The Amazing Spider-Man
3 Capitulo 3 - Estrago, LTDA.
– Não posso me atrasar de novo, não posso me atrasar de novo...
E lá ia Peter Parker, correndo para não perder a hora novamente. Combater o crime durante a noite o deixava livre para cuidar de sua vida, mas não havia sobrado muito tempo para dormir. No caminho para a Universidade Empire State, ia folheando a edição do Clarim: – O Jameson pão-duro publicou minhas fotos do Lagarto lutando com o Aranha... Legal! O New York Rangers perdeu pro Gotham Knights??? Onde esse mundo vai parar... Simpsons no cinema, isso sim é boa notícia e... Peraí! Que negócio é esse? "A polícia de Nova York declarou que o cadáver encontrado na Cozinha do Inferno há duas semanas não é do vigilante conhecido como Homem-Aranha. O Chefe de Polícia Semeghini disse tratar-se de um comerciante da Costa Oeste chamado William Bayley, morto por espancamento, mas vestido com o uniforme do aventureiro aracnídeo após a morte. As ações do Homem-Aranha na última madrugada, quando enfrentou a criatura conhecida como Lagarto, foram a peça que faltava no quebra-cabeças. Segundo Semeghini, ‘A Polícia realmente não acreditou tratar-se do verdadeiro Homem-Aranha, mas era necessário que houvesse provas até que pudessemos divulgar isso’. A família de William Bayley já foi informada e o corpo deve seguir para Lafayette, Indiana, ainda hoje."– Credo! Um cadáver com meu uniforme e a polícia escondeu isso até agora... Preciso ter uma conversinha com esse tal Semeghini... Peter entrou apressado no prédio de Ciências da U.E.S., esbarrando em uma mulher que estava na portaria:– Ops! Desculpe, moça... – Não foi nada... Escute, eu estou procurando alguém da Licenciatura... Você sabe onde eu posso achar alguém? – Está falando com um, Peter Parker! – Oh! Prazer, Parker. Sou a Dra. Christina McGee, eu fui transferida para cá dos Laboratórios Delta... – Claro, claro! O prazer é meu, Dra. McGee! Veio para ficar? – Sim, eu me desliguei do Delta depois que eles começaram a insistir em experimentos com meta-humanos. É a minha especialidade, mas eu não estava de acordo com a política ética do Delta. – Entendo. A reputação deles é péssima. Bom, Dra. McGee, eu cheguei em cima da hora. Vamos para o laboratório? – Claro! E me chame de Tina... – Certo, Tina. Para os amigos eu sou Peter. Peter não pôde deixar de reparar no belo sorriso da nova colega: uma morena alta e bem-humorada, que o deixava bastante à vontade. Tudo bem que ela fosse mais velha do que ele, afinal, já tinha namorado Betty Brant. E depois... "Peraí, Peter! Você acabou de conhecer a menina e já tá pensando em namoro!? Calma lá! Menina! Sei, sei... Ela deve me achar um moleque..." No laboratório, Tina foi apresentada ao resto da equipe. Tina tinha ficado desempregada por algumas semanas antes de ser chamada pela U.E.S. Aparentemente, seu currículo havia chamado a atenção do reitor. De qualquer forma, Peter se ofereceu para mostrá-la o campus. Resolveram tomar um café na cantina da Universidade: – Bom, Peter... O que mais você faz além de trabalhar aqui? – Sou fotógrafo free-lancer do Clarim Diário. Já tirei umas fotos bem legais do Homem-Aranha e até publicaram um livro com elas... – Claro! Agora eu me lembro! Peter Parker, o fotógrafo do Homem-Aranha! Você o conhece? – Eu... já conversei com ele, mas não dá para dizer que o conheço... Sabe como é, máscara e tal. No começo ele nem ia muito com a minha cara, não gostava que eu ficasse atrás dele tirando fotos. Hoje ele nem liga mais. – Já imaginava. Eu o vi quando ele e o Flash pegaram os traficantes do Vandal Savage. – Ei, eu tirei algumas fotos! O tal West foi muito gente boa... – É, eu namorava com ele na época. Peter engasgou. – Como é? – Eu fui namorada do Flash, Wally West. Meu casamento estava numa sinuca quando o conheci e as coisas aconteceram. Mais tarde, quando terminamos, eu o ajudei a recuperar os poderes... Ele inclusive ajudou meu marido a lidar com os problemas de saúde... – Ah, você é casada. – Era. Ele faleceu há um ano. – Oh... Sinto muito... – Tudo bem. Eu já superei. O Wally me ajudou muito na época. Quando tudo se resolveu, meu marido ajudou muito o Wally, como retribuição. ‘Três formas de amar’, sabe? — perguntou Tina, rindo. A conversa seguiu animada, com Tina contando sobre seu trabalho com meta-humanos e seu conhecimento em super-velocidade e metabolismo — adquirido na época que ajudou o Flash a recuperar e controlar os poderes. E Peter, interessado em sua nova amiga, falou sobre a cidade de Nova York, o Homem-Aranha e — claro! — a tia May. Subitamente, um clarão no centro da cidade chamou a atenção dos dois: – O que foi aquilo, Peter? – Sei lá, Tina. Mas como eu estou em horário de almoço, acho bom dar uma olhada e ver se consigo umas fotos para o Clarim. – Certo, tome cuidado. E lá ia o Peter Parker, correndo para pegar as melhores fotos e — como você já deve ter adivinhado — trocar de roupa para dar lugar ao Amigão da Vizinhança. Apenas mais um assalto a banco... Enquanto preparava a câmera, o Homem-Aranha observava o bando de maníacos que confrontava a polícia. Conhecia o Electro, mas não os outros palhaços. Resolveu descer para dar uma força, apesar da súbita vontade de dar risada. (Se ele soubesse, teria se retirado para rir sossegado em algum outro lugar...) – Rendam-se, policiais! Assim falou o Doutor Espectro! Assim ordena o novo Sexteto Sinistro! O tal "Doutor Espectro" (um simpático cavalheiro usando uma roupa preta cheia de lâmpadas coloridas) sequer viu o que o atingiu. Apenas um soco e ele estava fora da jogada.
