The Battlefield - O Campo de Batalha
3 Capítulo 02 - Quando Você Não é Só a Piloto
Notas iniciais
May permanecia na sua cabine solitária, sobrevoando suavemente pelos céus. Seu semblante estava sério, porém tomado de uma estranha sensação de tranquilidade. Ela havia feito turnos e turnos enquanto Skye estava em coma, e preferia fazê-lo sozinha, a despeito das considerações de Ward. De alguma maneira, Melinda via nela o espírito livre que havia perdido anos atrás, sua ousadia a desafiava e no fundo, May adorava ver como ela descumpria as regras e quebrava os protocolos com seus “métodos ortodoxos” em prol de um bem maior. O modo como ela daria a vida apenas para que Colson se orgulhasse dela... E era exatamente nela que estavam os pensamentos de Melinda quando Colson adentrou a cabine.
– Apreciando a vista? – Colson iniciava a conversa, com uma expressão serena.
– Sempre. – Melinda respondeu depois de esperar alguns segundos. Ela permanecia com seus olhos fitos no horizonte escuro, iluminado apenas pela luz que emanava das turbinas azuis.
– Skye teve mais um sinal de melhora. Simmons disse que dentro de cinco dias ela poderá acordar. Agora que está administrando doses menores de sedativo, é possível que na próxima semana ela possa recobrar a consciência – Colson falava procurando ter a atenção de May, que parecia cada vez mais distante. No entanto, ela gesticulou com a cabeça em sinal de positivo – Enfim, só achei que ia querer saber que ela está se recuperando.
– Skye é forte – Disse May, impedindo que Colson saísse e a deixasse sozinha na cabine.
– Sim, ela é.
May nunca fora de falar muito, mas sempre o fazia quando necessário. Naquele instante ela precisava falar e Phill estava ali para ouvi-la, como sempre o fizera. May deslizava as mãos por uma das centenas de alavancas da cabine e dessa vez voltou seu olhar rapidamente para o Agente.
– Colson...
Phill voltou atrás. Ele conhecia aquele tom. Apoderou-se do assento do co-piloto e ficou ao lado dela, acima das nuvens, esperando que ela tivesse pronta pra pronunciar qualquer palavra que fosse, as quais ouviria com completa e total atenção. Não existiria outra pessoa no mundo que pudesse penetrá-la tão fundo em sua alma. A medida que Colson imergia nela, May parecia achar as palavras que tanto precisava e finalmente mostrou-se vulnerável em meio a toda pressão dentro de si.
– Colson, eu tive medo... Medo de perdê-la. Medo de que a missão falhasse... De novo. Medo de não conseguir. A essa altura você já sabe o quanto me sinto responsável por Skye, e você, mais do que ninguém sabe como... Eu... Ela... Se parecia... – Suspirou, recompondo-se – Fico feliz que ela esteja bem. Vou redirecionar a nave e descerei logo em seguida. O turno seguinte é do Ward.
Colson sorriu, tentando confortá-la e deixou a cabine. Não precisou dizer uma palavra.
– -
– Sr.
– Agente Ward.
– Senhor, fui a sua sala e não o encontrei – Esquadrinhou Grant.
– Bem, estou aqui agora – Colson saiu pela tangente.
– Só queria avisar que troquei de turno com a May, então, após a última avaliação de Simmons, eu ficarei com Skye durante o meio turno.
– Okay, Ward. Avise-me quando seu turno acabar. Preciso contar as novidades à Skye.
– Sim Senhor.
– E, Ward – Aconselhou, Colson – Converse com a May ao fim do seu turno.
Ward não entendeu direito o conselho, mas estava mesmo planejando ter essa conversa.
–-
– Seja forte, cadete. Temos muito o que treinar, você ainda não atira tão bem quanto eu. Quero ver esses punhos firmes quando você acordar.
Ward sorriu lembrando de como aquela hacker lhe dera trabalho e do quanto ainda ia dar quando acordasse, torcendo para que esse momento chegasse logo.
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