The Assassin And The Sinner
1 Unic
Notas iniciais
Foi por causa dessa coisinha aqui que eu não postei ainda na MBH. Não me matem -q
Então, essa ficou meio longa... Mas eu gostei.
Tipo assim, na aula de português, nós estamos estudando narrativa de enigma, e eu SEI que a professora vai pedir pra gente escrever uma daqui a pouco, portanto, já adiantei as coisas -q Escrevi essa e, quando eu for escrever pra professora, eu mudo os nomes ou algo do gênero.
Bom... Essa fic é dedicada a minha linda bby Adrenaline Motivation. Acho que, no fundo, quase todas as minhas fics são pra ela mas ok.
Enfim, chega de falatório.
Enjoy!
Londres, 13 de Março de 1982
Gerard Way descansava, solitário, em seu escritório. Toda essa calmaria lhe transmitia uma certa raiva. Já não aguentava mais a polícia resolvendo todos os casos que, por tabela, seriam seus.
–Intrometidos... – resmungou o detetive Way, fechando o jornal que tinha como manchete algo sobre mais um caso resolvido por Connor Martin, o delegado oficial da polícia de Londres. Connor era seu “inimigo particular”, pois ele sempre dava um jeito de se meter em “seus” casos e ainda conseguia resolvê-los. Gerard nutria um ódio mortal (e certa inveja) de Connor.
Gerard suspirou e girou sua cadeira, encarando a paisagem nevoenta de Londres. De sua janela, era possível ver as ruas vazias de Linnier Street, a ruazinha pacata onde morava e trabalhava ao mesmo tempo. Como não havia nenhum problema que pudesse resolver, Gerard desceu até a sala e, sem querer, esbarrou em sua governanta.
–Oh, Sr. Way! Estava indo falar com o senhor agora mesmo! – disse ela. Era uma mulher baixinha, velha e particularmente agradável. Era necessário ser extremamente agradável para poder conviver com Gerard, não só por suas manias de Sherlock Holmes, mas também por ser um homem difícil de se conviver. Paciência era a maior virtude que um ser humano tinha que ter para viver com Gerard Way: paciência para aturar seu falatório consigo mesmo, paciência para dormir com as luzes acesas, paciência para com suas cantorias... Isso sem falar das visitas indesejadas que apareciam no meio da noite, pedindo ajuda ao “famoso detetive Gerard Way”.
Gerard sentia falta dessas “visitas indesejadas”.
–Diga o que quer, Anne.
–Há um homem parado ali na porta, querendo falar com o senhor. Diz que se chama Frank. Frank Iero.
–Frank? Filho de Linda Iero? – Gerard franziu a testa. Os Iero eram extremamente influentes, por que um deles iria procurar um detetive, ainda mais considerando o horário inconveniente?
–Sim, senhor.
–Hum, mande-o entrar.
A governanta assentiu timidamente e se afastou em direção a porta.
Maravilha, um caso. Bem na hora em que eu estava entediado... Pensou Gerard, feliz. Sentou-se no sofá da sala e aguardou alguns minutos, até que o tal homem surgiu.
A figura era baixa, com cabelos negros e não muito curtos. Seus olhos verdes denunciavam certo nervosismo. Vestia um casaco que cobria sua camisa, uma calça de cor escura e sapatos pretos e lustrosos. Em sua cabeça estava um chapéu, no qual ele mexia, nervosamente.
Frank Iero era conhecido por todos, não só por causa de sua família, mas também por ser um homem extremamente bondoso, gentil e amigável. Sempre estava disposto a ajudar quem quer que fosse, praticamente nunca estava de mau humor, era amigo de todos, fazia várias festas de gala e doava tudo o que arrecadava para a caridade, etc.. Era considerado o homem mais agradável de Londres e um dos mais ricos também.
De certa forma, mesmo ser nunca ter conhecido a figura, Gerard Way gostava dele. Não por sua personalidade (já que não a conhecia), mas por seus atos bondosos dos quais já tinha ouvido falar. Por isso mesmo, ficou extremamente surpreso ao saber que este esperava poder vê-lo.
–Boa tarde, Sr. Way. – disse a figura baixa, de forma agradável.
–Boa tarde. És o Sr. Iero, creio eu.
Fiz que sim com a cabeça.
–Muito prazer.
–O prazer é meu.
