That Woman
1 Capítulo 1 - Naquela noite de luar
Notas iniciais
Dedicação especial a Daninichan... Essa fic é sua Dani hehhe
Boa leitura
P. S. Qualquer semelhança com o filme "Uma Linda mulher" é mera coincidência (ou talvez não, já que aquele é um dos meus filmes preferidos...)
Beleza, luxo e glamour eram as palavras certas para descrever o ambiente refinado ao ar livre, onde a alta sociedade de Tóquio se reunia naquela noite.
Empresários bem-sucedidos, políticos importantes e, até mesmo, artistas famosos integravam a tão seleta nata social que se encontrava ali ao som da harmoniosa orquestra sinfônica, que tocava mais algum clássico instrumental apreciado por poucos.
A noite estava realmente maravilhosa para um casamento, as estrelas faziam seu papel juntamente da esplendorosa lua cheia, que iluminava a escuridão noturna com sua luz pálida.
— Onde ele está? — Perguntou impaciente um jovem rapaz, de arrepiados cabelos negros, alheio a beleza da lua naquela noite. — Isso é um absurdo. — Esbravejou encarrando o homem, que permanecia calmo a sua frente. — O mais interessado nesse negócio é ele, não vou admitir que faça a mim e meu tio de trouxas. — Declarou irado.
— Acalme-se, Shiba-san. — Pediu pacientemente Aizen, ainda calmo, sem deixar-se abalar pelo mal-humor do mais jovem. — Hinamori-kun. — Chamou pela pequena mulher, que permanecia calada ao seu lado. — Por favor encontre Kuchiki-sama e lhe explique a situação. — Falou de maneira gentil ao ter os castanhos olhos dela sobre si, observando-o atentamente.
— Sim, Aizen-sama. — Respondeu polidamente afastando-se logo em seguida.
— Shiba-san, Ukitake-san, aguardem só mais alguns instantes. Kuchiki-sama logo estará aqui, então aproveitemos a festa enquanto isso. — Declarou sem deixar de sorrir por um segundo sequer.
— Claro, Aizen-san. Não se preocupe. — Respondeu serenamente Ukitake, pronunciando-se pela primeira vez naquela conversa. — Kaien que é muito exagerado e isso aqui é a festa de casamento de Unohara, negócios podem ficar para mais tarde, certo? — Completou rindo da carranca do sobrinho, que resmungava inconformado pela paciência do tio.
— Oh sim. — Concordou Aizen aproveitando o clima amigável que se instalava ali.
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"É isso mesmo o que quer?" — Perguntou indiferente sem deixar-se abalar, já estava cansado daquele drama da namorada.
"Sim." — A resposta veio rapidamente. — "Entenda meu lado, Kuchiki-sama. Nós quase não nos falamos, tanto que converso mais com Hinamori-chan, sua secretaria, do que com você." — Declarou com a voz mais aguda pela indignação.
"Se é isso o que deseja não há mais nada que eu possa fazer." — Disparou secamente observando o céu estrelado pela grande varanda, onde havia refugiado-se do ambiente sufocante que aquela festa tornara-se pela falsidade e bajulação que direcionavam a ele. —"Adeus, Kione." — Despediu-se encerrando a ligação sem esperar por alguma resposta de sua, mais nova, ex-namorada.
Estava cansado de tudo aquilo. Queria ir embora, sair daquela irritante festa, a qual só havia ido em consideração a Unohana, uma amiga de longa data e, para variar, mais uma de suas ex-namoradas.
Era frustrante como nenhum de seus namoros duravam mais que alguns meses, não que realmente se importasse com aqueles relacionamentos por interesses, só que era irritante ter que apresentar uma nova mulher para aqueles metidos velhos conservadores a cada coquetel de negócios. Mesmo assim já deveria ter se acostumado, afinal essa era sua realidade a algum tempo.
Suspirou cansado deixando a varanda, caminhando lentamente escada abaixo. Estava decidido a ir embora e nem mesmo os protestos de Aizen, seu sócio e melhor amigo, o parariam após tomar aquela súbita decisão.
Quem o observasse caminhar lentamente com seu porte altivo e imponente diria que nada o abalava, mas sentir todos aqueles olhares cobiçosos sobre si era opressor e odiava sentisse assim, oprimido, mas mesmo assim mantinha-se firme, sem demonstrar nenhum sentimento. Fora ensinado desde pequeno a como um Kuchiki devia se portar em qualquer situação.
Todas aquelas pessoas entediantes e superficiais, o observando e idolatrando a todo momento lhe causava asco.
— Byakuya-san. — Parou ao ouvir aquela doce voz tão familiar lhe chamando.
— Unohana. — Saldou virando-se para observar a amiga, que sorria abertamente vestindo seu elegante vestido de noiva. — Sei que devia ter lhe dito antes, mas está linda. — Elogio sorrindo minimamente, coisa rara de se presenciar.
— Obrigada. — Agradeceu sem deixar de sorrir. — Eu não pude lhe esperar. — Declarou em tom brincalhão referindo-se a inocente promessa de infância, onde juraram casar-se ao completarem idade suficiente.
