The Art Of The Lie - 1, 2 e 3 (hiatus)
2 CAPÍTULO 01
Notas iniciais
E não se afobem: tudo será esclarecido em seu devido tempo.
"Verdades não foram feitas pra serem contadas. Foram feitas pra serem compreendidas."
"Eu acho respostas que não são claras / Queria achar um jeito de desaparecer / Todos esses pensamentos não fazem sentido / Eu encontrei felicidade na ignorância / Nada parece acabar / Tudo novamente."
Bella riu com as palavras da canção. Mike Shinoda tinha razão: apenas os ignorantes eram felizes.
Fato.
Não tinha como ser feliz sabendo das coisas. Não era uma coisa que se escolhia, ela mesma não tinha escolha sobre o que saber e o que não saber: ela apenas sabia.
Um olhar vale mais do que mil palavras... esse era o lema constante de Isabella Swan.
Andava pelo corredor principal da escola sem se incomodar com as rodinhas de alunos, tão excitados pela morte da professora. Bella não quis olhar diretamente pra ninguém, apenas agradeceu aos céus pela morte da mulher: assim ninguém mais vinha lhe encher o saco com futilidades, querendo formar falsas amizades.
Não que fosse cruel, apenas não se importava com a morte de pessoas que não conhecia.
Oh, que pena, ela morreu. Mas todos os dias as pessoas morrem, não é mesmo?
Um movimento a sua frente e três garotas surgiram na esquina de um dos corredores, barrando seu caminho. Bella olhou de uma a outra e tirou um dos fones quando percebeu que queriam falar com ela.
- Oi, eu sou Jéssica. Essa é Lureen e essa é Ângela. — a do meio, uma ruiva, sorriu apontando pra sua direita onde uma loira também soriiu e depois pra sua esquerda onde a morena continuou com a expressão neutra de antes, então estendendo a mão em sua direção. — Você é Bella, certo?
- Sim. — Bella torceu os lábios com uma expressão de puro desdém e o sorriso de Jéssica vacilou quando viu que a morena não apertaria sua mão. — E daí?
- Só estava tentando ser simpática. — ela disse com voz seca, sua expressão endurecendo.
- Oh, faça-me o favor! — Bella riu. — Pra que o teatro? Era só chegar e me dizer "Ei, meu nome é Jéssica. É verdade que esteve em quinze lares de adoção diferentes? Oh, é claro, ia me esquecendo! Quer ser meu capacho assim como Lureen e Ângela?". Nos pouparia muito tempo, não acha?
- Qual é o seu problema? — Jéssica se enfureceu e suas duas amigas olhavam dela pra Bella sem saber o que fazer.
- Eu tenho um problema, mas você também tem. — Bella lançou um rápido olhar as outras duas garotas. — Suas duas amigas te desprezam e só andam contigo por que seu pai é o diretor, obtendo com isso certos privilégios. E Lureen dormiu com seu namorado.
- Como sabe que meu pai... — Jéssica estava transtornada. — E que história é essa? Lureen é minha amiga!
- Pergunte a ela se estou mentindo. — Bella deu de ombros.
- O que... — Jéssica olhou pra loira que tinha uma expressão horrorizada. — Isso é verdade? — a voz de Jéssica era um sussurro furioso.
- Não! É claro que não é verdade! — Lureen gaguejou surpresa. — Ela é maluca!
- Está mentindo. — Bella pôs as mãos nos bolsos, olhando pra morena. — Se eu fosse você, me afastaria dessas duas. Se quiser, continue a fazer os trabalhos escolares de ambas e lucrando com isso, mas não precisa estar com elas pra ser vista pelos outros. — Ângela a encarava boquiaberta. — Não compensa.
- Você andou nos espionando! — Jéssica acusou, visivelmente furiosa. — Meu pai vai saber disso.
- Sabe o que ele deveria saber? — Bella olhou teatralmente ao redor e colocou a mão na boca, sussurrando, como se estivesse contando um segredo. — Que você fuma um baseado pela manhã, todos os dias.
- Ora, sua... — Jéssica ergueu a mão pra esbofetear Bella, mas essa foi mais rápida e segurou o pulso da ruiva, fuzilando-a com os olhos.
- Não faria isso, se fosse você. — ela sussurrou apertando dolorosamente o pulso que tinha na mão.
- O que está acontecendo aqui? — uma voz conhecida soou às costas de Bella, fazendo-a soltar o pulso de Jéssica.
- A novata está causando problemas. — Lureen acusou apontando pra Bella que se virou deparando-se com Alice e um homem realmente interessante. Bella olhou-o de alto a baixo, depois desviou o olhar novamente pra baixinha que conhecera no ônibus há pouco. Não precisava encará-lo pra saber que ele tinha mais de 1,80m, cabelos acobreados em um tom pouco comum, olhos verdes que a fitavam mesmo agora que ela não mais o olhava, os traços do rosto delicados mas bem másculos e atraentes. E sabia se vestir muito bem, estando em torno de trinta anos.
- Ela está nos importunando. — Jéssica disse por entredentes fitando Bella com raiva.
- Não é verdade. — todos se surpreenderam com a fala de Ângela e a encararam, ela corando imensamente e baixando os olhos. Bella, que não estava cogitando se defender e ia colocar o fone de volta ao ouvido, virou-se pra ela com um sorriso nos lábios.
