The Amazing Spider-Man
24 Capitulo 24 - Máxima Carnificina - Parte 4
Notas iniciais
Em um dos cômodos, estão o Homem-Aranha e John Jameson, em seu disfarce como o próprio pai, J Jonah Jameson, editor-chefe do Clarim Diário. Em outro cômodo estão o novo Vigilante, na verdade, o chefe de polícia Semeghini, e a psiquiatra do Ravencroft, Dra Carol Carrol.
Por toda parte, estava o Carnificina.
Agora capaz de infectar e controlar sangue humano, o serial killer mais notório da história de Nova York tinha promovido um massacre sem precedentes dentro do Ravencroft. A loucura, a violência e a barbárie davam o tom naquela noite maldita. As manchas de sangue na parede começaram a tomar a forma de lâminas, enquanto o Aranha e Jameson procuravam alguma forma de combater aquela ameaça.
A contagem de corpos já tinha atingido três dígitos.
O Homem-Aranha saltava através da sala carregando Jameson. Os novos poderes do Carnificina o tornaram um adversário ainda mais letal: o sangue nas paredes se transformava em pequenas lâminas, que eram disparadas contra os dois. Ser infectado significava a morte certa: Cletus Kasady adquiriria controle sobre as células sangüíneas até que elas morressem coaguladas. Com a assustadora contagem de corpos dentro do Instituto Ravencroft, os prognósticos não eram nada animadores.
Kasady! Pare com essa loucura enquanto ainda...
HAHAHAHAHAHA!!! Parar com a loucura, Homem-Aranha!?!? Parar com os assassinatos sem-sentido, com a matança indiscriminada de inocentes, parar com a CARNIFICINA?!?! Impossível, Homem-Aranha, IMPOSSÍVEL!! Eu não tomei meus remédios hoje e estou nesse jogo há tanto tempo que me esqueci como parar! Você não pode me deter agora, é tarde demais! — Odeio quando eles discursam... disse o Aracnídeo, aterrissando no solo, enquanto usava seu Sentido de Aranha para tentar identificar de onde viria o próximo ataque. Apesar do seu Sentido ser incapaz de alertá-lo da aproximação do simbionte de Kasady, o sangue por ele infectado não tinha as habilidades psíquicas alienígenas. Era apenas controlado pela mente insana do Carnificina.
Isso não é hora para brincar, Aranha! gritou Jameson. Temos que sair daqui!
Ora, ora, ora... Parece que temos o Jameson errado aqui... interrompeu Kasady, ao ouvir a voz de John Jameson.
Os dois não tinham considerado, ainda, a possibilidade de Kasady descobrir que John estava se passando por seu pai, J Jonah Jameson. Não tinham a clara noção do quanto ele era capaz de ver ou ouvir. Mas sabiam quais poderiam ser as conseqüências, caso o psicopata descobrisse a verdade.
Você não mentiu pra mim, não é, Aranhinha? novas lâminas começavam a se formar nas paredes.
Sabe o que é, Kasady? O Jameson tinha um compromisso inadiável com... — VOCÊ NÃO MENTIU PRA MIM, NÃO É?
Do lado de fora:
O tempo acabou, nós vamos entrar.
Podemos ir na frente, capitão? Temos experiência nesse tipo de... incidente.
Experiência? Você deve ter a idade do meu filho...
Não se iluda. Nós somos os Titãs.
Liderados por Asa Noturna, Estelar, Justiça, Mutano e Ravena [1] invadem o prédio. As emissões cáusticas durante o vôo de Estelar incineram todo e qualquer traço de sangue pelo caminho, anulando a ação do vírus Carnificina. Enquanto sobem as escadas do Ravencroft, Asa Noturna e os Titãs rezam para chegar a tempo ao último andar.
Dra Carrol, tente se acalmar. Eu tiro você daqui.
Ela já sabia que era mentira.
O novo Vigilante, na verdade o chefe de polícia Semeghini, jamais tinha enfrentado algo assim. Estavam presos numa sala de espera minúscula, cobertos de sangue infectado. Era uma simples questão de tempo até que o Carnificina se cansasse deles e resolvesse matá-los.
Mas a Dra Carrol resolveu agir por conta própria. Naquela sala, havia um filtro com bebedouro, duas garrafas térmicas, contendo chá e café, além de algumas cadeiras e revistas. Ela abriu um pequeno armário na parte inferior, retirando alguns pacotes de açúcar de lá.
Dra Carrol, o que você...?
