Thalico - Sirens
10 O Mundo É Uma Bola Quadrada Que Gira Redonda E Cai No Triangulo
Notas iniciais
Can you feel the pain inside sometimes in your mind?
In the land of loneliness the seas of blood run cold
Is the feeling lost inside within the sins of all mankind?
Time after time we stand united on we go
— DragonForce, Fields of Despair
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E não pude nem dar mais um passo, pois seus olhos se prenderam em mim. Até aquele momento ela não fora tão real, era realmente ela...
Silena Beauregard.
Ela sorriu abertamente pra mim, deixou as malas onde estavam e correu pra mim com os braços abertos. Fiz o que eu faria com qualquer outra namorada minha, embora eu tivesse parado de considerar Silena como minha namorada à alguns dias: segurei sua cintura e a girei no ar enquanto ela me abraçava.
— Você mentiu pra mim Nico – ela disse. Eu pude ver a mágoa em seus olhos azuis. – Você disse que ia voltar pra me buscar. Disse sim, disse que não tinha acabado...
Ela soltou uma lágrima. Era muito triste ver Silena chorar, ela era praticamente uma criança. Eu sei que ela não podia se controlar, ela tinha apenas 14 anos, por mais que fosse amiga de Bianca mesmo ela sendo 4 anos mais velha. Eu tinha começado a namorar com ela cerca de duas semanas antes de eu vir pra New York e eu realmente havia dito que não tinha acabado, que eu iria busca-la na França. Eu não pensei que ela pudesse vir pra cá. Senti a culpa me preencher, era a única coisa certa nessa bagunça. Culpa. Limpei as lágrimas de Silena com o polegar.
— Não acabou – falei.
— Não? – ela perguntou enxugando as lágrimas.
— Não – falei e ela sorriu me dando um selinho e correndo até Bianca.
Lembrei-me de Thalia. Quando ela descobrisse se sentiria muito mal. Se sentiria usada. Nunca tinha sido minha intenção magoá-la, mas como eu poderia saber que Silena iria vir me procurar?
Eu era um cafajeste. Não podia fazer isso com nenhuma das duas. Uma era a criança mais fofa do universo e a outra o grande amor da minha vida. Elas não mereciam isso, eu deveria sumir.
— Nico – Bianca disse me abraçando forte.
— Oi, Bia – falei meio rouco.
— Vou pegar as outras malas – Silena disse e correu para pegar as malas junto com os outros passageiros.
— Está com problemas? – Bianca perguntou me olhando. Seus olhos pareciam querer arrancar informações confidenciais do meu cérebro. Seu olhar parecia ver através da minha alma.
Sustentei seu olhar por alguns segundos, numa guerra de vontades. Ela ganhou, é claro.
— Sim – admiti suspirando.
— Tem a ver com algo a ver com a nossa volta? – Bianca perguntou.
— Estou apaixonado por outra garota, mas não posso fazer ela sofrer – falei indicando Silena com a cabeça.
— Nico – ela chamou e me olhou nos olhos, fixando seu olhar no meu. – ouça as sirenes.
Então Bianca saiu e foi ajudar Silena com as malas.
"Ouça as Sirenes".
O que aquilo significa pra minha vida?
Henry Bendel, New York, 21 de Outubro de 2013. 17:43 PM.
Era segunda-feira e eu deveria estar compondo, mas no momento estava carregando um monte de sacolas de roupas e sapatos de Bianca e Silena. Elas me arrastaram por toda a New York desde a Macy's até aqui, fazendo compras e mais compras, me usando como carregador de bagagem.
Quase cai no chão quando uma delas – não vi quem foi, a pilha de coisas estava muito alta – jogou algo em cima do que eu estava segurando e eu tropecei, quase derrubando uma senhora com um gato no colo.
Eu deveria começar a cobrar salário.
