The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
40 Capítulo 12
Notas iniciais
Viva aos 230 leitores em The Art assim como os 111 favoritos! Sem esquecer-se das 32 recomendações, claro. =)
- James. – ele respondeu com um riso torto nos lábios odiosos. Ele envelhecera naqueles nove anos, claro, mas aquele sorriso repleto de malícia e deboche... ainda era o mesmo. – James Mitchel. – mais um nada discreto passeio de olhos pelo corpo da garota enquanto ele apertava sua mão, seu polegar acariciando-a de forma sugestiva antes que pudesse puxá-la de volta. – Nunca ouvi Roy falar de você...- Ela é a garota que ajudou meu Roy. – Mary informou enquanto também se levantava da cadeira. Havia tanto medo nela que, por um momento, Bella teve que lutar com todas as suas forças pra manter-se firme: ela não podia temer. Um único passo em falso... e tudo estaria perdido.- Ah, sim... – uma luz de entendimento passou por seus olhos. – É você a garota que sabe fazer aqueles truques?- Acredito que Roy tenha exagerado, senhor. – Bella disse educadamente, mantendo sua boa educação e postura mesmo diante da indiscrição e maldade de James. Quase podia ver as coisas que passavam por sua mente. O desgraçado sabia quem ela era, por Deus! Então ele bem que deveria se lembrar daquela vez em que...- Bem, bem... – ele disse de forma evasiva enquanto entrava na cozinha, Bella então voltando a sentar-se, seus olhos acompanhando o homem que vestia apenas uma calça jeans, sem camisa e descalço, ele indo até a geladeira de onde tirou uma lata de cerveja. Abriu-a enquanto voltava a olhar pra ela. – Você é a garota dele?- James! – Mary repreendeu em um tom fraco, quase um sussurro, mas Bella manteve-se impassível, sorrindo ante a pergunta indiscreta.- Não, não sou a garota dele. – ela respondeu. – Somos apenas amigos. Eu já tenho um namorado.- Moleque mole. – ele grunhiu ao virar os últimos goles de cerveja e jogar a lata em um canto qualquer da cozinha. – Deve ser viado, aquela porra.- James... não fale assim. – Mary pediu. Bella pôde ver as lágrimas dançando nas pálpebras de seus olhos escuros e por isso teve vontade de socar o maldito. Por isso e por tantas outras coisas... mas ainda não era tempo. Não ainda.- Falo como quiser. – ele rosnou antes de pegar outra cerveja e sair da cozinha, seus olhos nunca abandonando Bella até que sumisse pelo corredor.- Desculpe-me por isso, querida. – ela fungou enquanto enxugava as lágrimas que só então tinham caído de suas pálpebras. – Eu... nem sei o que dizer.- Não é necessário que diga nada, Sr.ª Simpson. – Bella sussurrou ao estender sua mão por cima da mesa e apertar uma das mãos de Mary. – Eu entendo, acredite. Você quer reagir, colocá-lo fora de sua casa, longe de seus filhos... mas é justamente por eles que não faz nada. Pois sabe o quão perigoso ele pode ser.- Como... como sabe? – Mary perguntou mas Bella apenas prosseguiu, as palavras simplesmente brotando por seus lábios.- À noite, você não consegue dormir. Os pensamentos mais horrendos passam por sua mente: e se... e se quando ele tiver o que quer, antes de partir, matar você e seus filhos? – a voz de Bella era um sussurro, com medo de que James a ouvisse. Mas se seu palpite estivesse correto, se as coisas fossem daquela forma... era a única explicação... eles corriam realmente perigo. Pois eram reféns daquele desgraçado. – Mary, ouça bem o que te vou dizer: logo tudo irá acabar. Quero que esteja atenta, por favor, pra que ao receber o menor sinal que seja, simplesmente saia daqui com seus filhos.- Quando? – ela perguntou em um sussurro, incrédula com as palavras da garota.- Ainda não sei. – Bella engoliu em seco, fechando seus olhos por um momento. – Mas agora que o encontrei... ele não mais fugirá de mim.- Bella... você não sabe com quem está mexendo. – Mary sussurrou ao apertar a mão de Bella com mais força. – Ele é perigoso!- Eu sei, Sr.ª Simpson. Eu sei. – ela suspirou ao largar a mão da mulher. – Posso usar seu banheiro?- Sim... pode. – Mary estava atônita com a mudança brusca da conversa. – É no primeiro andar, no fim do corredor à esquerda.- Obrigada. – Bella sorriu levemente ao se levantar. – Eu não demoro.Pegando sua bolsa que pendurara no encosto da cadeira, Bella deu um último sorriso a Mary que então chorava silenciosamente, saindo em direção ao corredor. Quando já não mais estava nas vistas da mulher, deixou que uma de suas mãos escorregasse pra dentro da bolsa, então subindo as escadas. Como previra, o corredor do primeiro andar estava vazio.
