The Amazing Spider-Man

15 Capitulo 15 - Nova Iorque Congelada


Bendito Sentido de Aranha. Só ele mesmo pra salvar me nessas horas. Pena que o Demolidor não tem, apesar dos sentidos amplificados. Ele foi atingido por um raio congelante do Sr. Frio, e está envolto num tremendo bloco de gelo (*). O cara tentou fazer o mesmo comigo, mas desviei do disparo em cima da hora. Preciso tirar Matt dali o mais rápido possível, senão ele tá morto. O negócio agora é partir pra cima e conseguir tempo.

O Homem Aranha salta para a direita um segundo antes do disparo do Sr.Frio. Ele dispara uma teia de impacto e acerta o cano da arma de Frio, impedindo que ele faça novos disparos. Em seguida salta em direção à Frio, e o combate se inicia. O Aranha acerta três golpes seguidos, usando sua força e agilidade. Pouco consegue fazer, pois a armadura de Frio é muito resistente e confere a ele uma força acima da média humana. É justamente com essa força que Frio revida, esmurrando o herói com violência. O Homem Aranha cai, e Frio consegue arrebentar a teia que tampa o cano de sua arma. Quando está prestes a atirar contra o Aracnídeo, um bip intermitente é ouvido, vindo de uma outra sala. Uma feição de preocupação se formadentro do gélido capacete de Victor Fries, que diz:

– Por Deus, os controles de descongelamento da câmara! Nora!

O vilão corre em direção à outra sala, e o Homem-Aranha usa esse tempo para se recuperar e libertar o Demolidor. Ele pára em frente ao bloco de gelo ao qual o Homem Sem Medo está preso, e com toda sua força, golpeia as laterais do bloco com as mãos cerradas. O bloco racha, e o Homem-Aranha arranca as pedras de gelo que envolvem o Demolidor, que cai no chão desacordado. O Aracnídeo coloca os dedos sobre a jugular do parceiro e percebe que não há pulsação. Desesperado, o herói executa massagem cardíaca e após retirar parcialmente sua máscara, respiração boca-a-boca. Tensos segundos se passam.

– “Vamos Matt, acorda! Você tem muita gente pra salvar ainda!” – Pensa o Homem-Aranha.

– Cof, Cof, Cof, Cof! Aranha… — O Demolidor balbucia.

– Calma cara... você tá legal?

– Não... Foi a pior experiência da minha vida... Deus, achei que ia morrer! – A voz do Homem Sem Medo ainda sai fraca.

– Precisamos achar um jeito de Nova York voltar ao normal. Não tô a fim de morar em iglu!

– Meus sentidos dizem que Frio está na outra sala.

– Você consegue?

– Eu preciso.

Os heróis se levantam e correm até a outra sala, sem perceber uma pequena luz que começa a piscar no painel do tanque criogênico de Nora Fries.

Os heróis correm pelo corredor quando encontram o Sr. Frio. Ele imediatamente dispara um raio congelante em direção aos heróis, que desviam-se, o Aranha grudando no teto e o Demolidor saltando para direita, que imediatamente arremessa seu bastão contra o vilão, desarmando-o. O Homem Sem Medo salta e atinge Frio com uma voadora, que se desequilibra.

– Aranha, tente reverter o processo! Eu cuido dele! – Fala o Demolidor.

– Pode deixar. – Responde o Homem-Aranha.

– Não! Nora! Frio atinge Murdock com um soco, derrubando-o, e corre atrás do Homem-Aranha, quando suas pernas são presas pelo cabo do bastão do Demolidor. Ele alcança sua arma e dispara, atingindo a mão do herói.

– Ah, não! De novo não, seu maldito – Diz Murdock, visivelmente enervado. Ele atinge o capacete de Frio com o gelo que encobre sua mão, quebrando o gelo e o capacete.

O vilão cai de joelhos e apóia as mãos no chão. O Demolidor se agacha a alguns metros dele, segurando a mão direita, como se isso pudesse aquecê-la com todo o gelo que cobre a cidade. O Sr. Frio apanha sua arma, caída ao seu lado. Ele se levanta com dificuldades e aponta para o Demolidor, que o olha fixamente.

– Vou acabar com você desgraçado!

– Você nunca ouviu falar em campanha de desarmamento? Peraí que eu já te dou a sua pistola d’água! – Fala o Homem-Aranha, enquanto dispara sua teia, que gruda na arma de Frio, e com um puxão, tira das mãos do vilão.

– Eu descobri como reverter o processo, Demolidor! – O Amigão da Vizinhança prossegue. – A arma do nosso picolé aqui é o catalizador do processo, e o câmara criogênica amplifica as ondas da arma, congelando tudo em vários quilômetros. É só colocar a arma de volta, e com alguns ajustes, a gente reverte o processo, ligando a arma à uma fonte de calor.

