Notas iniciais
Notas no final do capítulo. Não me apedrejem antes de lê-la. u.u

“A vida não é um livro; a arte de viver não está descrita em qualquer lugar. Não há erro, não há acerto. Existem apenas as nossas escolhas e as consequências que advém destas tais.”

Quando Damon aproximou-se sorrateiramente dos muros nos fundos do hospital psiquiátrico, logo depois de ter estacionado seu carro alguns quarteirões de distância, muita coisa passou por sua mente. A primeira delas era àquela quase obrigatória; tudo aquilo era uma grande loucura. Mas por mais insana que tal história pudesse parecer à primeira vista – e à segunda e terceira também – Damon não conseguia simplesmente resistir ao impulso de dar o próximo passo. Se ele quisesse lutar contra aquilo, que o tivesse feito quando encontrou Marie pela primeira vez. Por que depois daquilo... ele simplesmente não tivera qualquer escolha.

E também havia o fato de que, se ele tivesse dado as costas pra Marie e simplesmente voltado pra casa, Edward teria morrido. Se Damon não tivesse acreditado em cada palavra que saíra da boca daquela mulher, Edward estaria morto. Certamente que seus amigos e família jamais saberiam o que tinha de fato acontecido com ele. Talvez eles soubessem apenas que Edward desaparecera... aquelas pessoas perigosas que o queria morto certamente não deixariam qualquer vestígio do crime cometido.

Mesmo remoendo o quanto aquilo era loucura, Damon temeu que Marie tivesse se esquecido de que ele estaria nos fundos do hospital à espera de alguém que o deixasse entrar. Afinal, Edward estava lá dentro. E ela finalmente diria tudo o que havia pra ser dito; depois de tudo, Damon queria saber tanto quanto fosse possível.

Enquanto pensava em tais coisas, ele continuou a margear os muros do hospital, esgueirando-se pelas sombras. Depois de dar mais alguns passos, ele finalmente viu um pequeno portão aberto onde um homem uniformizado fumava um cigarro. Por um momento, Damon não soube se precisava se esconder daquele elemento ou se ele era quem o levaria para o interior do hospital, por isso instintivamente escondeu-se atrás do caule de uma árvore mais espessa. Amaldiçoou-se antes de finalmente sair de seu improvisado esconderijo; se o homem se manifestasse ao vê-lo, se aproximaria. Caso não, ele simplesmente continuaria com sua desinteressada caminhada em plena madrugada.

- Damon Salvatore? – pela graça divina, o enfermeiro perguntou quando o viu sair das sombras. Damon respirou fundo e sorriu antes de responder.

- Em carne e osso. – o rapaz sorriu educadamente e fez sinal pra que ele entrasse, fechando o portão assim que Damon o fez.

Se durante o dia aquele lugar zelava pelo silêncio, este quebrado apenas pelos pacientes mais agitados, à noite tal silêncio parecia mais um manto jogado por sobre os ombros de todos os presentes. O que Marie dissera sobre sua estadia ali? Damon se lembrava de ter sido algo como “isso só foi possível graças a um amigo africano, que cercou o lugar com magia antiga”. Que coisa insana... mas, como todas as outras coisas, fazia sentido. Damon podia sentir aquele peso em seus ombros. Aquele silêncio... não, aquilo não era normal.

Nada naquela história era normal. E isso estava começando a assustá-lo de verdade.

- Onde está Edward Cullen? – ele perguntou em um sussurro enquanto atravessava o jardim na companhia do enfermeiro. Automaticamente, seu cérebro fez uma estranha associação entre sua pergunta e um livro que ele lera na infância. Damon teve que morder o lábio inferior com força pra impedir o riso histérico que fazia coçar sua garganta.

Se em dias normais ele não era nada normal, em situações como aquelas Damon Salvatore era tão louco quanto qualquer paciente daquele hospital.

- Está com Marie, eu suponho. – o rapaz respondeu, como se guiar estranhos pela escuridão da propriedade fosse algo comum em sua rotina. Todos ali eram loucos. Enfim, Damon encontrara seu lugar no mundo.

“Não pense bobagens!”, ele se repreendeu ao perceber que estava divagando mais do que o normal. “Quem gostaria de pertencer a um lugar como esse?”

- Recebi ordens de conduzi-lo até os aposentos de Marie. – o rapaz prosseguia em seu cochichar. Damon deixou de lado seus devaneios e prestou maior atenção no que ele dizia. – Existem coisas que ela quer dizer a vocês. E só as dirá quando vocês estiverem juntos.

- Você é Natural também? – Damon perguntou, recebendo um olhar surpreso em resposta.

- Natural? – o rapaz perguntou, parecendo não entender o termo.

- É. – Damon confirmou. – Essas pessoas que tem esses poderes esquisitos.

- Não faço ideia do que você está falando. – ele se riu, voltando sua atenção para o corredor às escuras que ambos percorriam. – Você conhece alguém que tem poderes esquisitos?

- Não. – Damon respondeu, usando de todo seu cinismo. – Mas achei que você, por acaso, conhecesse.

- Por quê? – o rapaz perguntou, novamente surpreso.

“Por que Marie é a mulher mais habilidosa e assustadora do mundo, pertence a uma classe especial de pessoas e está te manipulando. Então eu pensei que você soubesse as armas que ela usa pra tal coisa.”, Damon pensou, mas disse outra coisa.