Era hora de atuar.Com um barulho considerável, a bolsa de Bella caiu no chão, parte de seu conteúdo escapando pelo zíper que há pouco ela abrira. Maldizendo em voz alta, ela então se abaixou e começou a recolher suas coisas, colocando-as de volta na bolsa.Não precisou contar nem mesmo até três pra que a figura de James aparecesse em uma das portas que até então estivera fechada, o ruído da televisão ligada escapando pela porta aberta. Bella se levantou com a bolsa em suas mãos ao mesmo tempo em que James se adiantava em sua direção, seus olhos destilando ainda mais malícia do que minutos antes, na cozinha.- Ora, ora... – ele disse num sussurro ao dar mais passos em direção a Bella que recuou até que suas costas batessem na parede do corredor, seus olhos fixos no rosto de James. – O que faz por aqui, gracinha?- Só vim usar o banheiro, senhor. – ela respondeu com toda a educação que possuía, ainda não deixando transparecer que o conhecia. Que se lembrava de quem ele era.- Senhor? – ele se riu ao apoiar uma de suas mãos na parede, ao lado da cabeça dela, seu rosto próximo ao dela. Próximo demais. Seus olhos, maldosos e frios, faiscando pela malícia e pela diversão, estavam fixos nos de Bella que não desviou seu olhar. – Não se lembra mesmo de quem eu sou?- De quem é? – ela franziu a testa em falso espanto, engolindo em seco quando ele se aproximou ainda mais. Deus, Deus! Como ela queria pegá-lo pelo pescoço e bater a cabeça do maldito contra aquela parede, bater e bater vezes seguidas até que toda a raiva que estava guardada dentro dela enfim se esvaísse! Mas... ela não podia. Tinha que fingir. – Está querendo dizer que eu te conheça de algum lugar?- Claro que me conhece. – ele abriu um sorriso sem alegria alguma, seu cheiro que era uma mescla de tabaco, cerveja e suor chegando às narinas de Bella que tentava conter-se. Nem mesmo ela imaginava que tinha um controle tão grande sobre si mesma... – Como era o nome dela mesmo? Ah, Melissa! Uma ninfetinha tão gostosa aquela... pena, muita pena que seu pai acabou com as nossas festinhas.- Vo... vo-vo... – Bella gaguejou enquanto arregalava os olhos em descrença, engolindo em seco enquanto tentava pronunciar alguma palavra que fizesse sentido. Uma imitação de surpresa, incredulidade e pavor que deixaria morta de inveja muitas atrizes profissionais. Por que, quando o assunto eram expressões, Bella Swan era sim perita. E quando se tratava de mentir... mais ainda. – Ja-James...- Ah, então se lembrou, gracinha? – ele se riu ao levar uma de suas mãos até o rosto de Bella, deslizando seus dedos por sua pele que se arrepiou ante seu toque. Seu estômago protestou devido ao asco em estar diante daquele homem e ainda permitir que ele a tocasse. – Quase não a reconheci, sabia? Você ficou tão gostosa... mas esses seus olhos, eu não sei por que, mas não há como não reconhecer.- Você matou meu pai, seu desgraçado! – ela rosnou por entre seus dentes enquanto tremia com violência, o suor escorrendo por seu rosto enquanto as lágrimas queimavam seus olhos ainda arregalados. Tão difícil fingir... ela tinha que centrar-se em usar a intensidade de sua raiva e desejo de justiça nas emoções que agora demonstrava. Medo, revolta e surpresa no lugar de raiva, nojo e determinação. Difícil mas não impossível. – Você... o que está fazendo aqui?- Por que quer saber, gracinha? – ele perguntou num sopro ao prensar o corpo dela com o próprio corpo contra a parede, suas mãos apoderando-se de sua cintura ao apertá-la ainda mais contra si. Bella teve que ranger os dentes pelo asco e forçar-se a continuar sentindo medo. Ou fingir que estava sentindo, o que era mais verdade naquele momento. – Quer terminar o que a gente começou aquele dia, no banheiro da sua casa?- Você é um monstro! – ela sussurrou em descrença e fúria ao tentar empurrar seu peito pra longe dela, não usando de toda a sua força mas fazendo parecer que usava. Ele era burro demais pra perceber a diferença. – O que está fazendo aqui, com a família de Roy?- Resolvi dar um tempo, gatinha. – James sussurrou ao roçar seu corpo contra o dela que teve que se conter pra não esmurrar, chutar e arranhar cada pedacinho de pele que encontrasse pelo caminho. – As coisas estão meio tumultuadas lá fora.