The Battle Frontier
8 S1EP07 - Leon, the odd Kecleon
O GRANDE CIRCO DE UNOVA AGORA EM SINNOH PARA UMA APRESENTAÇÃO ÚNICA
Venha conferir! O trio de macacos elementais! O habilidoso Walrein e seu amigo Mr. Mime!
Nossa maior atração: LEON, O KECLEON SHINY FALANTE!
— Tem certeza, Scarlett? – Olhei para o panfleto desconfiado.
O panfleto era nada menos do que ridículo. O circo faria uma única apresentação em um pequeno vilarejo logo depois da cidade do Battle Castle. Eu e Scarlett estávamos na porta do centro Pokémon. Olhei mais abaixo e havia uma data. A de hoje. Olhei para Scarlett com a borca torta. O circo parecia ser ridículo, pelo papel em minhas mãos mal feito isso já era perceptível.
— Ruiva, a apresentação deles é hoje. – Fiz uma voz de decepção. – Não chegaríamos a tempo.
— Claro que vamos chegar a tempo. – Ela sacou uma pokébola. – Além do mais, é um Kecleon Shiny que fala.
— Hum... Eu tenho quase certeza que deve ser alguém falando escondido e ele gesticulando como se falasse. – Olhei desconfiado pra pokébola. – Como vamos até lá? E... De onde veio essa ideia de assistir a esse maravilhoso espetáculo. – Usei um tom irônico.
— Gliscor! E um cara me deu quando chegamos aqui, eu não dei muita atenção, mas agora que dei, quero ver. E se for alguém fingindo, descobriremos e seguiremos viagem. — Ela lançou a pokébola pra cima, eufórica. – Respondi suas perguntas. Vamos?
O grande morcego apareceu sorrindo pra nós e ela montou nele. Olhei para o Battle Castle e a porta da frente continha um cadeado enorme com um papel na porta. Darach e eu tínhamos lutado ontem e ele de manhã tinha partido atrás de Caitlin. Sorri, mas olhei para uma Scarlett com um olhar animado e desanimei automaticamente. Eu não queria ir.
— Você vai pagar minha entrada. – Resmunguei enquanto subia no Pokémon.
— Pago as duas entradas, sem problemas. – Ela falou animada. – Gliscor, vamos lá.
O morcego levantou voo e contornou o Battle Castle, indo ao norte. Por sorte, o Battle Hall era naquela direção então eu respirei aliviado enquanto segurava minha mochila no colo olhando para as costas de uma Scarlett eufórica que segurava as orelhas de Gliscor e o panfleto mordido na boca.
...
Gliscor levou aproximadamente 45 minutos para chegar a um vilarejo pequeno. Havia um muro pintado de cinza que parecia frágil em meio a diversas árvores. Uma rota cruzava do Sul ao Norte o vilarejo. Olhei e contei de 20 a 30 construções. No meio do vilarejo havia uma lona amarela e vermelha. Scarlett apontou para baixo e Gliscor desceu perto do muro. Ela saltou quase tropeçando e eu desci devagar, sofrendo por estar ali. Recolheu o Pokémon e olhou para mim eufórica.
— Vamos, vamos! – E saiu saltitando. Tive que ir atrás.
Adentramos o vilarejo e ele era o que podia se chamar de “mini-cidade”. Havia um centro Pokémon, um hospital, uma delegacia e até uma escola. Tudo era pequeno e, apesar de várias cores preencherem o ambiente, o cinza era sempre presente, aparentemente todos as construções eram na cor cinza, o que as diferenciava eram portas, janelas, tapetes de entrada e decorações. Várias pessoas já estavam em volta da lona. Scarlett andava muito apressada e eu ia desanimado logo atrás. Entramos em uma fila atrás de três meninas de cabelos lisos e pele negra, cada uma usando uma blusa de cor diferente: azul, vermelho e verde. As três conversavam animadas:
— Ai meu Deus! Não creio que o trio de macacos elementais vai estar aqui! – A da esquerda, de blusa azul disse. – E tem um Panpour! Um Panpour aqui!.
