That Woman
6 Capítulo 6 - Fantasmas Internos
Notas iniciais
A melodia suave ecoava pela movimentada recepção do hotel mais respeitado de Tóquio e Byakuya se encontrava ali, impaciente.
Fazia mais de cinco minutos que tentava em vão ligar para o quarto onde deviria estar sua mais nova "subordina", que estava a uns bons dez minutos atrasada.
Haviam combinado de se encontrar as oito para irem juntos ao seu tão importante jantar de negócios e não vira nem sinal dela por ali.
— Kuchiki-sama — Chamou um homem loiro que já o observava a um certo tempo — Tem uma pessoa lhe esperando no bar — Avisa rapidamente ao ter os cinzentos olhos impacientes sobre si.
Com um aceno, Byakuya se despediu do mesmo, seguindo pelo caminho que lhe era indicado.
Já sabia quem o esperava e iria querer boas explicações para aquele situação.
Imponente e elegante, ele adentrou o salão fazendo vários olhares virar-se contra si, a maioria do sexo feminino, que o olhavam com admiração e desejo.
Aquilo o incomodou, mas o Kuchiki não se abalava tão facilmente para demonstra isso.
Sem muita pressa, caminhou pelo ambiente procurando por quem lhe interessava, ignorando todos a sua volta.
Seus olhos inteligentes estudaram todo o ambiente e não vira nem vestígio da mulher que esperava encontrar, irritado e decidido, ele virou-se para a saída.
Iria atrás dela, nem que fosse no inferno.
Todo o lugar se encontrava no mais perfeito silencio e a pequena mulher se encontrava sentada rente ao balcão, desfrutando de uma deliciosa bebida que lhe fora servida.
Sentia uma pequena movimentação a suas costa e foi só então que seus lindos olhos violáceos se voltaram para o elegante homem, que já deixava o salão.
Ele não havia lhe reconhecido e ela não sabia se isso era bom ou ruim.
Ainda sem entender a situação, continuou vendo-o se afastar.
Poderia ir atrás dele, mas seu corpo estava travado pelo desejo de que Byakuya a reconhecesse.
Seu olhar forte queimava sobre o homem, que mesmo sem entender, paralisou virando-se para trás, a fim de procura-la uma ultima vez.
Acinzentado e violáceo.
Em um segundo seus olhos haviam finalmente se encontrado. Nada existia a sua volta, apenas a gigantesca atração que os guiava um ao outro. Toda a irritação do Kuchiki havia sido esquecida enquanto ela se aproximava.
Rukia, elegantemente caminhava ao encontro dele, que a observava sem acreditar no que seus olhos viam.
A moça estava linda, não que já não fosse, mas toda a sua beleza estava especialmente mais bem destacada naquele discreto, porém sexy, vestido preto rendado.
Aquela era, definitivamente, uma completa mudança da água para o vinho.
— Boa noite, Kuchiki-sama — cumprimentou ela ao parar suavemente em frente a ele.
— Boa noite — respondeu ele estendendo o braço para que o acompanha-se e assim ela o fez, seguindo lentamente junto dele para fora do bar, onde muitas pessoas cochichavam sobre aquele belíssimo casal misterioso.
Yoruichi que observava tudo de longe ao lado de Urahara, sorria satisfeita, por ver seus que seus esforços valeram a pena.
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A brisa refrescante da noite entrava pela janela aberta da luxuosa limousine e o ambiente se encontrava no mais denso e pesado silencio.
Nenhuma palavra desnecessária havia sido pronunciada por ambos desde que adentraram o veiculo, onde Byakuya apenas lhe dissera o essencial.
Ele não a elogiara em nenhum momento e isso a deixara um pouco desanimada, mas sabia que talvez estiasse esperando de mais. Afinal, ela era apenas sua nova funcionaria e não devia esperar ser tratada de forma diferente.
— Chegamos, senhorita — avisou o velho motorista abrindo a porta, assustando-a, pois ela nem havia notado que o carro havia parado.