– "Doutor Espectro"? "Novo Sexteto Sinistro"? Será que eu perdi alguma coisa? Cadê o Homem-Areia, o Kraven, o Octopus? – Homem-Aranha! Bem que o Electro disse que você poderia interferir! Fique fora disso! — ameaçou um sujeito com um monte de olhos no uniforme, enquanto apontava os dedos para o Homem-Aranha. Mas, como o Sentido de Aranha não acusava nada, o Aracnídeo se aproximou e perguntou: – E quem é você, afinal? O Zoiúdo? – Não zombe de mim, Aracnídeo! Eu sou o Dez-Olhos! Um acidente destruiu meus olhos, mas transferiu minha visão para a ponta de meus dedos! Bwah-ha-ha-ha-ha!!! – Ah,tá. E você, tipo, solta raios pelos dedos? Digo, olhos? – Hein? Não, eu... – Você tá me dizendo que isso só serve para ver a caquinha que você tira do nariz? – Bom... É. Não que eu... Um soco. Pela primeira vez, o Sentido de Aranha tilintou. Fraquinho, mas tinha alguém ao lado do Aranha prestes a agredí-lo. O inimigo, porém, foi detido por nosso herói, que o segurava pelo colarinho: – Vai, cara. Nome, origem, poderes e desmaio. – Er... peraí, cara, pega leve... Eu sou o Periférico... Nasci com o dom de me esquivar da visão periférica das pessoas. Você só pode me ver se olhar diretamente para mim, do contrário eu fico invisível. – Arrã. Alguém te disse que isso ia ser útil e você acreditou. – Bom... Achei que dava pra tirar uma graninha, sacumé!? Escuta... Aquela história de desmaio era séria? – Era, sim. – Ah, não! – Ah, sim. Um soco. O Aracnídeo olhou para trás e viu um grandalhão esfregar uma tatuagem de águia no peito, enquanto seu colega, fantasiado de relógio, gritava: – Corre, Tatuado! O Aranha vai nos pegar em 3,4 segundos se você não... – Pára de chorar e vamos cair fora, Relógio! A tatuagem do grandalhão virou uma águia de verdade (!) que os agarrou e os levou para longe dalí. O Aranha foi conversar com o Electro: – Não acredito, Electro! Um supervilão de renome como você... se aliando a esses... inúteis! – Qualé, Aranha? A coisa tá feia! Ninguém da velha geração quer formar o Sexteto Sinistro de novo. E você acha que é fácil arrumar um emprego decente na minha idade? Eu tinha que aproveitar minha chance de liderar uma equipe pelo menos uma vez na vida! – Tudo bem, mas por que não a Liga da Injustiça? Ou os Mestres do Terror? – Esses idiotas só querem saber de dominar o mundo para depois destruí-lo! Eu quero ficar rico, me mudar para as Bahamas e esquecer a agitação da cidade grande. Mas, escuta... Você não vai me espancar, né? – Não vai ser necessário, a polícia está vindo aí. – Ótimo. É que eu estou com bico-de-papagaio e a dor está me matando. A propósito, o Rei Relógio só sabe calcular o tempo. E o Tatuado tem essa tinta especial na pele. Ele esfrega e vira real. – Valeu, Electro! Tchau! – Vai pela sombra. Era difícil não ver uma águia daquele tamanho voando por Nova York. Ainda mais carregando um marombeiro tatuado e um cara fantasiado de relógio. E lá foi o Homem-Aranha atrás dos incautos criminosos, que ousaram pertubar a Lei e a Ordem na Grande Maçã: – Algum sinal do Aranha, Relógio? – Arrã. – Ele está atrás de nós? – Não. – Não? Então está onde? – Em cima de nós. – Em cima!? O Homem-Aranha, grudado em cima da águia gigante, abaixou-se para encarar os vilões: – Rapazes, rapazes... Eu só vou dizer uma vez. Eu já enfrentei o Abutre. Essa águia pra mim é fichinha. Entreguem-se e a gente pula a parte do espancamento, tá legal? – Nunca, Aranha! Saiba que em 0,8 segundo eu vou... hmmmph!! Mmmmpphhhh!! – ...calar a boca? É isso que você ia dizer? Bom... Como é que é o nome? "Rei Relógio"? Hehehe... Então, Rei