The 100 Untold

4 The 100 Untold S02E10


Notas iniciais
PRIMEIRA VEZ EM QUE CLARKE E LEXA ASSUMEM PARA SI MESMAS, SENTIMENTOS EM RELAÇÃO A OUTRA, AINDA EM SEGREDO. Este capítulo trata-se dos acontecimentos do episódio 10 da 2a temporada da séria The 100. Concentra-se nos pensamentos e sentimentos não explícitos dos personagens em relação aos acontecimentos e relacionamentos, em especial de Clarke e Lexa. AVISO: Há SPOILER do episódio em questão, caso não o tenha assistido ainda melhor não ler se não quiser saber o que acontece na série.

Ali em Ton DC, Clarke sentia-se mais próxima de Finn. Era doentio pensar que ela se sentia assim no local onde ele foi cremado e isso a deixava um pouco envergonhada. Mesmo assim, costumava passar pelo local da cerimônia, apenas na tentativa de sentir a presença dele. Sentava sob a árvore que havia sentado na ocasião, pouco antes da cremação, e isso trazia a sua mente a imagem de uma guerreira, causando-lhe certo embaraçamento, sua pele tornando-se rubra.

Conseguia desta forma suavizar os pensamentos exaustivos de seu povo preso na Montanha, da tensão presente na recém aliança da Arca com os Terra-Firmes, dos perigos naquela terra, das perdas e também de seu pai.

Não longe dali, Lexa ocupava-se em organizar uma reunião com seus generais e líderes guerreiros para bolarem o plano de ataque aos Homens da Montanha. Estar em meio aquela robustez pré-guerra a deixava extasiada, como provar o beijo de alguém que se deseja a muito tempo e sentir seus lábios quentes e a superfície da pele alvoroçada. Era como se sentia.

Não passou muito tempo em seus pensamentos até que alguns homens entraram em sua habitação improvisada, seguidos por Clarke, apenas para seguirem horas de discussões sobre estratégias militares. Quando a loira falava daquele jeito era difícil para a comandante não se admirar com ela. Passava os olhos pelos cabelos dourados levemente cacheados, imaginando-os suados após uma batalha, exalando um perfume naturalmente Real daquela princesa dos céus, apelido descoberto recentemente por ela. Chegou a percorrer outras áreas de pele visível até perceber que encontrava-se num colo de tons suaves e curvas acentuadas, ruborizando-a levemente. Tratou de fixar-se no rosto de Clarke, não em uma característica específica ou reparando-o detalhadamente, mas olhando para ele de forma geral, evitando, sobretudo, aqueles olhos azuis. De fato, os evitou o máximo que pode, mas era difícil se concentrar com os lábios rosados da líder Dos Que Vieram do Céu se movimentando e ela revezava para onde olhar de modo que não se perdesse em nenhum dos dois por muito tempo. Quando deu por si, uma tensa situação colocava Clarke e Quint frente a frente e teve de intervir: “Basta”, disse esfriando a temperatura da sala, tanto de Quint e Clarke como a sua própria.

Apesar dos argumentos contrários, Lexa sabia que nenhum dos dois estavam errados em seu modo de pensar. Era necessário alguém infiltrado na Montanha com toda certeza, mas este não poderia ser todo o plano, então continuou a pensar nas demais opções à suas mãos, mesmo depois que Clarke saiu da sala para “espairecer”, como disse ela. No entanto, Lexa percebeu cada segundo em que a loira esteve ausente e não pode deixar de se preocupar com a sua demora. Olhou em volta a procura de Quint e, não o tendo avistado, saiu correndo pela porta.

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Clarke pisava forte no chão, querendo expelir sua raiva, inspirando o ar tão forte quanto pudesse, preenchendo seus pulmões com o ar molhado da Terra na tentativa de preencher todo o vácuo em seu corpo. Percebeu que não estava sozinha e era seguida por nada menos do que Quint. Uma flecha rasgou o ar próximo a sua cabeça fazendo-a lembrar como correr, parando apenas por Byrne enquanto esta caia sem braço e sem vida à sua frente, retomando os passos após o choque inicial.

O homem a agarrou bruscamente e ela lutava para desvencilhar-se dele, sem sucesso, até que ouviu uma lâmina perfurar o couro de sua mão e lhe tirar um gemido doloroso. Ela olhou para o lado e avistou Lexa com outro Terra-Firme que vieram à sua procura. “A ataque e você estará atacando a mim”, disse a comandante desapontada. Ao ouvir aquelas palavras, Clarke sentiu-se protegida de uma forma tão reconfortante quanto nunca havia sentido antes. Não que seus amigos da Arca ou seus pais não fizessem de tudo sempre para mantê-la a salvo, mas a voz de Lexa tinha um tom de confiança que superava em muito todas as incertezas que ela já havia enfrentado antes. Aquilo a fez agradecer a comandante, ainda sem ter recuperado o fôlego.

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Lexa ouviu o som aterrorizante de Pauna e feriu Quint na perna para que ela e os demais ganhassem tempo ao fugir. Seguiu Clarke até uma passagem que levava até a área de alimentação da fera, ficando encurralados ali. O Terra-Firme que estava com elas foi rapidamente atacado e estraçalhado diante de seus olhos. Lexa sabia do que a besta era capaz e isso não a deixava pensar direito, talvez por isso tenha sido tão desleixada durante a aterrisagem ao pular para um nível inferior do terreno e fraturado seu calcanhar. A sorte não estava a seu favor e o animal agarrou suas pernas. Estava apavorada e pensou que iria morrer. Não queria que Clarke tivesse o mesmo destino e pediu que a saltasse, mas a loira não o fez e ela ficou aborrecida e aliviada ao mesmo tempo. Quando se está encarando a morte, até a comandante se reserva o direito de sentir medo.