–A que devo sua visita, Sr. Iero?
–Vou direto ao ponto, Sr. Way. – falou ele, sentando-se na poltrona à minha frente – Uma pessoa que conheço morreu. Ocorrem boatos de que você é o melhor detetive deste lugar, portanto... Achei que seria bom falar com você antes de causar qualquer tipo de alarde.
Gerard assentiu.
–Fez bem. Diga-me, rapaz, qual o nome desse seu amigo?
–Robert Bryar.
Gerard arregalou os olhos. Robert Bryar era seu único amigo policial e, quando conseguia, Bob passava-lhe os casos que ninguém se importava (e que, na verdade, eram bem interessantes) para Gerard poder resolvê-los.
–Bob Bryar?! Aquele da polícia?! – surpreendeu-se Gerard.
–Sim. Conhecia-o?
–Era meu amigo. Não sabia que tinha morrido. Sabem como morreu?
–Não. Alguns suspeitam que foi homicídio...
–Faz sentido... Um policial consegue juntar muitos inimigos ao longo da vida... – murmurou Gerard, mais para si mesmo do que para Frank.
–... Outros suspeitam que ele se matou.
–Seria pedir demais para que me levasse ao local do crime?
–Não, não. Posso levá-lo. – disse ele.
Os dois andaram pelas ruas até a casa do policial. Vez ou outra, Gerard fazia alguma pergunta ao jovem, que lhe respondia de bom grado. Gerard logo descobriu que Frank era um homem encantador, educado e amigável, como toos diziam. Não parecia se importar com o fato de que Gerard era um detetive renomado ou que, a qualquer momento, poderia matá-lo.
Chegaram a uma casa modesta, muito diferente da casa de pessoas ricas de Londres. Possuía apenas um andar e as luzes estavam acesas, o que era anormal, considerando que eram onze da noite. Frank bateu na porta e quem abriu foi Connor.
–Sim? – perguntou ele, com sua voz rouca.
Connor não era famoso só por sua resolução rápida de casos, mas também por sua... Como dizer... Beleza. Seus cabelos loiros eram brilhantes, seus olhos claros transmitiam segurança. Seu físico era forte o suficiente para ser considerado bonito. A única coisa que estragava isso tudo era o fato de ser muito bem casado.
–Ah, Sr. Iero! – o policial parecia achar sua visita bem agradável, o que só confirmava o fato de que Frank Iero era amigo de todos – Há um minuto estava aqui e no outro não estava! Onde foi?
–Buscar alguém. – ele fez um gesto em direção ao acompanhante. O olhar de Connor endureceu.
–Detetive Way. – cumprimentou ele, friamente.
–Policial Martin. – respondeu ele, no mesmo tom. Frank franziu levemente a testa frente ao comportamento dos dois, mas ignorou. Pediu licença e entrou na casa. Gerard fez o mesmo, sob o olhar frio de seu inimigo pessoal. Ele sabia que essa seria uma longa noite de jogos mentais com Connor Martin.
O interior da casa era tão simples quanto seu exterior: Uma cozinha anexada à sala, um corredor que dava para um quarto e outra porta que dava para outro quarto que Gerard constatou ser um banheiro.
Frank se sentou gentilmente na poltrona da casa. Connor sentou-se em um pufe do outro lado da sala e Gerard sentou-se no sofá. Os três mergulharam em um silêncio profundo, até que Gerard perguntou a Connor:
–O que descobriram, afinal?
–Que eu saiba, isto não é da sua conta, detetive. O caso não éseu.
–Na verdade, o jovem Sr. Iero me chamou, portanto, o caso é meu sim.
Connor gaguejou e sua voz morreu. Frank murmurou um tímido “ele tem razão”. Gerard sorriu, vitorioso, e repetiu sua pergunta:
–O que descobriram, afinal?
O policial bufou e se levantou bruscamente.
–Vou ver as evidências. Chamarei um colega meu para lhe contar o que descobrimos. – resmungou ele, de má vontade. O detetive assentiu e esperou pacientemente, examinando cada detalhe da casa, até que surgiu um homem de cabelos castanhos armados e encaracolados. Parecia particularmente sorridente.
–Ei, és o detetive Way, não é?
–Receio que sim. E o senhor é... ?
–Raymond. Raymond Toro, mas pode me chamar de Ray.
–Pois bem. Diga-me então, Ray, o que você e seus companheiros descobriram?
