The Bastard Heir

8 Capitulo 07 - Traído por quem mais amava.


Notas iniciais
Minhas princesas, como estão? Ah um tempinho que não apareço aqui, não? Enfim, eu iria postar apenas no domingo e seriam dois selecionados, mas ocorreram alguns imprevistos. Primeiro – Este sábado, eu terei que me reunir com alguns amigos para fazer um trabalho escolar. Tive que substituir uma menina que não poderia ir. Por isso, adiantei este capitulo e não tive tempo de incluir o outro selecionado, o Marwin, que também teria seu momento neste capitulo. Segundo – Eu postaria apenas no domingo, todavia como eu acabei postando este sábado, quero dedicar o domingo inteiro a família, feriadão e escrever algumas coisas tanto aqui de TBH, como também do livro que eu e meu querido pai estamos fazendo de fantasia. Lady, tive que substituir a foto do Robert, pois o link não estava abrindo de jeito nenhum. Na primeira vez estava, mas depois começou a dar erro. Admito que a insegurança me dominou por completo quando escrevi este capitulo. Tanto que desde segunda eu escrevo, apago e edito....Devo deixar claro que emoções não são bem o meu forte, mas eu tentei hahaha Enfim, é isto! Espero que gostem do capitulo minhas princesas.

Capitulo 7

Traído por quem mais amava.

O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã. – Leonardo da Vinci.

Everybody Lies — Jason Walker

O por do sol começava a dar o ar de sua graça, em poucas horas a misteriosa lua estaria pairando no céu, deixando seu reflexo encantar o pequeno lago cristalino próximo ao castelo do duque de Wesel, o jovem Robert Wolf.

Robert encontrava-se no salão principal do castelo. A batida de seu pé contra o chão recém-construído a partir de uma nova espécie de madeira trazida de um lugar além dos mares, o pau Brasil, eram os únicos barulhos ouvidos naquele rincão luxuoso e ao mesmo tempo de clima tétrico.

O duque ultimamente tem estado um pouco ansioso, há alguns dias recebera da capital, uma carta avisando de uma competição denominada “A seleção”, cujo objetivo era nada mais, nada menos do que a mão da nova princesa do país. Pelo o que ouviu dos murmúrios soltos das criadas, a princesa chama-se Hannelore e dizem que se trata de uma formosa e graciosa donzela. Rezam boatos que a mesma teve a audácia de rejeitar um filho dos Santos Reis Católicos de Aragão e Castela, mas Robert se recusava a crer em boatos, principalmente quando eram oriundos dos aldeões daquela região. Aldeões que viviam arrumando confusões sérias com os moradores da fronteira hesseniana.

Ele ficou surpreso, ora essa. Até onde Robert sabia, o herdeiro do trono havia falecido tinha dois meses, o Príncipe Conrad. Pobre rapaz que se foi em tão tenra idade. Que Deus e os anjos o tenham, Conrad era um bondoso rapaz. Aí de repente, apareceu do nada esta tal Hannelore, a nova princesa herdeira. Será que Sua Majestade, que sempre teve fama de ser um homem leal, realmente traiu sua falecida Rainha Regina? Bem, essa tal princesa estava ai de prova. Mas quem era ele para dizer alguma coisa? Pelo menos o Rei Willian era um bom homem, diferente daquele que um dia ele teve que chamar de pai.

— Vossa Graça, está carta chegou para o senhor — os pensamentos do nobre foram interrompidos pela voz tímida da criada Alice, moça de beleza digna de uma princesa, mas que teve o triste destino infortuno de nascer na plebe.

— Veio da capital, senhorita Alice? — perguntou o rapaz gentilmente e levantando-se.

— Perdão senhor, mas não costumo checar as encomendas, principalmente quando são redirecionadas a Vossa Graça — a moça temia em olhar diretamente nos olhos do patrão, por isso apenas estendeu a carta. Robert para não deixar a jovem mais constrangida, resolveu apanha-las rápido e quando o fez, Alice saiu ligeiramente do recinto e segundos depois sumiu no corredor escuro, iluminado por velas com as chamas quase se apagando.

