Thats ̶r̶o̶c̶k̶ love, bitch!

4 Capítulo 4 - Rápido e confuso


Quarta-Feira, 07:36 p.m.

Saímos mais tarde da aula, tivemos uma extra. Resolvi deixar meu material no armário. Saí da escola apenas com um caderno dentro da mochila, olhei para a árvore em que encontraria Castiel, como todos os dias, e não o vi. Passei pelo portão principal, com desconfiança. Me lembrei daquela tal história do show e a curiosidade me deu uns tapas na cara. Fui caminhando para casa, escutei passos apertados como se houvesse alguém vindo em minha direção, olhei para trás e não vi nada nem ninguém. Apertei os olhos e olhei em volta. Nada. Ignorei e continuei meu percurso de volta pra casa normalmente. Acabo de passar pelo mesmo beco daquela trama, estava vazio, resolvi entrar lá pra ver se achava alguma coisa. Encontrei um chaveiro em cima de uma das latas de lixo o nome "Dragon" gravado.

– Gwen?– Estava estudando o chaveiro, enquanto segurava a tampa do lixo, quando escuto a voz de Lysandre chamando meu nome, me dando um susto.

– Que susto, Lysandre!– Respirei fundo e guardei o chaveiro em um dos bolsos.– O que faz aqui?

– O que você faz aqui?

– Joguei algo no lixo hoje de manhã, e acho que deixei minhas chaves caírem junto.– Uma resposta meio bosta, mas considerei como um bom improviso.

– Ah, sim. Bom... já que estamos aqui, posso te acompanhar até sua casa?– Pensei ligeiramente, suspirei:

– Eu sei ir até lá sozinha.

– Sei que sabe, só queria te acompanhar.

– Tudo bem.– Pensei bem. Seria um pouco grosseiro se eu recusasse.
Fomos conversando durante o percurso. Conversando e rindo. Não era minha intenção me "entregar" tanto a alguém assim, fosse qual fosse a pessoa. Acabei me apegando um pouco a Lysandre. Algo que eu não tinha planejado, e se pudesse, não teria deixado acontecer. Ou teria...

Chegamos em minha casa (eu não chamaria aquilo de casa, mas já morei em piores) e o convidei para entrar, por educação, coisa qual é muito raro de ver Gwen fazendo. Ele aceitou o convite, mas na real, as opções eram: recusar ou recusar.

– Falaê, White!– Weyne estava jogado no sofá, comendo cheetos.– Quem é esse branquelo aí?

– Weyne!– Sussurei com uma cara que Weyne já conhecia bem, e puxei o pacote de salgadinhos das mãos dele, que riu.

– Tô só brincando, Gwen! E aí, irmão!– Ele levantou num pulo do sofá, e cumprimentou Lysandre com um daqueles cumprimentos de garoto retardado de 15 anos que veio de uma quebrada de New York. Lys não é muito acostumado com isso, então ficou meio perdido, o que me fez rir enquanto assistia a cena sentada no balcão da cozinha, que divide aquilo que eu chamo de quarto-sala.

Para não ficarmos panguando dentro daquela casa abafada de dois cômodos, resolvemos dar uma volta na pracinha que eu costumava ir de vez em quando, a mesma pracinha que eu e Lysandre nos conhecemos. Já eram 08:25 da noite, estava escuro e consideravelmente frio. Chegando na pracinha, não havia nenhum tipo de ação criminal, sem furtos, sem tráfico, sem vandalismo ou moradores de rua, e nem sequer lixo jogado no chão. Fiquei observando tudo em silêncio, enquanto estava sentada como o de costume: sobre o encosto do banco. Lysandre fez o mesmo.
Conversa vai e conversa vem, até que nos demos conta de que já tinha passado mais de uma hora. Pensamos em ir embora, mas ambos não movemos um músculo para nos retirarmos dali. Ficamos em silêncio por um ou dois minutos, ou menos, o que se tornou um pouco constrangedor. Até que Lysandre resolveu se aproximar, colocando uma de suas mãos em meu rosto. Mão gelada que fez com que eu me arrepiasse assim que veio de encontro com meu maxilar, escorregando para meu pescoço. Seus lábios vieram de encontro aos meus, que eram fritados por seu olhar descarado que não fazia questão nenhuma de disfarçar um pouco sequer.

