The Beautiful Girl.
44 Capítulo 44 - Amnesia e Cala a Boca!
Notas iniciais
POV Austin
Ela iria viajar. Mas que droga foi aquela de só me contar pelo o fato de não querer que eu soubesse por outra pessoa?!
Saí do quarto e fui diretamente a cozinha. Eu estava me sentindo descontrolado. Estava com tanta raiva! Quando penso que ela queria conversar comigo, sobre nós. Ela age daquele jeito. E ainda por cima vai embora.
Bebi água e minha mãe apareceu na cozinha.
–Austin está tudo bem? -Ela perguntou me analisando.
–Não mãe, não está. -Eu respondi.
–Vai ficar tudo bem filho, se acalme.
–Não vai mãe! Ela vai embora, vai viajar e me parece muito bem, porque até fria foi. Mas quer saber? Eu não quero falar disso, eu preciso estudar, tenho o trabalho para apresentar. Boa noite. -Beijei seu rosto e sai. Quando voltei no quarto em silêncio, pude ouvir ela chorar. De longe vi seu rosto manchado da maquiagem borrada, enquanto ela colocava as roupas numa mala.
Meu peito se contraiu em dor. Se ela está mal, porque vai?
Resolvi deixá-la sozinha, ela iria me ignorar se eu falasse algo, afinal foi isso que ela fez agora a pouco.
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–Filho como o prometido hoje nós vamos na concessionária, você vai escolher a sua moto. -Meu pai me disse quando eu sentei para tomar café.
–Eu não estou com ânimo para isso pai. -Eu falei.
–Eu sei, mas é exatamente por isso que nós vamos. -Acabei concordando.
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Só eu e Dez fomos a escola. Pelo o que ele me disse, Ally estava preparando tudo sobre a viagem, e não poderia ir.
Dez entendeu que eu não queria falar sobre o assunto e se manteve calado.
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No período da tarde meu pai me levou para escolher a minha moto. Assim que eu vi a Ducati 1098 amarela, eu paralisei. Aquela era a moto que eu sempre quis, e meu pai sorriu quando disse ao vendedor que ela era a minha escolha. Eu fiquei tão feliz no momento! Eu ganhei uma Ducati!
O meu pensamento era chegar em casa e correr para o quarto da Ally para dizer: "Ally! Lembra a Ducati que eu queria? Pois é, eu ganhei uma!"
Mas talvez quando eu chegasse ela não estaria mais lá.
Meu pai estava mais feliz do que eu. E eu disfarcei, pois não queria deixá-lo desapontado com a minha falta de animação.
Eu estava perdendo a mulher da minha vida, nada que eu ganhe pode me fazer esquecer isso.
Depois de todo o processo, eu pegaria a moto amanhã. Mas ainda assim eu não tinha carteira de motorista. Eu sabia pilotar, afinal o tio Frank, irmão da minha mãe que mora em outra cidade me ensinou quando eu tinha 15 anos. Agora eu só preciso entrar na autoescola.
Saímos da concessionária e fomos numa autoescola para me matricular.
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Isso levou a tarde inteira. Quando cheguei em casa, muito cansado, minha mãe estava estranha.
–O que aconteceu? -Perguntei.
–A Ally já foi filho. — Recuei um passo, processando suas palavras.
Ela já tinha ido. Nem se despediu, nenhuma mensagem ou uma simples ligação.
Assenti e disse que queria dormir. Pois estava cansado. Assim que deitei na cama, eu quis apagar. Mas claro que minha mente tinha que ir diretamente para ela.
POV Ally
Meu dia foi bastante corrido. Pela manhã eu fui ao aeroporto para solicitar as minhas passagens, e a tarde eu viajei.
Se eu fiquei bem com isso? Nenhum pouco. Mas acho que essa viagem é uma forma de eu ter um tempo para pensar em outra coisa que não seja a minha briga com Austin.
Se essa é uma oportunidade única para a minha carreira acadêmica, eu tenho que aproveitar.
