The Bastard Heir

1 Capítulo 1 - Uma luz em meio a escuridão.


Notas iniciais
Nem sei se é possível descrever minha felicidade. Há tempos estou querendo postar uma interativa e finalmente estou realizando esse sonho, sem contar que estou tendo ajuda da minha linda Mell Gomes ♚The Bastard Heir está sendo planejada faz dois meses, contudo apenas agora em que temos os primeiros capitulos prontos que estamos postando. Betado pela Jamille do Wonderful designer

Capitulo 1

Uma luz em meio à escuridão.

Uma vida não questionada, não merece ser vivida. – Platão.

Chansoneta Farai Vencut

Vorarlberg, Áustria, Sacro Império Romano Germânico, 25 de janeiro de 1500.

— Salve Regina, Mater misericordiae, Vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus, exsules filii Hevae. Ad te suspiramus, gementes et flentes In hac lacrimarum Valle. Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos. Misericordes oculos ad nos converte; Et Jesum, benedictum fructum ventris tui, Nobis post hoc exilium ostende. O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

O coro dos pequenos monges ressoava naquela igreja onde todos os bancos estavam lotados. Os homens com expressões entediadas e as mulheres com seus véus brancos ou negros prestando a máxima de atenção. Tudo em seus devidos conformes, com exceção de uma garotinha sentada na primeira fileira da esquerda ao lado da sua guardiã legal, a Duquesa Angelika, enquanto no outro lado estavam seus filhos, Carlos, Hector, Rudolph e Gisele.

A menininha loira balançava suas pernas para frente para trás na sintonia da ansiedade que se turbava em seu coração para aquela entediante missa terminar logo e ela voltar para sua casa e brincar nos jardins com o fiel cachorro Voraz, mas, caso Voraz estivesse cansado, ela brincaria com sua amiga Leonor, filha de uma das servas do Castelo Siegburg.

— Senhora Angelika, se eu pedisse ao padre, ele me colocaria no coro desta igreja? Eu adoraria aprender latim — perguntou a garotinha num sussurro para a mulher ao seu lado que lentamente abriu os olhos revelando uma forte íris castanha escura.

— Não faça perguntas estúpidas, Hannelore! É muito feio uma mulher falar em um local santo — respondeu a duquesa em voz baixa.

— Mas se os homens falam, por que também não podemos falar?

— Os homens que tomam conta da igreja, menina! — respondeu novamente a mulher começando a demonstrar sua impaciência, a bem da verdade, ela perdia sua paciência facilmente com Hannelore.

— Por quê? — pelo visto a resposta da duquesa não poderia impedir a grande curiosidade infantil do coração inocente de Hannelore. — A igreja foi construída em homenagem a Mamãe do Céu, a Virgem Maria, ou seja, o certo não seria uma mulher tomar conta ao invés de um homem. Seria até uma forma de respeito, pois a mãe do Salvador era uma mulher.

— Que absurdo! Menina de onde você tira essas suas ideias? Chega, chega, chega! Cale-se antes que chamemos atenção.

Hannelore ajeitou o véu branquinho sob os seus ondulados cabelos loiros e mirou sua atenção aos vitrais da igreja. Não eram as palavras da duquesa que fariam sua cabeça parar de ter ideias, questionar e pensar da maneira que ela bem entendesse, pois ninguém conseguiria controlar o seu coração. Hannelore sentia que era diferente, porém sentia-se presa em um mundo que não a compreendia.

Quando a missa terminou Hannelore agradeceu profundamente. Ela não entendia nada do que o padre falava, pois o mesmo recitava a missa em latim, Hannelore também não entendia como todos choravam ou aclamavam algo que não entendiam sequer uma palavra, as únicas palavras que Hannelore entendia durante a missa eram as ditas na hora do sinal da cruz.

Mais tarde Hannelore encontrava-se montada em um cavalo marrom dividindo a sela com Gisele, enquanto um servo puxava o cavalo pelo cabresto até o Castelo Siegburg.

— O céu está lindo hoje! — Disse Gisele olhando admirada para aquela imensidão de azul, tão azuis como seus olhos.

— O Criador estava inspirando quando fez o céu, o mar... A natureza. Ela é tão bela e encantadora para ser algo qualquer neste mundo — falou Hannelore observando os longínquos campos de Vorarlberg.

Durante o caminho até o castelo, Hannelore observou a agitação do vilarejo. Mercado ao ar livre, tendas cobertas com tecidos de veludo e seda. Na praça central, artesãos e comerciantes trabalhavam arduamente. Nas barracas há apetitosas comidas e bebidas de receitas imemoriais. Do forno de pedra saem pães ansiosamente aguardados pelos aldeões.

Ao chegarem ao castelo, os filhos rapazes dos duques foram correndo para dentro na esperança de se arrumarem logo para poderem brincar. Angelika, a filha, e o marido o Duque Ernest foram os primeiros a entrarem. Como sempre Hannelore era a ultima, como sempre, ignorada. Hannelore nunca gostou de ser deixada em segundo plano, mas não podia fazer nada. Até hoje não entenderá como os duques ainda não haviam ainda lhe arranjado um casamento e se livrado dela, com certeza existia algo por trás disso, contudo seria perda de tempo gastar sua voz para saber o que era.

— Voraz, meu amigão, venha cá! Esse é meu rapaz. — Dizia a garota agachando-se para abraçar o cão de guarda da casa, depois de Gisele talvez Voraz fosse o único que lhe dá atenção.