Ray suspirou fundo e pôs-se a pensar.
–Bom... Vejamos... Achamos algumas manchas de sangue no chão... E...
–Espere. – interrompeu o detetive – Aonde o cadáver se encontrava na hora em que entraram?
–Estava em uma posição estranha. Estava de braços abertos, mas as pernas estavam juntas. Sua mão segurava uma faca, porém, não havia digitais nela, segundo a perícia.
–Nem mesmo do próprio morto?
–Não.
Gerard bufou. Isso era estranho.
–Em que mão estava?
–Esquerda.
–Ele é canhoto?
–Não. Destro.
–Hmm... Continue.
–Então, ele estava nessa posição... E estava jogado no chão. Porém, a maior parte do sangue estava na cama.
–Provavelmente o corpo rolou até o chão.
O policial Ray fez que não com a cabeça.
–Não havia marcas de sangue até a beira da cama. Somente no meio.
Frank assistia a tudo com um misto de confusão e desconfiança, mas, sendo o homem educado que é, não se intrometeu na conversa.
–Será que eu poderia ver o cadáver? – perguntou o detetive.
Ray fez que sim com a cabeça e chamou Gerard. Frank seguiu os dois timidamente, incerto se deveria ir ou não. Ray abriu cuidadosamente a porta e deixou o detetive e seu acompanhante entrarem.
Dentro do quarto estava uma zona. Porta retratos estavam caídos no chão, a cama estava tingida de sangue, assim como o carpete de cor clara. Ao lado da cama, jazia o corpo de Robert Bryar, sem vida e pálido. Frank olhou para o lado, evitando olhar para o cadáver, enquanto Gerard fez exatamente o contrário. Aproximou-se o máximo que podia da vítima e examinou-lhe o rosto. Obviamente, estava gelado. Sua camisa estava manchada no peito e seu antebraço também estava ligeiramente sujo de sangue. Isso intrigou o detetive.
–Isso é o menos preocupante. – disse o policial.
Ray abriu o armário do quarto, revelando roupas bagunçadas e, no vidro, estava escrito:
Contra.
Gerard arregalou os olhos. Como assim “Contra”?!
–Isso não é tudo. – disse Ray, abrindo a outra porta do armário. Haviam oito palavras enfileiradas de uma forma enigmática:
Evidente que acharam o cadáver do
Policial Bob Bryer.
Planejei tudo isso por motivos pessoais.
Enganar vocês não é minha intenção.
Nada do que direi fará diferença no que acabei de fazer. Sei que cometi um crime
Horrendo, e que não mereço perdão. Enfim, uns recados a vocês, policiais: Acabarei com a
Raça de vocês. Eu
Voltarei.
Fun
Rage
Animal
North
Kingdom
Gerard examinou a mensagem inúmeras vezes, tentando descobrir o que significava. A mensagem tinha significado, mas por que o suspeito deixaria uma mensagem desse tipo ali, para todo mundo ver? Tinha que haver uma razão para isso! Além do mais, as últimas cinco linhas não faziam o menor sentido. Não havia lógica!
Gerard pegou um papel no bolso de seu casaco e rabiscou o bilhete que estava escrito no espelho, com a mesma formatação.
–Escutem... – disse o detetive – Voltarei para minha casa e pensarei sobre este caso.
–Dou-lhe um prazo de até nove horas da manhã de amanhã, detetive Way, pois após isso teremos que retirar o cadáver daqui. – disse o policial Ray.
–Estarei de volta às nove da manhã, não se preocupe. Sr. Iero, queira se retirar comigo, sim? Obrigado.
Frank Iero seguiu o detetive para fora da casa, murmurando um agradecimento e uma despedida a Connor, que respondeu de boa vontade e lançou um olhar torto ao detetive. Os dois caminharam pacientemente até a casa de Gerard, conversando sobre coisas fúteis.
–Muito obrigado por me acompanhar. Eu precisava de uma companhia para dispersar meus pensamentos desse caso.
–Sem problemas. – disse o menor – E... Desculpe me intrometer, Sr. Way, mas peço que não gaste muito tempo pensando nesse caso... Você sabe, deve haver casos mais importantes...
–Na verdade, não. Eu estava totalmente entediado algumas horas antes de você pisar em minha casa.
Frank assentiu, compreensivo.