– Não! Desgraçados! Nora vai morrer! Eu vou matá-los! Eu vou...

– Victor?

Para Victor Fries, o mundo parece parar. Há quanto tempo ele não ouvia essa voz? Há quanto tempo ele não sentia o cheiro dela, o perfume de lavanda? O ódio se vai. Ele se sente como se uma injeção de vida tivesse lhe sido aplicada. Pela primeira vez em anos, ele sente calor. A felicidade toma seu ser enquanto ele se vira e ao contemplar a esposa, olhando para ele, falando com ele, viva enfim, ele diz:

– Nora...

– O que aconteceu com você, Victor?

– Isso não importa agora, meu amor! Você está viva! Como eu sonhei com esse momento!

– Victor, eu me sinto estranha...

– O que aconteceu, meu amor?

– Era o que eu ia dizer em seguida, Frio. Há um erro de cálculo na cura da Dra. McGee. – Fala o Homem-Aranha. – A degeneração celular se acelerou, por algum motivo que ela não previu. Sua esposa precisa ser congelada novamente, senão ela vai morrer em poucos minutos.

Transtornado, Frio parece não aceitar o que está acontecendo. Ele tenta pensar em milésimos de segundo, enquanto Nora Fries fraqueja em seus braços. Ele sabe que não tem alternativa e a leva para câmara criogênica, enquanto o Homem-Aranha volta à sala de controle e ajusta os controles. O Demolidor acompanha Frio e o vê colocar a esposa de volta no tanque criogênico que foi sua morada por tantos anos. O herói entende realmente o quanto um homem pode enlouquecer por amor a uma mulher, e quanto uma fagulha de esperança pode mantê-lo vivo.

– Nora, não há outra maneira...

– Eu entendo, meu amor. Vou esperar por você mais um pouco.

– Eu te amo, Nora. Com todo o meu coração.

– E eu amo você, Victor Fries. Para sempre. Até breve.

– Até breve.

O Sr. Frio prosta-se, sua esposa fecha os olhos, e em segundos, o processo de criogenia se inicia. Minutos depois tudo está terminado, e Nora Fries volta a ser uma forma presa ao gelo. Em seguida, o Homem-Aranha liga a arma de Frio à câmara criogênica, conecta um cabo a um aquecedor experimental localizado no laboratório e após isolar o tanque de Nora, liga o aparelho, que a princípio parece não funcionar, visto que o próprio aquecedor está congelado. Logo a aquecedor vence o gelo, e o calor passa a irradiar através da arma, que é amplificado e começa a derreter a camada de gelo que cobre a universidade, e em seguida toda a cidade. O processo levará algumas horas, mas a cidade de Nova York está salva.

Uma hora depois, a SHIELD chega à Universidade Empire State, depois de um chamado do Demolidor. As equipes da agência de segurança se espalham pelo local, e o tanque de Nora Fries é levado pelos agentes, onde seu caso será estudado, segundo afirma Dum-Dum Dungan, o chefe da operação. Na entrada do prédio, o Homem-Aranha e o Demolidor observam a SHIELD fazer o seu trabalho e minutos depois, retirar-se do local. Três agentes escoltam um algemado Sr. Frio, que ao passar pelos heróis, diz:

– Esperem. – Os agentes param.

– Apesar de tudo, eu gostaria de agradecer a vocês dois. – Ele continua. – Ver minha esposa novamente, falar com ela, foi o melhor presente de Natal que eu poderia ter recebido. Obrigado. – Ele abaixa a cabeça e é levado, deixando os dois heróis sem palavras.

O dia começa a amanhecer. Do alto do prédio da Universidade Empire State, o Homem-Aranha e o Demolidor observam o nascer do Sol, e alguns blocos de gelo derreterem lentamente perto dali. Eles não tem muito o que dizer. O que aconteceu esta noite os tocou, e as palavras de Frio ainda mais.

– A linha que nos divide dos vilões é tão fina... O trauma que criou Frio é tão parecido com os nossos próprios que é impossível deixar de pensar que poderia ter acontecido diferente conosco... – Fala o Demolidor

– É... eu ouvi isso uma vez em algum lugar. O que nos separa dos loucos é apenas um dia ruim...

– Todos nós temos um dia ruim na vida. Eu mesmo já tive vários...

– Ah! Você precisa ouvir a minha história! Não dou quinze minutos pra você começar a chorar como um bebê!

– Hehehehe... Eu imagino. Bom, é melhor eu ir andando. Feliz Natal, Peter.

– Feliz Natal, Matt.

O Demolidor atira o gancho do bastão, e balança em direção ao centro. O Homem-Aranha o observa partir, refletindo sobre todos os sofrimentos que tiveram em suas vidas, sorri sob máscara e pensa: “Ainda bem que nós viemos pro lado certo da linha...”. Ele dispara sua teia e segue em direção ao Queens, pensando somente em tomar um belo banho quente e tomar café com tia May.