“Crise em Skypone! Não se sabe quem ou porque, mas um Drapion descontrolado foi solto no centro da cidade. Tivemos a confirmação de que três jovens e o líder de ginásio de Sunnyshore, Volkner, foram perseguidos pelo grande Pokémon escorpião pelas ruas da cidade. A campeã, Cynthia foi chamada para prestigiar a competição de Pokéringer que ocorreria na cidade e, apesar de informada sobre a situação, afirmou que vai aguardar o desenrolar dos acontecimentos para tomar uma atitude. Mais informações em breve” A repórter, uma moça baixa de pele morena clara e cabelos pretos ondulados segurava um microfone no centro de Skypone, de frente do que já foi um dia a fonte da cidade. A cabeça da escultura de um Milotic jazia do lado dela, rachada ao meio. Ela tocou o dedo em um aparelho na sua orelha e voltou a falar, direcionada ao seu companheiro de equipe que segurava uma robusta câmera de vídeo apoiada no ombro direito. “Estamos recebendo atualizações dos acontecimentos! Parece que o grupo que estava com Volkner encontrou com a Champion e os cinco estão discutindo a situação. Ao que parece, a oficial Jenny e seu Arcanine estão internados no Pokémon Center após tentarem parar Drapion. Resta saber se esse grupo junto com Cynthia contornará a situação.”— Não dá, ele é muito forte. – Scarlett falou ofegante. – E se eu tiver que correr dele mais uma vez possivelmente não conseguirei.— Se todos atacarem juntos com certeza poderemos derrubá-lo. – Falei. – As pessoas estão sendo evacuadas da cidade. – Cynthia, você...— Jake, vou repetir o que eu disse pro prefeito e para as pessoas que me pediram para pará-lo. – Ela fitou a rua a sua frente. – Não vou lutar com ele. Sinto que ele está infeliz e não tem alguém que acabe com essa infelicidade dele.— Você, Champion. – Amber falou. – Eu pessoalmente tentaria com o meu Salamence mas devo admitir que até para mim esse bicho é muito forte. – Amber também olhou para onde Cynthia estava olhando.— Calma, Amber. – Volkner pôs a mão no ombro dela. – Vamos pensar com clareza, já que a Champion não vai tomar a frente da situação cabe a nós fazer isso. – Volkner acabou olhando para onde as duas olhavam.— Gente, o que vocês estão olhando tanto que... – Virei-me para a direção que eles encaravam.No final da rua, atrás de uma casa já sem o telhado, a forma roxa apareceu. Ele olhou primeiro para a direita, para os muros da cidade e depois para a esquerda, onde nós estávamos parados. Mesmo ao longe eu percebi seu olhar direcionado a mim. Ele começou a vir em alta velocidade na nossa direção.— Recomendo que saiamos daqui. – Cynthia apressou o passo.Não esperamos duas vezes, a rua da parte da cidade que estávamos já estava toda evacuada, faltava ainda a parte Norte, a mais populosa. Corremos a toda velocidade com Drapion lançando Cross Poisons que não nos acertavam por pouco. No final da rua, havia um grande muro, que delimitava a divisão da cidade da parte Norte com a parte Sul. Cynthia, que estava a frente com Volkner logo atrás gritou “DIREITA”. Obviamente, todos viraram à direita. A exceção fomos eu e Leon, que encontrava-se em meu ombro e gritou comigo na hora em que percebeu o que eu havia feito:— SEU RETARDADO, VOLTA! QUER ENFRENTAR ELE SOZINHO? – Ele saltou do meu ombro e tentou correr para o outro lado.Antes que eu pudesse abrir a boca para mandá-lo parar, Drapion trombou no muro. Ele encarou o grupo e depois a mim, correndo em seguida na nossa direção. Scarlett pareceu gritar algo, mas eu gritei mais alto:— NÃO SE PREOCUPEM CONOSCO, EVACUEM A CIDADE!E corri com todas as forças que minhas pernas possuíam, com um Leon desesperado gritando palavrões e pulando de novo no meu ombro enquanto o grande escorpião vinha enfurecido atrás de nós....