Scarlett cutucou as meninas para conversasr e no exato momento meu Pokétch tocou. Chamada em conferência com minha mãe e Thorton. Respirei aliviado e saí da fila. Sentei em um banco próximo ao centro Pokémon que era do lado da lona e atendi.
— Alô? – Minha mãe falou com a voz doce. – Filho?
— Não, Dahlia. – Thorton resmungou. – Deve ser Darach que ligou para clamar a derrota.
— Oi mãe. – Falei feliz. – E oi pra você também seu escroque. – Ouvi um “obrigado” baixinho.
— Como você está? – Ela disse tranquila. – Acabei de saber que derrotou Darach! Parabéns! – Seu tom era feliz.
— É, ele derrotou Darach porque esse burro mandou o Poliwrath crendo que ia se dar bem.
— Thorton... – Minha mãe fez uma pausa. – Cala a boca.
— Ei. – Falei tentando tranquilizá-la. – Relaxa, você sabe que ele é assim.
— Assim como? – Thorton falou indignado. – Impaciente com a burrice generalizada de vocês?
— Idiota. – Eu e minha mãe dissemos em uníssono.
— Ha-ha. – Ele falou irritado. – Depois me peçam alguma coisa...
Nesse momento exato momento alguém gritou seu nome, o que o fez levantar a cabeça e olhar para a frente.
— Thorton, você está bem? – Minha mãe falou meio preocupada.
— Estou. – Ele a cortou. – Vou desligar.
— Ele já fez isso comigo várias vezes desde que saiu de casa. – Eu a tranquilizei. – O que é normal, né. Aliás, quem está tomando conta da Battle Factory?
— Ninguém. – Ela respondeu. – Ele desativou a Battle Factory até voltar.
— Oi? – Cheguei a me endireitar no banco. – Ele a desativou?
— Sim. – Ela falou sem entender. – Por quê?
— É... – Fiz uma pausa. – Como você soube que eu venci Darach?
— Thorton, ué.
— Como? – Indaguei. – Thorton está por aí mal tendo tempo pra ter uma conversa decente no telefone, o que dirá saber dos desafios.
— Esqueceu que o FBC...
— Ah é. – Falei bufando. – Thorton desenvolveu o sistema, então ele sabe o resultado dos placares. Até porque vocês tem que saber quem podem ser seus futuros desafiantes. – Fiz uma pausa. – Engraçado... Quando eu perdi da primeira vez ele não me ligou na hora.
— É o Thorton. Me espanta muito que ele tenha ligado pela sua vitória. – Minha mãe riu. – Me espanta muito que ele ainda fale algo decente que não seja encher minha paciência.
— Pois é. – Senti alguma coisa passando atrás de mim no chão. – Hum... Mas e como estão os desafiantes? Agora que o Darach e ele estão fora só há 3 locais para terem desafios.
— É. – Seu tom era de preocupação. – Conversei com Palmer no momento em que eu soube que Darach estava indo pra Unova atrás de Caitlin. Por enquanto vamos manter assim. Os desafiantes não têm necessariamente um tempo e um padrão a serem seguidos para nos desafiar. Darach tem um prazo de 6 meses para dar a resposta ao conselho se vai deixar o Battle Castle ou não, além do que ele será penalizado pelo que fez depois da partida da Caitlin no modo em como desafiava os outros. Haverá um julgamento, isso é óbvio. – Uma pausa. – Se ele optar por deixar o Battle Castle, ficaremos em 4. Nossa decisão pauta-se em ou convidar o melhor líder de ginásio de Sinnoh ou convidar os desafiantes remanescentes para disputar o direito do Battle Castle. – A última frase pareceu que rasgava a garganta dela.
— Se eu vencer... – Olhei pra frente, fitando o nada. – O Battle Castle passa a ser meu.
