Notas iniciais
Desculpem não ter postado, mas eu precisava pensar um pouco. Eu decidi que iria postar todo Domingo e Quinta. Se eu não postasse antes das 22 horas não vai ter e eu posto no dia seguinte. Bjs e aproveitem a leitura !

9

Acordei com o sol em meu rosto e por um segundo, cogitei que ainda estava na prisão. Carl viria logo me emprestar uma revista em quadrinhos ou Lizzie ia aparecer para eu fazer penteados em seus cabelos loiros e sedosos. Mas todas as lembranças do que tinha acontecido naquele lugar voltaram a minha cabeça, me fazendo ficar zonza só de relembrá – las.

Levantei do banco e me sentei, respirando fundo. Peguei minha mochila e a abri para ver nossos alimentos. Só tinha restado um pote de milho enlatado e um pacote pequeno de M&M’s. Eu gostava de M&M’s mas eu e Michonne não poderíamos nos alimentar somente de um minúsculo pacote.

Esperei mais uns segundos até que resolvi finalmente acordar Michonne. Ela estava em um sono profundo, mas achei que era melhor eu acordá – la do que a minha barriga (com os roncos incrivelmente estranhos que só ela conseguia fazer). Toquei levemente seu braço.

— Michonne. – sussurrei. – Michonne. – falei um pouco mais alto.

Ela finalmente me ouviu e se levantou, surpresa e ofegando.

— Desculpa. Nós precisamos achar comida.

— Ok. – disse ela, ainda sonolenta.

Saímos do carro em silêncio.

— Não fui sincera com você. Achei uma trilha, com pegadas. Mas não sei se pode ser… eles. – falou ela.

— Nós podemos seguir a trilha, mas depois de achar comida. – falei, friamente.

— O que aconteceu ? – ela perguntou preocupada com minha mudança repentina.

— Aconteceu o Carl.

— Vocês estavam juntos ? – perguntou ela, arqueando as sombrancelhas e sorrindo abertamente. Foi aí que caiu a ficha : ela sabia desde o começo. ‘Merda’ pensei.

Michonne começou a rir de mim e senti como se tivessem colocado uma máscara de fogo no meu rosto.

— Estava meio na cara. O jeito como ele te olhava.

— Por que todo mundo diz isso ? Eu nem sei se a gente namora.

— Se não namoram agora, vai ser logo. – falou ela.

Imediatamente levei a mão ao colar em meu pescoço. Será que ele gostava tanto de mim a ponto de querer me namorar ? Talvez eu quizesse isso (talvez eu quizesse isso muito), mas será que estava preparada ? ‘Calma Emily. Não crie expectativas.’ pensei comigo mesma.

— Ele que te deu isso ? – perguntou ela. Não percebi que ainda estava com o colar envolto em meus dedos. Assenti levemente com a cabeça, tentando segurar o sorriso que insistia em aparecer no meu rosto. – Ele realmente gosta de você. Você sente o mesmo ?

— O amor é a única coisa que transcende o tempo e espaço. – falei, sentindo as lágrimas brotarem novamente. – Eu não sei como, mas consigo amá – lo mesmo não sabendo se sobreviveu.

Continuamos andando, mas desta vez o silêncio era confortável. Estava feliz de ter me aberto sobre Carl com alguém além de Beth. Me dava uma sensação de que poderia contar para quem quizesse e não me importaria.

Chegamos até um restaurante chamado ‘Cabana de Churrasco do Joe e Joe Jr.’ Troquei um olhar com Michonne e andamos até a casa silenciosamente, ela com sua espada em punho e eu com minha arma. A porta estava aberta então entramos. A cabana estava com pilhas de cadeiras em um canto e do lado um zumbi morto. Supus que as cadeiras prenderam o zumbi até outra pessoa matá – lo. Fora isso a cabana estava vazia e sem suprimentos. Olhei de novo o zumbi. Ele estava com um tiro e uma marca de algo na cabeça, provavelmente um machete. A mesma arma branca que Rick sempre usava.

— Você acha que eles… ? – perguntei, sendo interrompida por mim mesma. Não queria que Michonne ficasse irritada comigo. – De qualquer modo, vamos seguir a trilha.

Michonne olhou para mim com um olhar de dúvida pela minha decisão.

— Nós não vamos achar comida tão cedo aqui. Talvez naquele caminho achemos.

(…)

Já tinhamos andado um monte e conseguia ouvir minha barriga roncando mais alto que meus passos. Mas não podia parar. Apertei o passo por que não queria que Michonne percebesse o quanto faminta e cansada estava. ‘Eu e essa mania idiota de tentar parecer forte sempre’.

Estavamos há uns cem metros de uma casa, que torcíamos para ter comida. Estava perdida em meus pensamentos quando Michonne me ‘acordou’ cutucando – me com o cotovelo. Olhei para o meio da rua, onde um enlatado grande de algo já consumido estava descansando sob o sol. Corri até ele e olhei a embalagem. 3 quilos de pudim de chocolate enlatado.

Será que era Carl ?’

Percebi que já tinha pensado isso muitas vezes só hoje. Era Carl que tinha matado o zumbi na cabana de churrasco ? Era Carl que tinha comido o enlatado de pudim de chocolate ? Era Carl que eu amava ?

Finalmente deixei as lágrimas rolarem pelo meu rosto e o peso em meus ombros cair. Eu não conseguia. Não conseguia sem Carl. Nem sei como consegui sem meus pais mas sabia que não conseguia mais. Eu não iria continuar.

Tentei me forçar a engolir as lágrimas mas elas não paravam de sair de meus olhos, fazendo minha visão ficar turva. Eu não conseguia compreender como uma coisa invísivel como o amor podia doer tanto. Meu coração antes parecia que era uma caixa de vidro inquebrável, que foi rompida por o tiro do amor de Carl e o sentimento de perdê – lo.

Peguei minha arma e a destravei. Apontei para o meu coração, ainda insistindo para que ele não sentisse mais nada. ‘Não consigo, mãe. Eu nunca vou conseguir ser forte como papai. Vou me juntar a vocês.’ pensei.

Eu já estava preparada para puxar o gatilho e deixar esse tudo de lado, quando ouvi uma porta se abrindo e passos. Apontei a arma para a casa e andei lentamente até a varanda sem entrar nela. Michonne estava de frente para a porta aberta e ouvia ela chorando baixinho.

— Michonne ? – perguntei confusa. Ela se virou sorrindo e saiu de frente da porta, revelando a única pessoa que conseguia querer e rejeitar ao mesmo tempo.

Notas finais
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