Notas iniciais
Hello! *lê atacada por tochas, flechas, cadeiras, livros, tortas e mais uma infinidade de coisas* Eu sei, eu sei, vocês devem estar furiosos comigo e com a Cel. Estamos a quase um ano sem Sirens, mas eu tenho um ótimo motivo na verdade e vou explica-lo para vocês. Sirens começou com uma ideia que a Cel teve, uma fic meio família, baseada em conflitos adolescentes levando sempre em consideração o amor e amizade de quatro crianças que foram separadas dos mundos em cada uma vivia. Até ai acho que todos tínhamos entendido, mas fazer uma fic baseada nesses conflitos, acreditem ou não é muito difícil, tudo isso é próximo demais da nossa realidade e criar algo que na verdade parece monótono, não é legal. Eu reescrevi o capítulo 12 vezes, sim 12 vezes! E nenhum deles me pareceu bom o suficiente. Então decidi fazer esse um pouco diferente do que esta seguindo a fanfic. Aqui será uma reflexão baseada na música que inspirou a fic, Sirens - Pearl Jam. Não acho justo com vocês e nem comigo continuar como estava, por tanto ocorrerão algumas mudanças e espero realmente que deem certo dessa vez. Ainda estou em dúvida se farei alguma mudança no capítulo anterior,que foi o causador do meu bloqueio, mas caso ocorra esta mudança,alertarei a vocês, por isso peço que fiquem atentos as notas. Mesmo que algumas coisas mudem Sirens já está no final e não pretendo escrever uma continuação devemos ter mais uns 3 ou 4 capítulo contando com o Epílogo. Agradeço desde já com muito a amor e carinho ~Mylla Thompson.

PS: Escutem Sirens — Pearl Jam

P.O.V Thalia.

Ouça as sirenes. Fui ensinada desde muito jovem que deveria aprender a interpretar os sinais. As sirenes dizia que algo estava errado, assim como as expressões e formas de linguagem como o desgosto e o sarcasmo, além do carinho e euforia. E eu ouvia claramente as sirenes naquele circo profundo cada vez mais alto na cidade.

Tudo aconteceu muito rápido, eu estava voltando para meu prédio com Annabeth, Leo, Silena, Piper, Nico, Bianca e Percy quando ouvimos as sirenes. As sirenes que eu não desejava ouvir.

Porque eram apenas dez minutos. Dez minutos que não foram suficientes e tiraram a vida de Hades di Angelo e Zeus Grace. Eu ainda estava estática. O avião caíra perto da praia de Manhattan e ninguém ainda fazia ideia do ocorrido. Como se o piloto tivesse apenas se jogado no mar.

– Thalia! Volte aqui! – meu pai gritava correndo atrás de mim.

– Não mesmo! – respondi divertida sem parar de correr.

Me senti ser erguida no ar e um beijo estralado foi depositado em minha bochecha. Gargalhei gostosamente e senti um sorriso perto de meu ombro. Logo depois fui jogada para cima me fazendo gritar e cair nos braços de meu pai.

– Papai! – reclamei fazendo bico.

– Está ficando pesada, Lia – ele debochou e virou-se comigo no colo em direção a casa onde minha mãe observava a cena rindo – Hera! Nosso bebê está muito grande o que eu faço?

– Não sou bebê – resmunguei e ergui seis dedos– tenho seis anos. Seis anos!

– Claro, senhorita adulta – ele beijou novamente minha bochecha e por fim sussurrou – não, você nunca deixara de ser meu bebê, Thalia.

Eu queria recuperar o fôlego para respirar. Mas não tinha forças. Quando a ficha caiu apenas pude me aninhar na cama sendo amparada pelos outros junto com Nico e Bianca que também haviam perdido o pai.

Eu ansiava saber se estávamos seguros, se poderia ser grata por um pouco de luz. Eu consegui ver claramente o que era a dor. Ela se espalhava para todos os lados atingindo tudo pela frente como se nada mais importasse. A dor não precisa apenas ser sentida, ela tem que fazer você rever seus planos e ideias... Ela faz você decidir o que sempre adiou, o que é prioridade?

A primeira noite foi difícil, devo dizer, em momento algum alguém saiu de meu apartamento. Não até a manhã seguinte, onde oito adolescentes estavam na mesma posição em minha sala de estar. Todos com olheiras profundas pela noite em claro e completamente exaustos.

Fui assustada pelo som de um dos apartamentos vizinhos. Uma musica que eu conhecia bem tocava pouco abafada. Sirens, Pearl Jam, fora uma música que já havia me deixado aos prantos durante diversos momentos da vida, momentos que foram difíceis... Exatamente como aquele.

Nos levantamos e eu ainda insistia em ouvir cada verso da música. Annabeth, Silena e Piper conseguiram fazer com que eu e Bianca tomássemos um banho para acalmar enquanto Leo e Percy tentavam induzir Nico a fazer o mesmo. Quando o sol começou a raiar saímos do prédio em direção a funerária em os dois empresários estavam.