A Henry Bendel era uma loja que era formada de móveis, roupas, maquiagens, sapatos e jóias, tudo que Bianca e Silena podiam querer. O que EU queria é que aquela tortura acabasse rápido.
— Nico o que acha desse brinco? – Bianca perguntou estendendo o brinco até sua orelha e vindo ao meu lado de modo que eu pudesse enxergá-la. O brinco era bonito, parecia uma gota d'água aberta no meio com pedrinhas – que eu deduzi serem preciosas – em volta.
— Qualquer coisa fica linda em você – falei. Ela revirou os olhos.
Depois de mais de duas horas de muitas roupas, maquiagens, sapatos e jóias, saímos da Henry Bendel. As meninas estavam com fome, então levei-as a um restaurante – ao Pizza Hut na verdade. Eu nunca tinha ido àquele lugar, mas pelo que eu sabia era especializado em pizzas e massas. Como se pudesse ser melhor que a Itália. Caso não saiba, eu e Bianca somos italianos e viemos pros EUA com 3 anos quando nossos pais se separaram. Minha mãe continuou na Itália e quando nos mudamos para a França, eu fazia visitas frequentes a ela, então sim, eu sei falar italiano e já provei toda e qualquer pizza que possa ser feita.
Enfim, pedimos uma pizza de frango média. Não pedimos uma grande porque eu conhecia aquela duas. Elas comeriam um pedaço e olha lá, e depois sobraria pra mim terminar com aquela refeição enorme.
— Gostaram das compras? – perguntei puxando assunto.
— Sim – elas responderam.
Silena e Bianca conversaram sobre roupas e sapatos e eu já tinha parado de prestar atenção quando sininho da porta tocou anunciando mais um cliente. Olhei distraidamente para a porta e a visão que eu tive me congelou no meu assento ainda mais que o vento frio que entrou com os novos clientes.
Não, não, não.
Ruas de New York, 21 de Outubro de 2013. 20:07 PM.
Pov Thalia
— Onde estão os restaurantes dessa cidade? – perguntei a mim mesma andando e acabei caindo em cima de uma pessoa.
Eu realmente preciso olhar por onde ando.
— Sabe Thalia, tem um bem do seu lado – Percy, que estava em baixo de mim, comentou. – E pode, por favor, parar de cair em cima de mim todas as vezes que nos encontrarmos? Parece que vou ser morto com tanto peso.
— Idiota – falei rindo e saindo de cima dele. Annabeth esta com um sorriso divertido no rosto. Estendi meu braço pra Percy que o agarrou e se levantou. – Oi, loira.
— Oi, Lia – ela respondeu.
— Bem, tem realmente um restaurante do meu lado – falei vendo a construção aconchegante vermelha e dourada. – parece o salão comunal da Grifinória.
— Entra com agente – Annabeth convidou.
— Claro – falei.
Entramos os três no estabelecimento que era quentinho, e ao passarmos pela porta um sininho soou. Annabeth sentou-se em uma mesa vaga e eu sentei ao seu lado com Percy de frente para nós. Percy pediu uma pizza média de frango e ficamos conversando. Annabeth me contava sobre seu estágio como arquiteta e Percy que falava com animação sobre os estudos sobre Biologia Marinha. Comemos, bebemos e conversamos. Annabeth riu muito quando contei a ela sobre o apelido que dei a Percy.
De repente os olhos do moreno se prenderam em algo atrás de mim, mas no segundo que reparou que eu tinha percebido, ele desviou o olhar para o seu copo.
Ele não serviria para parceiro de crime então. Sua “disfarçada” seria menos óbvia se ele tivesse escrito na testa.
— O que foi? – perguntei me virando automaticamente e Annabeth também se virou.
— Não é... – ele não pode terminar a frase.
Nico estava sentado em uma mesa com duas garotas ambas morenas, as duas riam e a que estava do lado direito lhe deu um selinho.
Meu olhar devia estar tão fulminante que deve ter queimado sua nuca, pois ele se virou e olhou diretamente para nossa mesa. Apenas fiz que não com a cabeça, ele ameaçou se levantar, mas eu fui mais rápida.