–Bom... Boa noite, Sr. Way.
–Boa noite. – ele observou a figura menor se afastar. Ele era estranho. Havia algo nele que Gerard não gostava... Mas também havia algo nele que o atraía. Frank Iero era um ser interessante e que, mais tarde, merecia estudo.
O detetive entrou em sua casa e se trancou no escritório. Sua governanta tratou de não aparecer por lá. Ela sabia que, sempre que Gerard se trancava em seu escritório, era porque procurava paz para refletir sobre seus casos.
Gerard resolveu focar primeiro nas palavras. Tentou trocá-las de lugar. Tentou mudar as letras. Tentou lê-las de outro jeito. Nada ajudava, nada dava certo. Foi aí que resolveu passar para a cena do crime. Gerard pegou a foto que conseguiu pegar discretamente do fotógrafo e examinou o lugar. Nada fazia sentido: Sangue na cama, respingos no carpete. Antebraços sujos, faca na mão esquerda, destro. Tudo isso não tinha nenhuma conexão.
E foi assim que o detetive passou sua noite: ora examinando as palavras, ora examinando a foto, sem conseguir nenhuma pista de nenhum dos dois.
Gerard resolveu sair para ver se mais alguma idéia brilhante surgia. Pegou o casaco e saiu pelas ruas calmas de Londres. Foi andando sem rumo, até parar em um casarão enorme e bastante conhecido por todos da cidade. Ele se perguntou se deveria, mas não precisou responder a si mesmo, pois viu uma silhueta no jardim da frente que chamou seu nome:
–Detetive Way? O que faz aqui?
Era Frank Iero.
–Oh, olá. O que faz aqui? Conseguiu resolver o caso?
Gerard fez que não e Frank abriu uma expressão de compaixão.
–Não se desgaste com isso, detetive.
–Me chame de Gerard.
–Ok, Gerard. Não se desgaste com isso. Procure outro caso.
–Não consigo. Quando me meto em um caso, não descanso até resolvê-lo.
Frank assentiu, com uma expressão estranha no rosto. O jovem se levantou, ficando de frente para o detetive.
–Quer entrar? Já passa de duas da manhã e o senhor está com umas olheiras horríveis.
–Eu sei. Virei a noite remoendo o caso.
–Entendo. Acho que seria bom se entrasse e tomasse um chá.
–Acho que terei de aceitar. – disse o detetive, sorrindo de lado com a simpatia de seu interlocutor.
Os dois entraram na grande casa dos Iero. A mãe de Frank estava dormindo e a governanta também, portanto, os dois estavam sozinhos na casa enorme. Frank o guiou até a cozinha, onde começou a esquentar água. Ainda virado em direção ao fogão, o jovem disse:
–Admiro muito o seu trabalho, Gerard. É preciso muita ousadia para se meter em um caso de policia e ainda conseguir resolvê-los. Você daria um ótimo Sherlock Holmes, se me permite dizer.
–Agradeço imensamente o elogio, meu caro, mas não acho que chego aos pés deste ilustre personagem de Conan Doyle.
Frank riu.
–Ah, desculpe-me discordar, mas tu estás ao nível dele.
–Fico honrado que ache isso, Frank.
Os dois riram divertidamente e, quando Frank foi se virar, acabou dando de cara com Gerard, que aguardava logo atrás dele.
–Ah... – disse o menor, tremendo um pouco com a aproximação repentina e sem querer.
–Desculpe-me. – murmurou Gerard.
–Não tem problema, imagina. – ele sorriu fracamente enquanto colocava a água quente em uma chaleira.
Os dois passaram o resto do processo em silêncio, até que Frank acabou de fazer o chá e entregou ao maior uma xícara de porcelana lindamente pintada.
Gerard começou a examinar a cozinha. Era um belo cômodo. Um lustre pendia do teto, iluminando toda a sala. Uma bancada apoiava vários utensílios de cozinha e, no meio, havia uma pia. Em um canto, havia um fogão lustroso. Nos pequenos armários grudados na parede, estavam guardados pratos, panelas, etc.. Em um desses pequenos armários, havia um faqueiro lustroso, chique e aparentemente caro. Porém...
–... Está faltando uma faca.
–... Perdão?
–No conjunto. – Gerard apontou para o faqueiro – Está faltando uma das facas. – disse ele, observando as fileiras de garfos e colheres de prata para logo voltar a atenção novamente para o espaço preto e vazio do estofado.
