Notas iniciais
A segunda parte do capítulo. Se deliciem com os segredos de Bella finalmente revelados.

"- Bella, você não precisa... Edward começou, mas sentiu a cabeça da garota se sacudir contra seu peito, interrompendo-o.

- Mas eu quero. Não está me obrigando a isso, Edward. Eu simplesmente confio em você. – ela suspirou e deixou-se estar sob as carícias dele, os dedos longos deslizando por seus cabelos castanhos e rosto acalmando-a como só ele sabia fazer. – Eu quero te contar. Tudo.
Mais um tempo de silêncio que Edward respeitou sem interromper, o corpo da garota começando a tremer em seus braços enquanto ela buscava forças pra enfim verbalizar todas as coisas que tinham lhe acontecido. Tudo o que a tinha afastado de sua verdadeira família.
- Nós éramos felizes, sabe? Minha mãe Renée, meu pai Charles, minha irmã mais velha Melissa e eu. Meu pai era policial, chefe de polícia pra dizer bem a verdade, minha mãe morria de ciúmes dele... mas eu sempre a tranqüilizei dizendo a ela que papai era o homem mais sincero que eu conhecia. Eu ainda era tão menina... mas já via a verdade ou a ausência dessa estampada no rosto das pessoas. Minha mãe me admirava por isso... dizia que eu era capaz de fazer coisas mágicas. – ela engoliu em seco, apertando-o mais contra ela. – Ela sempre me apoiava, sabe? Nunca me viu como uma aberração, nunca me viu com maus olhos, sempre me admirou por aquilo que eu era, por aquilo que eu sou. E deve ter sido essa nossa aproximação que acabou por envenenar o coração de Melissa contra mim.
“Eu e Melissa jamais nos demos bem. Brigávamos sempre por qualquer motivo... e isso só se tornou pior depois que minha mãe morreu. Foi tão de repente... um aneurisma e ela já não mais vivia. – Edward sentiu que ela estava chorando, os soluços suaves estremecendo seu delicado corpo encostado ao dele, mas ele não fez menção de se afastar ou de interrompê-la. Bella precisava desabafar. – Então ficamos apenas eu, papai e Melissa. Sei muito bem que um homem como papai jamais teria capacidade pra nos educar sozinho e esse foi um dos motivos pra Melissa ter ficado... daquele jeito. Ela tinha quinze anos quando mamãe morreu, gritou tanto, chorou tanto... não aceitava de jeito nenhum. Eu tinha oito... oito anos. Chorei sim, mas não reclamei minha dor pra ninguém já que via o sofrimento estampado em seus rostos. Guardei minha dor só pra mim enquanto via Melissa se destruir.
“Papai jamais percebeu o que acontecia em casa, sempre fora tão distraído e agora sem a mamãe... ele ficava apenas sentado no sofá depois de mais um dia de trabalho, a TV ligada, uma cerveja na mão, mas os olhos distantes... Eu nunca o vi chorar, mas via o quanto ele sentia a morte de minha mãe. Ele sentia tanta falta dela...
“E a ausência de orientação acabou por destruir Melissa. Eu via com meus olhos de menina minha irmã mentir e enganar meu pai, saindo com as pessoas erradas, fazendo coisas erradas... eu tentei me aproximar, Edward, tentei fazê-la entender que aquelas pessoas não gostavam dela, que elas eram pessoas ruins. Mas ela me bateu tantas vezes por isso... ela simplesmente me chamava de monstrinha, dizia que meus truques só funcionavam com minha mãe e não com ela. Mas eu só queria ajudar, Edward, só ajudar.”
- Eu sei, anjo, eu sei. – Edward sussurrou beijando o topo de sua cabeça.
- Eu não teria contado pra meu pai sobre ela se James não tivesse aparecido. Eu o vi um dia quando voltei da escola, estava esparramado no sofá tomando uma cerveja e, Céus, ele era tão mal! Aqueles olhos... frios, cruéis, maldosos, ali, fixos em mim, zombando da minha inocência e ingenuidade. Na minha casa, na minha sala, assistindo a TV do meu pai, no sofá dele e tomando a cerveja dele. Briguei com Melissa. Disse que ela estava agindo como uma imbecil, que papai não iria gostar de saber que ela estava se envolvendo com um homem mal e que estava deixando que ele entrasse em casa.
“Ela me ameaçou. Disse que me mataria se eu contasse algo sobre James pro papai. E, por medo, eu não contei. Fiquei apenas observando meu pai se afundar em angústia e minha irmã se afundar nas drogas e prostituição. Ali, vendo, ouvindo e percebendo tudo a minha volta, minha casa cheia dos piores elementos possíveis, eu aprendi sobre coisas que nenhuma criança deveria aprender. E foi quando eu soube que James era traficante que eu decidi contar tudo pro meu pai.
“Foi uma noite, a noite do meu aniversário de nove anos. Papai chegou do serviço e pegou a casa arrumada como sempre pois Melissa mascarava suas atividades diurnas em nossa casa, escondendo tudo do papai. Mas eu sabia que aquilo tinha que acabar, tinha que acabar antes que tudo saísse errado, antes que Melissa se encrencasse de verdade. Contei tudo, tudo o que eu sabia, tudo que eu vira e ouvira. Contei tudo mesmo sabendo que meu pai não agüentaria saber que estava sendo um péssimo pai. Só que eu era criança demais pra saber conduzir aquela situação.
