The Alliance
1 A Origem do NV - 15
Notas iniciais
Sgt. Roddick Willians — Sede secreta de operações da C.E.G.A 14 de Março de 1952 — 09:46 PM
" ... tudo pela soberania. Armamentos de alto nível, soldados que batalham pela nação, a mais alta tecnologia, a C.E.G.A não mede esforços quando se trata de desenvolvimento bélico e poderio militar. "
Um rapaz de jaleco entrou pela porta lateral da sala batendo palmas, com certeza não era um militar, não era forte, não era alto, aparentava ter uns cinquenta anos. O cabelo grisalho extremamente bagunçado, as rugas e marcas de expressão faziam parecer que ele não descansava a meses.
— Sou o Dr. Hollmack Holdvitch, presidente da C.E.G.A e idealizador do Projeto de Guerra Avançado.
Algumas pessoas soltaram aplausos curtos, alguns militares de alta patente e outros "enjalecados" que se encontravam na sala.
— Bem, como puderam ver no nosso vídeo institucional — que mais parecia uma propaganda patriota e utópica — a C.E.G.A foi fundada em 1950 com o objetivo de desenvolver para nossa nação técnicas, armamentos e soldados de alto produtividade com a ajuda de tecnologia de nível único que nenhum outro país sonha possuir — ele possuía um sotaque diferente, com certeza não era americano, pelo sobrenome pude imaginar Alemanha — mas vamos ao que interessa, por que chamamos ...
— E por que um alemão trabalharia desenvolvendo armamentos para os EUA ? — Ele foi interrompido por um tenente que estava sentado no fundo da sala — não acredito que o presidente confiaria a inimigos o cuidado de assuntos tão importantes.
O alemão de jaleco sorriu:
— Aah Tenente Dickson não estamos mais em guerra — o rosto do Tenente mostrava nitidamente que ele não sabia como o doutor sabia seu nome — eu trabalho para a América pois sei que vocês atualmente possuem o poder de reconstruir o globo a vossa vontade, poder esse que a Alemanha não conseguirá e a propósito Tenente, você verá que o que fazemos aqui é muito mais que simplesmente desenvolver armamentos.
Ele virou o rosto ignorando a possível resposta que o Tenente preparava e continuou:
— Se puderem, gostaria de lhes mostrar o mais novo projeto da C.E.G.A, por favor, por aqui.
Ele saiu pela porta dos fundos e todos na sala se levantaram para segui-lo, olhei para o meu lado e tinha um rapaz de terno que parecia um empresário muito rico, ele me disse:
— Gostei dele.
Eu fiz que sim com a cabeça mas algo ainda me fazia sentir desconfortável em relação aquilo.
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Sgt. Roddick Willians — Sede secreta de operações da C.E.G.A
14 de Março de 1952 — 10:04 PM
O Dr. Holdvitch nos conduzia por um longo corredor, painéis de vidro mostravam o que as salas ao lado desenvolviam. Não havia pessoas, apenas máquinas, algumas empilhavam coisas, outras incineravam materiais pesados que pareciam aço, outras processavam substâncias, todas trabalhavam em uma velocidade incrível, nunca tinha visto nada igual.
Nem mesmo o Tenente Dickson que vinha andando com a cara fechada pode esconder o fascínio pelo trabalho das máquinas.
— Incrível — ele soltou.
Ao final do corredor havia quatro seguranças, eles tinham em mãos armas muito estranhas, eram grandes e tinha um cano alongado com uma bolsa de líquido fluorescente em baixo, as roupas que vestiam eram mais estranhas ainda, não eram roupas pareciam mais com armaduras, feitas de um roxo escuro pareciam com algum tipo de metal que não consegui identificar, cobria os ombros, braços, pernas , peito e parte do rosto. Eles estavam de frente uma porta que parecia de um elevador, quando o Dr. se aproximou eles se afastaram e a porta se abriu revelando realmente um elevador.
Entramos todos, no elevador existia botões para centenas de andares, imaginei que fossem todos subterrâneos já que o edifício parecia mais uma galeria de tão pequeno. Ficamos esperando que o Dr. selecionasse algum andar, mas então ele não clicou apenas em um, ele fez algo que parecia uma combinação. Tive de me apoiar nas paredes e no oriental sabichão atrás de mim pois o elevador era extremamente veloz e parecia estar mudando de direção várias vezes, horizontal, vertical, diagonal, talvez algum outro sentido que não consegui identificar. Depois de alguns minutos naquela máquina de terror a porta se abriu e estávamos em um outro corredor. Dessa vez não era branco, ele parecia ter seu interior revestido de um tipo de borracha roxa do mesmo tom da armadura dos guardas.