— Ai meu Deus, eles ficarão bem? – Scarlett estava desesperada.— Fica calma, ruiva. – Amber falou e sacou uma pokébola. – Salamence! – O grande Pokémon apareceu.— Temos que fazer o que Jake nos pediu. – Cynthia falou pensativa. – Que atitude a dele, atrair Drapion para dar tempo de evacuarem a cidade.— É, atitude suicida. – Amber pulou nas costas de Salamence. – Vou sobrevoar a cidade e tentar achar os dois. – Ela encarou a Volkner. – Vai vir ou não?— Ahn... Claro. – Ele falou hesitante e subiu nas costas do Pokémon. – Scarlett, vá com Cynthia e ajude na evacuação da cidade. — Tudo bem. – Ela parecia segurar o choro numa expressão preocupada. – Traga ele de volta são e salvo.— Lógico que eu farei isso. Só quem pode bater nele sou eu. – Ela fitou o céu. – Salamence, vamos.Salamence levantou voo. Volkner se abraçou as costas de Amber enquanto Scarlett e Cynthia viravam dois pequenos pontos no meio das ruas já vazias....O mais difícil não era correr de Drapion e sim desviar de seus ininterruptos Cross Poisons, que vez ou outra eram seguidos de um X- Scissor ou Dark Pulse. Leon estava com as garras tão cravadas no meu ombro que se eu esticasse muito os braços sentia uma leve pontada do lado esquerdo. As casas pareciam um borrão multicolorido, eu apenas corria e tentava não me cansar. Viramos uma rua à direita, mais para o Sul da cidade, e demos de cara com um beco sem saída. Leon falou desesperado:— VOLTA, VOLTA! – Eu me virei assim que vi o que tinha feito.Dei 3 passos e ele apareceu. Fitou nós dois e cruzou as patas. Leon saltou na direção dele desferindo um Aqua Tail que cruzou com um Cross Poison muito forte. O ataque acertaria o camaleão, se eu não tivesse pulado e o puxado para o lado esquerdo, me arrastando por debaixo da barriga do escorpião. Assim que eu saí debaixo dele, o mesmo virou a cabeça na nossa direção e eu me joguei para frente todo desengonçado segurando Leon pela cauda, que gritava tanto que eu mal conseguia me concentrar. Desviei de um Dark Pulse e virei a direita de novo, havia uma ladeira descendo a nossa frente com diversos latões de lixo tombados no chão. Joguei o Pokémon verde no meu ombro e continuei a correr:— Obrigado por me salvar, agora dá pra você, por favor, parar com essa mania de morte e voltar para encontrar com os outros? – Ele chacoalhava o pequeno corpo a cada passo mais forte que eu dava.— Não dá... – Respirei fundo e desviei de outro Dark Pulse. – Se eu sumir ele vai pra parte norte da cidade e imagina o que pode acontecer com as pessoas de lá?— Eu só acho que... – Ele se segurou enquanto eu desviei de mais um Cross Poison. – Além dele estar focado só em te pegar, ficar fugindo assim não dará certo.— Até pode ser, mas... – Meu pokétch tocou. Puxei-o do bolso e o atendi.— Ele está atrás de você? – Sua voz era séria.— NÃO ACREDITO QUE VOCÊ PAROU PARA ATENDER O TORTO! – Leon esbravejou.— Sim, está. – Falei ignorando o berro de Leon. – O que eu faço?— Eles tem mania de surpreender as presas. O corpo grande, apesar de ser uma grande vantagem, também é uma das fraquezas dele. Você tem que tentar atacar no ponto cego dele. – Ele falou com uma seriedade que quase me fez diminuir o passo.Atingi o fim da ladeira e virei a direita, no sentindo contrário ao norte da cidade. Assim que o fiz vi quatro caixotes de madeira próximos a um hidrante. Corri até eles e me sentei entre os dois do meio. Peguei o Pokétch e o aproximei do rosto:— Me escondi. O que eu faço? – A voz ofegante misturada ao suor que escorria pela minha testa e Leon tremendo como em um terremoto mal me faziam pensar direito.