O rapaz ficou ali, parado e pensativo. Por que este sentimento de medo por parte dos criados? Ele era um nobre, não um tirano. Enfim, não perdeu muito tempo em seus pensamentos sem respostas e redirecionou seu olhar para o envelope amarelado em sua mão. Quando o observou atentamente ficou com as mãos um pouco trêmulas. Havia um selo vermelho com o desenho de um leão, o brasão overatiano. Não só era uma carta da capital, era uma carta vinda diretamente do castelo. Da família real, da princesa. Não era apenas o selo que entregava a origem da carta, havia uma assinatura nela, uma assinatura da dama que tanto alvoroço está causando no país.

Ich, Prinzessin, Hannelore Von Strauber.

Robert Wolf, dem Herzog von Wesel

Era a assinatura da própria princesa. Não podia ser. Príncipes e Princesas têm aqueles que fazem o trabalho por eles, na certa essa tal princesa havia pedido para suas criadas se darem o trabalho de fazerem aquilo. Por que estava tão nervoso? Não era habitual que essas emoções mais fortes se passassem pelo seu coração.

Robert sentou-se em sua poltrona, cujo acima, um lustre carregado de velas iluminava o local com perfeição. Será que havia sido rejeitado? Só poderia ser e por isso a princesa quis escrever para ele, para mostrar que não era digno da mão da mesma. Se bem que lá no fundo, ele sentia que não era mesmo, no entanto isso é outra história. Robert resolveu parar com o marasmo e abriu o envelope com cuidado, respirou fundo e começou a leitura.

25 de abril de 1508.

Vossa Graça, Duque de Wesel, Robert Wolf. Venho por meio desta carta, confirmar sua presença em minha seleção. Os portões do castelo estarão abertos a todos os candidatos até o sábado e no dia seguinte será oferecido por Vossa Majestade, o Rei, Meu pai, um esplendoroso torneio cavalheiresco. Serás muito bem recebido em nossa morada.

Robert empalideceu mais que o normal. Fora aceito e a própria princesa lhe escreveu. O belo rapaz relaxou o corpo, encostou-se mais a sua poltrona e alargou um satisfeito sorriso. Ficou-se imaginando como um rei. Era um pensamento um pouco precitado vindo de sua parte, mas Robert não era hipócrita, não poderia negar que no fundo o desejo ser um monarca lhe aparentava viver em um mundo esplendoroso de boas festas, refeições e súditos leais, além do mais, quem governaria de fato seria a moça pelo qual ele estava disposto a lutar. Quem sabe Hannelore não o amaria? Ou ele a amaria? Ao ser ver, as mulheres são seres de puro mistério, nunca se poderia saber o que realmente pensavam, no entanto, nada mais poderia ser tão gracioso do que a mais bela criação de Deus.

— Está sorridente hoje, meu filho — a voz era oriunda da mulher que se sentou na poltrona azulada a frente, uma senhora de beleza majestosa. Um capelão inglês vermelho a lá moda Tudor, cobriam seus longos cabelos negros e um vestido alaranjado de mangas cumpridas sobre um chemise lhe destacava a esbelta silhueta.

— Estou cogitando a ideia lhe pagar uma viagem para Inglaterra, minha mãe. Vendo-lhe assim poderei lhe confundir com alguma nobre britânica.

— Pense bem então, pois sinto muitas saudades de minha querida Inglaterra! — respondeu a mulher esboçando um amigável sorriso.

Era tão bom ver Virginia, sua mãe, daquele jeito sorridente. Há tanto tempo não lhe via assim. Quando o Duque Abelard, seu pai, era vivo, pouco sua mãe sorria, a bem da verdade, um sorriso talvez fosse um mito para a senhora que sofria verdadeiras torturas e abusos na mão daquele homem. Robert jamais vai esquecer o dia em que viu sua querida mãe ser açoitada. Entretanto aquele monstro já havia pagado, pagado com a própria vida e que esteja agora queimando no inferno e jamais reconheça a graça e beleza do Paraíso Divino.

— Mãe, pelo visto ficaremos algum tempo sem nos vermos.

— E posso saber o motivo? Irá fazer alguma viajem? — perguntou Virginia com um pouco de expectativa e tal fato foi notado por Robert. Será que sua progenitora gostaria de vê-lo... Longe? E se fosse isso. Por quê?

— Recebi esta carta do palácio — disse o rapaz loiro mostrando o envelope para a mãe. — Fui aceito na seleção da princesa! — respondeu com ânimo.