– Posso?– Com seus lábios já colados aos meus, voltou seu olhar para o meu e sussurrou. Sussurro qual me fez voltar ao momento em que fui prensada na parede naquele beco, na segunda-feira, mas desliguei-me disso e abri os lábios, dando uma resposta já esperada.

(...)

Ele me deixou em casa, se despediu dando um beijo com precisão no meu rosto. Seria mais correto dizer que foi bem próximo aos meus lábios. Eu não tive reação a não ser ter esperado ele sumir para fechar a porta. Depois do que aconteceu eu fiquei um pouco mais quieta, mais distante, pois fiz uma viagem em meus pensamentos. Ficou um clima estranho entre nós, os dois pareciam meramente envergonhados com o que acabara de acontecer. Mas continuamos conversando, para sairmos daquela situação chata.

Deitei na minha cama e fiquei analisando o teto. Fiquei pensando no que tinha acontecido alguns minutos atrás. Eu havia o conhecido há um dia. O que deu em mim? Eu já tinha saído dessa fase, porque vi que não valia a pena. Depois do que aconteceu aos meus dezesseis anos... Bom, eu só sei que não posso me relacionar com ninguém agora. E não quero. Eu acho.

– Eu ouvi um suspiro.– E ouviu mesmo, mas eu não assumiria isso, resolvi ignorar a gracinha de Weyne e me manter despreocupada.– Tem a ver com o Lysandre? Ops! "Lysandre" não... Lys!– Levantei-me e atirei o travesseiro com força em Weyne, o fazendo cair sentado no sofá, e rindo.

– Cala a boca, Weyne!– Não consegui conter o riso, estava um pouco irritada, mas era difícil ficar nervosa com meu irmão, que riu até perder o fôlego.– Tá debochando?

– Tô!– Me joguei no sofá em cima dele, e o sufoquei com o travesseiro. Ficamos brigando (em outras palavras: brincando) por um bom tempo.

(...)

Meia noite de uma quinta-feira. Estava com insônia, então propus assistir um filme de terror com Weyne, que recusou, sugerindo uma aventura. Medroso.

Assistíamos quando ouvimos um estrondo vindo da rua. Abri a janela para ver o que estava acontecendo, então vi um cara com aparência semelhante a de Castiel, aparentemente machucado, apoiando-se nas latas de lixo em frente a minha casa. Abri a porta e desci os poucos degraus com rapidez, fui socorrer o rapaz, e sim, era Castiel.

– Castiel?!– Ele estava com um dos olhos roxos e com um corte na testa e no lábio inferior, que sangravam bastante.– O que aconteceu??– O levei até em casa com ajuda de Weyne, ele se sentou no sofá e explicou-se:

– Um cara tentou me assaltar e eu reagi, então mais dois caras apareceram...– Essa era sua versão, mas algo me dizia que estava mentindo. Peguei uma caixa de primeiros socorros no armário do banheiro, mas não achava nada que podia me ajudar a resolver o problema daquele corte na testa. Impaciente, Castiel dirigiu-se ao mesmo local que eu, ainda meio fraco, e se encostou na pia do banheiro, com as mãos no estômago.– Tem como ser mais devagar?– Ironias a parte. Pelo menos sabia que seu consciente estava bem.

Pedi para Weyne ir a farmácia mais próxima, em busca de soluções para que Castiel não sofresse uma hemorragia. Ele se sentou sobre o balcão da pia, e me aproximei com uma toalha de rosto molhada, que o mandei segurar em cima de sua testa.

– Vai demorar pra pegar algo que faça meu lábio parar de sangrar?