Relógio, essa teia se dissolve em duas horas. Vai fazendo contagem regressiva enquanto... O Sentido de Aranha mandou desviar. Uma âncora gigante pulou do peito do Tatuado, presa à uma corrente muuuito grande. O Homem-Aranha segurou a ponta da corrente, que interrompeu a trajetória da âncora e começou a cair. – Ei... Tatuado? Como você faz para essas coisas sumirem? – Elas não somem. – Bom, a corrente está caindo e vai derrubar seu passarinho. Que tal fazê-lo pousar? — Ei, quem você pensa que eu sou? O Aquaman? Eu não controlo a águia, só fiz ela aparecer pra me levar pra longe daqui! – Não, não, não! O Aquaman não controla aves, seu burraldo! Ele controla... – GAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!! Era a corrente, jogando a águia (mais o Tatuado e o Rei Relógio) 12 andares abaixo. O Aranha grudou num prédio e ficou vendo enquanto a trupe caía. – Vai, cara. Você deve ter um colchão no meio das tatuagens, não é? Ou uma cama elástica, como é que você não pensou em fazer uma tatuagem de cama elástica? Ou uma mola gigante, isso deve resolver... Caíram. A polícia chegou em poucos instantes, decretando o fim do novo Sexteto Sinistro. – Peter! Conseguiu as fotos? – Oi, Tina! Consegui, sim. Era um bando de malucos assaltando um banco, o Aranha os pegou. – Legal. Bom... Te vejo amanhã, né? – Claro! Até amanhã! – Tchau. Ah! Esse é meu telefone. Se puder me ligar uma hora dessas... – Ah, sim! Ligo! Quando der, claro! Tina riu, deixando Peter ainda mais constrangido, e foi embora. No caminho, pensava sobre sua nova vida. O emprego na U.E.S., o apartamento novo, Peter Parker... Peter era legal, tinha aquele espírito desprendido que tanto a atraía em Wally. Também parecia um cara muito ocupado, com seus dois empregos. Será que ele ia ligar? Tina chegou em casa, ligou a TV e viu as notícias sobre a prisão do Sexteto Sinistro. O Homem-Aranha, diferente de Peter, era apenas um aventureiro irresponsável que parecia não ter coisa melhor a fazer do que balançar por aí atrás de marginais. Como Wally, quando Tina o conheceu. "O Peter bem que podia ligar..." Enquanto preparava o jantar, Tina McGee pensava se não tinha sido abusada com Peter. Sequer sabia se ele tinha namorada! Não que estivesse dando em cima dele ("Arrã..."), mas não era o tipo de convite que se fazia a um cara comprometido. Sentiu um cheiro de queimado, foi correndo até o forno, mas chegou tarde para salvar o jantar: queimado. O telefone tocou e Tina pensou consigo quem era o infeliz que estava ligando numa hora daquelas. E por que Peter não ligava? – Alô! Tina? Era ele! :o) – Pois é, delegado. Tá difícil segurar os repórteres, principalmente depois que tivemos que mandar o corpo do tal Bayley para Indiana. O tal Urich não pára de fazer perguntas, acho melhor darmos um jeito nisso rápido. – Não me diga, Andrew — respondeu Semeghini, ironicamente. — Acha que eu estou gostando disso? Já são quatro, tem um assassino maluco por aí e a única pista que temos nos leva ao Homem-Aranha. E, diferente do Jameson, não acho que ele esteja envolvido em assassinato. Se não fosse a ajuda dele, talvez o Sexteto Sinistro tivesse até fugido hoje. – Pode ser, mas, ainda assim, precisamos saber se... – Delegado! Delegado! — um jovem policial entrou aos gritos na sala. — Encontraram mais um corpo! – Como é? Não me diga que... – É isso aí, delegado! Agora temos cinco mortos fantasiados de Homem-Aranha! – Sangue de Cristo, o que mais falta me acontecer? – Foi o Ben Urich que encontrou o corpo, delegado. A imprensa já sabe.
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