— Tem noção a distância do Battle Castle até aqui? – Ela falou nervosa. – Eu não quero ficar longe assim de você.
— Com o Gliscor de Scarlett dá pra eu ir te ver todo dia no Battle Arcade. – Falei num tom reconfortante. – E outra: eu não quero o Battle Castle.
— Gliscor de quem? – Falou já mais calma.
— Scarlett. – Fiz uma pausa. – Conheci-a tem algumas semanas. Estamos amigos e ela está junto comigo enquanto eu viajo.
— Que legal. Filho, eu vou desligar. Depois nos falamos, ok?
Pensei em falar qualquer coisa, mas ela foi mais rápida ao desligar. Uma coisa que me deixou pensativo. Se Palmer é considerado o mais forte dos Frontier Brains e geralmente desafiado por último eu deveria fazer o mesmo. Entretanto... Thorton e minha mãe me conhecem melhor que Palmer, sabem meus pontos fracos e fortes. Isso torna o desafio com Palmer ridiculamente fácil e com eles dois extremamente difíceis, ainda mais o último. Eu fiquei apreensivo na hora porque eu sabia que ela não queria que eu virasse um Frontier Brain e o único jeito de eu fazer isso é se ela fosse derrotada por mim, o que a faria ter uma vontade muito maior de não se deixar vencer e isso implicaria em ela usar seus melhores pokémons contra mim. Respirei fundo e joguei a apreensão pra longe. Botei a mão do lado do banco pra pegar meu gorro e ele havia sumido. Abaixei-me pra procurá-lo, mas na hora exata que o fiz, Scarlett apareceu.
— Ei! – Ela tirou o chapéu. – Onde você estava?
— Aqui. – Apontei para o banco. – Perdi o gorro.
— Engraçadinho. – Ela parecia irritada. – E bem feito. – Ela estendeu um ingresso pra mim. – Aqui, comprei seu ingresso.
Revirei os olhos e levantei. O espetáculo já ia começar.
...
— Senhoras e senhores, com vocês... O CIRCO DE UNOVA! – O locutor, um homem gordo de terno roxo e cartola da mesma cor falou. Seu cabelo e bigode eram grisalhos. Havia um Pokémon ao seu lado que parecia uma raposa cinza escura com topete vermelho olhava a todos maliciosamente.
Eu olhei para cima e vi a estrutura de lona invertida do que se via do lado de fora. Bancos de madeira faziam uma estrutura em U, as meninas com as quais Scarlett conversou na fila estavam na primeira fileira, depois de uma discussão entre nós dois onde Scarlett queria sentar junto com elas e eu na última fileira, decidimos sentar no meio onde fosse bom para os dois. O show ia começar. Como eu não ligava muito, peguei meu pokétch e comecei a ler artigos sobre Pokémons de Unova e uma região que contava com um novo tipo Pokémon.
— E pro primeiro número... – Ele fez um carinha na raposa. – Zorua! O pequeno ilusionista!
A raposa saltou em uma cambalhota e quando pousou era igual ao locutor.
— QUE ENTREM MR. MIME E WALREIN!
— Zorua? – Levantei a cabeça ao chamarem Mr. Mime e Walrein.
— Olha sua pokedéx. – Scarlett falou sem olhar para mim. – Ele evolui para Zoroark.
— Nossa... – Eu falei confuso sem entender como Scarlett sabia de um Pokémon vindo de tão longe. – Na sua terra Natal tem disso aí?
Ela me ignorou e soltou um berro ao ver um Mr. Mime e um Walrein entrando no palco. O Mr. Mime sacou três bolas nas cores azul, vermelho e verde e começou um malabarismo frenético enquanto que do lado dele o Walrein possuía uma bola enorme grande na cor laranja sendo equilibrada na cabeça. As pessoas batiam palmas e ovacionavam enquanto eu morria de tédio de ver aquilo. Por sorte lembrei de chegar minha pokedéx e li algumas coisas sobre Zorua e sua evolução. Levantei os olhos e a sequência de movimentos repetidos não parava enquanto os dois locutores dançavam no meio deles.
