Notas iniciais
Mais duas recomendações em mãos, mais um capítulo pra vocês.
Mais uma nota final gigantesca, não se esqueçam de ler. ok?

“Mentir ou ocultar... o resultado é sempre o mesmo.”

Bella suspirou profundamente ao descer do ônibus escolar e ajeitar a mochila em seu ombro, voltando então a caminhar de volta pra casa. Sorriu ao pensar na ironia que era sua vida: dias atrás estivera absurdamente ansiosa pra que fizesse logo seus dezoito anos e então pudesse sumir daquela casa estranha onde Susy a tratava com agressividade e antipatia e John guardava aquele seu ar misterioso.

E agora lá estava ela voltando pra casa que jurara jamais voltar depois de dezoito anos completos. E o mais bizarro de tudo é que não se importava com isso, não mesmo.

Usou sua cópia de chave e abriu a porta da frente, trancando-a ao passar. Quando se virou pra atravessar o hall, viu que Susy vinha descendo as escadas, seus olhos claros fixos em Bella que acabara de entrar.

- Oh, você já chegou. – ela disse de forma bem casual com um sorriso pálido nos lábios. – Como foi seu dia?

- Foi bem, obrigada. – Bella disse pouco à vontade, as mãos nos bolsos do casaco enquanto percebia os olhos de Susy evitarem os seus. – E o seu?

- Sem grandes emoções. – a mulher deu de ombros. – Dona de casa, você sabe...

- É, eu sei. – Bella sorriu com sinceridade e Susy retribuiu o sorriso, a garota subindo então as escadas enquanto Susy ia em direção à cozinha.

Sei que você, caro leitor, mais uma vez deve estar pensando que a escritora boiou legal, mas compreenderá tudo o que mudou já que Bella recordava agora, enquanto se dirigia ao seu banheiro pra tomar um relaxante banho, tudo o que acontecera naquela noite no quarto do hospital enquanto ela fazia companhia a Edward.

O rapaz se deitara em um pequeno sofá de dois lugares que descansava em um canto do quarto, sua cabeça de cabelos acobreados descansando no colo de Bella que os acariciava, deleitando-se com o rosto perfeito e sereno que ressonava diante dela. A tragédia os aproximara e muito, não estavam mais naquele jogo de sedução: sabiam que estavam apaixonados e isso era indiscutível.

Sabia que ele deveria estar desconfortável naquele sofá pequeno, suas pernas longas estavam quase que completamente fora do sofá, mas ela via no rosto, cheio de pequenas marcas de amargura pelo que acontecera, também a felicidade e contentamento por ela estar ali, acarinhando seus cabelos. E isso enchia o coração da garota de uma alegria que ela jamais imaginara que fosse provar.

Foi por isso que se assustou quando os lábios dele se mexeram e sua voz grave soou, tirando-a do transe que a observação da perfeição que ele era a colocara.

- Eu acho que você deveria continuar a morar com John. – ele disse ainda de olhos fechados, deixando-a boquiaberta por um instante.

- E... e por que você acha isso? – ela perguntara em uma voz lenta e cuidadosa.

- Você ainda não tem emprego, Bella. – ele disse ainda sem abrir os olhos, um longo suspiro escapando por seus lábios. – E lá você estará segura.

- Segura? – ela bufou, incrédula. – Não tenho tanta certeza.

- Você acha que John irá lhe fazer algum mal? Que Suzy vai lhe fazer algo além de te ofender e afrontar a cada oportunidade? – ele prosseguiu. – Eu ainda acho que lá você estará segura.

Bella desviou seus olhos do rosto do rapaz pra observar Rosalie que ressonava no leito do hospital, apesar de ter relaxado e permitido que as enfermeiras lhe dessem uma dose de calmantes, o sofrimento pelo qual a moça passara estava escrito em cada linha de seu rosto.

Edward tinha medo que algo desse gênero acontecesse com Bella. Ele acreditava realmente que na casa de John ela estaria mais segura do que morando em qualquer lugar por aí sozinha.

