Thalico - Sirens
6 A Participação Surpresa
Notas iniciais
And with no repair in sight, there is no God with such might
As to open her world wide with subterfuge and your death will soon arrive
As she finally decides that all her problems, they won't die with you
She’s a lightning bolt — Pearl Jam, Lighting Bolt
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— OLÁ, PESSOAL! – gritou Anthony. O público gritou. – Estar aqui é muito importante para todos nós – mais gritos.
— E... – disse Serj Tankien voltando ao palco com o restante do SOAD e o RHCP. – Ainda temos a participação surpresa!
— QUE SERÁ REVELADA... – disse Eddie.
— Pera, pera – disse Daron interrompendo Eddie.
— O que? – respondeu ele, claramente confuso.
— Tem que fazer pausa dramática – disse Daron, arrancando gargalhadas de todos.
— Então diga como se faz, ó mestre – Eddie fez uma reverência, gerando mais risadas.
Daron pigarreou.
— A PARTICIPAÇÃO QUE SERÁ REVELADA – ele gritou e olhou para o lado direito da platéia, falando numa voz normal no microfone logo em seguida e dando uma piscadela. – Pausa dramática, porque eu gosto – risos de todos. – AGORA!
Ao final do grito "agora", ouviu-se um riffle de guitarra conhecido muito por mim. Fixxer, do Metallica. E a única pessoa que poderia tocar aquela música com tanta perfeição só poderia ser...
Eu não consegui acreditar em meus olhos ao ver o famoso guitarrista Kirk Hammet entrar no palco. Eu juro, só não desmaiei porque senão não conseguiria mais vê-lo.
Ou vê-los.
A imagem que era processada em meu cérebro era incrível. SOAD, RHCP, Pearl Jam e Kirk Hammet, todos juntos, lado a lado.
— É bom estar aqui – disse Kirk depois de cumprimentar todos no palco. – E bem, – ele fez uma pausa olhando atentamente a reação do público. – Eu não vim sozinho.
O segundo de silêncio que a platéia levou para processar foi tão tenso que se ouviria um alfinete cair no chão. E então, ao ver James Hetfield, Lars Ulrich e Robert Trujillo entrarem no palco e se postarem ao lado de Kirk, a platéia explodiu numa gritaria impossível. Eu admito, eu também estava gritando. Vi algumas garotas desmaiarem.
Comecei a pular de felicidade. Olhei para o lado e Nico também estava gritando, mas não pulava, o que era bom, já que eu teria achado essa atitude muito gay. Nada contra, mas se o Nico era um futuro pretê, então... esquece. Não dá pra explicar. E eu não estou em condições mentais de pensar nisso.
Voltei a minha atenção para o palco.
— E agora, já que só foram músicas animadas – disse James. – Vamos tocar uma música mais triste.
Kirk começou o solo inicial de Turn The Page, logo seguido por Lars na bateria e Robert no baixo. James pegou uma guitarra e se posicionou na frente do microfone.
— Quer dançar de novo comigo? – perguntou Nico no meu ouvido.
— O que? – perguntei.
Então James começou a cantar.
On a long and lonesome highway east of Omaha
(Numa longa e vazia estrada para o leste de Omaha)
You can listen to the engines moaning out as one long song
(Você pode ouvir o motor roncando como uma longa canção)
You think about the woman or the girl you knew the night before
(Você pensa sobre a mulher ou a garota que você conheceu na noite anterior)
Nico pegou minha mão e começou a dançar comigo. Pelo fato de estarmos no meio de uma multidão, estávamos muito próximos. Próximos demais. Eu podia sentir seu hálito quente no meu ombro e sua respiração calma, como se não estivéssemos no meio de um show lotado e tivéssemos acabado de praticamente arrebentar nossas cordas vocais.