Rápido! Antes que ele perceba o que estamos tentando fazer disse a psiquiatra, arremessando um pacote de açúcar para o Vigilante. Em seguida, ela rasgou um pacote acima da própria cabeça, deixando o açúcar cair farto sobre seu corpo. Além de psiquiatra, eu sou biomédica. Se o Carnificina resistir a isso, rasgo meu diploma. Ela parecia incrivelmente calma. Semeghini se sentiu um estúpido por não ter pensado em algo tão óbvio: o açúcar é um poderoso coagulante. Os dois se cobriram até os pés, cancelando o controle de Kasady sobre o sangue em seus corpos.
Estou surpreso, Dra...
Me chame de Carol.
Eu sou Edward.
Então, me tire daqui, Edward.
Falar é fácil, pensou Semeghini, cada vez mais disposto a abandonar a vida de aventureiro uniformizado. Mas, para isso, precisava sair dali com vida.
E não estava disposto a deixar o Homem-Aranha para trás.
Fique aqui, Carol. Eu vou tentar ajudar o Aranha.
Tem certeza que é seguro?
Não, não é seguro, não é nem um pouco seguro. Mas o Aranha faria o mesmo por mim.
Semeghini saiu da sala de espera com as armas em punho, torcendo para conseguir matar o Carnificina com balas, quer o Aranha gostasse, quer não.
Era um policial no cumprimento do dever, não um super-herói.
Fala sério, Aranha... Você nunca imaginou que ia acabar dessa forma, não é mesmo?
O Aranha e Jameson estavam de joelhos, cercados por lâminas cada vez maiores que os pressionavam contra o chão.
Nós cumprimos suas exigências, Kasady! Liberte os reféns!
Eu já os libertei, Aranha!
Eu não acredito em você!
Não acredita em mim!? Você não acredita em mim, Homem-Aranha? Então, me diga no que você acredita, seu HIPÓCRITA! Você acredita num mundo melhor e justiça para todos? Você acredita em pote de ouro no fim do arco-íris? É por isso que você está aí, de joelhos, esperando o conforto frio da morte! Porque eu acredito nisso! Sabe no que eu acredito, Homem-Aranha? É nisso que eu acredito! Eu acredito na morte. Acredito nas doenças. Acredito em injustiça e desumanidade, tortura e fúria e ódio. Eu acredito emassassinato. Eu acredito na dor. Eu acredito em crueldade e infidelidade. Eu acredito em sujeira efedor e em toda coisa pútrida rastejante! Eu acredito em feiúra e corrupção, seu filho da puta! Eu acredito em...
Aproveitando o que pareceu ser um momento de distração de Kasady, o Homem-Aranha se lançou contra a divisória que o separava do assassino, usando sua teia para quebrar as lâminas que o cercavam. Ficou cara-a-cara com o Carnificina, numa sala com as paredes pintadas com o sangue de funcionários do Ravencroft. Pedaços de órgãos estavam espalhados pelo chão, também havia uma cabeça e um pé perto de Kasady. Seu simbionte estava espalhado pelo chão, possivelmente procurando novas vítimas no Instituto.
... você. [1]
Acabou, Kasady.
Não... Não acabou... O que ela fez?
Não me faça ferir você.
Me ferir? o simbionte voltou para o corpo de Kasady, formando o Carnificina. Não me faça rir, Homem-Aranha! Você é PATÉTICO! Ela me feriu! Aquela desgraçada me feriu! Onde está aquela vagabunda!?
Kasady já tinha sentido que perdera o controle sobre o sangue em volta do corpo da Dra Carrol, bem como do Vigilante. Tinha perdido seus últimos reféns. Teria que matá-los à maneira antiga.
Enquanto os Titãs subiam, passaram pelo enorme refeitório de Ravencroft. O lugar estava escuro, mas o forno estava ligado.
Fiquem juntos ordenou Asa Noturna. Aquele forno não foi ligado à toa.
Mas o Carnificina é vulnerável ao fogo, certo? perguntou Justiça, tentando enxergar no meio da escuridão.
Exato, por isso eu acho que não foi ele.
Eu sinto a dor e o ódio nesse lugar disse Ravena. A empata estava acostumada ao horror, ao desespero e às trevas, por isso os Titãs não prestaram atenção a seus alertas. Não prestaram atenção quando ela perguntou: Estamos no inferno?
As suspeitas de Asa Noturna estavam corretas. Dois homens, usando uniforme de cozinha, começaram a arremessar facas contra eles. Justiça as deteve com sua telecinésia, exceto um cutelo, que Estelar interceptou com uma rajada.
Fiquem abaixados! Vamos tentar cercá-los!
