Pov Ian:

Depois do jantar eu e Amy fomos atacados por alguns caras que tentaram nos matar. Natalie estava certa. Soltaram dois reféns depois tentaram matar nos dois. Obviamente não podia ser só coincidência. Enfim depois que escapamos voltamos para a casa e lá Natalie nos esperava com uma cara fechada. Só de olhar nos olhos dela vi que de algum jeito ela descobriu. Como?

—Sabe que não pode esconder as coisas de mim Ian. E como eu descobri também não importa.-Fala Natalie.

—Amy...Vai pra cama...Esta tarde e essa conversa vai durar muito tempo.-Digo.

Ela sobe as escadas rapidamente.

—Eu não acredito que você me privou de ver o meu próprio pai.-Diz Natalie.

—Natalie eu...

—Calado porque eu ainda não terminei. Eu calculei todas as respostas para todas as possíveis desculpas que você pode me dar. Primeiro:Eu estou muito grande já. Não preciso da sua proteção e você tem que me deixar crescer. Segundo:Não pode agir como se fosse o meu pai. O Vikram é e eu deveria estar lá para ve-lo. Se eu fosse ser magoada superaria depois. Como sempre faço. Terceiro:Você não só foi machista em duvidar de que eu posso tomar minhas próprias decisões como também duvidou de várias outras coisas que eu me envolvi e me fez sentir como um bebê. Se liga Ian eu não preciso de você pra tudo tá? E Quarto:Você está tão apaixonado pela Amy assim a ponto de gostar mais dela do que da sua própria irmã?

—Natalie...Eu sinto muito você está certa...

—E cala a boquinha porque ainda tem mais e...Perai...O que você disse?

—Voce está certa. É só que sabe...Irmaos mais velhos tem esse...Instinto de proteção estranho com os irmãos mais novos...Sei que também não justifica mais...Isso está sempre aqui...E eu sinto muito. Eu acho que...Estou tentando compensar tanto pra você tanto pra mim a falta de pais...Mas eu não posso fazer isso...E você tem razão. Sobre tudo...Nao posso estar sempre com você, não posso achar que tenho o direito de tomar decisões por você, não posso duvidar de você, não posso estar sempre com você. Se bobear você é mais madura do que eu. Eu me arrependi de ter levado a Amy assim que cheguei no restaurante. Você deveria ter estado lá. Poderia ter estreiado o vestido que o Ronald te deu. E o Vikram poderia ser um pai normal uma vez na vida e dizer que você estava linda e ficar com ciúmes do decote e mandar eu te dar minha jaqueta.

Ela ri.

—E outra coisa que eu tenho que entender é que você não sou eu e eu nao posso te controlar. Só porque eu não gosto do Vikram não signifique que você tenha que odia-lo também. Enfim...Eu errei muito hoje...Como posso te recompensar por isso?

—Ahn...Me dê seu cartão de crédito. Todos eles.-Diz Natalie.

—Ah qual é? Você vai tentar me falir?-Digo.

—Não. É só que...Tudo nessa casa grita memórias ruins com a Isabel. E ela não mora mais aqui. Ai eu pensei de nós livrarmos das memórias ruins e começar as novas. Parar de pensar no passado e construir um bom futuro. E eu pensei de novo...Porque não começar pela nossa casa? Vou redecorar um cômodo de cada vez. Se o Ronald deixar é claro.

—É uma ótima idéia Nat. Mas é sério precisa usar os meus cartões de crédito pra isso?

—Voce vai ter que me aguentar.-Exclama ela rindo.

Dou pra ela meus 28 cartões de crédito e nós vamos dormir. Ela disse que começaria amanhã. Me lembro de uma conversa que ouvi a Natalie e a Sophie tendo.

===========FLASHBACK ON===========

Natalie estava deitada na cama dela é estava conversando com a Sophie pelo celular. Ela sempre esquece a porta dela é resolvi ouvir a conversa delas. Sei que isso é feio mas a curiosidade foi mais forte do que eu.

—E você acha que vai fazer faculdade aí em Sydney?

—Eu acho que sim...Eu sei que combinamos de ir pra faculdade juntas mas...Sinto que a Austrália é o meu lugar e...

—Nao Sophie tá tudo bem. Temos lugares diferentes no mundo mas isso não vai nos impedir de ser amigas.

—É sério? Obrigada por entender Nat.

—De Nada.

—Mas então mudando de assunto ainda não sabe o que vai querer ser?

—Nao é tão fácil escolher.

—Isso é porque você é boa em um monte de coisas.