— Espera ele passar. Assim que ele fizer e você tiver uma distância dele ataca as costas e manda o Porygon Z acertar ele debaixo da barriga. – Thorton ordenou. – Acalme-se, Dahlia. Ele vai me ouvir. – Ao fundo eu podia ouvir minha mãe falando diversas palavras indecifráveis. – Desligarei. Não me decepcione.Assim que o aparelho ficou mudo eu ouvi os sons do escorpião chegando. Ele enfiou a cabeça na rua em que eu estava e tomou a direção dos caixotes de madeira. Eu me encolhi mais entre eles e saquei duas pokébolas nas mãos. Leon fitava o chão sem mexer um músculo. E esperei. E esperei. E esperei demais. Um longo minuto se passou e ele não passava por mim, levantei a cabeça olhando para a esquerda e não vi nada na rua. Estranhei e me pus de joelhos. Leon saltou no caixote na minha frente e eu encarei a rua pela qual ele deveria ter vindo descendo. Com o canto do olho esquerdo eu vi a forma roxa vindo na nossa direção. A única reação que eu tive foi a de socar Leon para frente e lançar as duas pokébolas na direção do Pokémon, gritando uma combinação de “FLAMETHROWER” e “ICE BEAM” com a maior força que meus pulmões podiam suportar.…— Se você vai ficar tremendo aí atrás eu vou te jogar daqui de cima. – Amber falou com as duas mãos em volta do pescoço de Salamence.— Não estou tre-tremendo. – Volkner tentou mostrar confiança, o que foi suficiente para Amber querer dar um susto nele.— Salamence, vamos acelerar um pouquinho só. – Ela riu.— Amber, NÃOOOOOOOOO! – O grito de Volkner ecoou nos céus quando Salamence jogou seu corpo para baixo a toda velocidade.—--— Não tá dando certo isso, daqui a pouco você fica sem Pokémons e eu sinceramente não tô nem um pouco a fim de lutar contra ele. – Leon arfava do meu lado, Drapion estava na rua à nossa frente atirando ataques para todos os lados.— Ainda tenho Togekiss e Garchomp. – Eu encarava a rua onde ele estava tentando ter alguma ideia.— Nossa, grande coisa. – Ele subiu na minha cabeça. – Precisamos pensar no que fazer.— Estou pensando. – Falei. — Cuidado, se pensar demais cai os cabelos. – Ele cutucou minha cabeça. – E pensa algo que preste.— Hum... – Cocei o queixo. Abri minha bolsa e saquei minha pokédex. – Deixa eu analisar ele, vai que temos uma ideia.Apontei o aparelho para o escorpião. Assim que o identificou uma foto dele apareceu e algumas informações, nada que eu não soubesse. Leon pulou no meu braço esquerdo e falou:— Ele é fraco contra ataques do tipo Ground. – E olhou para mim. – Garchomp tem Earthquake. — É uma boa, mas... – Apertei um botão do lado e conferi os status dele.— Do que adianta ver no que ele é forte?— Para descobrir no que ele não é, gênio. – Dei um peteleco nele.Olhei as informações. Seu Attack era altíssimo e a Sp. Defense também. Garchomp poderia derrotá-lo se usasse uma sequência de Earthquakes.— Togekiss pode lutar usando o Steel Wing, já que o ataque é do tipo Steel pode ser que não o envenene caso seja atingido. – Leon falou.— Ótimo, qual o plano então? – Falei.— Primeiramente, fugir. – Ele apontou para frente. Drapion voltou correndo em nossa direção.—--— Amber, é sério. – Volkner falava tentando não cair de Salamence. – Se você continuar com isso eu pulo daqui e...— Vai lá. – Ela falou alto. – Duvido você fazer isso.— Eu só não faço porque...