The Amazing Spiderbug
9 Marionette
Notas iniciais

Você sabe que algo está errado quando Chloé Bourgeois te dá um conselho para ser mais gentil com as pessoas.
Depois do que a loira nos disse, ficamos a aula toda pensando em nossas atitudes. Acontece que algo nos dizia que estávamos completamente certas em brigar com todos a nossa volta, mas parecia que não era isso que nós realmente queríamos.
Alya é a nossa melhor amiga, devemos pedir desculpas à ela. Ou será que não?
*****
Estávamos passeando pelas ruas da cidade, quando encontramos Chatpool parado em cima de um dos prédios. Então fomos até ele.
— Faz tempo que não te vejo. — falamos chegando ao seu lado.
— Traje novo?
— Acho que é bom mudar as vezes. — ele sorriu mas pareceu distante — Algum problema?
— É que uma amiga minha está com problemas e eu não sei como ajudar.
— Que tipo de problemas? — o loiro riu sem humor.
— Infelizmente eu não sei. Ela não quer me contar. Talvez eu tenha sido meio rude com ela, mas... Que seja! — ele deu de ombros.
— Já parou pra pensar que talvez ela não queira te contar porque o problema pode ser você? — o loiro levantou a cabeça como se tivesse um estalo na mente.
— Tem razão. — ele veio até nós. — Obrigado, my lady. — Chat deu um beijo na nossa bochecha, porém viramos o rosto na hora e o beijo foi no canto da nossa boca. — Me desculpe, eu não...
— Seu idiota!
— Ei, eu não fiz por mal!
— Não me interessa! Não quero saber de suas desculpas. — atiramos a teia no prédio a frente e fomos embora sem olhar para trás.
*****
Entramos na sala de aula e sentamos na cadeira. A aula passou devagar, então ficamos pensando sobre os últimos acontecimentos.
Espera! Desde quando existe um "nós" ao invés do "eu"? Porque estou pensando como se houvesse outra pessoa em mim?
Porque talvez realmente tenha...
*****
— Marinette, você... — Adrien veio até nós assim que o sinal tocou.
— Agora não. — puxei Alya para fora da sala e a levei até um canto qualquer.
— Você precisa nos ajudar. — balancei a cabeça — Quero dizer, me ajudar.
— Ah, agora você quer ajuda! — ela cruzou os braços — Porque na hora de brigar comigo você nem ao menos pensou em como eu estava me sentindo.
— Alya, desculpa mesmo mas aquela não era... eu. Aquela não era eu. — a morena me encarou com descrença. — Por favor, eu preciso da sua ajuda, é a única a quem posso recorrer. Vamos na biblioteca que eu prometo te contar tudo. — sei que ela não resistiria e acabaria indo com nós. Assim que chegamos fomos para o canto mais afastado onde ficavam os livros que ninguém mais lia e sentamos ali.
— Me conta tudinho, garota. — ela exigiu. Respiramos fundo e decidimos contar toda a verdade sobre a Spiderbug. — Mari, i-isso é verdade? — balançamos a cabeça em afirmação.
— Eu preciso da ajuda com a Tikki, não sei como tirá-la de mim.
— Você tem certeza que a roupa está mudando seu humor? — ela arqueou uma sobrancelha — Pra mim isso se chama TPM.
— Será que eu tô louca mesmo?
— Olha, vamos fazer assim, hoje depois da aula eu vou com você até sua casa e te ajudo, certo? — sorri e a abracei.
— Muito obrigada, Alya.
— De nada, mas agora eu quero umas fotos exclusivas da Spiderbug como pagamento, digo, da Ladybug. — ela brincou.
— Não, não. É apenas Spiderbug mesmo.
— Ih amiga, só você se chama assim agora. Olha. — ela mostrou o blog dela no celular onde haviam vários comentários sobre a Spiderbug que agora é Ladybug.
— Um dos motivos para me desfazer dessa roupa. Qual super-heroína se chama Ladybug?
— Eu gostei do nome. Imagina só, "Ladyblog"!
— Não inventa moda. — nós rimos. — Mas agora, com que cara vamos olhar pro Adrien?
— Vamos nada, você que brigou com ele. — eu tinha feito aquilo de novo, por sorte Alya não percebeu que na verdade ela não estava incluída na frase.
Depois da aula fui pra casa e tratei de esperar Alya chegar. Como ela estava demorando, fiquei preocupada, porém logo ela me enviou uma mensagem dizendo que estava à caminho.
— Descobri algo muito interessante. — Alya falou assim que entrou no meu quarto.
— Desembucha! — disparei.
— Acontece que na noite que você, digo, a Spiderbug prendeu Dr. Octopus, ele estava tentando roubar uma substância alienígena que ainda não foi recuperada.
— Acha que isso que está em mim é uma substância alienígena?