— Scarlett... – Eu falei em meio ao falatório das pessoas. – Qual a graça nisso?
— TODA! – Ela batia palmas sem parar. – ELES SÃO TALENTOSÍSSIMOS! TUDO QUE EU PREZO EM UM POKÉMON!
— Mas...
A multidão gritou ainda mais quando três macacos, um que tinha partes azuis, um que tinha partes vermelhas e outro com partes verdes no corpo apareceram no centro do palco andando com as mãos no lugar dos pés. As três meninas na primeira fileira gritaram tão alto que meus ouvidos chegaram a doer.
— Panpour! Pansear! Pansage! – O locutor da esquerda falou. – Os macacos elementais!
— AI QUE LINDOS! – Scarlett estava vibrando.
As pessoas batiam palmas e gritavam como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo. O Mr. Mime largou as bolas e os três macacos pularam na direção de Walrein e o mesmo os lançou na direção do pokémon que começou um malabarismo deveras impressionante com os três.
— E agora... – Ele fez uma pausa e todos cessaram o alvoroço. – O momento que todos estavam esperando...
Tambores rufaram de algum lugar que eu não soube precisar. Scarlett apertou meu joelho com tanta força que chegou a doer.
— LEON, O KECLEON SHINY FALANTE!
Em meio a uma gritaria pior que a de antes um Kecleon apareceu andando calmamente. A coloração amarela e verde era em um tom um pouco diferente do que eu estava habituado. Na sua barriga ao invés da tradicional faixa vermelha havia uma faixa azul.
— Leon! – O locutor da esquerda parou na frente dele. – Como você está?
— Estou bem. E você? – Ele respondeu tranquilamente.
— QUE LINDOOO! – Scarlett ficou de pé e aplaudia e gritava sons que eu não conseguia identificar nem no Pokémon mais esquisito que eu já vi na minha vida.
— Estou bem. – O locutor riu. – E o nosso público? Será que gostaram de você?
— Eu tenho plena certeza que sim. – Sua voz indicava que era macho e parecia um Pokémon já adulto. – Nunca havia vindo pra cá. Até que parece uma cidade legal. – Ele falou tranquilamente.
O alvoroço com o Pokémon era absurdo. Scarlett gritava tanto e tão alto que eu achei que ela fosse ficar sem voz.
— Se você pudesse definir o público aqui de hoje com uma palavra qual seria, Leon? – O locutor falou estendendo os braços na direção de todos.
— Cativante. – Ele disse rindo maliciosamente. – E exótico. – Ao dizer isso ele olhou para mim e Scarlett.
Todos gritaram mais alto ainda. Eu me levantei sem aguentar tanto barulho e saí da lona. Não queria mais ficar ali de jeito nenhum. O show era ridículo, não me espantava muito já que o panfleto era uma porcaria. Sentei no mesmo banco de antes, pensativo. Scarlett havia me impressionado com algumas atitudes dela. Resolvi parar para analisá-las. Deitei no banco e olhei para o céu, que era azul com algumas nuvens. Fui repassando tudo que ela já havia feito, as mudanças de personalidade e os conhecimentos que ela possuía sobre certos assuntos. Eu não percebi, mas nesses meus pensamentos cerca de uma hora se passou. As pessoas saíram do circo alegres e felizes. Scarlett não apareceu. Fiquei preocupado e me levantei e caminhei até a lona. Assim que entrei a vi conversando com o locutor e o Zorua dele. Eles não perceberam minha presença então me joguei para o canto esquerdo e me enfiei atrás da arquibancada em que estávamos sentados, podendo ouvir a discussão.
— Eu não quero saber o que você é! – O locutor disse enraivecido. – Ele é especial e vai ficar aqui! Viemos de muito longe para eu perder a atração principal do meu circo!