Asa Noturna, Mutano e Justiça foram pela direita, passando por vários mesas. Estelar e Ravena foram pela esquerda, entre pilhas de panelas e utensílios de cozinha. Um dos cozinheiros continuou arremessando facas contra o grupo da direita, enquanto o outro tentou investir no mano-a-mano contra o da esquerda.
Vance gritou Asa Noturna. Cubra-nos!
O campo telecinético de Justiça garantiu proteção contra as facas, enquanto Asa Noturna confundia a mira do cozinheiro com seus bumerangues. Mutano assumiu a forma de uma cabra e avançou a toda velocidade:
Vamos ver se esse sujeito tem peito de aço!
A cabeçada o atingiu em cheio, no peito. O cozinheiro caiu para trás e, ao se aproximar para verificar se ele estava bem, Mutano constatou que ele já estava morto há muito tempo. Sua cabeça tinha um ferimento enorme na nuca. Sentiu o estômago se retorcer enquanto se perguntava que pesadelo era aquele onde havia entrado. Não suportava mais o cheiro de sangue.
Estelar e Ravena não tiveram dificuldades com o outro agressor. Enquanto a empata usava seus poderes para entorpecer sua mente, Kory o atingiu durante o vôo, num golpe violentíssimo. Mas esse cozinheiro também estava sendo controlado pela insanidade do Carnificina.
Asa, onde nós viemos parar?
Não sei, Kory. Mas é bom corrermos. O Homem-Aranha está lá em cima.
Os golpes dos dois atravessavam paredes, destruíam vigas de concreto e abalavam o chão do décimo-terceiro andar do Ravencroft. O Homem-Aranha e o Carnificina trocavam socos violentíssimos, quase sem se falar.
Não havia o que dizer.
Nenhuma piada, nenhuma ameaça.
Só restava o ódio.
A Mary Jane está lá fora... A mulher que eu amo está lá fora, pensava consigo o Homem-Aranha. Você não vai sair daqui, seu maníaco, não vai! Mas Peter sabia que só havia uma maneira de deter o Carnificina. Sabia que, não importava o quanto tentasse acreditar em segundas chances, estava diante de uma besta incontrolável. Sabia o que tinha de ser feito.
Mas ainda não sabia se era capaz de ir até o fim.
John Jameson estava dividido entre sair dali e ajudar o Aranha, mas, ao ver os dois passarem a sua frente num balé de destruição, ficou paralisado. A luta continuou em outro cômodo, quando o Vigilante chegou:
Que diabos...?
Acho que não estamos à altura, Semeghini.
Mas nós precisamos...
Carol! Onde está a Carol?
Eu a deixei lá atrás, está segura.
Vamos tirá-la daqui, é o melhor que podemos fazer por hora.
E o Aranha, Jameson?
Vamos...
Um estrondo os interrompeu. Outra divisória foi derrubada. O Aranha caiu em cima do Carnificina, dando tantos socos quanto possível. Mas interrompeu a série antes de nocauteá-lo, saltando para trás até uma parede e evitando o contra-ataque de Kasady. Se o simbionte entrasse em contato com o seu sangue, estaria condenado. Semeghini e Jameson se olharam, transmitindo a mensagem.
Enquanto o chefe de segurança do Ravencroft ia buscar a Dra Carrol para tirá-la de lá, o Vigilante sacou suas armas e começou a disparar contra o Carnificina:
Pare com isso, seu IMBECIL! Que idéia foi essa de se banhar em açúcar!? AÇÚCAR, faça-me o favor!
O Aranha tentava conter Kasady com suas teias, mas foi arrancado da parede com violência e arremessado em cima do Vigilante.
Vocês dois já estão me cansando... Hora de morrer, crianças...
Kasady, ainda dá tempo de...
One, two... Carnage is coming for you
Eu odeio esse filme. [2]
Era a Dra Carrol. Ela arremessou alguns pacotes de açúcar em cima de Kasady, que caiu no chão engasgando.
Sua... Argh! Sua DESGRAÇADA!
O Homem-Aranha levantou, agarrando o Carnificina e quebrando uma janela com ele. Um caco de vidro enorme cravou-se nas costas do assassino, prendendo-o ali. A ponta do vidro aparecia, reluzente, em seu peito. Nisso, Jameson tentava puxar a Dra Carrol para fora, enquanto o Vigilante se levantava.
E agora? gritava o Aranha. — E AGORA!?
Me solta... seu...
Acabaram as mortes, Kasady!
Eu mandei me soltar!
Acabou.
O que você... Não! Você NÃO pode fazer isso! PARE!