— Você tem medo de voar, eu sei. – Ela apontou para a direita. – Olha, uma explosão. Devem ser eles.Salamence voou para onde sua treinadora apontou, com Volkner ainda desconfortável com a situação.—--— Vamos, por aqui. – Cynthia estava no muro da divisa da cidade com a próxima rota. – Sigam para essa rota e fiquem por lá.— Cynthia, será que eles estão bem? Jake e Leon? – Scarlett estava muito preocupada.— Com certeza estão. – Ela continuava fazendo sinal para a direção de fora da cidade. Algumas pessoas a ajudavam e no meio delas havia uma pequena multidão falando e aflita ao mesmo tempo esperançosa para sair da cidade, seu Garchomp encarava a cena em silêncio. – Garchomp, tem muito mais gente vindo?— Mas Cynthia... Eles não voltaram até agora. – Ela encarava a rua. Garchomp fez sinal negativo para sua treinadora.— Tem meia hora apenas isso, Scarlett. – Ela a encarou.— Ainda assim. – Scarlett que iria surtar.— Ah... Esquece. – Algumas pessoas pararam para pedir que Cynthia lutasse com Drapion, ela apenas ignorou e pediu que continuassem indo. – Vamos gente, quando a cidade ficar vazia iremos resolver isso.— Gliscor, podemos ir atrás deles? – Ela virou-se para seu grande Pokémon que segurava uma placa escrita “POR AQUI”.— Gli! – O morcego sorriu, afirmando que iria onde ela quisesse.— Cynthia, não vou sossegar enquanto não achá-los. – Ela subiu nas costas de Gliscor, segurando na sela comprada no Mega Market.— Queria saber se isso é só com o Jake ou com ele e Leon. – Cynthia olhou para ela sorrindo.— Isso, com ele e Leon. – Ela enrubesceu. – Gliscor, vamos. – O grande Pokémon levantou voo em direção ao sul da cidade.—--— Não. – Falei seco para Amber. – Quer resolver o Empate me matando?— Olha, até que não é uma má ideia não. – Ela riu. – Sério, você é o único que pode fazer isso. Mesmo que ele te acerte um Cross Poison você não vai ficar mal com o veneno do ataque.— Eu particularmente acho que não é uma boa ideia... – Volkner falou. Amber virou-se para ele e o encarou com uma fúria no olhar. — ...Você não tentar. Que mal tem?— Togekiss e Salamence não vão ter muita sorte com Iron Tail e Steel Wing. – Falei encarando a luta.— Ótimo, você tem dois minutos para pensar, Empate. – Uma sombra passou por cima de nós. Scarlett e Gliscor.— Olha, sua fã chegou. – Ela falou. – Iupi. – Você. – Ela apontou para Volkner.- Chama seu Luxray, quero tentar uma coisa diferente.Volkner sacou uma pokébola e Amber também. Scarlett saltou de Gliscor e correu para me dar um forte abraço. Logo em seguida ela abraçou Leon, falando esbaforida:— Você está bem. – Ela respirou aliviada. – Fiquei preocupada.— Valeu, ruiva. – Ele subiu no meu ombro. – Na próxima eu morro pra ver se faço falta.— Desculpa, querido. – Scarlett sorriu. – Também estava pensando em você.— Como está a evacuação da cidade? — Quase no final. – Ela pegou a pokébola de Gliscor. – Cynthia está ajudando, mas as pessoas estão cobrando que ela faça algo, entretanto, ela mal responde agora quando a pedem.— Normal dela. – Falei, — Já aceitei que é com a gente e...Drapion derrotou Togekiss e a tentativa de Amber e Volkner de tentar um duplo choque também não foi das mais satisfatórias. Salamence usou Iron Tail e só conseguiu deixá-lo mais enfurecido. Scarlett olhou para a cena e depois falou:— Tive uma ideia. – Ela falou. – Perto de onde estávamos evacuando a cidade tinha um canteiro de obras...— SALAMENCE, USA O DRAGON DANCE E DEPOIS O DRACO METEOR! – Amber gritou com toda a força que podia.