— Entendo. — Respondeu sem deixar seu momentâneo bom humor sumir, ignorando a presença das pessoas que ainda o observavam. — Só me diga uma coisa. — Disparou olhando-a atento. — Quando namorávamos, você falava mais com a minha secretaria do que comigo? — Questionou sem deixar de fita-la.
— Sinceramente? — Indagou a fim de fazer suspense. — Ela foi uma de minhas madrinhas de casamento hoje se você não percebeu. — Declarou rindo a fim de mostrar o quão próximas elas haviam se tornado.
— Entendo. — Resmungou Byakuya, Kione estava certa afinal e isso o irritava. — Já estou indo. — Falou dando lhe as costas.
— Certo. — Disse, conhecia o amigo e sabia que não adiantava insistir quando o mesmo já havia tomado sua decisão. — Muito obrigada por ter vindo. — Agradeceu de forma sincera, muito diferente das pessoas falsas que os observavam sem se aproximar.
— Não precisa agradecer. — Falou ainda parado observando-a pelo canto dos olhos. — Kenpachi é um homem de sorte por tê-la. — Disparou voltando a caminhar em direção a saída, deixando-a para trás sorrindo.
Caminhou rapidamente passando pelo jardim, onde pode ouvir a sinfonia da orquestra, se o local não estivesse tão cheio até teria parado para apreciar aquela magnífica melodia, mas não era essa situação, então continuou caminhando até o estacionamento.
Observando-o indignado ao em fim chegar lá. O local estava lotado e não poderia sair com sua limusine graças aos vários carros estacionados a sua volta.
— Ei. — Chamou olhando para o manobrista que o observava surpreso. — Dê-me as chaves do carro de Aizen Sousuke. — Ordenou com seu tão conhecido tom imponente, que fazia homens poderosos tremerem. O Porsche de Aizen era um dos únicos veículos que estavam livres e sabia que seu amigo não se importaria de ir embora de limusine.
— S-Sim Kuchiki-sama. — Respondeu hesitante o pobre homem, entregando rapidamente o que lhe foi pedido.
— Byakuya. — Chamou Aizen caminhando rapidamente em direção ao mesmo, que já destravava o carro, adentrando-o. — Hinamore-kun me avisou que estava aqui. — Falou observando-o seriamente. — O que está fazendo? Ukitake-san está lhe esperando! — Exclamou impaciente por ser ignorado por Byakuya que tentava ligar o carro.
— Estou indo para o hotel. — Declarou indiferente. — Marque com eles outro dia e no meu escritório de preferencia. — Mandou irredutível conseguindo ligar o carro em fim.
— Byakuya, pense bem. Você nunca dirigiu sozinho por Tóquio, pode se perder. — Insistiu ouvindo o potente rugido do motor de seu próprio carro.
— Até amanhã, Aizen. — Despediu-se ignorando, mais uma vez, os apelos do advogado, afinal ele era um Kuchiki e um Kuchiki nunca se perde ou atende a apelos desnecessários.
— Tome cuidado com meu carro. — Gritou Aizen, tendo a voz abafada pelo som de seu carro acelerando, vendo-o se afastar cada vez mais deixando-o para trás a pensar em uma boa desculpa para dar aos dois homens, que o esperavam no jardim. Aquela seria uma longa noite.
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A noite estava clara, a lua cheia iluminava tudo e a todos, até mesmo aquele bairro que esquecido e perigoso não escapava de sua luz cândida e isso aliviava um pouco a pequena mulher, que estava a observar a lua pensativamente.
Já fazia alguns meses que morava ali naquele lugar asqueroso e a única hora que se sentia bem ali, era naquelas primeiras horas da noite, quando podia observar livremente a lua pela varanda danifica do pequeno quarto sala que dividia com a nova amiga, Inoue Orihime, que não estava ali por sinal.
O cheiro de mofo e sujeira estava impregnado pelo prédio inteiro e era justamente assim que se sentia, suja. Sabia que não era certo o que fazia, era contra tudo o que havia aprendido desde pequena, mas não tinha outra alternativa para sobreviver.
— Aposto que estaria decepcionado comigo, não é Ichgio? — Sussurrou para si mesma, ainda a observar a lua.
— Se não tem dinheiro para pagar o aluguel pode ir embora. — Vozes exaltadas podiam ser ouvidas em frente a sua porta, tirando-a de seus pensamentos. Hallibel deveria estar cobrando o aluguel do mês.
Suspirou cansada, correndo para pegar o dinheiro. Não queria ser despejada, ali era o único lugar que conseguiria pagar.
— Merda! — Praguejou ao observar a bolsa, onde deveria estar o dinheiro, vazia. — Inoue, sua idiota. — Resmungou vestindo-se para escapar pelas escadas da varanda. Se não tivesse ninguém em casa, Hallibel não poderia cobrar.
Desceu as escadas o mais rápido que suas botas de salto fino permitiam, precisava ser rápida para não ser vista.