— Te dou o dinheiro amanhã, Percy – garanti para Percy enquanto voava porta a fora.
O vento lá fora estava mais frio e havia voltado a nevar. Corri pelas ruas de New York sem destino em mente, mas logo descobri estar indo pro meu apartamento, o único lugar onde eu não tinha perigo de me perder. Descobri estar chorando depois de duas quadras de correria.
Eu estava certa, ele apenas me usou. Eu me sentia suja.
Pizza Hut, New York, 21 Outubro de 2013, 20:57 PM
Pov Nico
Desde que os três, Percy, Thalia e Annabeth haviam chegado, eu não parava de lançar olhares furtivos para a mesa deles. As garotas estavam de costas para mim, rindo, e Percy não parecia se incomodar com o mundo a seu redor.
Até o momento em que ele me viu.
Engoli em seco e abaixei a cabeça, olhando para a mesa, mas Silena a levantou e me deu um selinho. Olhei pro lado e vi Thalia e Annabeth olhando pra cá também. A morena não parecia bem. Ameacei me levantar, de qualquer jeito eu tinha que falar com ela, cedo ou tarde eu sabia que aconteceria, mas ela foi mais rápida. Se levantou rapidamente, disse alguma coisa para o Percy e saiu correndo do estabelecimento.
— Eu já volto – falei para as garotas e sai correndo atrás de Thalia.
Ela já estava vários metros à frente, mas felizmente o salto não permitia que ela corresse tão rápido. Acelerei o passo e disparei atrás dela.
Fora do Pizza Hut, a neve ia lentamente dando lugar à uma chuva forte, assim como o vento frio e cortante. Alcancei Thalia e a agarrei pelo pulso, tomando um choque devido ao frio. Mesmo assim, não a soltei.
— Thalia, me escuta – falei e ela se virou pra mim. Seu rosto estava molhado. Não sabia se eram lágrimas ou a chuva que fizera sua maquiagem preta borrar e escorrer e eu senti meu coração partir ao vê-la daquela forma.
— Por que eu faria isso? – ela pergunta, soltando-se do meu braço.
— Porque eu te conheço – falei.
— Você não me conhece, e nem nunca vai conhecer – ela disse friamente.
— Eu te conheço a anos Thalia – falei magoado.
— FICAMOS DEZ DELES SEPARADOS! – ela explodiu. – FORAM DEZ ANOS! DEZ ANOS QUE EU TIVE QUE APRENDER A FALAR OUTRA LINGUA! DEZ ANOS QUE EU TIVE QUE CONVIVER COM OUTRA CULTURA! MAS O PIOR FORAM DEZ, LONGOS ANOS, LONGE DOS MEUS AMIGOS. AMIGOS QUE EU SEMPRE GUARDEI COMIGO, MESMO QUE O TEMPO TENHA LEVADO, AS LEMBRANÇAS EMBORA!
— Thalia... – tentei falar e ela só chorava cada vez mais.
— Eu te amava desde pequena, Nico – ela controlou sua voz, mas eu preferia que ela estivesse gritando, me xingando, me batendo, mas sua palavras frágeis apenas me machucaram mais. – Eu acreditava que viveríamos um conto de fadas e então fomos separados, depois de dez anos eu te encontro, voltamos a ser amigos, você me beija e eu me apaixono de novo...
Apaixono?
Ela havia se apaixonado por mim e eu era o culpado por suas lágrimas. Aquilo era inadimissível.
— E então percebo que você... você, apenas me usou, um caso de fim de semana – ela falou chorando, e aquilo parecia uma lamina fria em meu coração.
— Não foi apenas uma caso de fim de semana – falei.
— Não fale isso – ela pediu balançando a cabeça. – Eu sei que foi.