— A nova princesa? — perguntou Virginia com certa dúvida. — Tem certeza que é isso mesmo que quer? Está disposto a participar disto?

— Como assim? Não está feliz por mim? Participar desta competição pode ser uma chance única na vida.

— Robb, eu não sei... Essa menina apareceu tão de repente. Se for apenas uma impostora que está tentando usurpar do trono?

— Mãe, por favor! O que podemos fazer? Ela é a princesa e ponto final, não podemos alterar isso. Ela está legitimada por Vossa Santidade, ou seja, o certo é não contestarmos.

Virginia suspirou derrotada e Robb voltou sua atenção para a carta que recebeu da capital, todavia o clima silencioso foi quebrado por Alarik, meio irmão de Robb e filho natural do antigo duque, mas que Robb enxergava como um verdadeiro irmão e também amigo. Robb nunca soube realmente como sua mãe enxergava aquele homem, afinal não era seu filho de sangue, todavia para evitar um clima pesado, sempre evitou fazer qualquer tipo de pergunta a respeito, além do mais, ela parecia nem se incomodar tanto e tratava Alarik com bastante gentileza. Isso deixava Robert, um tanto satisfeito, pois era algo a menos para ele se preocupar.

— Desculpe a demora, Rolf estava com sede e precisei parar para ele recuperar as forças — explicou-se o rapaz referindo-se ao seu corcel.

— Está tudo bem, o jantar ainda nem foi servido ainda... As criadas hoje estão lentas demais — respondeu Virginia encarando Alarik com um sorriso, tal gesto foi retribuído pelo homem. Robb prestou bastante atenção no olhar do irmão para com sua mãe. O primeiro pensamento que veio a sua cabeça foi que talvez o jeito carinhoso no qual ambos se tratavam fosse apenas uma maneira de respeito. Afinal Virginia jamais demonstrou sentimentos de repulsa por Alarik, diferente das outras mulheres que tinham que aturar a presença de um bastardo dentro da própria casa.

Era praticamente impossível olhar para Alarik sem lembrar-se do antigo duque, ambos eram muito parecidos. Altos, loiros e de olhos claros. Entretanto Alarik era um homem de bom coração, Abelard por outro lado era um monstro. Robert detestava se lembrar do progenitor, por isso gastou uma fortuna para reformarem vários cantos do castelo. Mudou desde as tapeçarias que Abelard gostava, até as pinturas e pisos. Apesar disso, no fundo, Robert se achava um tanto hipócrita para falar do pai... Isto era algo que ainda o incomodava bastante. Algo que tirava sua paz durante a noite. Como Alarik parecia não se incomodar? Parecia até bastante satisfeito. No fundo desejava ser como ele, que descobria prazer em tudo o que o rodeava e fazia amizade com todos. Procurava sempre agradar e mostrava-se constantemente alegre.

A noite chegou depressa, o duque sem fome preferiu ir para a cama cedo. Já havia solicitado que as criadas arrumassem suas bagagens, pois ele partiria na manhã no dia seguinte e enquanto estivesse na capital, sua mãe tomaria conta do castelo.

Como de costume, o mesmo ajoelhou-se perante o pequeno altar de seu quarto e fez suas preces noturnas. Será que era digno de benções Divinas? O tormento voltava a incomoda-lo.

O quarto estava iluminado apenas por velas e pela luz da lareira, o sono de Robert começava a tomar conta lentamente de seu corpo, no entanto o mesmo tentava não ceder às forças do mundo dos sonhos. Estava com medo de ter pesadelos, se ele dormisse não sonharia com coisas bonitas. Poderia imaginar-se de baixo do céu azulado, sentado em próximo às rosas em um campo verdejante, contudo era bem provável que o campo se transformasse em um lugar apavorante. Tudo isso por causa do seu tormento, onde uma simples gota de veneno que ceifou a vida de um e salvou outra. Pelo visto até no inferno, Abelard conseguia incomodar a todos.

Robert desistiu. Não dormiria aquela noite, deixaria para dormir em seu coche particular, pois talvez de baixo do céu azul, as boas energias estivessem perto dele e impediriam que os pesadelos o atacassem. O jovem levantou-se e ficou sentado na cama com as mãos no rosto.