Quando voltou a olhar pro rapaz, ele estava de olhos abertos, analisando-a. A mão enorme e macia veio até seu rosto e deslizou por sua pele, fazendo-a fechar os olhos pra curtir as caricias que tanto lhe faziam bem.

- Eu só te quero segura, pequena. – ele sussurrara enquanto sua mão prosseguia com as carícias. – Se eu pudesse, te levava pra minha casa, mas agora...

- Eu entendo. – ela sussurrara ao pegar a mão que a acariciava e apertar contra seu rosto, seus olhos se abrindo e se encontrando com os dele. – Eu também não quereria ir morar contigo e você sabe bem o por que.

- É, eu sei. – ele sorrira de leve. – Aos poucos, né?

- É, Edward. – ela beijara suavemente a testa do rapaz e se encostara a ele, seu nariz inalando o perfume tão delicioso de seus cabelos acobreados, os dois abraçados naquela posição estranha, mas tão confortável a ambos. – Tem que ser aos poucos.

- Conquiste Susy. – ele dissera enquanto deslizava seus dedos em carícias leves como o bater de asas de borboletas pelos braços da garota. – Conquiste Susy aos poucos... você sabe como.

E foi por isso que, quando Damon passou no hospital pra levar Bella pra casa, ela pediu a ele pra que parassem em uma floricultura. Olhando as diversas flores espalhadas por ali, ela pensou em Susy, em seu jeito inseguro, carente e reservado, tão na defensiva quando se tratava de alguém a conhecendo profundamente. E foi por isso que ela pediu a florista que fizesse um arranjo de flores bem especial, simples, mas a cara de Susy.

Damon não lhe perguntou nada, apenas deu-lhe um sorriso de compreensão e, Bella percebeu logo, orgulho. Ela sabia que estava amadurecendo, não tinha como não perceber. A Bella de hoje nem se comparava àquela Bella de dias atrás, arredia, agressiva e reprimida.

Chegou à casa dos Williams no sábado pela manhã, já que tinha passado à noite com Edward no hospital. Despediu-se de Damon brevemente e entrou na casa, indo diretamente pro cômodo onde sabia que Susy estava.

Encontrou-a batendo um bolo de costas pra porta, entretida com seu trabalho em cima do balcão. Seu coração batia forte em seu peito e por um momento ficou indecisa quanto ao que ela iria dizer.

Ela estava mesmo certa quando dissera a Edward que quando o problema era com você as chances de saber por onde começar e como resolver eram muito menores.

Pigarreou e isso fez com que Susy parasse de bater a massa e se voltasse lentamente pra porta, seu corpo todo tenso, de repente.

- Er... – Bella desviou seu olhar quando os olhos claros da mulher se fixaram nela. – Eu queria pedir desculpas. – disse de uma vez ainda sem olhar pra ela.

- Desculpas? – a mulher disse em uma voz lenta e pouco interessada.

- Sei que começamos com o pé esquerdo. Você... você estava no seu direito, sou uma estranha em sua casa e minha má fama me precede. – ela suspirou enfim erguendo seus olhos e encarando os olhos surpresos de Susy que agora parecia estar interessada naquilo que a garota dizia. – Sei que sou... difícil de lidar às vezes. Estou aprendendo ainda a lidar com as pessoas e queria... queria que você me perdoasse pela minha falta de bom senso e... por eu ter te agredido daquela forma horrível.

- Eu... – Susy começou a dizer, mas Bella ergueu uma mão pra calá-la, só então entrando totalmente no campo de visão dela que logo focalizou a mão direita da garota que carregava o arranjo de flores. Bella viu a surpresa nos olhos da mulher e soube que acertara em cheio na escolha das flores.

