The Apocalypse
15 Break Free
Notas iniciais
15
Emily POV
Aplaudi o discurso de Rick (e Judith) e decidi que precisava tomar um ar. Deixei meu prato de comida quase intacto no banco de madeira e me levantei. Senti uma mão quente em meu pulso e me virei para ver Carl com uma expressão preocupada em seu rosto.
— Onde você vai ?
— Calma, xerife. Eu volto logo, prometo. – falei, despreocupada. Transformei o seu aperto firme no meu pulso em nossas mãos entrelaçadas.
— Tome cuidado. Não sei o que faria se acontecesse algo.
— Eu sempre tomo.
Apertei nossas mãos até que os nós dos dedos ficassem brancos, queria senti – lo o máximo que podia. Aproximeu nossos rostos e beijei sua bochecha, sem me importar com as pessoas olhando em volta.
Me afastei dele e fui em direção a porta da igreja, ignorando seu rosto em chamas e quando ele levou a mão no lugar onde o beijei. Sai da igreja respirando o ar puro da floresta.
Andei em meio ás árvores e me sentei na terra seca, fazendo um pouco de barulho por causa das folhas secas. Olhei para as estrelas e avistei duas estrelas, um pouco mais brilhantes que as outras.
— Oi, mãe. Oi, pai. – falei em voz alta. Sabia que eles estariam lá, cuidando de mim mesmo quando estivesse sozinha.
Ouvi um barulho em uma árvore perto de mim e me virei tentando avistar um bicho ou até uma pessoa. Me levantei e cai imediatamente com um baque na minha cabeça, me fazendo ouvir um zumbido em meus ouvidos. Tentei me levantar novamente mas meus olhos já tinham se fechado sem meu consetimento.
(…)
Acordei com vozes discutindo. Meus olhos demoraram para se acostumar com a escuridão e com o excesso de luz pulsante vindo da minha direita. Pisquei várias vezes e olhei diretamente para a luz, uma fogueira.
Olhei em volta de mim e vi uma duas formas escuras á minha esquerda, uma sentada e a outra em pé. Reconheci – as : Gareth e Bob.
Percebi que uma parte da perna de Bob não estava lá. Algumas pessoas atrás de Bob comiam um tipo de carne que parecia ter uma textura estranha. Logo depois de ligar os pontos senti o gosto ácido de bile em minha boca mas não conseguia vomitar. Algo envolvia minha boca e minha nuca, chutei que era algum tipo de pano. Também estava amarrada em meus pulsos.
Ouvi gemidos e barulhos que um zumbi faria e me preparei para chutar e tentar sair dali o mais rápido possível. Porém eles não vieram até mim. Uma janela separava os mortos dos vivos, ou os canibais dos canibais.
— Deve ser burrice ficar aqui. É perigoso, eu não sei, talvez não seja. Dá pra sentir a ameaça. Pelo menos é alguma coisa, olhar para eles me faz sentir melhor sobre as coisas. Minha mãe dizia que todo dia sobre a terra era uma vitória. – falou Gareth. A mistura de sons e acontecimentos a volta de mim me enojava : o barulho dos canibais comendo a perna do Bob, a voz mansa e assustadora de Gareth e os gemidos dos zumbis. – Não parece adequado agora mas ainda dá pra entender. Essa janela vai quebrar cedo ou tarde.
Ele colocou a palma da mão no vidro da janela, desafiando os zumbis a matá – lo e os fazendo ficar mais agitados.
— Nada mais dura muito tempo. Sabe, a gente parou aqui para poder pensar no caminho de volta. É muita burrice ? Quer dizer, de volta pra onde ? Não era só uma armadilha, era pra ser uma escolha. – falou ele, se ajoelhando de frente a Bob. Ele parecia ter compreendido que eu estava ali e me lançou um olhar de desespero. – Ou se junta a nós ou vira comida. Sabe, os ursos, quando começam a passar fome, comem os filhotes. Se o urso morrer, o filhote também morre. Mas se o urso sobreviver vai poder ter outro filhote. Faz parte do jogo. Sabe, o Greg e o Mike quase pegaram aquela vadia branca que matou a minha mãe.
‘Carol ?’ perguntei a mim mesma.
— Ela fugiu com o arqueiro, o Greg os viu saindo. Não vejo a hora de prová – la. Eu gosto mais das mulheres, a maioria daqui prefere. Meu irmão Alex, que agora também morreu por causa do Rick. Ele achava que é por causa da camada extra de gordura que as mulheres têm. Sabe, pra usar na gravidez. – ele olhou para o chão e apontou pra mim. – Até as magrelas tem.
— Deixa ela em paz. Deixa ela ir. – falou Bob, com a voz fraca.
— Tipo aquela bonitinha, a Sasha. Acho que as pessoas bonitas são mais gostosas também. – falou ele, apontando novamente para mim. ‘Isso é algum tipo de cantada ou você vai só me matar ?’— Vamos pegar todos eles. Mas pra começar, você e ela bastam. Fizemos um bom serviço com sua perna. Nós temos prática. No começo, gostávamos de fazer devagar.
Bob parecia que ia começar a chorar.
Tentei achar alguma pedra para me soltar. Depois de alguns minutos (e a perda de parte do discurso de Gareth) achei uma afiada o suficiente e tentei cortar a corda de minhas mãos.
O choro de Bob se transformou em uma risada, que aos meus olhos foi um pouco psicopata. O grupo de Gareth se reuniu, palpitando sobre Bob
— Seus idiotas.
— Tá bom, fala baixo. – falou Gareth, olhando para os zumbis.
A risada dele ficou ainda mais alta e ele levou a mão ao ombro, retirando o tecido da camiseta e mostrando uma mordida de zumbi em carne viva.
— Eu fui mordido, seus cretinos imbecis ! Tô infectado.
As pessoas do grupo de Gareth tossiram e logo todos estavam vomitando.
Um homem se pôs na minha frente e tentou me estrangular, com as duas mãos no meu pescoço. Minha visão começou a ficar turva, mas fiquei forte o suficiente para pegar a pedra e fazer um corte fundo na palma da sua mão, que jorrou sangue em meu pescoço com marcas roxas.
Bob olhou para mim e li seus lábios : ‘Você está livre. Vai.’
Começei a serrar a corda com a pedra mais forte e consegui me libertar, saindo despercebida pelas árvores. Tirei o pano de minha boca e respirei fundo. Antes de ir, peguei uma arma que estava apoiada em uma pedra e lançei meu sorriso mais generoso para Bob, agradecendo tudo que ele já me fez.
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