— Obrigada — agradeceu saindo a frente de Byakuya, que a seguia calado parando em frente a um belo restaurante, o qual ela não conhecia nem de nome — Que lugar é esse?! — Indagou-se observando a refinada fachada, onde varias pessoas elegantes adentravam.
— La Cucina, o melhor e mais famoso restaurante italiano de Tóquio — respondeu Byakuya, surpreendendo a moça, que não esperava por nenhuma resposta dele.
— Certo — disse ela acanhada com sua postura seria e imponente.
Mais uma vez, de braços dados caminharam elegantemente para o hall de entrada do ambiente, onde logo estavam sendo conduzidos pelo Maître a mesa reservada.
A pequena, mesmo não demostrando claramente, estava nervosa. Nunca havia participado de nada igual e agora via-se em um lugar totalmente novo.
— Mantenha a calma — Sussurrou Byakuya surpreendendo-a mais uma vez.
O homem que estava calado a noite toda parecia querer ajuda-la naquele momento.
— Sim — Respondeu ainda segurando firme no braço forte dele.
— Chegamos, senhor — Declarou o Maître chamando a atenção dos dois, que se encontravam alheios ao momento.
— Byakuya — Saudou uma voz enérgica fazendo todo o corpo da morena se arrepiar. — Está atrasado — Resmungou o homem levantando-se para cumprimenta-los logo após a partida do funcionário, que os levara até ali.
— Ichigo... — sussurrou Rukia, encarando o homem que a olhava com um misto de confusão e interesse em suas iris verde-claro.
— Shiba Kaien — Sibilou Byakuya ignorando o sussurro da pequena — Não me lembro de ter lhe dado tamanha intimidade para me chamar pelo primeiro nome — Repreendeu serio puxando uma cadeira para Rukia, que ainda se encontrava abalada pela confusão que se instalara em seu peito por seus próprios fantasmas internos.
— Ignore meu sobrinho, Kuchiki-sama. Ele é muito novo ainda e fala tudo o que lhe vem a cabeça — Falou o grisalho sorrindo serenamente.
— Boa noite, Ukitake — saudou Byakuya se acomodando finalmente ao lado de Rukia, que ainda mantinha-se em silencio.
— Não diga isso, Tio — resmungou o moreno deixando uma estranha carranca dominar sua face. — Viemos falar de negócios e não sobre minha idade — completou ele mal humorado.
— Controle-se, Kaien — repreendeu ele — Imagino que Kuchiki-sama e sua bela acompanhante queiram jantar primeiro, certo? — Perguntou Ukitake sorrindo para ambos.
— Sim — Respondeu Byakuya.
— A proposito, quem é a moça? — Questionou o jovem.
— Essa é Rukia, uma grande amiga — apresentou Byakuya friamente. Estava ficando irritado com o comportamento explosivo do rapaz.
— Prazer, senhores — falou ela polidamente.
A moça tentava com todas as forças manter a calma perante aquele homem chamado Kaien, tudo nele lhe lembrava um passado distante e aquilo não era bom para o momento.
— O prazer é nosso, Rukia-san — Respondeu Ukitake sorrindo gentilmente.
— Prazer — Resmungou Kaien carrancudo, porem deslumbrado pela delicada beleza da pequena.
O jovem já estava irritado com o modo frio e desinteressado de Byakuya e ainda o odiava por ter tudo o que queria na hora em que desejava, inclusive moças lindas e perfeitas como a que estava diante deles. Não negava sua inveja e se odiava mil vezes mais por isso.
A refeição ocorria em silencio e Rukia tentava lembrar tudo o que Yoruichi e Urahara haviam lhe ensinado sobre todos aqueles estranhos talheres estendidos a sua frente.
Sabia que estava se saindo bem para alguém que apenas frequentara barracas de Ramen, mas ainda se sentia insegura.