- Não precisa me dizer nada agora. – ela disse se aproximando de Susy, parando a dois ou três passos dela. – Pense no que eu disse. John quer que eu fique aqui até encontrar meu próprio caminho e eu quero muito ficar aqui. Se você quiser, posso me fazer de invisível, você nem vai perceber que eu estou por aqui. Mas eu... eu gostaria de viver bem com vocês. – ergueu o arranjo de flores em direção a Susy que estava surpresa demais pra dizer qualquer coisa. – Espero que eu tenha acertado na escolha das flores.

- Foi... foi você quem escolheu? – ela perguntou num fio de voz ao pegar as flores com dedos trêmulos.

- Foi. – Bella deu um pálido sorriso e deu de ombros, os olhos agora baixos. – Eu pensei... pensei que você às vezes se sente como um lírio: delicado, um simples adorno ao lado de Paul que você enxerga como um girassol. Mas veja – ela apontou pro arranjo de flores que agora estava entre os dedos trêmulos de Susy. – O que seria da beleza e graciosidade do girassol se não fosse o toque delicado e feminino dos lírios à sua volta? Bem, eu não vejo graça em um girassol sozinho. – deu de ombros mais uma vez e se virou, voltando por onde viera. — Bom... vou pro meu quarto.

Estava já alcançando o segundo lance de escadas quando o vulto rápido de Susy surgiu ao pé da escada.

- Bella! – ela chamou com a respiração ofegante.

- Sim? – Bella respondeu de pronto, virando-se pra encarar a mulher confusa que parara no primeiro degrau. Agora ela parecia ter se arrependido de ter tomado a iniciativa de vir atrás da garota.

- Hum... – a mente dela trabalhava freneticamente pra encontrar um motivo, pois o seu verdadeiro ela ainda não estava pronta pra dizer. – Sua amiga... ela está bem? – ela finalmente perguntou.

- Está, está sim. Foi só um susto, graças a Deus. – Bella disse com um sorriso amigável no rosto. Tudo com muita delicadeza.

- John me disse... John me disse que foi graças a você que... que a coisa não foi mais grave. – Susy comentou desviando os olhos e engolindo em seco, as mãos brincando com as flores do arranjo que ela segurava.

- Digamos que eu esteja amadurecendo com a ajuda de pessoas queridas. – Bella comentou com um sorriso ainda maior.

- Ah. – Susy apenas disse, os olhos ainda nas flores. Bella recomeçou a subir as escadas, mas a voz de Susy a fez parar novamente. – Você sabe como... como eu faço pra mantê-las vivas por mais tempo?

- Água gelada e muito gelo em um belo vaso. – Bella respondeu, subindo os últimos degraus e parando no topo deles, não mais vendo Susy, mas sabendo que ela estava parada no mesmo lugar. – Coloque em cima da geladeira, a cozinha é onde você mais fica e então alegrará seu dia.

Como o silêncio da mulher persistiu, Bella prosseguiu até entrar em seu quarto. Depois desse dia, o assunto do pedido de desculpas nunca mais foi tocado, mas Susy passou a chamar Bella pra hora das refeições, os três almoçando e jantando juntos desde aquele sábado.

Era certo que as palavras de Susy para com ela eram limitadas, mas Bella via por trás dos olhos da mulher a vontade de lhe dizer que também sentia muito... mas aquele seu jeito de sempre estar na defensiva a impedia de dar uma abertura tão grande.

Bella sorriu abertamente enquanto enxugava seus cabelos castanhos e se olhava no espelho de seu banheiro. Estava gostando das mudanças pelas quais estava passando. Durante muito tempo ela tivera medo de ser quem na verdade era, durante muito tempo ela deixara de fazer o que gostava, de se socializar, de ter amigos por medo, por puro medo de se decepcionar, de ferir alguém.

“Mas é melhor você se arrepender de algo que tenha feito do que se arrepender de não ter feito. Pois o arrependimento é maior quando você tem certeza de que foi covarde.”