“Contei tudo. E acabei por falar demais. Acabei por falar que ele estivera ausente enquanto Melissa fazia o que queria com nossa casa, com sua vida. Mas estava... estava tão sozinha! Eu era tão menina. Tão inexperiente. Não deveria ter falado aquilo.
“Só que eu falei. E meu pai sentiu-se um monstro por não perceber o que se passava dentro de sua própria casa. Por ter permitido que James tomasse conta da vida de sua filha, destruindo-a. Contar-lhe que Melissa se drogava e fazia orgias em nossa casa o destruiu. E foi por isso que ele pegou sua arma e foi atrás de James pra resolver tudo sozinho, com as próprias mãos.
“Melissa estava lá na casa de James em uma festa. Mentira ao meu pai ao dizer que ia estudar na casa de uma amiga e ele acreditara como sempre. E então ela viu tudo. Viu papai chegando, viu quando ele gritou toda sua dor pra James e viu quando ele tentou atirar no cafajeste.
“Mas James não era sozinho como meu pai. Os seus comparsas descarregaram suas armas em meu pai, nem dando chance de defesa a ele. E então meu pai morreu ali, na hora.
- Bella, que coisa horrível! – Edward sentia sua garganta apertada pelo choro ao sentir o corpo da garota se sacudir pelos violentos soluços das lembranças que agora verbalizadas doíam ainda mais. – Não precisa falar mais nada se não quiser, anjo.
- Me deixe terminar, Edward. Você precisa saber... eu preciso que você saiba. – Bella suspirou pra controlar seu choro, seus dedos apertando a camisa de Edward tão forte que ela os sentia até meio adormecidos. – Melissa foi aos gritos pro hospital. Foram me buscar em casa depois de constatar que nada podiam fazer pelo meu pai... foi horrível. – ela engoliu em seco. – Melissa gritou coisas horríveis pra mim. Coisas que ninguém deveria ouvir.
- Mas você não devia nada a ninguém, Bella. Sabe disso, não sabe? Sabe que não deve se cobrar por uma maturidade que não poderia ter já que era tão jovem... considerando tudo o que aconteceu, até que você conduziu bem. – Edward ia falando e passando seus dedos pelas mechas castanhas dos cabelos sedosos, sentindo-a molhar sua camisa com suas lágrimas.
- Não sei, Edward. Não sei se me culpo. A verdade é que... é que eu remôo isso todos os dias desde então. Por que foi naquela noite que Melissa se suicidou, acabou com sua vida horas depois de ter-me dito palavras tão terríveis. – Edward estava chocado demais pra dizer qualquer coisa. – Eu queria que tivesse sido diferente, queria que eu fosse mais madura, madura o suficiente pra conseguir resgatar minha irmã, reanimar meu pai... mas eu não era. Eu era apenas uma criança, sofrendo tanto quanto eles sofriam. Até mais do que eles, talvez. Por que... eu sofria o meu pesar e o pesar deles.
- Bella, meu anjo. – Edward sussurrou enfim puxando o rosto de Bella, marcado e vermelho pelas lágrimas sofridas, pra encará-lo, seus dedos secando as lágrimas que escorriam por ele enquanto a olhava nos olhos. – Você é incrível. Olha quanta coisa boa você fez, anjo! Quanta gente ajudou! E depois que puder trabalhar ao nosso lado, na agência, ajudará muito mais.
- Eu sei, Edward. Ter salvo Rosalie naquele dia significou muito pra mim. Foi como ter salvo Melissa, nove anos depois de sua morte. E é por isso que quero ajudar Eric. Quero tirá-lo de lá antes que... antes que toda aquela... escuridão o consuma. – ela sussurrou fazendo o cenho de Edward se franzir.
- Escuridão? Do que está falando? – ele perguntou confuso. Desde que ela viera com aquela conversa de “sentir” quando estavam na penitenciária que ele a estava achando tão estranha. O que ela queria dizer com aquilo?
- Nada. É... coisa da minha cabeça. – ela deu um riso triste e mais uma vez se aconchegou nos braços protetores de Edward. – Só me abrace, Edward. E me faça acreditar que as pessoas que amo nunca mais vão se machucar sem que eu as possa ajudar.
- Eu prometo, anjo. Prometo que juntos nunca deixaremos que isso aconteça. – Edward apertou-a junto a si e descansou seu rosto contra o cabelo perfumado. – Prometo que jamais deixarei que te machuquem.
Bella se apertou mais junto a ele e fechou os olhos, ciente de que o estaria machucando em breve. Mas ela tinha que fazer isso. Ela tinha que libertar Eric. Mesmo que isso colocasse em risco sua própria vida.

Notas finais
Quem foi que se emocionou com o drama dela? Bem, não sei vocês, mas eu sim.
Verdade é que muitas leitoras pensaram que a pessoa que gritou horrores pra Bella em suas lembranças dos primeiros capítulos havia sido sua mãe (justamente por que eu coloquei só a letra M como fala de Bella hohohoho) mas era Melissa, sua falecida irmã mais velha.
Então fiquem atentas. Nada é o que parece ser...
Logo tem mais capítulo. Estamos à 4 capítulos pro final da fic. Bjks! E comentem!