Meus pais se despediram pela manhã, e apenas Dez pode me levar ao aeroporto. Eu insisti que não precisava, mas ele quis ir mesmo assim. Ele me contou que Austin tinha ido com o tio Mike comprar a moto, e se matricular na autoescola.
Fiquei muito feliz por ele. Ele sempre quis uma moto, sempre. E eu não estava com ele quando isso aconteceu, do mesmo modo que não estava no momento que fizeram a surpresa em seu aniversário. Nós estávamos tão bem, como pode ter tudo virado de cabeça para baixo desse jeito?
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Fui muito bem recebida. Assim que cheguei os diretores e o reitor da universidade me receberam e me contaram o quanto estavam felizes com a minha escolha em ter aceitado ir para lá, assim que concluísse o ensino médio. Eu fiquei em um dos dormitórios e os dias pareciam se estender tragicamente. Mas o evento em si foi incrível.
Sabe o tal pensamento de que seria bom ter um tempo para pensar em algo que não fosse a minha briga com Austin? Tudo mentira! Só o que eu fiz foi pensar nele. Chorei amargamente por todas as noites que estive fora. Chorei porque tinha o perdido, chorei por ter sido tão estúpida, chorei por ele ter sido estúpido, chorei por estar longe e por sentir imensamente a sua falta.
Agora, de madrugada eu estou no avião voltando para casa. Eu falei com meus pais nesses dias e eles me falaram muito pouco dele, parece que eles não o viram ultimamente. Falei com Dez, ele perguntou como eu estava e eu respondi que bem, e contei como o evento estava sendo ótimo. Ele estava meio ocupado por isso não me falou sobre Austin.
Austin.
Só de pensar nele meus olhos enchem d’água. Que saudade que eu sinto dele.
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–Filha! Que bom te ver! – Eram quase sete horas da manhã, e meu pai iria me levar diretamente o colégio. Eu estava exausta e com muito sono, mas só de pensar em vê-lo, eu me animei. Eu não sabia se ele estava com raiva de mim, quer dizer eu sei que ele está com raiva de mim. Mas eu precisava ao menos ter o seu olhar de revolta sobre mim, eu precisava vê-lo mesmo ele não querendo me ver. Além do mais, hoje é o dia em que eu e Elliot apresentaríamos o nosso maldito trabalho.
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–Muito bem dupla, belo trabalho. – A professora falou quando nós terminamos. Eu ainda não tinha visto Austin à manhã inteira.
–Obrigada. – Eu agradeci e o sinal tocou, meu peito disparou, essa aula eu tina com Austin. Era a nossa aula de artes.
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–Ally! Como foi a viagem? – Dona Clarissa me interrompeu no momento em que eu estava entrando na sala.
–Dona Clarissa! Foi tudo ótimo, vamos? Eu te conto tudo depois. – Ela assentiu sorrindo.
–Vamos. – Entramos na sala, mas eu não o encontrei. Ele não estava lá.
Me sentei desapontada em uma das duplas de cadeira e senti alguém sentar ao meu lado. Mas não era Austin, era Elliot. Ele sentou e eu pude ver Austin atravessa a porta e assim que levanta o olhar ele me vê.
Seu olhar endureceu a me ver, e ele passou direto para o fundo da sala.
–Bom dia Alunos, como essas praticamente as nossas últimas aulas, vamos fazer algo diferente. Que tal alguém vir aqui na frente tocar algo? – Todo mundo na sala ficou calado. –Vamos lá pessoal alguém, apenas uma música. Ally? – Eu neguei brevemente com a cabeça, ela assentiu concordando. – Muito bem se ninguém... – A voz que eu reconheceria a distância se pronunciou.
–Eu vou. – Austin falou se levantando, fazendo todos na sala ficarem surpresos, até a dona Clarissa.
–Muito bem Austin, o violão é todo seu. – Ela falou sorridente. Ela sentou entre os alunos e Austin subiu no nosso pequeno palco da sala de Artes. Meu coração estava quase saindo pela boca.
