The Battle Frontier
4 S1EP03 - Warming up... and attacked again
Estávamos na margem de uma rodovia, o clima era ameno e agradável. Apesar da floresta ser um pouco densa a nossa volta, era possível ver a esquerda e ao longe um riacho.
— Você não tem inimigos? – Scarlett tinha uma expressão pensativa e ajeitava seu chapéu. – Alguém que você tem uma desavença ou algo assim?
— Não, nada. – Pus as mãos nos bolsos, falando num tom tranquilo. – Deve ter sido coincidência.
— A última coisa que eu acho é que aquilo foi coincidência. — Ela pôs a mão no queixo. – Eles eram pretos e te atacaram do nada.
— E o que isso tem a ver? – Encarei-a confuso. – Existem diversos pokémons com coloração diferente.
— Existe uma linha tênue – Ela fez um gesto com as mãos como se estivesse segurando uma linha. – entre pokémons de coloração diferente e pokémons shiny.
— Ok, digamos que sim. – Passamos por uma placa na rodovia que dizia “15 km”. – O que isso quer dizer?
— Eles não são shinies, para começo de conversa. – Finalmente ela largou o chapéu. – E são de alguém.
— Se eles são de alguém, porque esse alguém não apareceu? – Olhei-a com uma expressão curiosa.
— Hum... – Ela olhou para o céu. – Talvez que quem quer que fosse queria primeiro testar sua força. – E continuou olhando pro céu com a expressão tranquila.
Por um momento eu fiquei com medo. Olhei pro lado e parecia que todas as árvores a nossa volta tinham olhos e ouvidos. Cada galho, cada folha parecia ter um par de olhos que encarava a mim e a menina despreocupada que caminhava encarando o céu. Diminuí o passo e Scarlett só percebeu 10 segundos depois.
— O que foi? – Falou pondo as mãos na cintura.
— Scarlett... — Eu puxei o gorro pra baixo tapando as orelhas. – E se eles estiverem nos vigiando agora?
— Sério isso? – Ela bufou e revirou os olhos caminhando na minha direção. – Esqueceu o porquê de estarmos viajando juntos agora?
— Nã-não. – Gaguejei. Senti um frio na espinha. – Não esqueci.
— Você está com medo? – Ela segurou o riso, numa expressão espantada.
— Claro que não. – Pigarreei e ajeitei o gorro, mantendo um tom sério. – Eu posso encará-los mais uma
vez.
Scarlett me analisou da cabeça aos pés, ainda segurando o riso. Seus olhos azuis refletiam a luz do Sol e intensificavam o tom deles. Ela olhou para a direção da floreta a nossa esquerda e balançou a cabeça até parar em um ponto qualquer.
— Ali. – Puxou-me pela alça da bolsa e começamos a andar na direção do riacho.
Desviamos de algumas árvores e vimos uma manada de Starlys voando próximo a nós. Scarlett rapidamente largou a mochila no chão e sacou a câmera de dentro do estojo numa velocidade incrível e bateu cerca de dez fotos. Segurou o estojo numa mão e na outra a mochila e continuou andando como se nada tivesse acontecido. Ela só parou quando percebeu que eu estava calado demais.
— O que foi? – Ela me olhou espantada, o cabelo esvoaçando ao vento.
— Ainda estou tentando me acostumar com a ideia de viajar com alguém que tem personalidade. Quando eu busquei minhas insígnias fiz tudo sozinho, só encontrava meus amigos de início de jornada de vez em quando. – Falei agitando as mãos para encerrar o assunto.
Ela deu de ombros e continuou andando. Em menos de um minuto estávamos em uma área aberta parecida com a qual eu acordei. O riacho se encontrava cerca de 20 metros a nossa frente e perto da margem havia uma pedra bem grande. A nossa direita havia uma árvore muito grande com o tronco que era bem grosso cortado na metade, podendo facilmente abrigar duas pessoas. Scarlett relaxou os ombros, triste.
— Nossa, essa árvore devia ser majestosa. – Ela foi até o tronco e passou a mão nele. – É uma pena.