— Pelo jeito que ela age, deve ser um simbionte. — pousei a mão no queixo e pensei. Deve ser por isso que estava agindo como se fossem duas pessoas no meu corpo, porque o simbionte está se fundindo comigo. — Esse negócio está te usando como uma marionete. Por isso você andava extremamente irritada. Você não é assim.
— Meu Deus! Como tira isso? — comecei a puxar, mas Tikki não queria sair de mim. — Esse tempo todo eu estava sendo uma marionete dessa coisa. — Alya se desequilibrou tentando me ajudar e caiu contra a parede, fazendo com que meu mural de metal que uso para colocar fotos caísse no chão e fizesse um enorme estrondo. Tikki se remexeu inquieta como se não gostasse do barulho.
— É isso! Ela não gostou do barulho. — Alya pegou alguma coisa e começou a bater no mural. Tikki se remexia.
"Você não pode se desfazer de nós!", ela repetia em minha mente.
— Não existe nós, somente eu! — Minha cabeça parecia que ia explodir.
— Mari, você não tá legal, eu preciso parar...
— Continua!
— Tem certeza? — assenti e ela continuou batendo. Depois não sei o que aconteceu, pois simplesmente caí no chão e apaguei.
*****
Abri os olhos lentamente, me acostumando com a claridade que vinha da janela.
— Bom dia, flor do dia! — Alya riu enquanto eu sentava na cama.
— Por quanto tempo eu dormi?
— Dois dias. — arregalei os olhos — Brincadeira, foram só duas horas. — coloquei a mão no peito de alívio pelo susto.
— Cadê a Tikki?
— Bem aqui. — minha amiga levantou um vidrinho com a simbionte presa.
— Ótimo! Vou devolver essa coisa antes que cause mais problemas. Muito obrigada amiga, e desculpe por tudo que fiz enquanto deixava Tikki me possuir.
— Sem problemas! Ma existem mais algumas pessoas que você precisa pedir desculpa. — assenti e mordi o lábio inferior.
— Melhor fazer uma lista.
Após Alya ir para a casa, passei no centro de pesquisas para devolver Tikki e avisei sobre os perigos que ela reservava. Os cientistas disseram que já sabiam, e que tinham um alienígena chamado Plagg que também era assim. No entanto, eles estavam estudando como usar essas formas de vida de maneira benéfica.
Depois de sair dali, fiz uma passeio pela cidade como meu uniforme antigo e prendi alguns criminosos. Também vendi fotos minhas como meu novo/velho uniforme.
Estava começando a chover, quando decidi ir para casa, porém interrompi meu trajeto quando vi uma pessoa parada num beco.
Cheguei mais perto e quando vi que se tratava de Chatpool, soltei uma risada, prendi minha teia no prédio e desci e cabeça para baixo.
— O que faz por aqui? — ele se virou assustado, entretanto não pude ver sua expressão devido a baixa luminosidade, já que era noite e tinha pouca iluminação no beco.
— Veio brigar comigo novamente. — torci o lábio.
— Me desculpe por aquilo. Literalmente, não era eu.
— O que quer dizer?
— Longa história. — fiz careta — Mas o que precisa saber é que eu sinto muito. Apesar de não seu fácil admitir, você é muito importante para mim e eu não quero que fique bravo comigo. Eu fui apenas uma marionete.
— Na verdade eu estava mais para magoado.
— Sinto muito.
— Já disse isso.
— É que eu quero ter certeza de que estamos bem. E eu gostei de ficar pendurada de cabeça para baixo, exatamente igual a uma aranha. — ele riu.
— Estamos bem sim.
— Pelo menos isso. — fiz careta e suspirei.
— O que aconteceu? — a essa altura nem nos importávamos mais com a chuva fina que caía sobre nós.
— Você não foi a única pessoal que tratei mal. Acho que arruinei as chances com o garoto que eu gosto.
— Entendo. — ele se aproximou — Fale o que você me falou para ele, tenho certeza que vai te perdoar. A não ser que ele seja um babaca e tenha problemas mentais. — ri.
— Obrigada, mas acho que ele não vai querer olhar na minha cara nunca mais.
— Se ele não quiser, você pode me usar como sua segunda opção. — ele riu sem humor e eu fiquei séria. Será que ele gostava mesmo de mim? Porque se a resposta for sim, acabei de magoá-lo mais ainda falando sobre o garoto que eu gosto.
— Chat...
— Não, tudo bem. Eu já sabia que você gostava de outra pessoa. Quero dizer, não era de mim, então só podia ser de outra pessoa.
— Chat, vem cá.
— My lady, eu...
— Vem cá agora garoto! — ele se aproximou mais e agora eu podia ver a tristeza estampada no seu rosto. — Sinceramente, não sei o que tenho na cabeça. — falei com o olhar fixo no seu.
— Como assim? O que você... — não deixei ele terminar e o puxei para um beijo. Mas não qualquer beijo, eu ainda permanecia de cabeça para baixo, enquanto as gotas de chuva caíam sobre nós. Parecia uma cena de filme.
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