Enquanto Clarke improvisava uma tipóia para o braço ferido de Lexa, a paciente sentia a respiração quente e inconstante da aprendiz curandeira muito próximo ao seu pescoço. Não sabia se era realmente necessário aquela proximidade toda para fazer um curativo como aquele e nem se gostava daquela situação, mas os pelos ouriçados e sua pele contraída lhe diziam que sim. “Agora duas morrerão aqui ao invés de uma”, temia.

“Sabe porque te salvei?”- Clarke a questionou. E ela queria saber o porque. “Porque eu preciso de você”. – continuou, recebendo total atenção da comandante, que engoliu a saliva lentamente enquanto a fitava naquela curta distância.

Lexa admitiu, pela primeira vez, que sentia mais sentimentos em relação a líder Dos que Vieram do Céu do que queria. Não era só por admiração ou curiosidade pela outrora oponente que a fazia mantê-la por perto. Ouvir que Clarke precisava dela preenchia seu ego de forma a sentir uma forte estima por si mesma. Todo seu povo precisava de sua comandante, mas seria possível que Clarke precisasse apenas dela? Não sabia, mas à partir daquele momento ela soube que precisava de Clarke. “Não se preocupe”, disse gentilmente com um sorriso maroto em seu rosto, como há tempos não se dirigia a ninguém, “meu espírito escolherá sabiamente por um substituto quando eu morrer”, concluiu.

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Clarke dava um último nó de sustentação no tecido que imobilizava o braço de Lexa. Ela já devia tê-la terminado há algum tempo, mas se prolongava naquela tarefa pelo simples fato de estar gostando de cuidar de Lexa. Afinal, não era sempre que podia estar ao lado da comandante numa posição até certo ponto, de vantagem, onde suas habilidades de cura eram mais necessárias do que as de combate da líder dos Terra-Firmes. Por algum momento, durante aquele trabalho, tinha se esquecido do monstro que as perseguiam, dos Homens da Montanha e até mesmo de Finn e seu de pai. Era surpreendente como estar próximo a morena a deixava tranquila.

Apesar de sentir certa ingratidão por parte da selvagem por ter salvo sua vida, Clarke estava mais aborrecida por Lexa ter interrompido aquele momento do que não saber agradecê-la e voltou a procurar uma maneira de escaparem daquela jaula, principalmente porque não sabia como explicar porque tinha salvo a vida da guerreira, em primeiro lugar: “Porque eu preciso de você Lexa”, deixou escapar antes mesmo de elaborar a frase em sua mente. Quando percebeu como isto havia soado, institivamente continuou para não dar tempo de Lexa perceber como estava levemente ruborizada e rouca “Imagina se um de seus generais se torna comandante?! Você pode ser cruel Lexa, mas pelo menos é inteligente”. Apelar para um argumento de estratégia militar pareceu razoável para Clarke utilizar com Lexa, desviando sua atenção. Mas notou um sorriso crescendo lentamente nos lábios da comandante que pareceu hesitar um pouco antes de se engajar na conversa novamente, como se estivesse acabado de descobrir uma mentirinha boba ou uma pegadinha. Clarke ficou intrigada se havia dado uma breja muito grande naquele momento e que Lexa tivesse captado alguma coisa e mesmo assim havia decidido entrar no jogo, apenas para não deixá-la constrangida, mesmo sendo tarde para evitar que ela se sentisse assim.

Graças as investidas violentas de Pauna contra a porta que as protegiam, é que Clarke conseguiu sair daquela situação embaraçosa e aproveitou para se recompor, pensando numa alternativa que resultou na fuga delas da jaula e na prisão heróica de Pauna.

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Sob um imensa árvore, Lexa e Clarke descansavam após sua mais recente aventura. Lexa sentava com as mãos segurando a faca em sua cintura, mantendo os ouvidos atentos o bastante para que pudesse olhar em segurança para Clarke, que dormia esparramada sobre as folhas bem próxima a seus pés. Se perdia em pensamentos que teimavam florescer mesmo contra sua vontade. Apesar de assustadores aqueles momentos fugindo e protegendo-se contra a fera, percebeu que era ainda mais assustador que em breve não estaria mais na presença de Clarke, pois logo estariam em suas rotinas, rodeadas de gente. Não sabia quando teria outro momento como aquele e decidiu não desperdiçá-lo refutando pensamentos e os deixou fluírem enquanto se entregava em admiração pela beleza e força daquela mulher deitada à sua frente.

Quando Clarke acordou assustada, tranquilizou a moça: “Tudo bem, você está salvo”. Queria ter dito algo mais antes de retornarem ao acampamento: “Espere!”, disse em tom de desespero tentando prolongar aqueles minutos, obtendo a atenção de uma Clarke a espera de algum pronunciamento. O que Lexa tinha em mente e o que ela conseguiu declarar eram coisas bem diferentes: “Eu me enganei sobre você Clarke. Seu coração não tem nenhum sinal de fraqueza”, e as duas se fitaram por mais alguns prazerosos segundos, antes de Clarke seguir a rota de fuga emocional rumo ao plano contra os Homens da Montanha.

“Lexa, isso vai dar certo”, Clarke finalizou.

“Eu realmente queria que isso desse certo Clarke... Isso entre nós, eu poderia fazer dar certo”- Lexa respondeu apenas em pensamento.

As duas partiram para Ton DC, mais próximas uma da outra do que nunca.

Notas finais
Espero que tenha gostado da leitura e esteja tão ansioso(a) quanto eu para os próximos capítulos! Vou dar uma dica: CLEXA...rs Nos vemos em breve, no S02E11.