Ele tinha tinhas duas opções: ficar deitado de olhos abertos em direção ao teto até o amanhecer, ou ir até sua biblioteca. Optou pela ultima opção. Levantou-se da cama e pôs seu casaco de pele, pois o frio daquela noite estava começando a ficar insuportável a ponto de nem as lareiras conseguirem aquecer completamente o quarto.

Saiu dos seus aposentos e apressou-se ao longo da galeria do segundo andar rumo ao terceiro onde se localizava a biblioteca. Quem sabe os livros não lhe tranquilizariam o coração angustiado? Teria de apanhar o livro mais grosso e de preferência o mais complexo, aí o sono não tardaria a surgir. Entretanto o loiro parou seu caminhar no quarto degrau que levava ao terceiro andar, pois ouviu barulhos estranhos. Pareciam sussurros, vozes não estranhas... Gemidos. Será que eram servos que se encontravam lá durante a noite? Não. Robert sentia que algo estava errado e por isso devagar subiu o restante dos degraus, não poderia deixar que as pessoas que estavam ali dentro lhe ouvissem, se não teriam tempo de se esconder.

Cautelosamente ele encostou seu ouvido à porta. Confirmou que era realmente um casal. Robert não perdeu mais tempo. Ora essa, que tamanha ousadia era aquela de fornicar em uma área particular sua? Uma área reservada para aprendizados e não luxúria.

O jovem duque os flagrou. Estavam presos nos braços um do outro. Sua mãe e Alarik. Uma pressão dolorosa esmagou lhe o peito. Era como se tivesse recebido uma sentença de morte que desfizera os sonhos maravilhosos. Robert lançou um olhar nervoso na direção daquele casal antes de baixar a cabeça, ansioso por esquecer aquilo logo e imaginar ter sido apenas um sonho. Mas aquilo era real.

— Robert, meu irmão, não é bem o que está pensando... — dizia Alarik afastando-se rapidamente de Virginia que fechava os botões do vestido. Todavia, Robert sentiu uma fúria tomar conta de sua alma e disparou.

— Seu miserável! Como ousou a fazer isto dentro de minha própria casa e com minha própria mãe?

— Robb, meu filho, deixe-nos explicar...

Robert virou-se para enfrentar o rosto da envergonhada mãe. Estava controlando-se para não fazer algo grave, pois se não seu irmão e sua mãe jamais sairiam dali vivos. O duque aproximou-se da mulher que já se encontrava com o rosto encharcado de lágrimas e ameaçou levantar a mão, mas hesitou no meio do caminho. Era sua mãe, a mulher que lhe trouxe ao mundo e que nele já sofrera tanto. Por ela Robert já fizera tantas coisas e por ela, o duque tratou de eliminar o próprio pai. Entretanto, Robb não poderia esconder o quão ele estava decepcionado com aquele namoro as escondidas.

— É por isso que ficou um tanto ansiosa quando disse que viajaria? Não é? Para ficar com esse desgraçado? Se for este o respeito que mostra por seu único filho e por esta casa, eu preferia estar no inferno junto daquele outro desgraçado! — Robert caminhou alguns passos para trás e encarou uma ultima vez seu irmão, que estava cabisbaixo e sua mãe. — Vocês me enojam, vão procurar um bordel!

Robert saiu em passos acelerados do local. Sentia-se traído por aqueles a quem ele mais amava. Talvez fosse por isso que Alarik tenha o ajudado naquele dia frio, quando foram atrás daquela bruxa para conseguirem o que colocaria fim a todos os sofrimentos de Virginia. Por que justo naquele dia as lembranças de seu passado começaram a atormenta-lo?

Quando chegou a seu quarto, bateu a porta com força sem se importar com os servos que estariam dormindo no andar de baixo. Mas pelo visto, o jovem duque não conseguiria ficar sozinho por muito tempo, pois sua mãe já batia na porta do mesmo.

— Robert, abra isto, por favor! — dava para notar que sua voz ainda estava embargada de tristeza.

— Saia daqui agora! Eu não quero ver você, não me perturbe! — Robert sentiu que estava mais parecendo uma criança imprudente a um nobre que era.

Um silêncio começou a reinar, talvez Virginia já tivesse se recolhido para seus aposentos. Por isso, Robert abriu a porta para garantir que seus pensamentos estavam corretos, mas não. A mesma logo tratou de segura-lo pelo braço e empurra-lo para dentro do quarto. Quando o fez, tratou de trancar a porta.