Ela enxugou as lágrimas e respirou fundo, se recompondo. E disse, na voz mais fria que eu já a ouvi falar:
— A garota deve estar lhe esperando, não faça ela sofrer como está fazendo comigo.
Ela se virou e continuou a correr pelas ruas.
"Não faça ela sofrer como está fazendo comigo"
"Você me beija e eu me apaixono de novo".
Ela tinha se apaixonado por mim, ela estava sofrendo por isso. Mas ela não queria que eu magoasse Silena. Ela poderia querer que eu magoasse a garota para a mesma ver como ela se sentiu, mas não... ela simplesmente queria que não a machucasse também.
Voltei para o restaurante perdido em meus pensamentos.
"… e eu me apaixono de novo."
"… apaixono de novo."
"… de novo."
"Eu te amava desde de pequena."
"… te amava..."
"Não faça ela sofrer como está fazendo comigo."
"… sofrer como está fazendo comigo."
"… fazendo comigo."
Thalia Grace estava sofrendo, e a culpa era toda minha. Eu me sentia horrível, o pior homem da face da terra.
— Está tudo bem Nico? – Silena perguntou.
— Sim, está – menti. – Só um pouco cansado, vamos pra casa.
— Claro – elas concordaram, mas quando o olhar de Bianca cruzou o meu ele me perturbou, quase me fez falar o que era e terminar com Silena ali mesmo.
Quase.
Paguei a conta e saímos. Ainda chovia, então peguei os guarda-chuvas que Bianca e Silena tinham comprado e os entreguei para elas.
— Venha aqui Nico, não quero que fique resfriado – Bianca disse.
Fui pra baixo do guarda-chuva. Silena foi na frente observando as ruas.
— O que aconteceu Nicolas? – Bianca perguntou.
— Não me chame de Nicolas – desconversei.
— Tudo bem, Nicolas – ela disse divertida e eu bufei. Silena se virou pra nós, sorrindo na chuva. Lembrei da briga com Thalia naquele mesmo lugar.
— Posso seguir em frente? – ela perguntou.
— Mais duas esquinas, depois atravesse a rua e vire a direita – falei.
— Okay, okay – ela disse se virando e seguindo em frente.
— Mas o que aconteceu? – Bianca perguntou novamente.
— Aquela garota que eu fui atrás... – não sabia se conseguiria continuar – era Thalia, Bianca – minha irmã engasgou arregalando os olhos.
— Thalia? Nico, não me diga que era a Grace... A filha de Zeus? – ela perguntou.
— Sim, Thalia Grace e... como assim, filha de Zeus? – perguntei.
— Ora, Nico. Pense em todas as viagens que você não quis ir. Muitas das que papai chamava eram para Tóquio, eu e Thalia tivemos contato durante anos – Bianca disse.
— Essa esquina? – Silena gritou, uns cinco metros a nossa frente.
— Sim – gritei de volta e ela atravessou a rua. – como assim Bianca? Você nunca tinha falado dela!
— Ora, Nico, não seja bobo. Eu falei dela diversas vezes, mas quando você fez doze anos parou de prestar atenção – Bianca falou.
Seria verdade? Eu não me lembrava mais de qualquer garota que não estivesse em Paris, talvez nem mesmo delas. Não me lembrava de Bianca dizer nem Thalia, muito menos Grace. Seria possível?
Eu e Bianca atravessamos a rua. Silena estava em frente a loja de discos do Jake observando os vinis na vitrine.
— Beatles – ela sussurrou quando chegamos perto – eu os adoro.
— Sim. Nosso prédio está ali na frente – indiquei o prédio a duas quadras.
— Nico posso te perguntar uma coisa? Digo, sem contar isso – ela disse.
— Pergunte – falei.
— Quem era aquela garota? A que você foi atrás – ela disse. Eu engoli em seco, ela tinha visto, sua voz não demonstrava ciúme, apenas curiosidade, como se acreditasse que a morena que eu fui atrás, fosse apenas uma amiga.
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