Olhou uma última vez para o céu antes de colocar os pês no chão, sabia que aquela noite não apreciaria mais aquela beleza natural da lua. Suspirou decidida a encontrar Inoue e já sabia onde ela estaria.
Caminhou rapidamente observando o conglomerado de pessoas reunidas entorno da policia, sabia que mais algum corpo deveria ter sido encontrado, a violência ali era algo banal, tanto que já havia se acostumado.
Ignorando tudo aquilo, adentrou o maior e mais respeitado bordel do bairro. Sabia que a amiga estaria ali e como que para comprovar sua certeza, logo encontrou a inconfundível cabeleira ruiva de Inoue acompanhada por dois homens, os quais era conhecia bem.
— Inoue. — Chamou irritada vendo-a beber alegremente junto de seus companheiros.
— Rukia-chan! — Exclamou alegremente abraçando-a contra seus avantajados seios, sufocando a amiga. — Grimmjow-kun acabou de falar de você. Nê Grimm-kun? — Indagou alegremente soltando a baixinha.
— É. — Concordou simplesmente. — Boa noite Rukia-chan. — Saldou encarrando os olhos violáceos de Rukia.
— Inoue, você pegou o dinheiro do aluguel? — Perguntou ignorando completamente o homem de exóticos cabelos azuis.
— B-Bem... Sim, eu peguei para pagar o Ulqui-kun... Ele... — Começou hesitante.
— Inoue, vamos sair daqui. — Mandou puxando a amiga pelo braço, sem nem dar-lhe tempo para se despedir.
Sabia o que aqueles dois queriam e Inoue era ingênua de mais para perceber.
— Inoue, você quer ser despejada? — Questionou ao pararem em frente ao balcão. — Não faça mais isso, ouviu bem? — Alertou vendo Inoue pegar petiscos no balcão.
— Tudo bem, tudo bem. — Assegurou com a boca cheia. — O que vamos fazer para pagar o aluguel agora? — Indagou pensativa.
— O que sempre fazemos, oras. — Declarou Rukia revirando os olhos.
— Pensei que você queria desistir dessa vida. — Falou Inoue olhando-a atentamente.
— E eu quero. Eu quero ser alguém na vida, não quero viver aqui para sempre e acho que se continua-se do jeito que estamos agora, não viveremos muito. — Sussurrou sem encarrar a amiga.
— Eu sei. Melody foi encontrada morta agora há pouco... — Falou hesitante.
— Pois é. — Concordou caminhando para fora do estabelecimento.
— Rukia-chan... — Começou hesitante. — Ulquiorra-kun e Grimmjow-kun ofereceram-se para serem nossos seguranças... — Completou parando na esquina.
— Não, não e não. — Respondeu Rukia irredutível. — Eles não querem ser nossos seguranças e sim nossos cafetões. Eles querem nos controlar e pegar nosso dinheiro. — Declarou sem de longas.
— Certo. Você tem razão. — Concordou baixou vendo um belo carro prateado aproximar-se lentamente delas. — Rukia-chan, olha lá. — Mandou apontando discretamente com a cabeça. — Vai lá você e depois me conta como foi. — Mandou empurrando a baixinha, que observava surpresa o belo Porsche parar alguns metros a frente, não era sempre que um carro daqueles aparecia por ali. — Não esquece nada do que eu te ensinei. — Sussurrou em despedida.
Respirou fundo algumas vezes antes de começar a caminhar lentamente em direção a aquela máquina de correr, esquecendo até mesmo de despedir-se da amiga. Sentia-se estranhamente cada vez mais nervosa.
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Estava frustrado e com o orgulho ferido. Não queria aceitar, mas estava perdido e pior de tudo, em um bairro pobre e asqueroso.
Não queria pedir ajuda de ninguém, mas sabia que não sairia inteiro dali se não o fizesse e foi com esses pensamentos que parou em frente ao único estabelecimento apresentável do lugar.
— Precisa de algo? — Ouviu uma voz suave, mas ao menos tempo, forte lhe perguntar.
— Eu preciso chegar ao Hotel central de Tóquio. — Falou sem olhar para a mulher parada a observa-lo da janela do carro.
— Serio? — Perguntou ela sarcasticamente. — Quatrocentos ienes. — Falou Rukia estendendo-lhe a mão para receber o dinheiro. Se aquele homem seria tão arrogante a ponto de não encarra-la, não seria ela a ter pena dele.
— Isso é um Absurdo... — Esbravejou encarrando-a pela primeira vez naquela noite. — Hisana?! — Disparou encarrando-a surpreso.
— Hisana? Ah claro. Pode me chamar pelo nome que quiser essa noite. — Declarou sorrindo para o homem perplexo a sua frente.
Nenhum deles sabia, mas foi naquela noite de luar que o destino de ambos ligou-se de uma maneira que nem a diferença social seria capaz de separar, e mesmo sem querer, seriam muito gratos a aquela lua cheia, que os abençoava silenciosamente com sua luz prateada.
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