— É, devia ser mesmo. – Eu pus a mão na casca fria do tronco sem vida. – O que estamos fazendo aqui?
— Amanhã ou depois de amanhã você chegará ao Battle Castle, não é? – Ela olhou para mim. – Vai querer enfrentar o Frontier Brain de lá sem um bom treinamento? – Sua expressão era algo que dizia “mesmo?”.
— Me trouxe pra cá para que eu esquecesse o que eu disse lá atrás perto da rodovia, não é?
— Sim. – Ela olhou para baixo, não querendo admitir. – E pra você treinar, anda. – Ela se afastou um pouco e correu na direção do tronco.
Faltando um passo para ela atingir o tronco, seu corpo deu um salto para a frente com uma graciosidade que faria inveja a qualquer atleta. Ela pousou em pé no tronco e me encarou.
— Não vai subir? – Ela disse isso se sentando com as pernas cruzadas. – Ah, eu devia ter me tocado que você podia ver minha calcinha mas lembrei que eu estou com um short grande por baixo então não tem problema. – E deixou o chapéu do lado dela. – Sobe logo.
Quando eu me recumpus desse comentário, estupefato e com a boca escancarada peguei a pokébola de Porygon Z e o chamei pra fora.
— Z, por favor o Psychic naquela pedra ali. – Apontei para a pedra perto da margem. – Traga-a pra cá.
Os olhos de Porygon brilharam num tom azul e ele trouxe a pedra, pondo-a perto do tronco. Subi e sentei do lado de Scarlett enquanto Z ficou embaixo rodopiando alegre. A superfície do tronco era tão lisa que parecia polida.
— Nossa, apesar de eu ser contra o corte de árvores antigas, devo admitir que isso aqui foi bem feito. – Falei alisando o tronco e Scarlett inclinou a cabeça para trás como se estivesse pegando Sol numa praia com as pernas cruzadas, sem ligar pro que eu disse.
— A gente não veio pra cá pra ficar alisando troncos, você veio pra cá pra treinar. Anda. – Ela falou isso de olhos fechados.
— Já me basta o Thorton me cobrando isso, você não. – Larguei a bolsa e pulei do tronco.
Scarlett continuou com a cabeça inclinada para cima, eu saquei as pokébolas de Togekiss e Infernape e as lancei pro alto. Os objetos esféricos se abriram e os dois pokémons apareceram na minha frente. Z parou de rodopiar e parou do lado deles.
— Em dois dias no máximo estaremos enfrentando Darach. Precisamos treinar para vencê-lo. – Tirei o gorro da cabeça e ajeitei o cabelo. – Vamos trabalhar na estratégia de 2 contra 1. – Apontei para Togekiss.
— Você realmente acha que isso vai dar certo? – Scarlett falou do alto do tronco. – Ela levantou-se, largou a mochila e o estojo e desceu graciosamente através da pedra. – De nada adianta você fazer seus pokémons lutarem contra si mesmos para adquirirem experiência. – Ela fez uma careta. – Precisa fazer com que eles batalhem com desconhecidos e testem a força deles assim.
Olhei-a boquiaberto. Ela parecia conhecer muito de estratégias Pokémon.
— Scarlett, pra uma fotógrafa-estilista você até que conhece bem de estratégias. – Falei em um tom desconfiado.
— Ahn... – Ela, sem graça, chutou uma pedra pequena do chão que voou longe até o lago tentando desconversar. – Eu só sei lutar. – Sacou uma pokébola. – Vamos, eu vou lutar com você. Quais pokémons vai usar contra Damach?
— Darach. – Corrigi-a segurando o riso. – Dois, no desafio do Battle Castle Darach usa dois e o desafiante dois, o primeiro que perder os pokémons perde a partida.
— Tudo bem então. – Ela lançou a pokébola pro alto. – Heracross!
— Ahn... – Cocei a cabeça meio sem jeito e esbarrei no curativo. – É regra da Battle Frontier que o primeiro a lançar o Pokémon é quem perde no cara ou coroa. Além disso, preciso trocar o curativo da cabeça.