As palavras de Edward ecoavam em sua cabeça. Edward... ela suspirou enquanto admirava sua imagem vestida refletida no espelho. Ele ainda não vira as mudanças que as roupas de Alice e as palavras de Damon tinham feito nela. E algo lhe dizia que ele iria gostar.

- Bella? – uma voz abafada e indecisa chamou-a detrás da porta de seu quarto.

- Um minuto. – ela gritou enquanto pendurava a toalha e saía do banheiro, indo abrir a porta. Deu de cara com uma Susy muito pouco à vontade. – Sim?

- Eu... – ela engoliu em seco e olhou pro outro lado do corredor, como se estivesse arrependida de ter decidido fazer o que iria fazer. – Eu estou fazendo o jantar e... eu pensei que...

- Adoraria te ajudar. – Bella disse com um sorriso amigável e viu o alívio nos olhos de Susy quando ela voltou seus olhos até os olhos de Bella, surpresa com as palavras da garota.

- Não que isso seja uma regra ou coisa e tal, é só uma opção... – Susy começou a dizer rapidamente, mas mais uma vez Bella a interrompeu, dessa vez com um gesto, fechando a porta do quarto atrás de si.

- Eu sei que não sou obrigada nem nada do gênero. – ela disse parando em frente a Susy, dando de ombros. – É que faz um tempo que não cozinho, então você vai ter que ter um pouco de paciência...

- Isso não será problema. – Susy disse com um pequeno riso ainda indeciso no rosto quando ambas desceram as escadas, dirigindo-se pra cozinha.

- O que você estava fazendo? – Bella perguntou, espiando as panelas que fumegavam no fogão.

- Pensei em fazer um strogonoff de carne, arroz branco e uma salada, nada muito complexo. – Susy deu de ombros pegando seu avental e passando um pra Bella. – Nesse momento só temos água fervendo, então teremos que começar do zero.

- Ótimo, pois eu nem me lembro de como se ferve água. – Bella revirou os olhos arrancando um risinho de Susy. – O que quer que eu faça?

- Poderia picar essa carne em pequenos pedaços? – Susy apontou pra um pedaço de carne que jazia em cima de uma tábua, sobre o balcão. – Quero dizer, se faca não for um problema.

- Pode deixar, não vou me matar nem nada. – Bella riu ao pegar a faca e começar a fatiar a carne.

- Falando em matar, sei que essa comparação é até meio maldosa... – Susy mexia na pia onde lavava o arroz, de costas pra Bella. – Achei incrível o que você fez por aquela garota. A sua amiga, eu quero dizer.

- Eu sei de quem você está falando. – Bella disse, exultante por ver que Susy enfim dizia o que ela quisera lhe dizer por todos aqueles dias. Enfim ela estava deixando a barreira que ela mesma traçara entre as duas ceder. – Não foi nada de espetacular. Fiz o que qualquer um no meu lugar faria.

- São poucos os que podem fazer o que você faz. – Susy lembrou vindo até Bella pra pegar os temperos que ela guardava em potes suspensos em um suporte fixo na parede.

- Mas são muitos os que ajudariam uma alma ferida, munidos ou não da sensibilidade que eu possuo. – Bella disse calmamente sabendo que essas palavras iam comichar na cabeça de Susy. Ela tivera uma má primeira impressão da garota, sua natureza arredia a impedira de constatar por si mesma se os boatos que ela ouvira eram mesmo verdadeiros, e agora lutava contra o próprio orgulho pra admitir a si mesma que estivera errada durante todo aquele tempo.

- Você sempre foi assim, Bella? – ela perguntou voltando a mexer com o arroz. – Quero dizer, sempre soube fazer... essas coisas?

- Bom, eu sempre fui diferente. – Bella disse enquanto se concentrava na carne que fatiava em pequenos pedaços. – Desde muito pequena, desde a época em que estão minhas primeiras lembranças eu já sabia ver além das palavras. Eu sabia quando minha mãe estava triste, quando estava alegre, quando estava zangada, quando estava angustiada... ela dizia que eu era uma menina sensível.

