The Battlefield - O Campo de Batalha
18 Capítulo 17 - Quando o Jogo Inverte
Notas iniciais
– Não. Isso matará dois coelhos de uma vez só. Posso ver que você se importa com ela, então apreciarei assistir o seu desespero ao vê-la sangrando na sua frente... Morrendo... Chamando por você... E você impossibilitada de ajuda-la. – Ele deu uma pausa, agora colocando uma das mãos sobre o ombro de Ian Quinn – E este homem me disse que vocês duas foram muito más com ele. O que não é nada bom, já que ele é meu parceiro de negócios.
– Assim que sairmos daqui, Quinn... Você já era. – May o ameaçou, procurando não perder o total controle sobre suas emoções.
– Oh não, filha... Duvido que isso aconteça...
– Seja sincero, uma vez na vida! O que você realmente vai ganhar com isso?
– Quer a história? Simples e direta? – Ele gritava, tentando intimida-las – Pois vamos lá! Ao saber da origem da garota, eu fui encarregado de mata-la. Fim da história.
– Encarregado? Como assim encarregado? – Skye se atreveu a falar, ainda presa pelos dois soldados.
– Querida, eu trabalho para uma organização. Eles detectam a ameaça e eu vou lá e elimino. Por algum motivo eles detectaram você e no momento que eu te localizei pela primeira vez eu tentei te matar.
– Uau! – Realmente direto, você hein? – Skye estava boquiaberta.
– Quando foi essa primeira vez, David?
– Hunan. China, querida. Ela foi rotulada como um 0-8-4 e era meu dever destrui-la. Mas infelizmente, uma equipe da sua S.H.I.E.L.D apareceu e a levaram. Eu ainda consegui matar a desgraçada que a salvou, mas... Outro idiota se meteu no meu caminho.
– Agente Avery? – Uma lágrima caiu do rosto de Skye – Você matou a Agente Avery?
– Não só ela. – Ele riu – A lista é gigantesca, filha... Onde você vai, a morte a segue! Eu era o rastro de sangue atrás de você. Mas... Chega de história! Onde eu estava mesmo? Oh sim! A vingança... Essa é a melhor parte!
– Skye – Melinda tentava acalmar a garota, sem fazer a mínima ideia de como sairiam daquela situação – Vamos ficar bem.
– Agora você quer engana-la como fez com a outra menina? – Ele soltou uma gargalhada horrenda – Tudo bem então... Vamos reproduzir as falas. Você ainda se lembra? – Ele aproximou-se de Skye – Querida, olhe bem para o rosto dessa mulher a sua frente – Skye fez uma cara um pouco assustada – Ela será a causadora da sua morte, então, decore o rosto dela...
– David! Pare! Por favor! – Melinda sentia o assombro daquele dia invadindo sua alma novamente, como num triste e cruel pesadelo.
– Qual o seu nome, filha?
David reproduzia a mesma pergunta que um de seus capangas fez àquela pobre garota no ataque em 2004. Um lapso de memória percorreu os sistemas nervosos de Skye, extraindo o que parecia estar no mais completo abismo do seu cérebro. Aquilo lhe era familiar. Melinda agora engolia o choro, reconhecendo aquelas falas e sabendo que o tiro viria logo após a resposta dela. Seu pai era mesmo um monstro.
– Qual o seu nome, filha? – Ele perguntou uma segunda vez.
– Mary. – Ela deu uma pausa, e aumentou o tom de voz – Mary Sue Poots.
Melinda deu um passo para trás ao associar todos os fatos e ao recordar-se vagamente do rostinho de Skye 10 anos mais nova, naquele lugar escuro, com dois homens e uma arma apontada para ela. Skye era a garota que ela pensava ter deixado morrer por todo aquele tempo.
– Skye?! – A ficha de Melinda ainda não havia caído – Como... Como isso é possível? Eu os vi atirando em você! Você caiu no chão, ensanguentada! Você...
– Desculpe não ter dito isso pra vocês antes... Mas tem algo que você precisa saber sobre mim... – Ela deu uma pausa e respirou fundo – Eu não morro, May.
– Você não o que?! – Melinda começou a se assustar com aquela conversa.
– Eu já morri três vezes. – Todos fizeram um olhar de espanto para ela – Tá, okay... Imaginem um zumbi que não volta querendo comer cérebros... Eu já fui atropelada cinco vezes e antes desse idiota me dar dois tiros no estômago eu achava que havia escapado por sorte das outras vezes, mas eu descobri que não era.
– Você não morre?! – David virou as costas para Melinda pela primeira vez.
– Não. Eu sempre volto, David. Me matar não vai adiantar nada... Eu sou um 0-8-4 e não sabia disso até Quinn me matar com dois tiros. Eu ressuscitei minutos depois e Coulson apenas acelerou meu tratamento. Meu corpo tem o poder de autoregeneração, David. Fico feliz que o seu amigo aí tenha me ajudado a descobrir isso. – Ela deu o sorriso mais triunfante que possuía – Quantas vezes você quer me matar hoje, Quinn?
Os dois olhavam assustados para Skye quando David sentiu uma garrafa de vidro explodindo em sua cabeça e Skye aproveitou a distração do soldado para chutar o fuzil. Melinda afastou a garota deles rapidamente e os derrubou com uma sequencia de socos precisamente executados, finalizando-os com uma rasteira bem segura. Ao ver os três jogados ao chão, a piloto correu para o canto da parede e abraçou a garota aliviada.
– Você está bem? – May perguntava, preocupada, procurando sinais de cortes pelo corpo dela.
– Estou... – Skye engolia o choro. Era muita tensão para pouco coração.
– Eu falei que iríamos sair dessa. – Melinda sorriu e Skye respirou fundo.
– Vamos deixa-los aí no chão?
– Não, só o meu pai.
Melinda levantou-se e retirou a arma de verdade que estava dentro de uma das gavetas do guarda-roupa e encaixou o silenciador.
– Sinto muito por isso. Mas não posso deixa-lo tirar mais nenhuma vida.
David acordou do desmaio, colocou uma das mãos à cabeça e viu a filha apontando uma arma para ele. Ele esboçou um sorriso e pronunciou com dificuldades.
– Você não venceu ainda. – David a insultaria até a morte.
– Não, David. Não queria chegar a esse extremo. Mas as mortes acabam aqui. – Ela destravou a pistola 9 mm. – Quais são as suas últimas palavras?
– Hail Hydra! – E ouviu-se o tiro.
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