— Oh, desculpe. — Falou desajeitada e recolheu o besouro. – Vamos tirar no cara ou coroa. Dois pokémons para cada e aí a gente batalha e... – Ela ficou nervosa e se atrapalhou.
— Ruiva, relaxa. – Pousei a mão no ombro dela e lhe dei um olhar firme. – Todo mundo erra.
Ela relaxou os ombros e respirou fundo. Eu dei as costas pra ela dei 20 passos na direção contrária ao tronco da árvore. Saquei o pokétch do bolso e falei pra ela num tom acima do normal.
— Cara ou coroa?
— Cara! – Disse ela depois de uma coçada no queixo.
Apertei a função do pokétch de moeda. Ela rodopiou no visor 3 vezes. Coroa.
— Coroa! – Virei o pokétch pra ela que forçou a visão como se de fato conseguisse enxergar. – Você começa!
— Heracross! – E lançou a pokébola pra cima. O besouro deu uma cambalhota e ficou agitando a cabeça pra esquerda e pra direita. – De fato, não teve necessidade do cara ou coroa. – Ela balançou os cabelos.
— É, mas eu quero simular a batalha com Darach. – Saquei a pokébola de Togekiss e a lancei pra cima.
— Quem começa? – Scarlett disse curiosa.
— Quem perde no cara ou coroa, você. – Apontei o dedo pra ela.
— Bem, vamos lá! – Ela estava tão animada que dava pulinhos. – Megahorn!
O chifre de Heracross brilhou e ele veio na direção de Togekiss, que fechou a cara encarando-o.
— Evasiva e Air Slash!
Togekiss deu um salto pro ar e criou a esfera azul clara com a asa direita, Heracross foi atrás dele e quando o Megahorn iria acertar no pássaro, ele arremessou a esfera no besouro, que caiu no chão com força.
— Heracross! – Ela fechou as mãos, uma expressão preocupada. – Usa o Fury Cutter!
— Aura Sphere! – Gritei.
Os braços de Heracross brilharam em um tom vermelho e ele veio na direção de Togekiss, que fez uma esfera branca e arremessou em Heracross.
— Corta a esfera ao meio! – Scarlett falou, sua postura estava muito decidida e firme.
O besouro cruzou o Aura Sphere e acertou 4 golpes no rosto de Togekiss, que caiu para trás perto de mim.
— Levanta! – Bati o pé, gritando. Uma gota de suor surgiu do nada do lado esquerdo da minha testa. – Steel Wing!
— Fury Cutter de novo! – A voz de Scarlett ecoava com força.
Heracross e Togekiss foram de encontro e uma colisão entre Fury Cutter e Steel Wing se sucedeu. Meu Pokémon era mais rápido e conseguia desviar, mas o besouro não ficava atrás, ele tentava contornar o pássaro mas o outro conseguia manter uma das asas bloqueando-o. Scarlett se abaixava e dava passos para a esquerda e para direita desesperada tentando achar uma brecha nos movimentos de meu Pokémon para terminar o confronto, mas sem sucesso.
— Togekiss, sobe! – Gritei e limpei o suor do rosto.
— Vai atrás! Fury Cutter mais uma vez!
O besouro foi atrás do pássaro. Ela havia caído na minha armadilha.
— Mais rápido! – Togekiss mantinha as asas junto ao corpo. Heracross vinha atrás com os braços vermelhos atrás da vitória.
— Vai, Heracross! Combina o Fury Cutter com o Megahorn!
— HYPER BEAM! – Cuspi as palavras a plenos pulmões.
Scarlett apenas escancarou a boca para tentar ordenar que Heracross desviasse. Togekiss deu um mortal com a boca aberta e o raio já se formando. O tiro laranja cruzou o céus e acertou o besouro no peito, que foi direto no chão, abrindo um buraco. Sorri maliciosamente. Eu ainda estava em forma, Darach seria fácil de derrotar.
— É, acho que terminamos essa batalha, não é...