- E com o tempo essa sensibilidade foi aumentando? – Susy perguntou, visivelmente interessada no assunto.

- É. – Bella disse de forma relutante. Não se sentia bem em falar de coisas que haviam passado... – Eu sempre fui muito observadora, sempre quis saber quando ou por que uma pessoa mentia e uma boa memória me ajudou a gravar minhas experiências em larga escala. Aprendi a associar as informações que eu possuía, aprendi a apenas ver quando as sensações e sentimentos passavam dentro de uma pessoa simplesmente pelo fato de que o corpo reagia involuntariamente a elas. Aprendi a ver que essas reações nunca variavam, claro que existe mais de uma reação pra cada sentimento ou emoção, mas eu aprendi muito depressa o tipo delas e o padrão também. – Bella deu de ombros. – É algo difícil de pôr em palavras.

- Bem, é complexo de entender. – Susy riu vindo postar-se ao seu lado. – Está fazendo um bom trabalho aí. – apontou pros pedaços de carne.

- Obrigada. – Bela riu continuando a cortar o que ainda restava. Um pequeno momento de silêncio em que Susy ficou parada ao lado de Bella, apenas observando-a enquanto o cheiro do arroz recém refogado enchia a cozinha.

- Você pode me dizer o que eu estou sentindo agora? – ela perguntou de repente em uma voz tão baixa que se Bella não estivesse tão próxima dela não a teria ouvido. A garota levantou seus olhos um breve momento e olhou diretamente no rosto de Susy que tentou não desviar os olhos.

- Você quer mesmo saber? – Bella perguntou voltando ao seu trabalho.

- Sim... por favor. Eu... quero entender. – Susy disse mais uma vez naquele fio de voz.

- Ok. – Bella suspirou. – Você tem medo, Susy. Nesse momento você tem muito medo, por que está sentindo-se vulnerável. Não faz parte de sua natureza admitir seus próprios erros e você sofre com isso por que se considera uma boa pessoa, alguém que não folga com a injustiça. E é por isso que está com medo de mim e do que eu posso saber, pois por mais que saiba que foi injusta comigo desde o começo, não conseguiria ter agido de modo diferente por que você é muito arredia. Tem medo que eu te compreenda por que nem mesmo você se compreende. – Bella riu de leve. – E está com vergonha de me pedir pra demonstrar o que eu posso fazer.

- Você sabe de tudo isso só de olhar pro meu rosto? – Susy se admirou.

- É claro que não. – Bella riu olhando pra mulher meio de lado. – Nossas emoções não passam apenas pelo nosso rosto, Susy, mas sim por nosso corpo todo. Eu convivo com você então posso te dizer que o que acabei de dizer foi deduzido depois de muito te observar. Sei que você não é uma má pessoa e que nunca quis meu mal propriamente dizendo, só estava protegendo aquilo que você ama: seu casamento e sua privacidade. – Bella deu de ombros. – Não te culpo por isso.

- Você é muito diferente do que eu imaginava, Bella. – Susy disse ainda em uma voz muito baixa. – Desculpe o julgamento errado que fiz de você.

- Não se desculpe. – Bella colocou os últimos pedaços de carne cortada em uma tigela e ergueu-a até as mãos de Susy, olhando-a nos olhos. – Nós duas erramos, mas somos humanas então... comecemos do zero, ok?

- OK. – ela riu mais a vontade dessa vez. – Sabe... você é incrível com essas coisas de ler as pessoas.

- Obrigada. – Bella riu. – O que posso fazer além disso?

- Corte esses tomates e pepinos pra salada, por favor. – Susy pediu apontando pra pia. Bella foi postar-se em frente a ela e começou a trabalhar na salada. – Sua mãe deveria ter muito orgulho de você.

- Ai! – Bella gemeu quando a faca passou direto do tomate e deslizou por seu dedo, abrindo um pequeno corte.