—Sim mas todas são relacionadas a artes. Eu sou ser artista plástica, dançarina e atriz porque são as únicas coisas que eu sou boa nas quais eu posso investir. Você pode investir em um monte de coisas.

—Tipo quais Sophie?

—Atriz também pois tecnicamente mentiras são uma forma de atuação e lucians também são bons com disfarçes, cantora porque sua voz é linda, modelo porque você é linda e carismática, estilista ou dona de salões de belezas e joalherias porque você é criativa e entende de moda, organizadora de eventos ou design de interiores porque você é organizada, perfeccionista e sabe decorar um lugar ou organizar um evento. Escritora porque a galera do jornal da escola adora você e você tem uma escrita impecável. Apresentadora de um programa ou de uma rádio porque você é divertida, engraçada e sabe conduzir as palavras de uma maneira. Digital Influencer como YouTuber porque convenhamos eu iria muito ver suas dicas de maquiagem e roupas. É muito mais se eu fosse citar tudo eu ficaria aqui por horas.

Natalie estava parecendo considerar todas essas opções.

—Sabe...O problema obviamente não é medo de fazer. Porque você é muito corajosa. E além disso conhece muitos lucians e muita gente que podem te colocar no topo, é uma socialite rica com muitos contatos e etc. E se o problema é escolher porque não faz tudo?

—O problema não é nem escolher a profissão. O problema é a faculdade mesmo.

—Ah você pode fazer na LCOGA.

—London College of General Arts? Ficou maluca? Todos os poucos Janus de Londres ficam lá. E eu sei os verdadeiros motivos de você não ter feito aqui:Eu sei que além da daqui não ter nem a escola, só a faculdade, se você entrasse nessa faculdade como garota prodígio todo mundo iria te odiar só por ser minha amiga. E se eu entrasse nessa faculdade, que por acaso oferece todos esses cursos que você falou que eu posso tentar, os Lucian me considerariam mais traidora ainda e os Janus iriam me odiar por invadir o território deles e iriam me humilhar.

—Natalie...Olha seu clã ou seus pais ou qualquer outra coisa não definem quem ou como você é. Você é você e não importam o que os outros digam. Sabe podem existir Ekats que gostam de esportes, ou Tomas que gostam de matemática. Ou Lucians que gostam de Artes. Ou Janus que gostam de venenos. Tecnicamente criação de venenos é uma arte. Olha pra mim por exemplo:Eu gosto de espionagem. Que é uma habilidade mais aprimorada no clã Lucian do que em qualquer outro clã. Eu também gosto de hackear computadores, que é algo que por muito tempo foi exclusivamente Ekaterina. É isso que a causa Madrigal fala sobre:Trabalhar juntos cada um usando suas habilidades e individualidades e você poder ter as habilidades do seu clã e de outro clã. E mudar de clã se quiser. Se você não se encaixa em um clã porque tem que ficar lá? Só porque nasceu lá? Temos o direito de fazer nossas próprias escolhas de vida. Sabe o problema é que a geração de hoje sabe fazer cada vez mais coisas e nossos pais ou pessoas que só tem habilidades de tal clã não admitem que tenhamos habilidades de outro clã. Pra eles mudar de clã é como mudar de sexo. Ser trans. E isso não é um problema. É diferente mas ninguém é igual a ninguém. Malditos padrões estúpidos que a sociedade e cada clã impõe. Temos que aprender a respeitar a diferenças e muitas outras coisas como confiar mais uns nos outros e etc. Eu sei que o que 500 anos construíram não serão apagados tão fácil mas...Acho que os Madrigais estão sendo uma boa borracha por enquanto...

—Gente Sophie deu discurso motivacional aqui agora que...Senhor vou até bater palmas.

Natalie bate palmas e Sophie ri.

—Vou adicionar comediante, psicóloga e ativista na minha lista de profissões.

—Sophie...Se arrepende de ser minha amiga?

—Não. Acredite Natalie:Ser sua amiga foi a melhor escolha que eu já fiz na vida.

==========FLASHBACK OFF===========

Fui dormir e quando acordo a sala de estar estava diferente.

Tinha uma lâmpada com rosas vermelhas de vidro longa que ia quase até o chão, um piano preto com detalhes dourados. Sofás vintages, uma mesinha de centro e varias coisas dignas de castelos pois uma grande parte da nossa casa tinha coisas elegantes da época medieval.

—Comecei pela sala. O que achou? Consegue ver agora que minha ideia foi ótima e que eu tinha razão?

—Esta muito legal. E acho que sim. Acho que um pouco de mudança não é ruim.

É...Minha irmãzinha estava crescendo...

Acho que eu vou ter que me acostumar com isso...