- Sei lá. – ele deu de ombros. – Viagem minha.

Apesar de a escuridão transformar tudo em sombras ao seu redor, Damon ainda percebeu quando o enfermeiro balançou a cabeça pra ambos os lados. Era evidente que ele achava Damon um tanto quanto maluco.

É... depois de tudo, o maluco ainda era ele. Maravilhoso. Damon não podia pedir coisa melhor.

Alguns passos depois, ambos entraram em um corredor mais iluminado. Ainda era uma quase semiescuridão, mas era um progresso se comparado ao ambiente escuro e assustador de antes; naqueles corredores repletos de portas fechadas, os passos de ambos tinham ecoado semelhantemente àqueles filmes de terror que passavam na TV de madrugada. Damon até mesmo esperara que um espectro aterrorizante ou uma paciente desgrenhada e assustadora saísse por uma daquelas portas e viesse em sua direção com ambos os braços estendidos. Poderia jurar que havia sentido algo roçar em seu colarinho vez ou outra... mas poderia ser apenas o medo. Provavelmente, tinha sido apenas o medo mesmo.

Mas nada tinha agarrado seus pés, nenhuma mão cadavérica se enlaçara em seu pescoço e nenhuma estranha presença se pronunciara do nada. Pela primeira vez desde que aquela loucura toda começara, aquilo se mostrara apenas o que deveria ser: um estranho passeio no escuro.

O silêncio não era mais tão pesado como antes. Por detrás das portas, Damon ouviu vozes humanas abafadas enquanto passava pelo corredor. Ao menos ele esperava que fossem vozes humanas, claro. Vozes humanas que pertenciam a pessoas vivas, era importante ressaltar.

“Nunca mais, nunca, nunca mais aceito percorrer ambientes suspeitos em plena madrugada.”, ele pensava consigo enquanto tentava não sucumbir a irritante vontade de olhar por cima do ombro a cada dois passos. “O que a gente não faz por um amigo? Bem feito pra mim! Quem mandou ser uma pessoa tão boa? Todo mundo sabe que boas pessoas são as primeiras a se ferrar. Como eu queria ser um maldito filho da puta nesse momento...”

- Chegamos. – o enfermeiro interrompeu seu monólogo interno, parando em frente à porta de um dos quartos. Antes que Damon pudesse dizer qualquer coisa, ele levou uma de suas mãos até a madeira da porta e bateu três vezes antes de se afastar pelo corredor. Sem nem mesmo se despedir.

Damon estava parado, sozinho naquele corredor desconhecido, quando alguém abriu a porta pelo lado de dentro. Ele estivera atônito demais pra fazer qualquer coisa; apenas olhava para a esquina do corredor onde o enfermeiro tinha desaparecido.

- Damon Salvatore. – Marie disse em sua voz profunda assim que o viu ali, parado, com cara de tacho. – Alguma coisa o incomoda?

- Aquele cara. – Damon disse, apontando o caminho percorrido pelo enfermeiro. – Quem era aquele cara?

- Apenas um enfermeiro do hospital. – ela explicou e fez um gesto despreocupado ante o olhar confuso de Damon. – Não se preocupe. Ele não se lembrará de nada pela manhã.

- Ah. – ele desdenhou. – Isso explica tudo.

- Entre, por favor. – Marie disse, dando espaço pra que Damon passasse. – Edward precisa ouvir algumas coisa e sua presença é necessária pra que isso seja possível.

Continua...

Notas finais
Bem... por onde começar? Seguindo o óbvio, vamos pelo começo.
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Como leitora, eu sei como é chato ter uma fanfic em hiatus quando você tanto quer saber o final dela (ou, ao menos acompanhá-la enquanto ela prossegue por um longo tempo. Tipo, eternamente u.u), mas, por vezes, não é escolha nossa.
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Não é falta de inspiração, galera; é falta de tempo mesmo. Fora que, há muito tempo, eu estou com essa... falta de vontade de escrever com personagens "Crepusculianos". Não quero que ninguém tome isso como ofensa, mas já se vai longos anos desde que eu li o primeiro livro de Twi, assisti o primeiro filme e entrei no mundo fanfiction. Desde lá, muita coisa aconteceu. Dentre elas, deixei de gostar da Saga depois de ler os demais livros...
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Mas esse não é o motivo central pra eu ter parado essa fanfiction. Claro que influencia, mas nem tanto assim. O caso é que voltei a trabalhar e meu horário é muito doido (levanto praticamente de madrugada e, quando chego em casa, meu corpo só quer sombra e água fresca). Então a fanfic vai ficando pra amanhã... pra depois... e depois... e depois...
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Prometo (e promessa é dívida) que ainda esse ano teremos o gran finale de The Art. Quando eu voltar a postar, terei não apenas o final desse capítulo, mas sim o final da fanfiction; então, postarei ao menos um capítulo por semana até acabar.
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Enquanto isso... me esperem, ok? Vamos terminar essa fanfic assim como começamos; amando e odiando os personagens envolvidos, compreendendo-os e deixando de compreende-los em seus piores e melhores momentos... mas sempre, sempre torcendo pelo melhor final possível pra todos.
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Com essa, me despeço. Agradeço a todos os leitores pelo carinho até aqui e espero encontrá-lo interessados ainda quando eu voltar.
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Abraços à todos. AP
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.