Meu peito doeu ao vê-lo tão lindo. Ele vestia uma calça jeans preta, uma camisa preta de gola V, e calçava seu famoso All Star. Seu cabelo louro estava bagunçado como sempre e ele estava de tirar o fôlego. Ele pegou o violão e se sentou em um banquinho no meio do palco. Suspirou e começou a tocar, fazendo com que eu quase desmaiasse ao ouvir as primeiras notas.
A sala ficou totalmente em silêncio e ele começou tocar me encarando, quando eu identifiquei que música era, as lágrimas caíram instantaneamente.
AMNÉSIA – 5 SECONDS OF SUMMER
Eu dirigi por todos os lugares
Que nós costumávamos ir e ficar à toa
Pensei sobre o nosso último beijo
A sensação causada, o seu sabor
E mesmo que os seus amigos me digam
Que você está bem
Você está em algum lugar se sentido só
Mesmo que ele esteja bem ao seu lado?
Quando ele diz aquelas palavras que te machucam
Você lê as que eu escrevi para você?
Às vezes eu começo a me perguntar
Era só uma mentira?
Se o que tínhamos foi real
Como você pode estar bem?
Porque eu não estou nem um pouco bem
Lembro-me do dia em que me disse que estava partindo
Lembro-me da maquiagem escorrendo pelo seu rosto
E os sonhos que você deixou para trás
Você não precisa deles
Como não precisa de cada desejo que já fizemos
Queria que eu pudesse acordar com amnésia
Esquecer as pequenas coisas estúpidas
Como a sensação de adormecer ao seu lado
E as memórias das quais eu nunca consigo escapar
Porque eu não estou nem um pouco bem
As fotos que você me enviou
Elas ainda vivem em meu celular
Admito que gosto de vê-las, admito que me sinto sozinho
Todos meus amigos continuam perguntando
Por que eu não estou por perto
Dói saber que você está feliz
E dói que você tenha seguido em frente
É difícil ouvir o seu nome
Quando faz tanto tempo que eu não te vejo
É como se nós nunca tivéssemos acontecido
Era só uma mentira?
Se o que tínhamos foi real, como você pode estar bem?
Porque eu não estou nem um pouco bem
Lembro-me do dia em que me disse que estava partindo
Lembro-me da maquiagem escorrendo pelo seu rosto
E os sonhos que você deixou para trás
Você não precisa deles
Como não precisa de cada desejo que já fizemos
Queria que eu pudesse acordar com amnésia
Esquecer as pequenas coisas estúpidas
Como a sensação de adormecer ao seu lado
E as memórias das quais eu nunca consigo escapar
Se hoje eu acordasse com você ao meu lado
Como se tudo isso fosse apenas um sonho ruim
Eu a seguraria mais perto do que alguma vez já segurei
E você nunca escaparia
E você nunca me ouviria dizer
Lembro-me do dia em que me disse que estava partindo
Lembro-me da maquiagem escorrendo pelo seu rosto
E os sonhos que você deixou para trás
Você não precisa deles
Como não precisa de cada desejo que já fizemos
Queria que eu pudesse acordar com amnésia
Esquecer as pequenas coisas estúpidas
Como a sensação de adormecer ao seu lado
E as memórias das quais eu nunca consigo escapar
Eu não estou nem um pouco bem
Realmente, não estou nem um pouco bem
Me diga que isso é apenas um sonho
Pois eu realmente não estou bem
Ele cantou me quebrando por dentro, e realmente, ele não estava bem. Todos me viram chorar, mas eu não me importei. Austin cantou a música inteira olhando fixamente para mim, e eu não desviei o olhar em nenhum momento. Em seus olhos pude ver uma certa dor, e mágoa.
Ele largou o violão, pegou a mochila e saiu deixando todos em silêncio, e me deixando arrasada.
Elliot me olhou e se aproximou de mim.
–Vá, você vai acabar perder ele de vista. – Ele disse, o olhei surpresa e me levantei.
