lo. -Seus olhos marejaram e eu a abracei a acalmando.
–Calma, eu estou aqui. -Falei e ela sorriu, mas logo soltou um gemido levando a mão de encontro ao curativo. -Dói muito? -Perguntei preocupado e ela tentou sorrir.
–Um pouco. Mas não se preocupe. -Eu beijei sua testa e me levantei. Ela me olhou confusa. -Onde você vai?
–Chamar seus pais, eles amariam te ver acordada. -Ela sorriu assentindo e eu sai.
Quando cheguei a recepção Elliot não estava mais, e assim que eu disse que ela tinha acordado seus pais correram para lá, eu e meus pais também fomos. Eles a encheram de beijos e depois de sermões dizendo que ela nunca mais sairia sozinha à noite. Fui o primeiro a concordar e ela revirou os olhos rindo. Depois que ela contou o que tinha acontecido, sua mãe a disse que tinha sido Elliot que a tinha salvado. Ela arregalou os olhos surpresa e me fitou. Eu assenti. Ficamos conversando e logo o médico chegou para examiná-la e dizer que só um poderia ficar. Ele e Penny se cumprimentaram, pelo visto já se conheciam, mas ele não conhecia a Ally. Foi uma discussão: Penny queria ficar, Lester também. Até minha mãe se ofereceu. Bufei e chamei a atenção de todos.
–Eu não vou sair desse hospital até que ela venha comigo. Vocês tem que trabalhar amanhã, esqueceram? Então eu fico. -Falei e meu pai sorriu.
–Mas você tem aula e... -Ally tentou mas eu interrompi.
–Não. Não importa, eu vou ficar. -Todos riram com a cara que ela fez e sua mãe concordou.
–Está bem, está bem. Cuide dela. Até amanhã meu amor. -Ela beijou a testa dela assim como Tio Lester e meus pais. Logo eles saíram.
–Seu teimoso, eu poderia muito bem ficar sozinha. -Eu neguei com a cabeça.
–Se você não tivesse ficado sozinha, não estaria aqui agora. -Ela meneou a cabeça quase concordando. Eu sorri e a beijei delicadamente matando nossas saudades e minhas preocupações. Mas aí para o nosso desespero a porta foi aberta. Nós afastamos rapidamente e lá Tia Penny tinha um olhar divertido e malicioso, Tio Lester parecia não ter visto nada.
–Bem, eu vim buscar a minha bolsa que eu esqueci. -Eu estava morto de vergonha, acho que devia estar no mesmo tom vermelho de Ally. -Boa noite queridos. -Ela disse e piscou. Ally me olhou e depois de alguns segundos sozinhos ela caiu na risada.
–Pelo menos foi ela que viu. -Ela disse e eu sorri. -Não quer continuar o que fazia? -Ela perguntou fazendo bico.
–Eu... -Eu só pensava no que Tia Penny tinha visto. Tanto cuidado para guardar segredo, e agora ela tinha visto nós dois aos beijos. Só senti Ally suspirar e eu ser puxado por mãos pequenas em minha nuca.
Ela tinha me beijado mais uma vez. E eu não podia dizer o quanto me sentia bem. Ela estava segura agora, estava bem, tudo não tinha passado de um susto. E completando, estava em meus braços. Aliás foi assim que dormimos, ela dando um espaço na cama para que eu deitasse junto a ela. Eu acariciava sua cabeça apoiada com cuidado em meu peito por conta do seu machucado, e acariciava também os seus pequenos braços ao redor de meu corpo.
–Eu te amo All, posso agir como idiota às vezes. Mas acima de tudo eu te amo. -Eu disse a fazendo sorrir.
–Ser idiota é uma de suas qualidades meu bem. -Eu ri -Eu te amo.
Trocamos um selinho lento e carinhoso, onde logo depois o cansaço e o sono nos venceu. Fazendo com que nós dois dormissemos, um ao outro.
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