— É estranho, não é? — Indagou Ukitake quebrando o silencio, surpreendendo a todos — Esses talheres ocidentais são muito complicados, prefiro mil vezes o bom e velho Hashi — Completou sorrindo gentilmente para ela, que sem se conter sorriu de volta.
— Sim, senhor — respondeu ela.
— Senhor não, querida. Pode me chamar apenas de Ukitake — declarou ele serenamente.
— Claro, Ukitake-san — Falou ela após encarrar o aceno de consentimento de Byakuya.
O clima seguiu mais leve diante dali e todos já degustavam de sua deliciosa sobremesa gelada, afinal, um sorvete sempre caia bem em qualquer situação.
— Agora vamos ao que interessa — declarou Kaien encarrando Byakuya.
— Kaien — brandou o grisalho.
— Certo — rebateu o Kuchiki — Vamos falar de negócios. Foi para isso que vim até aqui.
— Exato — sibilou o moreno mais jovem.
— 225 Milhões de ienes — disparou Byakuya seriamente.
— O que?! — Indagou Kaien.
— É esse o valor que tenho a lhes oferecer pela sua empresa.
— Isso é um absurdo! — Exclamou o jovem — Você sabe que nossa empresa vale mais do que isso — completou exaltado.
— Kaien — falou Ukitake a fim de parar o sobrinho.
— Não — rebateu ele — Nossa empresa não está falindo como você pensa. Temos vários pedidos do governo e iremos lucrar muito com isso. Esse valor ridículo que está nos oferecendo é uma ofensa — disse Kaien.
— Pedidos? Não seriam aqueles mesmo sobre os porta-aviões que foram arquivados pelo governo? — Falou Byakuya vendo a surpresa tomar a face dos dois homens a sua frente.
— Como..? Como você...
— Já chega, Kaien — brandou Ukitake, mostrando-se serio pela primeira vez naquela noite — Se está jogando sujo, Kuchiki Byakuya, não temos negócios a tratar — declarou.
— Jogando sujo? Não. Não, caro senhores. Sou apenas bem informado sobre o que me interessa — rebateu mordaz.
— Seu...
— Kaien — sibilou o tio parando-o mais uma vez — Veja o que se tornou, Byakuya. Seu pai teria vergonha de você — completou seriamente ao levantar-se da mesa junto do sobrinho.
— Eu não me importo. Ele já se foi a muito tempo — rebateu friamente vendo a decepção e a raiva misturada nos olhos dos dois homens que deixaram o lugar sem se despedir.
— Uau! — Exclamou a pequena pronunciando-se finalmente — Eles ficaram bravos — falou ela ainda degustando do delicioso sorvete de morango.
— Vamos — disparou ele levantando-se.
— Claro — respondeu vendo a expressão vazia do moreno — Meus pêsames — Sussurrou ela quando novamente pode sentir a brisa da noite penetrar em seu pequeno corpo.
— Foi a muito tempo atrás — rebateu simplesmente adentrando a grande limousine, onde mais uma vez o silencio reinara durante todo o percurso de volta ao hotel.
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"Eu não acredito nisso!" — exclamou a voz exaltada do outro lado do aparelho celular de Rukia — "Você é uma vadia muito sortuda mesmo" — resmungou Inoue.
"Sem exagero, Inoue. Eu estou aqui a trabalho" — respondeu a baixinha andando lentamente pelo quarto vazio.
"Eu queria um trabalho desses. Você tirou a sorte grande, agora só tem que aproveitar" — disse rindo alto.
"Sem essa. Depois desse trabalho eu vou parar." — declarou jogando-se na grande cama macia — "Mudando de assunto, o dinheiro que depositei para você é do aluguel. Pague uns três adiantado e não vai gastar nada com o Ulquiorra e com o Grimmjow, me ouviu?" — avisou sussurrando cansada pela animação da amiga.
"Certo. Certo. O Grimm-kun perguntou por você, acho que ele está na sua..." — confessou tagarelando animada.