- O que disse? — a voz de Jéssica tremeu em sua incredulidade.
- Você sabe que... não é verdade. — Ângela sussurrou ainda de olhos baixos.
- Ok. — Alice retomou a fala antes que Jéssica explodisse em sua fúria. — Você sabe o que seu pai acharia de tudo isso, não, Jéssica?
- Já estava de saída. — a ruiva sussurrou, fulminando Bella com um último olhar. Esta apenas ergueu a mão, agitando os dedos em um mudo e sorridente gesto de adeus. — Vamos, meninas.
- Não ligue pra elas, Bella. — Alice suspirou olhando pras costas das três garotas que se afastavam pelo corredor. — São encrenca na certa. — sorriu pra morena. — Mas não se preocupe, se precisar de algo...
- É só chamar um monitor de corredor, ou seja, você. — Bella sorriu lançando um desejoso olhar pro corredor a sua frente, querendo que Alice e o misterioso rapaz, que a encarava abertamente, a deixassem prosseguir até sua aula de História.
- Eu te disse que era monitora de corredor? — Alice se espantou.
- Não, não disse. — o homem sorriu de forma significativa fazendo Bella olhá-lo de frente. — Mas ela adivinhou.
- Como assim? — Alice estava visivelmente confusa.
- Sua postura, a forma como Jéssica titubeou quando falou com ela. Vários sinais apontavam que você é uma autoridade ainda maior do que a filha do diretor. — ele deu de ombros, os olhos fixos nos olhos castanhos de Bella que o olhava fixamente também, surpresa com tudo o que ele dissera. — Só estou surpreso em como ela fez isso.
- Quem é você? — Bella perguntou, erguendo uma sobrancelha.
- Por que você não diz? — ele ergueu uma das sobrancelhas.
- E por que eu faria isso? — Bella torceu os lábios.
- Vamos, não será nenhum sacrifício pra você. — ele sorriu abertamente, mostrando dentes muito brancos e uniformes.
- Ela não te conhece. — Alice revirou os olhos. — E tenho certeza de que não é vidente. Não poderia...
- Você é Edward, irmão de Alice. — Bella disse de uma vez deixando a beixinha boquiaberta. Edward apenas sorriu.
- Conversou com Alice no ônibus, não? — Edward perguntou inclinando ligeiramente a cabeça ao observar Bella.
- Sim. E ela mencionou seu nome. — Bella tirou um chiclé do bolso e colocou na boca enquanto Alice a olhava como se ela fosse de outro planeta.
- Mas não disse que ele era meu irmão! — sussurrou observando a morena mastigar seu chiclé, os olhos fixos no fim do corredor.
- E nem precisava. — Edward disse fazendo a irmã olhar pra ele. — Ela percebeu apenas por sua expressão que eu era seu irmão, e ainda o irmão mais velho.
- Mas como ela poderia... — Alice estava abismada. — Mas como ela poderia saber que você era o Edward.
- Eu estou muito próximo de você. — Edward explicou fazendo os olhos de Bella se voltarem a ele, curiosos. — Menos de trinta centímetros entre nossos corpos, mas não demonstramos interesses sexuais um pelo outro em nossa linguagem corporal. E eu tampouco poderia ser seu pai, sou muito novo pra isso.
- Mas poderia ser meu tio, primo... — Alice ainda tentou, mas Bella a interrompeu.
- Não, não poderia. — Edward riu e ela suspirou com o olhar de Alice sobre si. — A postura dele. É fraternal.
- Mas como você faz isso? — Alice estava estupefata.
- Exatamente o que eu quero saber. — o sorriso tinha sumido dos lábios de Edward e ele a analisava atentamente. — Quantos anos tem?
- Dezessete. — ela respondeu voltando a olhar pro fim do corredor. — Faço dezoito daqui a dois dias.
- E assim poderá ir embora de casa e viver sua vida como sempre quis, sem precisar de ninguém. Ninguém em casa pra reclamar de seu dom tão peculiar. — Edward completou fazendo os ombros de Bella se contraírem, a garota parando de respirar por um momento. — Estou certo?
- Acho que isso não é da sua conta, Sr. Cullen. — ela virou-se pra olhá-lo com frieza.
- Adoraria que trabalhasse comigo. — ele disse sem rodeio algum. — Poderia me ajudar a descobrir quem matou a professora...
- Isso não é da minha conta. — ela atalhou, sem paciência. — E não é do meu interesse. Até mais.
E se afastou pelo corredor sem lançar segundo olhar a qualquer um dos dois. Edward encarou as costas dela até que esta desaparecesse na esquina de outro corredor.
- Sabe qual será a primeira aula dela, não sabe? — ele perguntou a irmã ainda com os olhos fixos no ponto em que a garota desaparecera.
- Sim, eu sei. — ela riu nervosamente. — Eu sempre sei. É a mesma que a minha, História.
- Alice, Bella será a primeira aluna que eu enterrogarei. Depois disso, é com você. — ele disse voltando a olhar pra garota, os olhos intensos. — Convença-a.
Notas finais
Será que ela vai aceitar trabalhar com ele? E como será que ela faz o que faz?
Só esperando pelo próximo!
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Bjks!
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