- Quem você destruiu dessa vez, maldito? – ela rosnou dando pequenos murros em seu peito, seus olhos, dos quais grossas lágrimas escorriam, estavam fixos nos olhos negros repletos de desejo. Ele adorava aterrorizar. Ele adorava estar no comando. Ele adorava, sim, ele adorava sentir-se o melhor. – Mandou que matassem alguém a sangue frio outra vez? Mandou que destruíssem outra família assim como fez comigo ao mandar que matassem meu pai?- Não, querida. – ele se riu ao levantar uma das mãos e acariciar seu rosto mais uma vez, ela tentando a todo custo fugir de seu maldito toque. – Seu pai foi um idiota e mereceu a morte que teve. Assim como aqueles desgraçados...- Então você mata só aqueles que merecem morrer? – ela bufou, desdenhosa. – Me poupe, James! Você é um grande escroto que mataria até mesmo seu filho se esse estivesse em seu caminho e...- Cale a boca! – ele rosnou ao apertar o rosto de Bella com uma das mãos, apertando ambas as suas bochechas dolorosamente entre seus dedos, seus olhos destilando fúria. – Cale a boca, sua putinha! Você não sabe porra nenhuma pra dizer uma coisa dessas! - Estou errada? – a expressão de Bella estava séria, fria, vazia, todo o medo de antes evaporando diante dos olhos de James. Ela o incitara com seu medo, com sua vulnerabilidade; agora o provocaria com sua frieza e crueldade. – Você não estriparia seu filho diante dos olhos da mãe dele se assim lhe parecesse “correto”?- Meu filho ta morto, porra! – ele disse num tom mais alto ao colocar mais força em sua mão, a nuca de Bella se chocando contra devido ao seu movimento brusco. – Aqueles fodidos mataram ele! E eu não vou deixar uma piranha como você sequer falar o nome dele!- Sabe o que eu lamento? – Bella disse no mesmo tom vazio de antes, James perdendo o controle diante de sua frieza. Ele queria amedrontá-la, chocá-la, subjugá-la. Pra um dominador escroto como ele, a postura dela era uma ofensa sem tamanho ao seu ego. – Não estar lá pra deformar a cara da sua cria. Acabar com algo que você ama assim como você acabou com tudo o que eu mais amava. Se envolvendo com minha irmã, tão jovem, tentando me violentar dentro da minha própria casa e matando meu pai. Minha irmã se suicidou por sua culpa, James! Pra mim, você irá arder no inferno junto com esse seu filho asqueroso que, pelo que penso, teve o merecido fim.- Cala a boca, sua vadia! – Bella não pôde evitar o tapa certeiro que veio em direção ao seu rosto, atingindo em cheio sua face. – Cala a porra dessa boca antes que eu estoure seus miolos assim como fiz com seu pai!- Você não fez. – Bella ainda disse, ofegante, sua cabeça baixa depois do golpe. Sentia em sua boca o gosto do sangue, sua cabeça começando a latejar dolorosamente devido à pancada. – Você foi covarde o suficiente pra mandar que fizessem em seu lugar. Não consegue proteger o próprio rabo.- Você, minha querida, eu mato com minhas próprias mãos se não calar essa maldita boca! – ele rosnou ao mesmo tempo em que a porta da frente se abria, passos sendo ouvidos assim como vozes.- Você não vai me matar e sabe muito bem disso, James. – Bella disse ao erguer sua perna direita até onde podia e então pisar com toda sua força no pé de James, acertando as costas de seu pé descalço com o salto de seu sapato. – É covarde demais pra isso. – ela desdenhou ao limpar o sangue que escorria do canto de sua boca com as costas da mão, os passos que ecoaram enquanto alguém subia a escada se mesclando ao berro de dor de James, que se afastou de Bella afim de acudir o pé ferido.- Bella, Bella! – era Roy quem via ao seu encontro, seu rosto preocupado aparecendo, ofegante, enquanto seus olhos arregalados procuravam por ela. – Bella... – só então ele viu seu lábio ferido, um dos lados de seu rosto vermelho e levemente inchado pelo tapa que levara. – O que esse maldito te fez?- Roy, não! – Bella interveio quando percebeu que o amigo se lançaria contra James, que ainda xingava e pulava de dor, ela então o segurando pelos ombros enquanto o empurrava em direção às escadas. – Esse canalha não vale à pena.- Fora daqui, sua puta! – James berrou enquanto mancava em direção a ela que puxou Roy pela mão pra que juntos descessem as escadas. – Fora daqui antes que eu arranque suas tripas com as minhas unhas!