— Que é numa espécie de buraco enorme. – Scarlett ajeitou os cabelos. – Podemos tentar jogá-lo lá.— Assim ele não causaria mais estragos na cidade... – Leon falou.— Dando tempo para nós pensarmos em algo... – Eu completei.— Para derrotá-lo. – Falamos os três em uníssono.Sorrimos uns para os outros. Drapion acertou um Ice Fang em Salamence derrotando-o. Olhei para Gliscor e rapidamente nós três subimos nele. Amber e Volkner viram a cena e correram na nossa direção, recolhendo seus Luxray antes de segurarem na sela e subirem em Gliscor. Assim que Drapion viu que voamos embora desembestou a correr atrás de nós. Amber olhou a cena e falou para Scarlett:— Manda o Gliscor voar baixo. – E parou atrás de mim.— Pra quê isso? – Scarlett perguntou.— Porque ele precisa morder nossa isca. – Em um segundo eu estava sendo arremessado na cauda de Gliscor, tendo que me segurar em seu ferrão com toda a força que eu conseguia.Gliscor então começou a voar baixo, longe o suficiente de Drapion para que ele não me atingisse mas perto o suficiente para que ele me visse. Tomamos a direção norte da cidade, comigo esbravejando que ia fazer da cara de Amber isca de Pokémon.—--— Champion, você tem que fazer alguma coisa. – O prefeito falava com ela, que agora lambia um sorvete tirado não sabíamos de onde.— Ele já está contido, precisa apenas ser acalmado. – Ela falou. Drapion continuava a usar Cross Poison para todos os lados. Poucas pessoas ficaram em volta observando a cena, do alto. Era impossível fazê-lo subir, seu corpo não era feito para uma escalada daquelas e mesmo que ele tentasse fazê-lo, ele provavelmente mataria alguém no caminho que fosse louco o suficiente de descer até lá e tentar convencê-lo a subir. Cynthia olhava a cena em silêncio. Scarlett estava acariciando Gliscor que vez ou outra acabava abaixando a cabeça quando um Cross Poison era lançado perto de nós. Amber lia alguma coisa em sua pokedéx sobre Drapions enquanto Luxray rosnava pra ele. Volkner mascava um chiclete e conversava com Flint pelo pokétch. O Garchomp de Cynthia desviou de um Cross Poison mandado para o alto e acabou esbarrando em mim, tirando-me de meu transe:— Você tem que ir até lá. – Falei, olhando pra ela. – É a única que pode pará-lo.— Exatamente. – Scarlett falou sentada encarando a cena. – Só você.— Odeio admitir isso, mas... – Amber ajeitou o gorro. – É verdade, como Champion você tem a obrigação de...— Lamento, queridos. – Ela lambeu o sorvete.- Apesar de eu de fato ser o ideal para essa situação, creio que ela terá que ser resolvida de outra forma.— Como? – Falamos os 3 em uníssono.— Sim, eu posso descer lá e derrotá-lo com alguns golpes. Garchomp rapidamente nocauteria ele e eu conseguiria capturá-lo, contornando a situação. – Ela lambeu o sorvete de novo a pôs uma mecha atrás do cabelo. – Entretanto... Outra pessoa pode fazer isso. Alguém que a meu ver foi altruísta o suficiente em se esquecer da própria segurança em prol da segurança dos moradores dessa cidade. — Ela virou-se para mim e sorriu.— Eu? – Me afastei. – Eu não sou nem um pouco altruísta e você sabe disso.— RÁ-RÁ! – Amber riu. – Agora o empate vai ter que bancar o domador de Drapion!— Cala a boca, empate. – Rosnei. Virei-me pra Cynthia. – Depois de tudo que eu te contei você realmente acha que eu posso fazer isso?Scarlett levantou-se e parou do meu lado, falando antes da Champion ter a chance de falar:— Sim, você pode. – Ela pôs a mão no meu ombro. – Desde que te conheci você evoluiu muito. – Um sorriso. – Claro que tem atitudes suas que eu quero te esganar, como você sendo machista, mas todo mundo pode mudar. Agora... O que você fez ao se separar de nós para dar tempo de que todos fossem salvos... Aquilo mostra que você realmente é forte o suficiente para por as necessidades dos outros na frente das suas.