— REVERSAL! – Scarlett gritou, uma expressão mista de fúria e prazer no rosto.
Heracross emergiu do buraco, seu corpo todo brilhando uma luz azul escura e foi de encontro a Togekiss, que, paralisado, não podia fazer nada a não ser receber o ataque. O golpe foi desferido e o pokémon caiu na minha frente. O besouro voltou tranquilamente andando para perto de Scarlett, embora aparentasse cansaço.
— Parabéns, Scarlett. – Eu disse, enquanto Togekiss se levantava. – Belo movimento.
— Gostou mesmo? – Ela bateu palmas, eufórica. A luz do sol reluzindo nas maçãs de seu rosto. – Obrigada!
— De nada, mas... – Togekiss ficou em pé e estendeu as asas. – Já ouviu falar do... SKY ATACK!
O pássaro brilhou em uma luz branca e voou na direção de Heracross, acertando-o em cheio. Scarlett apenas fechou os olhos quando uma massa azul marinho passou voando atrás dela, batendo em duas árvores e derrubando diversas folhas dela, além de ter feito um bando de Starlys e Pidgeys voarem das árvores.
— Pelo visto, Heracross está fora de combate. – Falei ajeitando a blusa. — Vitória de Togekiss.
— Heracross! – Ela correu na direção das duas árvores até seu Pokémon e se ajoelhou. Fez um carinho na cabeça dele e disse alguma coisa em voz baixa. Pegou a pokébola e o recolheu. – Obrigada, descanse. – Ela disse em um tom sereno e dócil.
— Você foi bem, orgulhe-se disso. – Eu troquei o peso de um pé pro outro. – Seu Heracross é muito forte. E o Reversal? Eu nunca teria pensado nessa estratégia de esperar ele ficar fraco para tentar derrubar o Pokémon do oponente.
— Jura? – Ela levantou os olhos, uma expressão sonhadora. – Mesmo?
— Mesmo. – Fiz um sinal positivo com o polegar. – Você até que entende de estratégias muito bem.
— Obrigada. – Ela ajeitou o cabelo, envergonhada. – Bem, meu próximo Pokémon é esse aqui. – Lançou uma pokébola para cima e de dentro dela surgiu um Ampharos.
Eu não havia percebido antes, mas ao invés das usuais tradicionais esferas vermelhas de um Ampharos comum, o Ampharos de Scarlett tinha a esfera da cauda azul.
— Scarlett... – Apontei para o Ampharos. – A esfera dele...
— Azul! Bem legal, não é? – Ela disse animada. – Eu a capturei enquanto Flaffy. Quando evoluiu para Ampharos o azul da cauda permaneceu e o da testa ficou igual. Geralmente Ampharos shiny ficam assim, mas o dele é apenas na cauda. – Seu sorriso no rosto era quase angelical.
— O Heracross era especial também? – Falei, desconfiado. – Eu não percebi nada de diferente nele.
— Não. – Ela riu. – Ele é o único Pokémon “não especial” que tenho. — Ela fez o movimento de aspas com a mão.
— Deixa eu ver... – Fiz um cinco com a mão esquerda. – Um Floatzel que sabe Muddy Water, um Gliscor gigante, um Ampharos que tem uma esfera de cor diferente, um Heracross normal e...
— Ah, Kirlia. – Ela enrubesceu. – Ela é fêmea.
— Sim. E o que tem isso?
— Então, eu levei ela em um doutor Pokémon e depois de alguns exames ele descobriu que se ela for exposta a uma Dawn Stone, tem grandes possibilidades de evoluir para Gallade. – Ela sorriu.
— Scarlett... – Eu cocei o rosto, confuso. – Por quê tantos pokémons tão “especiais”? – Fiz o mesmo movimento das aspas que ela fez.
— Eu gosto de coisas exóticas. – Ela estava muito envergonhada para uma situação tão comum. – Por isso só tenho cinco. Se eu achar mais um Pokémon diferente vou fechar meu time em seis. – Ela mudou rapidamente de assunto. – Vamos, lance seu Pokémon.