–Oh, sim. Deve estar secando. – Frank deu de ombros.
–Escute... Espero que não fique chateado com o que vou dizer agora, ok? Mas... Por acaso o senhor sabe qualquer coisa sobre... Você sabe... O que ocorreu com o policial?
Frank suspirou.
–Já me perguntaram isso inúmeras vezes. Mantenho a mesma resposta de antes: não. Eu tive sorte de saber o que houve com o pobre Bob, pois eu apenas estava passando por ali quando ouvi o choro de sua mulher...
–Onde ela está? – cortou Gerard.
–Disseram que a levaram para o hospital, pois enquanto chorava, tropeçou e bateu a cabeça na mesa.
–Oh, entendo. Continue.
–Eu passava por ali e ouvi o choro da mulher de Bob. Bati na porta para saber o que havia ocorrido e quando vi Mary abrir a porta, chorando, logo corri para dentro da casa e vi o que havia acontecido com Bob. – disse ele, olhando para o lado em um gesto sentido.
–Entendo... – grunhiu o detetive – Obrigado por dizer isso. Peço desculpas pela pergunta, mas era necessário.
–Sem problemas.
–Bom... – o detetive terminou rapidamente seu chá – Acho melhor ir andando, tenho pouco tempo para resolver este caso e pretendo resolvê-lo. Muito obrigado por tudo, Frank.
–De nada. E... Gerard.
–Sim?
–Posso fazer uma coisa?
Ele franziu a testa, aparentemente confuso.
–Claro.
Frank se aproximou do detetive, segurou seu rosto e o beijou nos lábios.
Ficaram assim, com os lábios colados, por vários segundos. Gerard não sabia se devia se afastar ou...
... Ou nada. Ele queria continuar ali. Ele precisava continuar ali. Era por isso que havia algo que o agradava em Frank.
Ele tinha se apaixonado.
–F-Frank... – murmurou ele, roucamente.
–Eu te via todos os dias, Gerard. Saindo de sua casa. Às vezes ouvia suas conversas quando estávamos no mesmo cômodo. Eu... Sempre te admirei muito e... Acabei me apaixonando. Peço que me perdoe, sei que isso é errado e provavelmente serei condenado por isso, mas... – Gerard o interrompeu com um beijo repentino.
–Não quero que pense nisso, ok? Tenho mesmo que ir, mas discutiremos sobre isso mais tarde, entendido?
–S-sim...
O detetive se afastou e começou a andar pelas ruas tortuosas mais uma vez. Abriu a porta da própria casa, subiu as escadas rapidamente e se enfurnou em seu quarto de novo para refletir sobre o que tinha acontecido.
Frank era um rapaz educado. E gentil. E amigável. E particularmente bonito.
A quem estou tentando enganar, pensou ele, ele é lindo.
Gerard sacudiu a cabeça. Ele não podia mentir para si mesmo, ele o amava. Não sabia como tinha conseguido se apaixonar tão rápido, apenas sabia que tinha acontecido.
O detetive continuou pensando nisso por um tempo. Porém, no meio disso tudo, Gerard acabou voltando os pensamentos para o caso. Resolveu então pegar os papéis e fotos para voltar a pensar.
–X-
Gerard já estava a ponto de desistir do caso, quando de repente teve uma idéia genial. Pegou outra folha de papel e separou cada sílaba das primeiras palavras:
E-vi-den-te
Po-li-ci-al
Pla-ne-jei
En-ga-nar
Na-da
Hor-ren-do
Ra-ça
Vol-ta-rei
Após algum tempo e algumas trocas de sílabas, Gerard conseguiu isto:
Vi
Li
Ne
Ga
Da
Ren
Ça
Ta
–Hm... – resmungou ele consigo mesmo – Juntando tudo... Não, isso não é uma palavra. E se eu... Nah. E talvez... Não funciona... Argh! Que sujeitinho difícil! – exclamou ele.
Gerard se recostou na cadeira. Ele tinha apenas mais duas horas. Ele tinha virado a noite e nem tinha percebido. Ele continou rabiscando na folha, até ter uma ideia luminosa: Tirar algumas letras dessas sílabas.