– Pai? – chamei hesitante chegando na sala – está tudo bem?

Eu não devia ter mais de dez anos quando vi a pior briga que meus pais já tiveram. Mamãe havia subido para o quarto a algum tempo e se trancado lá, de meu quarto eu escutava os soluços, eu sabia como ela era frágil, como as flores. Mas quando cheguei no corredor disposta a acalenta-la como ela fazia comigo escutei soluços baixos vindos da sala.

Meus pés passaram calmamente pelo chão de madeira e meu ursinho se arrastava no mesmo. Passei pelos sofás vendo a lareira crepitar e na poltrona em frente a mesma eu via meu pai com a blusa branca social puxada até os cotovelos de modo desleixado como nunca antes e um copo estava em sua mão com alguma bebida forte.

Cheguei mais perto e toquei o braço dele. Nunca na minha vida havia visto Zeus Grace chorar, aquela foi a primeira vez e a última vez. Meu pai apenas colocou suas mãos sobre as minha e apesar dos olhos marejados, sorriu tentando me convencer que iria melhorar.

– Vai ficar, querida – ele beijou minha testa – vai ficar.

Quando chegamos insisti em ver meu pai pela última vez. Zeus não era velho, mas tinha os cabelos grisalhos e revoltos por mais que não fossem tão sociais quanto aquele homem deveria parecer. As rosas em tons distintos de azul contornavam todo o corpo de meu pai. Um corpo que há alguns anos corria comigo pelo jardim de nossa casa.

– Tenho que pegar a sua mão e sentir sua respiração – sussurrei acariciando o rosto sem vida de meu pai – Por medo de que algum dia isso acabe.

Não nos damos conta das histórias criamos, dos gestos que fazemos até que vemos que se foi. Parte de mim tinha ido com meu pai, memórias só nossas, lembranças que nem mesmo o tempo era capaz de de apagar.

Nos encaminhamos a frente do carro funerário até onde os antigos empregados de meu pai e de Hades já haviam preparado. Piper e Leo nunca haviam conhecido nenhum dos dois, porém ambos permaneceram ao meu lado tentado confortar-me assim como Percy, Annabeth e Silena que conheciam, mas não tinham vinculo tão forte quanto eu, Nico e Bianca.

Puxei Nico para perto em certo momento. Era tanto a perder. E eu não queria me afastar de ninguém naquela hora. Olhei novamente para o rosto de meu pai e toquei o vidro. Virei-me para o moreno ao meu lado que apenas me abraçou.

– Diga – ele incentivou – mesmo sabendo que nada dura para sempre. Apenas diga.

Olhei para Hades di Angelo em seu sono da morte antes de colocar minha mente para produzir palavras. Pela terceira vez olhei para o corpo de meu pai deitado em um caixão sem vida. Naquele momento, permiti desmoronar.

– Eu não me importava, antes você estava aqui – sorri entre as lágrimas – Eu dançava rindo com o "para sempre" que tínhamos, pai. Eu seria a filha rebelde que me empenharia para chegar as quatro apenas para ouvi-lo até o sol nascer. Mas todas as coisas mudam, deixe isso permanecer... Sabe, ainda ouço as sirenes se propagando na noite, como você disse que eu deveria ouvir, mas o som ecoa mais perto... E... Eles virão até mim da próxima vez? Para cada escolha, erro, que eu cometi, não era meu plano... Apenas queria que soubesse.

Hera chegou pouco depois debulhando-se em lágrimas incapaz de fazer algo. Abracei minha mãe e esperei até que a dor passasse. Como eu já imaginava, não passou. Em toda minha vida, nunca imaginei que preferia mil vezes mandá-la para os braços de outro homem, que não fosse meu pai, do que vê-la aos prantos por sua morte.

Eu queria gritar com o mundo fazer com que as pessoas parassem de lastimar a morte do grande Zeus, mas não era possível. Ficamos naquela tortura até o meio da tarde quando finalmente enterraram os dois empresários nas devidas covas de suas famílias.

Entrei silenciosamente na mansão tentando não fazer barulho. Encostei a porta com cuidado e girei a chave, no instante seguinte as luzes foram acesas me fazendo dar um salto. Olhei para trás e vi meu pai sentado em sua poltrona com uma expressão cansada no rosto.

– Você demorou – ele disse.

– Dakota não queria me deixar ir embora – falei dando um sorriso falsamente envergonhado – desculpe papai, não vai se repetir.

– Você disse isso nas últimas três vezes, Thalia – ele suspirou e indicou o sofá a sua frente – sente-se, por favor.

– Pai... – murmurei prevendo a bronca, mas me sentei.