– Pare de reclamar e cale a boca.– Peguei um pedaço de papel higiênico por não ter achado um algodão, e molhei. Novamente pedi para ele segurar, que recusou, pedindo para eu fazer isso por ele. Fiquei segurando e passando vagarosamente o papel em seu lábio, limpando o sangue que diminuía aos poucos, enquanto ouvia pequenos gemidos de dor que ele não pode segurar. Aquilo foi me distraindo. Eu estava entre suas pernas, o encarando. Meus hormônios estavam á mil, e minha cabeça á duas milhas. Me concentrava para não olhar apenas na direção dos lábios delineados dele, e irracionalmente beija-lo. Eu não tinha certeza do que realmente estava se passando na minha cabeça, mas não eram coisas muito bem pensadas.

– Por que está corada?– Pergunta Castiel.

– Cale a boca ou eu não consigo limpar.– Respondi na defensiva, não queria demonstrar nervosismo na fala, mas acho que ele notou. Eu não olhei diretamente nos olhos dele, estava me concentrando mais no papel que em sua boca. Diante disso, o tal nervosismo foi tomando conta, e sem notar, comecei a passar o papel com certa força, o fazendo soltar um baixo gemido.

– Vai com calma!– Fechei os olhos e continuei passando o papel com força, que começou a se desfazer sobre a pele de Castiel. Derretendo e abrindo um buraco onde meu dedo estava apoiado. Minha unha se chocou contra a pele dele, que soltou mais um gemido, um pouco mais alto dessa vez. Ele afastou seu rosto para trás. Me segurei para não o olhar nos olhos. Ou nos lábios.– Desse jeito você vai terminar de foder com minha boca!

– Então se cale!– Continuei com desespero e indelicadeza, agora sem papel algum, esfregando o próprio dedo na pele do infeliz, sem perceber o que estava fazendo. Meu coração estava acelerado, e meus bons pensamentos totalmente trancados. Demonstrei pressa, e como Castiel não é nem um pouco bobo, percebeu. Vi um sorriso malicioso aparecendo em seu rosto, meus olhos se prenderam sobre seus lábios, e ao perceber os voltei para os olhos dele, que vieram em direção aos meus, e se voltaram para meus lábios, me deixando ali uma mensagem.

Já com a respiração ofegante, joguei o restante do papel que nem existia direito em algum lugar, e antes de raciocinar, agarrei o pescoço de Castiel chocando ambos os lábios com tamanha força que nossos dentes também colidiram. Mas nós não ligamos para isso na hora. Castiel que antes enfrentava dores e uma fraqueza, estava tão veloz e ativo quanto eu, ignorando iniciar um beijo preliminar para esquentar as coisas. Com uma das mãos ele puxava e apertava meu cabelo com força, me fazendo ter que controlar os possíveis delírios. Ele pulou da pia e me girou ali, fazendo com que eu sentasse onde ele se encontrava antes, abriu minhas pernas e encaixou seu corpo contra o meu. Minhas mãos que antes encontravam-se puxando a gola de sua camisa, agora estavam sobre suas costas, já nuas. Ele apertava tanto seu corpo contra o meu enquanto segurava minha cintura, que eu já não estava controlando meus atos, cravando minhas unhas sobre sua pele. De repente, um gosto de sangue se mistura ao gosto do beijo, nos obrigando a nos afastar.

A porta bateu, Weyne havia chegado com alguns suprimentos médicos em mãos, correndo para o nosso encontro, no banheiro. Ele estranhou a cena: eu estava limpando meus lábios, sujos de sangue e Castiel estava colocando sua camisa que havia sido arrancada na hora da exaltação.

– Posso perguntar o que rolou aqui ou é melhor eu nem ficar sabendo?

– Não rolou nada, garoto.– Fechei a torneira e o encarei com frieza.– Me dá isso aqui. Obrigada.– Peguei a sacola das mãos de Weyne, que foi para a sala desconfiado, e "socorri" a testa de Castiel, que nem lembrávamos que precisava de socorro.

Era um pouco mais que uma hora da manhã, Castiel tinha acabado de ir embora, e Weyne havia desmaiado no sofá. Fui diretamente para minha cama, pensando no que tinha acabado de fazer. Agora sim, minha mente estava borbulhando. Foi tudo tão rápido e as coisas estavam tão confusas...