Algumas pessoas suspiravam impressionadas, aquilo chegava a ser assustador. Eu já havia sido chamado para diversas sedes de desenvolvimento bélico mas nunca tinha visto nada parecido.
Um rapaz de jaleco apressou o passo até ficar ao lado do Dr. Holdvitch.
— Dr. Jilmore, alguma dúvida ? — Perguntou o Alemão.
— Ah sim, bem Dr. Holdvitch, eu trabalho com Técnicas de Guerra para os EUA a 20 anos, já visitei diversas bases como essa então devo dizer que não estão impressionado como meus amigos militares atras de mim, — seu rosto não confirmava sua fala — mas se me permite a pergunta ... as máquinas que vocês utilizam são produzidas pela P.S.S ? Por que se não sabe é a melhor industria de máquinas para esses fins.
O alemão riu:
— Hah... Sim Dr. Jilmore eu conheço o senhor muito bem, conheço todos os colegas que aqui chamei... Bem a C.E.G.A não utiliza técnicas e máquinas comuns, todas máquinas utilizadas são produzidas aqui mesmo, e para efeito de comparação são quinze vezes mais eficientes que as da P.S.S .
O outro doutor congelou espantado.
— Isso é ... fora ... fora do comum — gaguejou ele.
— E quando foi que achou que a C.E.G.A era uma organização comum ?
O Dr Holdvitch continou andando deixando Jilmore para trás.
Mas ao fim do corredor uma outra sala mostrava uma grande estante com armamentos que eu em meus 34 anos de militar nunca havia visto algo similar. Tinha armas gigantescas com munição plugada que parecia um líquido fluorescente, algumas possuíam alguns acessórios de LED rosa, verde, laranja. Se eu tivesse que imaginar armas alienígenas aquela seria uma ótima definição. Um rapaz entrou na sala, foi até a estante e pegou uma das armas, ele apontou para um alvo no fim da sala e disparou, uma rajada de plasma saiu e desintegrou o alvo inteiro instantaneamente.
A sala ficou para trás enquanto o Dr. Alemão caminhava sem esboçar reação nenhuma como se aquilo tivesse sido a coisa mais normal do mundo.
No final do corredor, chegamos em uma porta de aço redonda bem grande guardada por mais 4 seguranças similares ao do outro corredor, e na porta os seguintes escritos cravados no metal: P.G.A
— Projeto de Guerra Avançado disse um enjalecado com aparência oriental que estava atrás de mim.
— Exatamente — concordou o Dr. enquanto colocava sua mão em um sensor de LED ao lado da porta .
Uma voz feminina meio robotizada dizia:
— Entrada Autorizada Dr. Holdvitch.
A porta redonda se abriu em forma de espiral e então nos deparamos com um salão enorme em formato de calota esférica toda revestida do mesmo tipo de borracha roxa. Eu não conseguia nem se quer entender o que eu via.
Logo na entrada tinha dois homens que jogavam um para o outro esferas maciças roxas, um deles deixou uma cair, o chão inteiro tremeu, uma cratera ficou onde a esfera havia caído enquanto o outro levantava a bola rindo alto, aquilo deveria pesar algumas toneladas.
Mas ao lado pude ver um homem e uma mulher apostando corrida em uma velocidade inacreditável, mal era possível ver os dois se movendo. Ao fundo da sala uma homem de olhos fechados com uma das mãos estendida levantava um canhão de guerra antigo meio metro do chão sem nem ao menos estar perto do objeto. Existia mais dezenas de pessoas na sala, fazendo as coisas mais bizarras e impossíveis que já vi.. invisibilidade, transmutação... e várias outras pessoas caminhavam anotando algo que imaginei ser o desempenho dos soldados em uma caderneta.
— Que diabos é isso ? — perguntei.
— São alienígenas ?
— Incrível !
— Como é possível ?
Os comentários não paravam.