— Hum. – Saquei a pokébola de Garchomp. – Vamos continuar então. Garchomp, vamos lá.
— Eu começo de novo? – Ela falou, nervosa. Estava me escondendo alguma coisa.
— Sim, comece. – Fiz um gesto de cabeça, sério.
— Outrage! – Ela apontou para frente. – Vamos!
O corpo de Ampharos brilhou em fúria e ele correu na direção de Garchomp, projetando seu corpo na direção do meu dragão.
— Dragon Claw! – A garra esquerda de Garchomp brilhou e ele desferiu o golpe em Ampharos.
O ataque de Ampharos era muito mais forte que o de Garchomp, fazendo o grande Pokémon azul marinho tombar para trás. Olhei espantado. Era raro uma coisa dessas acontecer com o meu Garchomp.
— É, você até que é bem forte. – Falei olhando para Ampharos assim que ele se acalmou do Outrage.
— Sim, ele é. – Scarlett falou num tom agradecido.
— É... Earthquake!
O dragão saltou e se jogou no chão na frente de Ampharos. Todo o chão a nossa volta estremeceu. Scarlett quase caiu no chão.
— Dragon Claw de novo! – Garchomp se apoiou na pata esquerda e levantou a pata direita no rosto de um Ampharos artodoado.
Scarlett fez o mesmo movimento quando Heracross passou voando do lado dela. O pokémon bateu nas mesmas duas árvores onde o besouro havia caído.
— É, foi um bom treino. – Estiquei os braços, espreguiçando-me.
— Mas... Ampharos... – Scarlett se ajoelhou. – Já?
— Scarlett, o tipo do Ampharos...
— Eu sei, qualquer movimento do tipo pedra ou solo daria vantagem ao seu Garchomp. – Ela foi na direção de seu Pokémon caído.
— Ruiva, eu...
Ela já estava perto das árvores ajudando seu Ampharos a se levantar. Decidi não ligar e acariciei Garchomp, que se abaixou e fechou os olhos quando eu toquei sua cabeça.
— Ainda estamos em forma, Darach já está no papo. – Sorri.
Scarlett recolheu Ampharos na pokébola e correu na direção do tronco. Garchomp virou-se para trás e ficou inquieto, com uma expressão séria. Olhei para a direção em que ele estava olhando e só vi árvores e mais árvores. Estremeci. Garchomp estava com a mesma postura que estava quando os 3 pokémons negros me atacaram.
— Garchomp... – Eu encarava as árvores, nervoso. Mal conseguia me sustentar em pé. – São eles?
Ele deu um passo para frente e rugiu. Um rugido tão alto que eu estremeci. Alguns pássaros que não consegui identificar saíram das árvores mais a frente. Recueei dois passos. Eram eles, com certeza.
— Scarlett! – Comecei a correr na direção do tronco. – Garchomp, vem!
Eu olhei para o tronco e vi Scarlett gritando e apontando para trás. Diminuí o passo e olhei para onde ela apontou. Três figuras vinham rápido correndo entre as árvores. Garchomp ainda estava parado, não havia obedecido meus comandos. Ele não iria recuar, iria lutar. Comecei a correr na direção do dragão de volta. Scarlett desceu do tronco com a minha mochila em um dos braços, gritando esbaforida.
— VAMOS EMBORA! – Ouvi-a sacando uma pokébola e chamando um Pokémon. – Gliscor!
Gliscor veio voando na minha direção. Scizor apareceu primeiro. Garchomp estendeu os braços. Num instinto, gritei.
— STONE EDGE!
Ele cruzou os braços e arremessou diversas pedras para a frente. Saquei a pokébola dele no momento em que Gliscor me agarrou. Weavile apareceu e Gengar logo atrás. As pedras acertaram Scizor e Weavile, porém, Gengar como era do tipo fantasma conseguiu desviar de todas. Apontei a pokébola para Garchomp no momento em que Gengar quase acertou um Ice Punch por tão pouco que eu senti a baixa temperatura.