"Não me interesso por homens como ele. Agora tenho que desligar. Tenha juízo e se cuida."— disse preocupada com a ruiva cabeça oca.
"Certo, mamãe. Beijos e tenha uma boa semana com o milionário gostosão." — despediu-se Inoue em tom de deboche para irritar a morena, que desligou o celular ignorando as provocações da outra.
Estava cansada e incomodada com tudo o que acontecera naquela noite.
A imagem daquele homem parecido com Ichigo não lhe sai da cabeça, mas a ausência de Byakuya também a inquietava. Ele havia deixado-a sozinha no quarto sem dizer ao menos uma palavra e ela nem sabia se era ali mesmo que deveria ficar.
Decidida a deixar tudo as claras, a pequena vestiu apenas um robe preto por cima da camisola de seda da mesma cor que Yoruichi havia insistido para que comprasse mais cedo.
Não havia quase ninguém circulando pelo hotel naquela hora da noite e ela não se vestiria formalmente para procurar por seu "chefe".
Caminhou apressada pela recepção vazio indo até o salão onde haviam se encontrado mais cedo, e era exatamente onde ele estava a dedilhar o piano de madeira polida que existia ali.
Os poucos funcionários que ainda estavam a trabalho, apenas o observavam apreciando o espetáculo particular que o Kuchiki lhes proporcionava através de suas melodias harmoniosas.
Em apenas um instante toda a inquietação da morena desaparecera ao sentir-se tocada por aquela suave melodia. E como ocorrera mais cedo, novamente seus olhos se atraíram como dois polos oposto puxando-se cada vez para mais perto.
Sem perceber os dedos de Byakuya já não passeavam mais pelas teclas do piano. Ele não conseguia deixar de olhar para aquela mulher tão bela e delicada, que agora caminhava em sua direção.
— Saiam todos — mandou ele com sua voz forte e imponente. — Saiam e fechem as portas — repetiu vendo todos apenas o obedecerem submissos. Ser um Kuchiki tinha seus privilégios em quase todas as partes do Japão e do mundo.
— Byakuya-sama, eu queria... — começou Rukia hesitante, parando em pé ao lado dele, que ainda permanecia sentando.
— Sente-se — mandou ele apontando o espaço vago que existia ao seu lado.
Ainda hesitante, a moça apenas acatou a ordem, ouvindo passar lentamente os dedos longos sobre as teclas pretas e brancas a sua frente.
— Você toca muito bem — elogiou ela deixando-se levar pelas suaves notas musicas.
— Não foi para isso que você veio até aqui — disparou ele puxando-a de repente para cima das teclas do instrumento, fazendo uma confusão de notas soarem pelo salão vazio.
Todo o corpo de Rukia tremia pela surpresa e pela excitação do momento.
O tempo parecia ter parado e ela não sabia como reagir a todas aqueles novas sensações que a invadiam tão repentinamente sem aviso prévio.
— Byakuya — disse ela vendo-o desatar o nó de seu robe, o qual foi atirado para longe do corpo magro da mesma.
— Shiii... Você estava magnifica essa noite — sussurrou ele inclinando-se sobre a pequena a fim de beija-la nos lábios, ato que foi paralisado pela moça, que simplesmente o beijou no pescoço ouvindo-o rosnar baixo.
Finalmente ouvira o elogio que tanto desejara e agora tudo o que podia fazer era se entregar a ele.
Deitando-a sobre o piano de madeira escura, ele a tocava por inteira, desde as pernas macias até o pescoço pálido, ouvindo-a gemer baixo. E foi ali, tomados pela pressa e pelo desejo que se entregaram uma ao outro mais uma vez, em plena meia luz no salão do hotel mais tradicional de Tóquio.
Todas as magoas e fantasmas internos foram deixados de lado naquela noite, tudo o que ambos precisavam naquele instante era um do outro para satisfazer toda aquela atração que queimava luxuriantemente entre eles e era isso o que os ligaria para todo o sempre.
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