–AHÁ! – gritou ele, vitorioso, ao conseguir isto:
V
I
N
G
A
N
Ç
A
–Isso não explica o contra. Ok, vingança contra... Mas quem? Ok, o mais óbvio seria contra Bob, mas isso tudo não pode ser tão óbvio assim. – quando Gerard começa a murmurar consigo mesmo, é porque as coisas não estão indo tão bem.
O detetive deixou as palavras de lado mais uma vez e começou a examinar a foto. Observou cada detalhezinho, até achar um exemplar do livro Guerra & Paz. Este livro era um dos objetos jogados no chão, e este, em especial, estava mais sujo de sangue do que os outros. Gerard se concentrou nesse livro por esta razão.
A posição do livro fazia com que a luz batesse exatamente na palavra Guerra.
–Guerra lembra violência... Violência lembra tiro... Tiro lembra arma... Arma lembra...
Gerard segurou o fôlego e arregalou os olhos. Sim, ele sabia o que isso tinha a ver.
O detetive começou a analisar os outros elementos da foto e foi percebendo cada mínimo detalhe que, agora, fazia sentido. Gerard arregalou os olhos, pôs tudo aquilo em uma pasta preta e saiu correndo em direção à casa de Frank novamente. Bateu violentamente na porta e a governanta atendeu.
–Será que eu poderia falar com o Sr. Iero?
–Ah... Quem deseja? – perguntou a velhinha de cabelos grisalhos.
–Gerard. Gerard Way. – respondeu ele, impacientemente. A governanta foi rapidamente para dentro chamar o jovem Iero. Ela logo voltou, convidando o detetive a entrar. Gerard assentiu e entrou mais uma vez na casa, batendo o pé no chão, impaciente, até que Frank chegou.
–Gerard! O que f...
–Foi você.
–... Perdão?
–Você que matou Bob. E colocou a faca na mão dele para parecer que foi suicídio. – disse ele, sem expressão alguma.
–O que? – ele riu nervosamente – Como pode me acusar de uma coisa tão sem sentido?
–Tenho provas.
Ele arqueou as sobrancelhas.
–Tem? Então mostre-as!
–Em um lugar privado.
Frank Iero suspirou, tão impaciente quanto o detetive, e puxou-o até seu escritório. Chegando lá, trancou a porta e se sentou em uma das cadeiras, convidando Gerard a se sentar na outra.
–Então?
Gerard abriu a pasta preta e tirou o papel onde sua letra elegante e fina estava por toda a parte e a foto.
–Para começar, esta aqui... – ele apontou para a foto, mais precisamente para o espelho – É a sua letra. – ele procurou na mesa e, ao achar, pegou um papel preenchido pela letra de Frank – Segundo, seu joguinho de palavras. Se pegarmos apenas as segundas sílabas de cada palavra, teremos a palavra “vingança”. Por último, o livro que você deixou jogado no chão era “Guerra e paz”, sendo que a palavra “Guerra” estava iluminada pelo sol e também pela luz da lâmpada. Se seguirmos uma certa linha de raciocínio, guerra tem a ver com policiais. Portanto, juntando isso, seu joguinho de palavras e o “contra” que você escreveu, temos “Vingança contra policiais”. Uma vez, ouvi dizer que seu pai foi morto por policiais. Estou certo?
Frank Iero já tremia na cadeira, de tanto que era o seu nervosismo.
–Ah sim, já ia me esquecendo. Quando perguntei a você sobre o que você sabia sobre o assassinato, você olhou para o lado. Mas olhou para o lado esquerdo, e a maioria das pessoas, quando fala uma mentira, olha para o lado esquerdo. A partir de todas essas deduções... Todas as provas apontavam para você.
Frank entrou em desespero e suspirou tremulamente.
–Ok, você descobriu. Parabéns. E agora, o que vai fazer?
Gerard perfurou o menor com seu olhar, deu a volta na mesa, segurou o rosto de Frank e o beijou mais uma vez.
–Eu vou fazer de tudo para que você não seja preso. – Gerard depositou um beijo na testa do menor e este último levantou seu olhar.
–S-sério?
–Sim. Eu sei que não deveria fazer isso, mas eu estou disposto a fazer... Por você.
–Eu... Eu não sei o que dizer... Obrigado! – Frank abraçou o detetive.
–Não há de que... Frankie. Agora escute meu plano, ok?