— Mais alto, Gliscor! – Scizor e Weavile estavam caídos e não pareciam que iam levantar tão cedo. – Gengar veio na nossa direção flutuando com o Ice Punch ainda pronto para nos acertar. Scarlett gritava a plenos pulmões. – MAIS ALTO!
— Z, Thunderbolt! – Arremessei a pokébola para trás e Porygon apareceu. – Ele flutuou alegre e feliz e arremessou o Thunderbolt em Gengar, que rodopiou para trás.
O vento era forte na altura em que estávamos. Os 3 em questão de segundos já eram pequenos pontos pretos. Gliscor estava voando bem, mas parecia incomodado com alguma coisa. Scarlett mostrou-se preocupada.
— Jake, tem alguma coisa errada. – Porygon Z acabara de pousar do meu lado. Scarlett falou sem olhar para trás enquanto segurava nas orelhas de Gliscor. – O Gengar acertou alguma coisa nele?
Inclinei-me para fora da asa esquerda de Gliscor. O Sol estava baixando ao longe e eu vi uma pequena camada de gelo na cauda de Gliscor. Ele balançava a cauda para esquerda e para direita freneticamente.
— Scarlet, manda ele parar de mexer a cauda. Ela está um pouco congelada, vou usar o Infernape para descongelar. – Falei mostrando a pokébola na direção dela, mas a mesma ainda nem olhava para mim.
— Tudo bem. – Ela acariciou a testa do grande morcego. – Gliscor, acalme-se. Precisamos descongelar sua cauda.
Enquanto eu segurava Infernape pelas pernas de cabeça para baixo, ele usava o Flamethrower para descongelar a cauda do morcego pouco a pouco, o que era bem difícil já que o vento era muito forte. Porygon Z apareceu flutuando do meu lado e eu tive uma ideia.
— Z, usa o Psychic para manter as chamas na cauda do Gliscor até ela se descongelar.
— Jake, pra onde é a direção do Battle Castle? – Dessa vez, ela olhou para mim.
— Pra lá. – Apontei para o Leste usando a cabeça. – Devíamos ter lutado.
— Devíamos? – Ela falou com uma expressão incrédula. – Achei melhor evitarmos o conflito.
— Ruiva, você tinha dito que ia me ajudar caso eles voltassem. – Puxei Infernape de volta. – Pronto, descongelado.
— E eu não ajudei fugindo? – Ela ajeitou os cabelos com uma expressão de deboche no rosto. – Bem melhor do que encará-los. – Sua mochila que estava do meu lado estava entreaberta e eu podia ver um pacote de curativos quase caindo. – Precisamos trocar o curativo da sua cabeça, vem aqui. – Ela abriu a mochila, pegou algumas coisas e cruzou as pernas.
— Devíamos ter lutado... — Sentei de costas e ela começou desajeitada lutando contra o vento para tentar tirar o antigo curativo e por um novo.
— Jake, eles não estão pra brincadeira. — Ela fez uma pequena pausa. – E eu estava pensando aqui...
— No quê? – Falei curioso.
— Você só os viu desde que saiu de casa, né? – Ela falou pensativa.
— Exato.
— Seja quem for, possivelmente sabe que você é filho da sua mãe.
— Por quê? – Quis me virar, mas ela me segurou com força.
— Mesmo eles tendo se mostrado bem fortes, eu não atacaria o filho de uma mãe na casa dela, ainda mais ela sendo uma Frontier Brain. – Ela pigarreou. – Quem quer que seja, devia estar planejando isso para quando você saísse de casa por um tempo maior do que o normal. Aliás, mais alguém além de você sabe que isso aconteceu?
— Sim, você. – Falei sério. Do nada, começamos a rir muito. Depois de alguns minutos, notamos que estávamos altos demais.
— Gliscor, pode descer um pouco de altitude. Acho que já os despistamos.
E seguimos viagem voando em Gliscor, enquanto Scarlett trocava meu curativo e discutíamos se era melhor ter lutado ou não, com o Sol quase se pondo.
Fale com o autor