O Sentido de Aranha começou a disparar. Peter estava cego pelo ódio, consumido em fúria. Finalmente tinha a chance de acabar com o Carnificina de uma vez por todas, acabar com as mortes, acabar com a loucura. Sequer prestou atenção no Sentido de Aranha. Foi quando dois helicópteros desceram até a altura da janela, ficando de frente para o Aranha, e começaram a disparar. O Aranha mal teve tempo de sair da linha de fogo, puxando o Carnificina e estourando o vidro que prendia suas costas. Cada um procurou se proteger da melhor maneira possível. Os helicópteros derrubaram a parede e um pequeno grupo para-militar começou a invasão:
Kasady, o que está acontecendo?
Cletus Kasady parecia ter desmaiado, talvez por causa da gravidade do ferimento em suas costas e por não poder contar com seu simbionte para curá-lo, por causa do açúcar. Os soldados entraram, armas em punho. Jameson, o Vigilante e o Homem-Aranha estavam cansados, não tinham chance contra uma tropa de elite e sequer sabiam o que aquela invasão significava. Nesse momento, os Titãs chegaram e entraram no combate:
Estelar, Mutano... Ataquem com tudo! Justiça, cubra os reféns! Ravena, venha comigo!
Asa Noturna, o que está havendo?
Acabamos de saber pela linha dos Titãs, Aranha. Esses helicópteros nem são americanos. Suspeitamos que estejam aqui para levar o Kasady. Você está bem?
Agora estou.
A chegada dos Titãs mudou o panorama de uma batalha que parecia perdida. Mesmo Jameson e o Vigilante resolveram voltar ao combate, contra aqueles terroristas. A Dra Carrol pensou em aproveitar a confusão para, finalmente, sair dali antes que o teto cedesse. Uma mão forte agarrou seu pulso.
Era o Carnificina.
Ela sentiu sua pele ser cortada. Fez força para se soltar, mas foi inútil. O açúcar que cobria seu corpo era inútil agora.
Estava infectada.
Olhou para Kasady, desesperada. O maníaco piscou para ela e mandou um beijo, soltando-a em seguida. O caco de vidro em suas costas ainda o impedia de se mexer, mas não de matar.
Carol Carrol se levantou e correu em direção a uma janela, sem nem mesmo entender o porquê. Talvez buscasse ar, talvez buscasse a liberdade. Talvez, se pudesse voar para longe, o Carnificina não conseguisse matá-la. Os disparos de um dos helicópteros contra o prédio terminaram por derrubar uma parte do teto, comprometendo toda a estrutura. A Dra Carrol olhou para o alto, alheia ao conflito, sentindo o ar fresco da noite pela primeira vez. Parecia aliviar sua pele, cada vez mais quente, febril. Seu sangue abandonou seu corpo em uma nuvem rubra, na forma de bilhões de espinhos, controlados por Kasady, através dos poros de sua pele. Apesar da violenta agonia, sua morte foi lenta, saboreada em todos os seus instantes pelo maior assassino de Nova York.
Carol... Não!
O grito de Jameson não foi ouvido. As explosões continuaram. Justiça usou toda sua telecinésia para tentar conter o desabamento do prédio, enquanto os outros continuavam lutando. Um dos soldados conseguiu agarrar Kasady:
Você vem conosco, Malaika!
O soldado saltou pela parede destruída, carregando Kasady, enquanto os outros lhe davam cobertura. Apenas um deles foi detido por Mutano, na forma de um tigre, enquanto os outros fugiam. O Homem-Aranha correu em direção do soldado que Garth segurava:
Quem é você? Para onde levaram Kasady? Responda!
Mas ele já estava morto. Tinha ingerido veneno ao ser capturado.
Os helicópteros continuavam disparando pequenos mísseis. Enquanto Justiça tentava deter o bombardeio, Estelar foi atrás deles, segurando um pela cauda e forçando-o a pousar. A aterrissagem forçada destruiu as hélices do helicóptero, que ficou seriamente danificado. Estelar entrou, mas, exceto pelo piloto, não havia ninguém lá:
Quem são vocês? Para onde estão levando o Carnificina?
O soldado apenas sorriu, ao apertar um botão num controle em seu pulso. A explosão atordoou Kory, que não conseguiu se recuperar a tempo de procurar o outro helicóptero.
O Carnificina tinha sido levado
Enquanto a polícia conversava com a Imprensa, tentando explicar como dois helicópteros invadiram o espaço aéreo americano sem serem identificados, o Homem-Aranha, o Vigilante e os Titãs conversavam:
Obrigado pela força, Asa Noturna.
Disponha. Você é o novo Vigilante?