— E daí? – Falei.— Daí, seu idiota. – Amber me deu um soco. – Que esse Drapion não precisa da treinadora mais forte de Sinnoh completamente realizada em suas conquistas para ajudá-lo. Precisa de você, que ainda está tentando atingir seus objetivos e ser alguém melhor. – Ela olhou para baixo.— Isso é sério? – Olhei de volta pra Cynthia.— Sim, é. – Ela sorriu de novo enquanto lambia o sorvete. – Desça até lá. Lute com ele e capture-o.— Capturar? – Recuei. – Mas eu já tenho um time completo com seis pokémons.— E por quê o Drapion não pode ser o sétimo?— Mas eu...Amber se adiantou e deu três passos para trás. Tomou impulso e jogou seu corpo contra o meu, me fazendo rolar barranco abaixo. Dei inúmeras cambalhotas até parar cerca de 20 metros de Drapion, que virou-se para mim assim que me viu levantando uma nuvem de poeira com minha descida.— VOCÊ VAI ME PAGAR, EMPATE! – Gritei a plenos pulmões.— DE NADA, EMPATE! – Amber riu e deu um tchau com a mão direita.Drapion me encarou e bateu com o espinho direito no chão. Eu não olhei para cima esperando instruções de Cynthia, mas conseguia ouvir Scarlett e Amber batendo boca, muito provavelmente por ela ter me jogado aqui. Não havia mais volta, o único jeito de Drapion não derrubar o prédio ao lado do buraco em que estávamos e destruir a cidade era acalmando-o. E isso só poderia ser feito se eu o capturasse:— Garchomp! – Lancei a pokébola pro alto. O objeto se abriu e meu dragão azul parou na minha frente.Drapion encarou o Pokémon com raiva. Eu precisava relembrar os movimentos dele então peguei minha pokedéx rapidamente e apontei para ele. “Drapion, Pokémon escorpião. A forma evoluída do Skorupi, usa a vantagem da força de seu corpo para derrotar seus oponentes, sem a necessidade de veneno. Seus ataques são: Ice Fang, Cross Poison, X-Scissor e Dark Pulse.”— Stone Edge! – Falei guardando a pokedéx. Garchomp cruzou as patas e lançou uma sequência de pedras no escorpião.Drapion foi rápido e cruzou as pinças, conjurando um X-Scissor que acabou destruindo todas as pedras do Stone Edge. Ele prontamente cruzou as pinças de novo, mandando um Cross Poison.— Não deixa! Atravessa com Dragon Claw – Garchomp saltou e foi na direção do escorpião.Possivelmente o Pokémon roxo previu uma investida física de Garchomp então usou as duas pinças livres e segurou meu dragão, que acabou recebendo o dano do Cross Poison.— Se livra das pinças! Rápido! – Gritei. Garchomp se debatia.Só pude ver o Ice Fang cravando-se no meu dragão, que caiu no chão, atordoado. Agora um Dark Pulse estava sendo conjurado.— LEVANTA! – Gritei a plenos pulmões. – EARTHQUAKE!No último segundo, o borrão azul de Garchomp cruzou os céus e ele se arremessou no chão perto do outro, que recebeu um forte dano, devido a fraqueza do tipo Ground. Ouvi assobios e palmas ao fundo. Fiquei preocupado pois do meu lado esquerdo uma pequena colina de terra caiu próxima a meus pés.— Vamos tentar. – Saquei uma Ultra Ball. – Vai!Lancei o objeto. Ele transformou o Pokémon em uma forma vermelha e o capturou, fechando-se. A esfera caiu no chão e balançou. Uma, duas, três vezes. E se abriu.— Rápido! Dragon Rush! – Ordenei.Mais uma vez Ice Fang para tentar parar o Dragon Rush, obtendo sucesso. Drapion cruzou as pinças de novo e mandou outro X roxo mortal.