- Ei, você está bem? – Susy veio correndo do fogão pra perto dela, tentando ver o corte,

- Não, não, estou ok. – Bella deu um riso muito pálido enquanto segurava o dedo contra o avental. – Muito tempo longe da cozinha.

Esse pequeno inconveniente passou, mas Susy logo percebeu que não deveria perguntar a garota mais coisas sobre seu passado, pois até um cego veria que aquilo deixava Bella pouco a vontade.

O tempo em que ficaram na cozinha aprontado o jantar passou de forma bem agradável, Bella percebendo que Edward tinha razão em dizer-lhe que ela poderia conquistar Susy e que ela saberia muito bem como fazer isso quando viu o riso sincero da mulher quando ambas desligaram o fogo que fazia o strogonoff borbulhar.

- Fico realmente feliz que você tenha ouvido John quando ele disse que era melhor você ficar aqui até se formar e ter condições de se virar sozinha. – Susy deu de ombros, uma sombra de tristeza passando por seu rosto. – Nunca pudemos ter filhos, mas nunca tivemos coragem de adotar então... bem, quando tivemos a coragem de procurar por uma criança, ele quis adotar você.

- E você... sabe por que? – Bella perguntou como quem não queria nada.

- Ah, minha cara. – Susy riu ao dar as costas pra Bella, visivelmente tentando esconder a verdade. – Isso ainda é segredo e nem mesmo você será capaz de adivinhar.

Bella bufou indignada. Ela sabia que não era adivinha, ela só sabia ler expressões e coisas desse tipo, nunca nem se aproximaria da verdade se ninguém lhe desse uma pista.

A garota nunca tinha visto John mais feliz do que naquele dia quando ele chegou do trabalho e viu ambas sentadas na mesa da cozinha, conversando alegremente enquanto o esperavam chegar. Por um momento, ali jantando com os dois, Bella sentiu-se parte de uma família, uma família meio estranha, claro, mas ainda assim importante pra ela que sempre fora tão sozinha.

Só quando já tinham terminado de jantar e sentiam o cansaço do longo dia abater seus corpos alimentados e aquecidos, foi que ela se lembrou de um detalhe muito importante, um detalhe que ela deixara passar pois tivera tanta coisa pra pensar desde que tinha sido adotada que acabara por passar despercebido.

- John... – ela começou lentamente, sua testa franzida enquanto o homem a encarava de forma bondosa, mas um leve ar de suspeita passando por seu rosto. – Em que mesmo você trabalha?

- Ah, coisa chata, Bella. – ele deu de ombros desviando seus olhos dos da garota. – Sou uma espécie bem chata de empresário.

- Oh. – Bella disse pouco convencida, vendo no rosto de John e de Susy praticamente escrita a palavra “mentira”.

Mas ela estava satisfeita demais pra começar com um interrogatório, por isso deu boa noite aos dois e subiu as escadas, pensando em ler algo e dormir, pois no outro dia teria aula novamente.

Só que, ao abrir a porta de seu quarto e ver a silhueta tão atraente de Edward estendida sobre sua colcha, um sorriso travesso em seus lábios assim que a viu, ela soube que tinha coisas muito mais interessantes pra serem feitas.

Tipo terminar um assunto que tinham começado na cozinha da antiga casa de Alice.

Notas finais
Dessa vez foram lilicullen e jaackloost que recomendaram a história. Fiquei tão feliz com os elogios, é sério! A Lili só exclamou a recomendação inteira, sabe, eram duas palavras e um ponto de exclamação... sinal de que ela gosta mesmo da história.

Já a Jaack... cara, quase chorei com sua recomendação! Sério, saber que, mesmo que eu não mereça, vc compara minha história com a do grande mestre Dan Brown... meu, me senti!

Dessa vez tive um tempo então responderei aos reviews. Deêm uma olhada lá, ok?

Quem ainda não recomendou, recomende. Faça uma autora feliz!

Bjks e até a próxima. (Não me matem por ter parado justamente aí hehehehehehe)