Thank You

7 Capítulo 7


É bem clichê, mas: foram os dez minutos mais longos da minha existência até aquele momento. Eu e Jen estávamos olhando a TV sem assistir realmente, o silêncio era quebrado pelo som dos desenhos animados extremamente felizes o que deixava a situação mais assustadora.

O despertador do celular da Jen apitou e nós duas nos sentamos tensas, o palito do teste estava sobre o criado mudo, mas nenhuma das duas olhou pra lá, nós nos olhamos, e eu tenho certeza que foi como me olhar no espelho. A mesma feição de medo que Jen tinha no rosto estava estampado no meu.

- chegou a hora, – ela disse baixinho e eu assenti. – vai lá pega. – estiquei a mão e lhe entrei o palito sem sequer checar se estava pegando o palito do teste.

- olha você, Gwen.

- estou tensa demais para isso. – ela pegou o teste e girou para ver o resultado.

Seu queixo caiu e seus olhos se abriram, as mãos dela tremeram discretamente e foi aí que eu soube o resultado. Deixei meu corpo cair sobre a cama e chorei.

- isso... não quer dizer nada. Vem, faz os outros e todos derem o mesmo resultado... ai vamos no médico.

Os três testes que estavam agora em minhas mãos deram o mesmo resultado, todos tinha um sinal positivo na ponta que estava pra cima. Não sei bem há quanto tempo estou encarando os palitinhos, os olhava firmemente com medo de deixar meus olhos caírem na minha barriga e eu ver ela enorme e inchada. Eu ouvia choros agudos e desesperados na minha cabeça, ouvia mais ao longe a voz da minha irmã tentando marcar uma consulta em uma clinica qualquer.

Mesmo que eu não duvidasse do resultado dos palitinhos, ela queria fazer um exame de sangue.

“E se os testes tiverem errados,” ela disse, “ vou processar quem os fabrica e ficaremos ricas.”, acho que pra me animar.

Eu estava desesperada, imaginando minha barriga crescendo e crescendo, depois um bebê chorão em um berço no canto do quarto e eu tendo que levantar no meio da madrugada para fazê-lo parar de chorar, eu estava horrível, visivelmente abatida com olheiras enormes em baixo dos olhos, meu cabelo desgrenhado preso em um rabo de cavalo mal feito, a expressão do meu rosto mostrava meu desgosto em ter que levantar àquela hora, e o bebê não parava de chorar.

- só consegui marcar pra semana que vem. – ela bufou e se jogou na cama, mas eu ainda não tive coragem de tirar os olhos das duas pequenas retas que se cruzavam no meio e indicavam o fim do meu futuro.

Eu era extremamente pessimista, sempre fui. E agora estava mais que nunca. Depois que eu consegui traçar meu futuro desejado e começar a caminhar em direção a ele, veio essa pedra enorme e pesada que me fez tropeçar e quebrar a perna em muitas partes diferentes, e por causa disso nunca mais vou conseguir caminhar, nem com ajuda.

- lembra o que eu falei no natal? – Jen disse sentando-se, mas ainda sem tirar a minha atenção dos testes. – eu disse que quando você tiver uma criançinha dos braços vai ficar mais infantil. – ela riu. – só não achei que seria tão cedo.

E então eu olhei para ela, não contendo as minhas mãos que soltaram (lê-se: jogaram) os teste e pousaram sobre minha barriga ainda lisa, ainda magra.

- eu não quero... – disse com a voz falha sentindo grossos caminhos de lagrimas escorrer pelo meu rosto, minhas mãos agora apertando a pele da minha barriga. – eu não quero. – disse antes de Jen me abraçar forte e me deixar molhar seu ombro com minha lagrimas.

Notas finais
desculpem a demora.
espero que gostem