–Muito bem, vamos continuar a aula. – Ouvi a dona Clarissa falar assim que me levantei e sai.
Procurei Austin por todos os corredores possíveis. Mas não o encontrei, andei nervosa por toda a escola, mas não o achei, até que fui ao pátio. Ele estava sentado, com a cabeça entre as mãos e Kira estava sentada ao seu lado, o consolando.
Assim que ela me viu, se levantou e me olhou sorrindo fraco, e Austin me viu. Seu olhar me pareceu surpreso, e nele vi o brilho que eu via há alguns dias atrás. Fazia tempo que eu não via esse brilho, que desde sempre me fez amá-lo.
Kira se aproximou, e chegou perto de mim, Austin nos olhava. Eu ainda estava distante dele.
–Fale com ele, vocês precisam conversar. Eu só vim pedir desculpas a ele também, já estou indo. – Ela disse envergonhada e se preparou para sair de perto de mim, mas eu a segurei pelo braço.
–Obrigada. – Ela me olhou surpresa – E eu te peço desculpas pelo jeito rude que eu te tratei, você não sabia de nós dois, e por culpa minha. Você não tinha como saber, eu estava com a cabeça quente, e quis te culpar, desculpe Kira. – Ela arregalou os olhos ao me ouvir, e sorriu levemente.
–Ele tem sorte em te ter, agora eu percebo vocês nasceram um para o outro. – Eu sorri e olhei para Austin, ele desviou o olhar. – Faça ele feliz Ally, ele merece. – Ela me abraçou e saiu. Eu respirei fundo, tentando criar coragem para me aproximar.
Ele estava tão lindo! Os braços fortes e quentes que já me apertaram, marcados agora naquela camisa preta. O cabelo louro rebelde, caindo por cima do olhar que agora fitava o chão, sua expressão séria, e o meu medo de que ele não me quisesse mais.
Novamente, eu respirei fundo e ordenei que minhas pernas caminhassem até ele. Ele estava sentado inclinado para frente, com os braços dobrados sobre as pernas e o olhar perdido.
–Chegou bem de viagem? – Seu tom firme, me fez pensar em recuar, mas eu não o fiz.
–Sim, cheguei hoje. Eu queria ter falado com você antes, mas não tive tempo. –Ele revirou os olhos.
–Tempo é uma coisa que você ultimamente não tem tendo para mim. — Engoli em seco essa.
–Eu sei. -Falei cabisbaixa e ele me olhou.
–O que houve com a gente Ally? Nós estávamos tão bem! De uma hora pra outra tudo muda! Porque?! -Ele gritou se levantando e eu assenti. -Você não me deixou explicar caramba! Eu quero falar o que houve com a Kira, eu... -O interrompi.
–Ela me procurou Austin. E me disse o que houve. Eu fiquei com tanta raiva! -Eu disse entre dentes. As lágrimas caíam sem dó em meu rosto e ele me olhou com aquele olhar, de compaixão e de preocupação. -Não me olhe assim! Eu não quero a sua pena! Eu sei que eu errei, mas você também me magoou!
–Eu não aguento mais isso, Cala a boca. -Ele disse e eu o olhei incrédula.
–Eu não acredito nisso. Você é um idiota mesmo né? — A raiva me apossou. -Olha aqui eu nem... -Ele me interrompeu.
–JÁ CHEGA! Cala a boca Ally! -O olhei com o mesmo ódio que ele também me olhou, e me Preparei para sair dali.
De repente ele se movimentou tão rápido, que eu nem percebi em qual momento uma de suas mãos tinham voado para minha nuca, e a outra rodeou minha cintura puxando bruscamente o meu corpo e me colando nele. Seu rosto bem próximo do meu, eu o olhando assustada e irada, seu olhar amoroso e de desejo que eu tanto senti falta. -Se você não cala, eu calo. — Ele falou me puxando ainda mais e me beijou. Com todo o desespero que ele podia ter.
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