— Desvia! Fire Fang! – Ordenei. – Garchomp contornou o ataque e mordeu a cabeça do escorpião, que irrompeu em chamas.Lancei outra Ultra Ball. Ela capturou o Pokémon e se fechou. Balançou uma vez e se abriu de novo. Dessa vez, furioso ele segurou Garchomp pelos pés. Jogando-o no chão.— Não deixa! Usa o Dragon Claw nas pinças!Ele jogou o peso para a parte inferior dos braços e as patas brilharam. Uma delas conseguiu soltar o pé direito, mas o esquerdo ficou preso. Outro Ice Fang estava vindo.— Pra cima! – Ordenei. – Se ele usar Ice Fang de novo você vai perder!Garchomp conseguiu entender meu desespero e subiu. O escorpião roxo vinha junto se debatendo e a boca formando o ataque de gelo. Quando atingiu uma altura próxima a das pessoas, tentei uma cartada final.— EARTHQUAKE! SE JOGA EM CIMA DELE!A mancha azul e roxa veio na direção do chão com toda força. Me afastei e pude ouvir o rugido de Drapion, que tentava de todo modo se desvencilhar. O BUM! Foi enorme. Terra a minha volta caiu, mas não o suficiente para derrubar o prédio. Uma nuvem de areia subiu e eu procurei meu Pokémon correndo sem enxergar quase nada. Olhei para minha direita, sorri achando que era Garchomp, mas não. Era o escorpião roxo, que, apesar da grande quantidade de danos, parecia disposto a lutar. Ele me encarou e emitiu seu som característico.— Por favor, me deixa te ajudar. – Saquei outra Ultra Ball. Ele ficou nervoso e eu pus o objeto atrás das costas.Caminhei em sua direção. A poeira havia baixado então todos lá em cima podiam ver a cena, Scarlett gritava desesperada. Garchomp levantou-se e veio na direção dele, pronto para me defender. Levantei a mão direita para ele, indicando que parasse:— Se você ficar aqui é só uma questão de tempo até que alguém venha e te mate. – Falei, uma expressão preocupada no rosto.Ele bateu com as pinças. Cruzou-as e tentou conjurar um Cross Poison, mas estava tão fraco que o ataque se desfez e cambaleou para a esquerda. Aproximei-me.— Você pode sair daqui em segurança, comigo. – Levantei a Ultra Ball pra ele. – Meu nome é Jake.Outra menção de tentar me atacar, em vão. Seu corpo estava sem forças para qualquer coisa. Ele baixou as pinças. Parecia a ponto de desmaiar. Olhou para Garchomp e depois para mim e... incrivelmente sorriu.— Obrigado. – Sorri de volta. – Andei até ele e encostei a Ultra Ball em sua cabeça.O objeto se abriu e eu o levantei pra cima, enquanto ele capturava o Pokémon. Assim que se fechou, ela piscou. Uma vez, duas e depois três. E parou de se mexer.— Bem vindo, Drapion. – Sorri e apontei a pokébola para cima.—--— Mãe, estou te mandando o Porygon Z de volta. – Apontei a pokébola para a tela do vídeo-fone. – Estou com um Pokémon novo e...— Você capturou aquele Drapion? – Ela falou entusiasmada. Ao fundo claramente via-se o símbolo da Battle Frontier, ela estava no conselho.— Sim. – Sorri.— Nossa, ele é realmente um Pokémon muito interessante. – Ela olhou para o lado. – Pode mandar, eu deixei todos os Pokémons com Thorton então tudo que você mandar pra mim acaba indo para ele.— Tudo bem. E a reunião, como foi? – Perguntei curioso.— É daqui alguns minutos. – Ela fez uma pausa.— Entendi. – Preparei-me pra desligar. – Preciso ir. Te amo.Fui até a enfermeira Joy e solicitei a troca. Entreguei a pokébola de Porygon Z e assim que ela a enviou a pokébola de Drapion se abriu e ficou disponível para uso. Os quatro me aguardavam na porta do Pokémon Center. Sorri para eles e disse:— Agora são sete.
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