Bella desceu os degraus em silêncio, Roy a acompanhando enquanto ambos seguiam em direção a saída. Sem despedir-se da mãe de Roy e nem de sua irmã, Bella apenas saiu dali.Queria ficar o mais distante possível daquele homem odioso.Somente quando tinham alcançado o portão, ela parou e virou-se pra encarar o amigo que tinha a expressão transtornada, adiantando-se até ela pra tocar seu rosto.- Foi ele quem bateu em você, não foi? – ele perguntou num rosnado fazendo-a engolir em seco. – Foi ele quem te machucou?- Foi, mas isso não importa. – ela sussurrou ao apertar entra suas mãos a mão do amigo que acariciava seu rosto ferido. Nos olhos dele ela viu as lágrimas; lágrimas de tristeza, de revolta, de impotência. Pois ela sabia que as mesmas marcas que agora ele via em seu rosto ele já vira antes no rosto de sua mãe... e quem sabe no de sua irmã. No seu próprio rosto. – Roy... isso tudo vai acabar.- Bella... – ele sussurrou ao fechar os olhos e apertar os lábios com força. – Me diz que você veio apenas me visitar... diz, por favor, que você não veio aqui ver se podia fazer algo por nós...- Isso não é apenas por vocês, Roy. – ela sussurrou ao achegar-se mais a ele e abraçá-lo, apertando-o contra si. – É por mim, pela minha família e por tantos outros...- Bella... – ela sentiu quando o amigo engoliu o soluço em seco, abraçado ao seu corpo. – Você já o conhecia, não é?- Sim. Mas isso não importa... – ela suspirou, afundando seu rosto na dobra do pescoço do amigo. – Por favor, volte pra sua casa absurdamente revoltado, mas nada que venha a te lesar devido ao seu comportamento diante dele. Diga que eu estou assustada e com medo. Diga que você teme até que eu rompa nossa amizade apenas por que sei que ele mora na sua casa. E que você não faz idéia de onde nos conhecemos por que eu não quis dizer... que te abracei e disse que te gosto muito, mas que na sua casa eu nunca mais piso.- Por que isso? – Roy perguntou no mesmo tom usado por Bella.- Pra fazê-lo pagar, Roy. – ela respondeu ao manchar a camisa do rapaz com suas lágrimas. – Pra fazê-lo pagar por tudo.xxxBella estava com ainda mais pressa do que no dia anterior ao descer do táxi, passar pelas portas do prédio e subir pelo elevador até o 16º andar e bater na porta do apartamento 103.- Bella, o que você está... – Damon começou a dizer mas Bella entrou em seu apartamento sem nem mesmo cumprimentá-lo, o rapaz então fechando a porta e a seguindo apartamento adentro.- Damon, tenho ótimas notícias. – ela disse com um riso trêmulo em seus lábios ao virar-se pra encarar o rapaz. – Não conseguiu contatar Emmett?- Não. – Damon deu de ombros. – O celular dele dá caixa-postal. Eu já estava de saída quando ligou... o que é tão urgente? E que ótimas notícias são essas?- Eu te disse que visitaria Roy atrás de pistas, não disse? – ela começou fazendo com que Damon suspirasse, esfregando o rosto com ambas as mãos. - Bella, não quero ser indiscreto nem nada, mas... isso no seu rosto não é a marca de uma mão, é? – ele comentou sem querer encarar a garota, só então se dando conta de que ela estava ferida. – Por favor, me diga que você apenas foi conversar com seu amigo e que especulou a respeito do padrasto. Me diga, por favor, que você não foi enfrentar o monstro, acuá-lo, tentar extrair dele, sozinha, a verdade...- Você tem bola de cristal. – ela alargou o sorriso ao encarar o amigo que ainda a fitava, incrédulo. Não sabia como ainda era tolo o bastante pra confiar de que Bella não faria nada absurdamente perigoso... como ele acreditara que ela estaria na mesma casa que James e não tentaria tirar dele alguma coisa? – Por que tudo o que me disse pra eu não dizer que fiz foi o que justamente eu fiz.- Bella... – ele começou num tom cansado mas ela o interrompeu, tirando algo da bolsa que carregava.- Não me repreenda, garotão. – ela brincou ao mostrar-lhe o que segurava. E, naquela hora, o queixo de Damon caiu. – Temos James na palma de nossa mão.Por que, seguro entre os dedos de Bella, estava um gravador.
Notas finais
Ooh! Acho que essa única palavra define bem esse capítulo. Não irei fazer mais um daqueles meus imensos textos pós-capítulos deixando então espaço pra que vcs digam o que acharam de cada coisinha que aqui leram.
Contagem regressiva pro fim da fic. Faltam mais 6 capítulos e epílogo, não?
Bjks a todas e comentem! Façam uma autora feliz. =)
Contagem regressiva pro fim da fic. Faltam mais 6 capítulos e epílogo, não?
Bjks a todas e comentem! Façam uma autora feliz. =)
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