— Senhor, por favor! – Ela parecia nervosa. – Eu só quero um ensaio de fotos com ele!
— Não me interessa! – Ele bufou. – Acha que não conheço espertinhos quando vejo um?
Alguém cutucou minha perna. Olhei para baixo. Era o Kecleon.
— Não gostou do show? – Ele estava com apenas a cabeça para fora do banco.
— Sem ofensa, mas detesto circos.
— Não te julgo. – Ele abaixou a cabeça. – As vezes penso em ir embora, mas não conseguiria.
— Por quê?
— Bem... – Ele esticou o pescoço. Uma coleira eletrônica. – Se eu me afasto muito, sou eletrocutado. Pode ser fatal.
— Quer que eu tire?
— Você conseguiria? – Ele virou a cabeça na minha direção, parecia deitado no chão.
— Posso tentar. – Falei com a mão no queixo. – Não deve ser pior do que esse show de vocês.
— Você ficou lá fora e perdeu o show, não pode opinar. Sua amiga gostou bastante de mim. – Ele riu. – Eu a chamei no centro do palco porque ela parecia que iria infartar se não viesse me ver de perto.
— Ela tem... – Fiz uma pausa tentando desvencilhar minha desconfiança em relação a ela. – Uma queda por pokémons exóticos. Todos os pokémons do time dela são exóticos.
A discussão entre Scarlett e o dono do circo pareceu ter acalmado seus ânimos. Foquei na conversa com o Pokémon.
— Ela disse isso pra mim no meio do palco. – Ele olhou para os lados. – Tudo bem que ela me disse isso em meio a uma tremedeira danada e eu tive que decifrar uma parte do que ela disse mas deu para entender.
— É... – Fiquei curioso em relação a uma coisa. – Como você aprendeu a falar?
— Se tivesse ficado no show...
— Eu teria ouvido essa história. – Cortei-o. – Conta.
— Nasci falando. – Ele voltou a olhar pra discussão. – Fim da história. – Ah, seu gorro.
— Oi? – Olhei pra ele.
— Aqui. – Ele saiu de baixo do banco com o gorro numa das mãos, saltou no banco, sentou-se ao meu lado e deu para mim.
— Como você acho isso? – Eu perguntei enquanto botava o gorro de volta.
— Ah, um cara devolveu. – Ele chutou o chão. – Disse que queria te devolver pessoalmente, mas que não era a hora de te conhecer.
Quase caí no chão. Uma ideia passou pela minha cabeça.
— Ele falou alguma coisa? Quem era ele? – Segurei o Pokémon nas mãos na altura do rosto.
— Ei, ele só queria devolver o gorro. – Ele debateu-se. – Me soltaaa! – Deu uma cambalhota e saltou no mesmo lugar que estava antes.
— Como ele era? Como estava vestido? – Eu me abaixei.
— Não lembro. – Ele pulou do banco e olhou na direção onde estavam o dono do circo e Scarlett. – Vamos ver o que o velho decidiu.
Eu dei um passo na direção de Leon e olhei para a entrada do circo. Fiquei estático. Gengar estava encarando Scarlett enquanto o homem discutia com ela. Leon não entendeu o que Gengar estava fazendo ali e fez a única coisa que ele não podia ter feito. Gritou com ele:
— Ei! – Ele esbravejou. – Já acabou o show!
Gengar virou-se na nossa direção. Por instinto eu saquei uma pokébola e a lancei. Porygon Z apareceu. Scarlett e o locutor olharam para nós enquanto Gengar corria na nossa direção lançando um Shadow Ball.
— Thunderbolt! – Z eletrocutou o Shadow Ball, partindo-o ao meio, uma parte da esfera ribombou e acertou o locutor que caiu no chão junto com Zorua. Scarlett correu e sacou uma pokébola.
— Floatzel! – O Pokémon laranja apareceu. – Aqua Jet!