— Agora chega rapaz! Você vai me ouvir agora! — proferiu a senhora.

— Por acaso não entendeu que não quero vê-la? Saia de meu quarto, agora!

— Me recuso, ao menos me ouça!

Robert, como uma criança cabeça dura, virou-se para a janela de braços cruzados. Fingiria que aquela conversa de nada lhe interessaria.

— Sei o que está tentando fazer. Isso não vai adiantar — Virginia suspirou derrotada. Não queria que seu filho tivesse descoberto tudo aquilo desta forma.

— Como isso começou? Foi quando o papai morreu? — perguntou Robert, ainda sem olhar sua mãe.

— Um pouco antes... — as palavras atingiram o rapaz. Seu irmão e a mãe estavam em uma relação intima desde que Abelard era vivo. — Robert, eu sinto muito por isso. Não era minha intenção machuca-lo e muito menos que se sentisse assim, mas entenda que o que existe entre eu e seu irmão é especial.

— Mas tinha que ser com ele? — finalmente o jovem se virou para a mãe.

— Ele foi o único homem que eu amei nesta vida, ou melhor, amo! Você é testemunha de quanto eu sofri na mão daquele homem — Virginia começava a falar em um tom mais alto, sua voz era um misto de raiva e tristeza. — Você não sabe o que é sair de seu país com apenas doze anos, repito, doze anos e vir para um lugar distante! Quando eu vim para este país, estava esperançosa de viver um conto de fadas, mas quando cheguei me enganei...

Robert sentou-se em sua cama e evitava encarar os olhos da mãe, contudo começou a sentir remorso pelas palavras ditas há poucos minutos. Não quis proferir nenhuma palavra e deixou que Virginia continuasse e desta vez a mulher parecia estar mais tranquila:

— Robert, meu filho, minha infância foi arruinada, todas as noites eu tinha medo quando aquele homem vinha em meu quarto e... — as lagrimas começavam a descer pelo seu rosto ao lembrar-se dos pesadelos já vividos em seu passado, Virginia tratou de limpa-las imediatamente — Enfim, eu tinha apenas treze anos quando você nasceu e em consequência disto, eu nunca pude ter filhos novamente — Virginia calou-se na esperança de que seu filho pronunciasse algo, mas nada saiu da boca dele e então ela continuou — foram anos de sofrimento por eu não conseguir gerar filhos até que seu irmão mudou-se para cá. Eu sabia do passado de Abelard e como esposa eu deveria sentir repulsa de Alarik, mas não foi isto que ocorreu. Eu havia me apaixonado por seu irmão, apenas não tive consciência das consequências que este relacionamento poderia me trazer.

Robert não aguentava mais ouvir aquilo. Pôs a mão em seu rosto para esconder as lágrimas que escorriam livremente e teve seu coração partido por ele mesmo. Como pode ser tão estupido? Fora um menino cabeça dura que viu apenas os seus motivos. Tinha conhecimento dos sofrimentos de sua mãe, mas não em tamanha profundidade. Sem esperar mais, o duque caminhou até a mulher, ajoelhou-se e pegou em sua mão depositando vários beijos.

— Mãe, perdão. Fui egoísta, não tinha conhecimento disto, por favor, peço desculpas pelas palavras grosseiras. Eu te amo, minha mãe. Perdoe-me...

Não fora necessário mais suplicas de Robert, para a mulher pedir que ele se levantasse.

— Meu amor, o que uma mãe não faz pelo seu único filho? Eu sou aquela que tem que pedir perdão por ter colocado segredos entre nós.

Virginia abraçou o filho. Eram pressões demais para um só dia. Robert apenas desejava que o outro dia raiasse logo e ele partisse para a capital. No momento, ele apenas queria descansar e esquecer as mágoas que tanto lhe afloraram as emoções naquela noite.

Notas finais
Meninas, o que vocês acham de um capitulo extra que mostra o castelo alguns meses antes da chegada da Hanne? Quando o Príncipe Conrad ainda estava vivo? Claro, isto seria depois do capitulo extra da nossa querida Dominique. Enfim, o que acham? Traduzindo do alemão para o português aquele trecho: Eu, a Princesa, Hannelore Von Strauber, para Robert, Duque de Wesel. Espero que tenham gostado e até a próxima!