Gisele era a filha mais velha dos duques, tinha quatorze anos, dois anos mais velha que Hannelore a quem tinha como grande amiga e às vezes uma irmã ou confidente.

Hannelore já estava fora há alguns minutos e resolveu que já era hora de entrar naquele pequeno, porém confortável castelo. Levantou-se e tirou as folhas do seu vestido azul antes de caminhar lentamente até o castelo, preferia caminhar até qualquer local menos para lá.

Abriu lentamente a porta de madeira escura para a mesma não ranger tão alto, pois isso já era motivo de levar uma advertência da duquesa, mas ninguém notaria o ranger da porta, pois o barulho que estava acontecendo no salão iria além de um simples rangido.

— Eu prefiro morrer! Matem-me logo, mas eu não irei contrair um homem que tem idade para ser meu pai! — bradava Gisele apontando para os pais do terceiro degrau da escada.

— Recomponha-se menina! Uma dama de sua estirpe não grita como se fosse qualquer uma — respondeu Ernest e notava-se a vermelhidão de fúria em seu rosto branco.

— Então, por que me tratam como se eu fosse qualquer uma? — retrucou a jovem de cabelos ruivos.

— Basta! — gritou a duquesa cessando imediatamente aquela conversa, em seguida ela aproximou-se da filha em passos lentos e Hannelore escondida atrás de uma coluna apenas observava. — É um bom casamento, o duque de Baviera é um homem rico e você terá uma boa vida, ele não está interessado em muita coisa, só quer saber dos herdeiros que sairão de seu ventre. Apenas isto.

— Vocês não merecem serem chamados de pais! Eu odeio vocês senhor e senhora Belshoff, simplesmente odeio! — e assim a menina subiu as escadarias correndo.

Um silêncio terrível começou a reinar sobre o ambiente, certamente que Gisele reagiria daquela maneira, ousada como era então. Hannelore sentiu uma pena muito grande da sua irmã mais velha, até se recriminou pelo fato de a pouco estar preferindo um casamento arranjado a suportar a ignorância daquela família.

— Ou ela aceita a proposta do duque, ou eu a mando para um convento!

— Ernest, ela não ouviu o chamado de Deus para passar os restos de seu dia em um convento.

— Eu não quero saber! Prefiro ver ela longe a olhar todos os dias na cara de uma filha que desobedece a seus pais — retrucou o duque pondo as mãos na testa em sinal de decepção.

— Com certeza ela deve estar sendo influenciada por aquela menina tola que nós aceitamos criar — acusou Angelika.

— Quem? Hannelore? Está doida?

— Sim! Eu estava doida quando decidi cria-la. Ainda por cima doamos a ela nosso sobrenome. Como se ela fosse alguma parenta nossa!

— Pare de reclamar! Sabe muito bem por que não colocamos essa menina logo em um convento ou arranjamos qualquer casamento para ela.

— Sei, sei muito bem, mas ainda acho essa garota perigosa. As ideias que se passam na mente dela são... Estranhas.

— Coisa de sua cabeça, Angelika! Vamos apenas fazer nosso trabalho que saímos ganhando com isto.

Hannelore pode ouvir os passos dos senhores do castelo caminhando em direção a qualquer lugar, menos o lugar onde ela estava para sua sorte. Eles odiavam serem espiados e com o péssimo humor que estavam ela seria trancada na torre do castelo apenas por “mau comportamento”, era o que com certeza fariam como Gisele. Hannelore, por exemplo, já foi para aquela torre duas vezes apenas no mês passado.

“Meu Anjinho da Guarda, eu sou grata pela proteção que me dá todos os dias e pela luz que recebo para guiar-me pela escuridão terrena, eu sou grata também por acordar em um lar quente e com comida, enquanto muitos não têm este privilégio, por favor, meu anjinho protetor, olhe por essas pessoas que mais necessitam, pois eu já tenho muito e fico triste quando vejo meus irmãos com tão pouco. Acalme também o coração de Gisele, ela não merece os pais que tem. Peço para todos os dias, a proteção do Papai do Céu e da Virgem Maria através de seu manto protetor materno”.

Ajoelhada e proferindo cada palavra com cuidado e ternura, Hannelore para encerrar sua prece fez um sinal da cruz.

— In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen — são as únicas palavras que ela conhecia em latim.

Ouvira dizer uma vez que as preces poderiam ser um bom refúgio para consolos e mágoas, contudo elas não foram o bastante para as lágrimas começarem cair sob seu rostinho deixando suas bochechas encharcadas em poucos minutos. Hannelore nunca teve a oportunidade de dizer “papai” e muito menos “mamãe”, a não ser quando estava rezando para referir-se a Deus ou a Nossa Senhora. Com tanta coisa que já presenciará naquele castelo, o amor de um pai ou uma mãe parecia ser mais um mito que os contos de fadas tentam nos impor. Tratava-se de uma menina que nunca pode sentir o carinho materno ou a proteção paterna.

Notas finais
♚ Capitulo escrito por mim, Ravena. ♚ Serão cinco capítulos iniciais que funcionarão como uma espécie de prólogo, introdução... Enfim, apenas para vocês conhecerem melhor os personagens e em breve o país em que a história irá se passar. Fiquem calmas princesas, não demoraremos a postar, pois os capítulos já estão prontos e alguns já betados. O segundo capitulo sairá este sábado. As fichas estarão disponíveis no quinto capitulo. Espero que tenham gostado e até sábado.