— Calma senhores, calma.. Sejam bem vindos a área mais secreta da C.E.G.A a área de Super Soldados do P.G.A — exclamou o Dr. Holdvitch
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Sgt. Roddick Willians — Sede secreta de operações da C.E.G.A
14 de Março de 1952 — 11:43 PM
Após o Dr. Holdvitch nós explicar todos os mais de cem tipos de habilidades que as pessoas no salão possuíam, inclusive um rapaz que disparava feixes de luz azul e conseguia sair andando por todo o salão enquanto placas dessa luz azul apareciam sobre seus pés fazendo com que ele levitasse, ele nós guiou até uma sala aos fundos onde podíamos ver tudo que acontecia no salão por um painel de vidro que pelo tamanho da parede aparentava ter quase um metro de espessura. Sentamos todos em uma mesa circular que possuía o número exato de cadeira para nós.
— Bem senhores, creio que não há forma melhor de mostrar a eficiência de nossos serviços do que com o nosso Projeto de Guerra Avançado — começou o Dr. — o que vocês viram foram soldados, os poucos que não morreram no processo, com habilidades incríveis de controlar um campo de batalha. Esses soldados foram criados para servir o país na luta pela soberania estadunidense e apesar de estarem em fase de testes como puderam ver já mostram resultados satisfatórios.
— Como assim não morreram no processo ? — perguntei.
O Dr. olhou para mim, seu olhar parecia como o de alguém que está prestes a dar uma resposta que deveria ser óbvio para mim.
— Sgt. Willians, como todo bom projeto, esse também possui fase de testes e falhas, esses soldados passam por uma longa exposição a uma substância que chamamos de NV-15...
— Um vírus quer dizer ? — perguntou um outro enjalecado ao meu lado
— Chame como quiser — respondeu o Dr. — o fato é que essa substância não deu resultados imediatos, muitos dos candidatos não resistiram ao NV e faleceram, outros simplesmente morreram nas provas de teste de eficiência... Carbonizados, esmagados, fuzilados.. isso não importa não é mesmo ?
— Claro que importa, são vidas — respondeu o oriental de antes.
— Vidas de soldados, eles decidiram servir para um bem maior — disse o Tenente Dickson
— Na verdade Tenente, não são soldados, são candidatos civis, voluntários de diversas regiões pelo país.
Todos se entreolharam assustados.
— Isso é desumano — exclamei indignado — e a família ? Filhos ? Esposas ?
— A guerra é desumana — Respondeu o Dr. rapidamente — e qual parte do voluntários você não ouviu Sgt.?
Fiquei sem resposta, mas ainda não concordava com tudo aquilo. Quantos poderiam ter morrido ? Centenas ? Milhares ?
— E se eles se rebelarem ? — perguntou um dos militares.
— Bem, nós ainda estamos trabalhando em um método eficiente de controle de massa — respondeu o Dr. — é por isso que mantemos eles aqui por enquanto.
Aquela borracha roxa ao redor do salão deveria ter algo a ver com isso.
— Incrível — exclamou o Dr Jilmore — quanto tempo até a apresentação para o Presidente ?
— Um ano, talvez consigamos diminuir alguns meses.
Todos pareciam fascinados, apenas eu e o cientista oriental não parecíamos tão contentes com aquilo, o Dr. pareceu perceber pois olhou para mim e disse:
— Aah Sgt. você trabalha para a guerra há muito tempo, deveria entender que esse o futuro, a chave para a sobrevivência do povo americano...
— Milhões de vida foram prejudicadas nessa tentativa.
— Um número irrelevante para os milhões que serão poupados com esses soldados no campo de batalha.
Eu não continuei, talvez ele tivesse razão, a guerra sempre foi assim, alguns morrem em prol de muitos.
— Para seguir com o projeto preciso que vocês assinem um termo de concordância, apenas para fim de mostrar ao Presidente que nosso projeto é de extrema importância para o futuro.
Uma figura adentrou a sala, ele utilizava a mesma roupa roxa dos guardas mas dessa vez parecia mais leve, ele colocou um documento sobre a mesa e saiu da sala. O Dr. se levantou e foi passando com o documento para um por um assinar.
O oriental se negou a assinar e exclamou que eramos loucos de aceitar algo assim. O Dr. Holdvitch pediu para um dos guardas o levar até a saída mas seu olhar parecia estar pedindo para fazer outra coisa com o cientista.
Quando o documento chegou em minhas mãos, eu olhei para o Dr. e ele disse:
— Este é o futuro Sgt.
Eu olhei para a caneta nas mãos dele, peguei-a e assinei o papel.
Após isso o Dr. nos conduziu para o elevador novamente e na minha cabeça eu tinha acabado de cometer o maior erro da minha vida.
Notas finais
O cap 2 está pronto só esperando o feedback desse aqui para ser postado.
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