–X-
Gerard voltou rapidamente até a casa de Bob, junto com Frank. Assim que abriu a porta, o policial Ray sorriu abertamente. Já Connor mostrou um olhar de desgosto ao ver que, infelizmente, o detetive tinha chegado antes das nove.
–Descobriu quem foi, afinal? – perguntou Connor, de má vontade.
–Não só descobri como já o peguei. Sr. Iero, por favor, faça-me um favor e pegue as provas, sim?
Frank assentiu e correu para a porta, porém, ao invés de ir em direção a casa do detetive, ele deu a volta e mexeu rapidamente nas evidências encontradas no quarto do cadáver: mudou a ordem das palavras para parecer uma coisa que tivesse sentido, isso tudo tentando mexer o mínimo possível, para que ninguém notasse, portanto, Frank só pôde mudar coisas menos óbvias, como algumas letrinhas em sua mensagem, alguns detalhes, etc.. Isso demorou apenas uns dez minutos, que era tempo o suficiente para ele, hipoteticamente, ir até a casa de Gerard e voltar.
–Pronto. – disse ele, entregando as fotos que, na verdade, ele tinha tirado naquela hora.
Connor passou o olho nas provas e arqueou as sobrancelhas.
–Hm. O que isso indica?
–Indica que foi você, meu caro, que fez isso.
–... Perdão?!
–Você ouviu. Admite logo, Connor. Você teve uma briga com ele na noite passada, não teve?
–Sim, mas...
–... E ficou com raiva dele. E resolveu matá-lo por pura vingancinha.
–Mas...
–E o RAY – Gerard apontou em direção ao policial – Seria sua próxima vítima! Acha que eu não vi seu olhar raivoso direcionado a ele?
–M-mas...
O policial Ray arregalou os olhos e tratou de prendê-lo.
–Acho que meu caso aqui... Está resolvido. – Gerard sorriu, animadamente.
–X-
No dia seguinte, Gerard voltava para sua casa após prestar depoimento na justiça sobre o caso do Connor e tudo o mais.
–Como foi? – perguntou Frank, esperançoso.
–Foi bem. Connor foi preso. Admito que eu queria bastante ver isso.
–Você não precisava fazer isso. Você sabe disso, não é?
–Eu sei, mas eu quis. – Gerard passou a mão pelo rosto de Frankie, se aproximando e beijando seus lábios rosados mais uma vez. Frank pediu passagem, que Gerard cedeu. O menor explorou cada canto da boca do detetive, enquanto este último sentia o calor da língua do outro. Logo as coisas começaram a esquentar e, bom, vocês podem imaginar onde isso foi parar.
–X-
Na manhã seguinte
Gerard acordou, sentindo o corpo do menor contra o seu. Flashes da noite passada passaram por sua mente e um sorriso bobo brincou em seus lábios ao ver as marcas roxas no pescoço de Frank e ao sentir os arranhões em suas próprias costas. O menor dormia profundamente, aninhado em seu peito. Em cima da bancada, havia um papel preenchido com a caligrafia de Frank. Gerard franziu a testa e pegou o papel, lendo o que estava escrito:
Querido Gerard,
dói bastante dizer que fiz isso apenas para não ser preso. É, eu te usei e, quando você acordar, terei caído fora. Peço mil e uma desculpas, mas não posso ficar aqui.
Espero que um dia me perdoe.
–F
O peito de Gerard começou a doer, achando que Frank realmente iria cair fora daqui a poucas horas. Porém, ele viu outro pedaço de papel ao lado. Apanhou-o e leu:
Esquece. Esquece o último bilhete. Quer saber de uma coisa? Eu te amo. De verdade. Não adianta enganar a mim mesmo, tudo que eu sei é que eu quero passar o resto de minha vida com você.
Eu te amo, Gerard Way.
–F
Gerard sorriu ao ler o bilhete mais recente e sorriu ainda mais ao ver que Frank acordara e o observava com seus olhos verdes infantis.
–G-Gee... — gemeu ele — Você não vai me deixar, não é?
–Nunca.
–I’d end my days with you in a hail of bullets… — murmurou ele, roucamente.
Gerard sorriu e respondeu:
–I’ll let you know just how much you mean to me…
Frank enterrou o rosto no pescoço do amado e os dois voltaram a dormir profundamente.
Notas finais
Agora eu juro que escrevo o resto das minhas fics -q
Beijos '--'
Fale com o autor