O fantasma furioso lançou outro Shadow Ball que acertou o Aqua Jet. Ele virou-se para mim de novo e avançou, dessa vez com um Shadow Claw.
— Thunderbolt de novo! – Z lançou o choque em Gengar que desviou.
Por algum motivo Gengar mirou o Shadow Claw em Leon, que ficou paralisado. Z prontamente se mexeu e eletrocutou-o de novo, que caiu na frente dele, desacordado.
— Scarlett! – Segurei Leon e corri na direção dela com um Leon estático que mal falava nada. – Eles devem estar perto! – Z parou do meu lado depois de rodopiar.
— Vamos embora? – Ela recolheu Floatzel.
— Agora! – Recolhi Z. – Chama o Gliscor.
— Quem é ele? – Leon estava atordoado. – Por quê ele é preto? Quem deve estar perto?
— Não dá pra explicar agora. – Falei. – Se a gente for embora ele vai levantar, ver que sumimos e ir embora. Agora, se eu ficar aqui...
— Vamos embora então. – Ele falou sério.
— Oi? Vamos? – Scarlett já havia chamado Gliscor para fora. – Como assim vamos?
— Eu odeio isso aqui. – Ele esticou os braços pequenos. – Ele salvou minha vida dessa Gengar preto. – Ele apontou para mim. – E desde que esse circo maldito começou em Unova eu nunca vi ninguém que tivesse se admirado de verdade comigo como você. – Ele apontou para Scarlett, que estava atônita. – Só tem um problema: essa coleira maldita no meu pescoço.
— Um segundo. – Scarlett abaixou-se, mexeu na coleira e em 10 segundos ela soltou-se do pescoço do camaleão.
— Como assim, ruiva. – Abaixei-me e fiquei do lado dela. – Como você...
— Jake... Agora não é uma boa hora. – Scarlett apontou para trás. Gengar estava levantando.
— Concordo. – Fiz menção de subir em Gliscor, Leon saiu correndo e pulou no meu ombro esquerdo.
— EM NOME DE ARCEUS VAMOS EMBORA DAQUI AGORA! EU TÔ LIVRE DESSA MERDA! – Ele olhou para a massa roxa fantasmagórica que estava recompondo-se aos poucos. – Porém não quero morrer. – Saltei no Gliscor rapidamente e peguei a pokébola de Togekiss só por desencargo de consciência.
Gengar pôs se sentado. Scarlett subiu e apontou para a saída. Assim que Gliscor levantou voo e saiu, Gengar começou a correr em nossa direção. Subimos aos céus e olhamos para a lona do circo. Scizor e Weavile estavam lá em cima, parados nos encarando. Scarlett viu a cena e estranhou.
— Ué? Por quê não estão vindo atrás de nós? – Ela disse confusa.
— Eu não sei. – Encarei aos dois. Gengar estava na porta da lona. – Que esquisito. Por quê não entraram e atacaram?
— Talvez estivessem esperando para dar reforços ao outro caso precisasse de ajuda. – Leon falou.
— É... – Falei encarando o horizonte. – E o locutor? Nem perguntamos o nome dele, né.
— Aquele velho explorador dos infernos? – Leon fez uma cara de nojo. – Estou é feliz de estar livre daquele desgraçado. E daquela coleira infeliz. – Ele deu um tapinha em Gliscor. – Gliscor enorme, hein? E quais são os outros pokémons legais que vocês têm?
— Bem... – Scarlett falou com uma expressão risonha no rosto. – O nosso mais novo Pokémon legal chama-se Leon.
— Obrigado, obrigado. Sei que sou uma estrela onde quer que eu esteja. – Ele deu um sorriso sacana. – Então... Pra onde estamos indo?
— Pro Battle Hall. – Falei. – Entretanto, há uma pequena parada que quero fazer antes.
— Aonde? – Scarlett falou segurando as orelhas de Gliscor virando a cabeça para nós.
— O Mega Market.
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