– Thalia... – ele colocou as mãos sobre as minhas com aquele mesmo olhar de carinho que me lançava quando era mais nova, diferente do que ele me lançava nos últimos tempos – entendo que você esteja passando por uma fase, não a culpo por ter dezesseis anos, não, nunca, mas peço que tente entender o meu lado... Sei que conhece Tokio como a palma da mão, mas não sabermos quem está lá fora... Eu tenho medo que lhe machuquem, querida. Apesar de passar mais tempo na empresa do que com você, ver que você está se transformando e eu não saber como agir, eu ainda sou seu pai, Lia... Eu te amo, mas que tudo minha filha, eu te conheço também... Está acontecendo alguma coisa e você não quer me contar?

Respirei fundo. Sim, tinham muitas coisas rondando minha mente, ninguém nunca disse que foi fácil ser adolescente. Eu tinha descoberto desejos que de certa forma me assustavam, vontades insanas e um querer tão forte e profundo que eu só tinha um pensamento de recomeçar bem longe dali.

– Quero ir pros Estados Unidos – soltei.

– O que disse? – meu pai perguntou e eu suspirei tentando não ficar nervosa.

– Pai, eu fiz dezesseis agora, faz dez anos que quero voltar pra América – falei me levantando e olhando pela janela de vidro – não gosto daqui, tenho aulas em casa e mandarim é uma língua horrível! Eu só quero recomeçar, ter um espaço, em algum lugar que eu ame. Onde eu seja apenas a Thalia, não a senhorita Grace ou a filha de Zeus, o magnata. Me deixa ir, pai?

Me virei para ele e notei que também havia se levantado e tinha algumas lágrimas nos olhos apesar de parecer segura-las. Meu pai suspirou e abriu os braços caminhando até mim e me apertando em um abraço.

– Vou deixar você ir, Thalia – ele sussurrou – não posso te prender pelo resto da vida.

Assim que as rosas brancas começaram a ser colocadas na lápide de Zeus eu fiquei parada com uma rosa azul em mãos. Minha mãe ficou ao meu lado e assim que todos saíram ela enrolou uma fita na rosa e indicou para que eu colocasse.

Li os escritos e minha vontade de desabar e chorar até não restar mais lágrimas apenas aumentos. Em letras finas e cursivas a frase: "E se você optar por ficar, eu vou esperar, vou entender".

Quase no fim da tarde praticamente todos já haviam ido embora. Nico e Bianca ainda estavam ajoelhados em frente a lápide do pai e de pé atrás deles Silena e minha mãe rezavam em cima dos terços. Leo, Piper, Annabeth e Percy tentavam manter os investidores longe de nós engatando conversas sobre a econômica dos Estados Unidos, da qual me fiz o favor de permanecer longe.

Sirens havia grudado em minha mente o dia todo então apenas restou-me andar pelas lápides daquele cemitério com os fones de ouvido tocando baixinho. Eu tentava manter viva na memória a imagem de um homem forte e feliz que um dia fora meu pai.

– Oh, é uma coisa frágil, essa vida que levamos – murmurei – Se eu pensar demais, não consigo suportar. Quando passo pelas sepulturas, pela qual vivemos nossas vidas. Com a morte sobre os nossos ombros. Quero que você saiba, que eu deveria ir. Eu sempre te amei, você estava acima de tudo, de verdade. Eu analiso sua expressão, e o medo vai embora... Adeus, Zeus Grace. Quero que você saiba que eu sempre te amarei, pai.

"Oh, é uma coisa frágil, essa vida que levamos. Se eu pensar muito, eu não consigo superar. Quando passo pelas sepulturas, pelas quais vivemos nossas vidas com a morte sobre nossos ombros, eu quero que você saiba que eu deveria ir, eu sempre te amei, sempre te mantive erguida também. Estudei seu rosto, o medo vai embora, o medo vai embora, o medo vai embora..."
Sirens — Pearl Jam

Notas finais
Ps: Textos em itálico são as lembranças da Thalia, okay? Sinto muito pela demora pessoal, espero que tenham gostado, sei que deixei um pouquinho de lado a morte de Hades, mas eu prefiro fazer no próximo um ponto do Nico, de como ele está se sentindo, das lembranças que ele tem do próprio pai, qual havia sido o comportamento dele perante as "leis" de Hades. Espero que esse capítulo recompense um pouco todo esse tempo sem postar e de acordo com os resultados dessa nova etapa estaremos logo finalizando Sirens com o objetivo que desejamos. MAS! Para não perder o custume... Acham que mereço rewiews? Também aceito recomendações. Que tal tiros na testa? Declarações de amor? Planos para dominar o mundo? Talvez planos terroristas? Bombas nuclares? Convulsões no teclado? Piadinha toc toc? Bolas de cristal? Cartas de Taro? Então muitos beijos com gostinho de PEARL JAM!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.