Era. Acho que não sirvo pra essa vida.
Acho que, depois de encarar o Carnificina, todo mundo pensa nisso. Mas você se saiu bem...
Não o encoraje, Asa cortou o Homem-Aranha. Não depois do que aconteceu essa noite.
Eu lamento, Aranha respondeu o líder dos Titãs. Queria ter chegado antes, mas nossas ações são limitadas por ordens federais. Fica difícil fazer algo bem feito sob a batuta de Lex Luthor.
Compreensível respondeu o Vigilante.
Bem-vindos à Terra das Oportunidades completou o Aranha. Mais de 100 pessoas morreram, entre funcionários e policiais. E a Dra Carrol nos deu a chave da vitória, mas nós...
O Aranha pareceu engasgar sob a máscara. Sempre que fechava os olhos, via a nuvem rubra ao redor de Carol Carrol, enquanto ela tentava correr para se salvar. Asa Noturna o sacudiu pelo braço:
Mas nós impedimos Kasady de ir para as ruas, Aranha!
Eu quase o matei, Asa... Eu quase... O Aranha lançou um olhar para as armas do Vigilante. O que ele fez com a gente?
Você conhece o Carnificina melhor do que qualquer um de nós. O que eu consegui nos arquivos dos Titãs parecia algo do Stephen King, mas você já o enfrentou várias vezes e venceu. E nós vamos vencer de novo, quando ele voltar.
A que preço?
Não será nossa alma, Aranha. Eu garanto.
Lentamente, Semeghini começou a se afastar. Sentiu que, uma hora, o Aranha iria virar para ele e dizer algo como sua laia de assassinos, e não estava a fim de ouvir. Já tinha decidido: não vestiria a máscara novamente, seus dias como Vigilante estavam acabados.
E eu nem queria um codinome...
Semega!
Era o Aranha.
Ei, Semega... Você... Você se saiu bem.
Obrigado, Aranha.
Acho que... Bom, depois do que aconteceu... Acho que consigo entender sua posição. [3]
Eu sabia que...
Não pense que eu tenho orgulho disso...
Não é pra ter orgulho, Aranha. É para fazer o que deve ser feito. Se matar o Carnificina pudesse salvar a Dra Carrol, eu mesmo o teria feito. Se pudesse salvar cada um dos meus homens que entrou naquele prédio, eu mesmo o teria feito. — Como você consegue dormir depois disso?
Acha que consigo? respondeu Semeghini, sentindo uma provocação no ar. — Não sei. Eu tenho certeza que não vou conseguir. respondeu o Aranha, olhando para o céu, minutos antes do alvorecer. Não era uma provocação, afinal.
Era um pedido de conselho. Ele ainda está à solta.
Nós ainda podemos lutar.
John Jameson?
Quem? Oh! Mary Jane Watson, certo?
Sim, você viu se... Estão todos bem?
Nem todos. Perdi muito do meu pessoal lá.
Os Titãs, o Aranha? Eles...?
Ah,estão bem. Se não fosse por eles, o Carnificina estaria nas ruas, agora. Não sabemos para onde ele foi levado, mas certamente haverá uma investigação.
Mary Jane respirou aliviada. Não tinha visto Peter desde o fim dos tumultos, mas agora sabia que tudo tinha acabado bem. John Jameson se levantou, ainda muito sujo e bastante machucado.
Céus, Jameson! Você está bem?
Ah, estou sim. Você devia ver o outro cara...
Hahahaha! E quanto a seu pai?
A polícia está com ele. O velho é hipertenso, deve estar com o coração na mão. Eu vou pra casa agora ficar com ele.
Nada como dar notícias para quem se ama...
Como assim?
Nada, nada.
Os dois se olharam por alguns instantes, sem dizer nada. Jameson sabia que não estava nada apresentável, mas não quis perder a oportunidade:
Escuta, talvez não seja uma hora muito... propícia. Mas que tal se... Bom, se a gente fosse jantar ou algo assim?
Algo assim?
Sim. Tipo, um encontro. Nos conhecermos melhor.
Nem sinal do Aranha.
Mary Jane aceitou.
[1] = Essa fala em itálico do Carnificina é, na verdade, a introdução do filme Exorcista II o Herege, mas não foi por isso que eu a utilizei. Ela só aparece nessa história porque também foi usada como introdução nos shows do Guns n Roses em sua turnê 2001, que cobriu o Brasil (Rock in Rio), Europa, Ásia e América do Norte =o]
[2] = O filme a que o Homem-Aranha se refere é A Hora do Pesadelo, de onde foi tirada a música que Kasady estava cantando.
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