But your thoughts will soon be wandering the way they always do
(E seus pensamentos logo começam a vagar como eles sempre fazem)
When you're riding sixteen hours and there's nothing much to do
(Quando você está viajando dezesseis horas e não há nada pra fazer)
And you don't feel much like riding, you just wish the trip wasthrough
(Você não se sente viajando, você apenas deseja que a viagem acabe)
Nico me fez dar um giro, o que não deu muito certo, já que estávamos no meio de uma multidão. Mesmo assim, não pude conter um sorriso, ao ver o lindo sorriso estampado naquele rosto de anjo dele.
Um anjo. Era isso. Ele sempre me parecia familiar, quase como se eu já o tivesse visto em um sonho. Como um anjo.
Here I am — on the road again
(Aqui estou eu — na estrada novamente)
There I am — up on the stage
(Lá estou eu — em cima do palco)
Here I go — playing star again
(Aqui vou eu — bancando a estrela de novo)
There I go — turn the page
(Lá vou eu — vire a página)
— Já percebeu a ironia disso? – perguntou ele.
— Do que? – perguntei confusa.
— A música – ele respondeu. – Ele diz "aqui estou eu, na estrada novamente" e logo em seguida ele vai ao palco. Isso é filosófico.
— É mesmo. Como seria o que aconteceria se nós perseguíssemos os nossos sonhos pelas estradas e então eles se realizarem – respondi.
— É por isso que eu gosto de você, Thalia – disse Nico. – Você pensa que nem eu, morena.
Sorri em resposta.
So you walk into this restaurant strung out from the road
(Você entra num restaurante, vindo direto da estrada)
And you feel the eyes upon you, as you're shaking off the cold
(E você sente os olhos em você enquanto você espanta o frio)
You pretend it doesn't bother you, but you just want to explode
(Você finge que isso não te chateia mas você quer explodir)
Yeah, most times you can't hear 'em talk, other times you can
(Yeah, certas vezes você não pode ouvi-los falar, outras vezes pode)
All the same old clichés, "Is it woman? Is it man?"
(Todos aqueles mesmos velhos clichês, "Aquilo é uma mulher? É um homem?")
And you always seem outnumbered, you don't dare make a stand
(E você parece sempre estar em minoria, você ousa não tomar uma posição)
Make your stand
(Tome sua posição)
— Essa música combina muito com você sabe – disse Nico sorrindo. – Fala de uma garota rockeira incompreendida que está correndo atrás de seus sonhos.
Pensei sobre isso. Realmente o que ele disse é verdade. Realmente acontecia de eu entrar em certos lugares normais – como uma padaria ou um supermercado – e as pessoas me olharem torto e cochicharem entre si. E algumas nem se importavam em abaixar a voz para eu não ouvir.
— Talvez seja feita pra mim – brinquei, arrancando um sorriso de Nico.
Here I am — on the road again
(Aqui estou eu — na estrada novamente)
There I am — up on the stage
(Lá estou eu — em cima do palco)
Here I go — playing star again
(Aqui vou eu — bancando a estrela de novo)
There I go — turn the page
(Lá vou eu — vire a página)
— Ok, parte um do trabalho já feita – disse Nico.
— O que? – perguntei.
— Achar uma música que combina com a sua vida – Nico sorriu.
— Qual é a sua? – perguntei curiosa.
— Eu ainda estou procurando – respondeu ele sem parar de sorrir.
— E qual seria o passo dois? – desafiei-o.
— Arrumar uma garota pra passar o resto da vida – ele disse olhando nos meus olhos.
— J-já teve s-sorte? – droga, porque eu gaguejei?
— Não sei – respondeu ele com um olhar pensativo.
Oo-ooh, out there in the spotlight, you're a million miles away
(Oo-ooh, lá fora nos holofotes, você está longe um milhão de milhas)
Every ounce of energy you try to give away
(Cada gota de energia você tenta dar)
As the sweat pours out your body like the music that you play, yeah
(E o suor jorra do seu corpo como a música que você toca, yeah)
Later in the evening, you lie awake in bed
(Depois ao anoitecer, você fica acordado na cama)
With the echoes of the amplifiers ringing in your head
(Ecos dos amplificadores zunindo na sua cabeça)
You smoke the day's last cigarette, remembering what she said
(Enquanto você fuma o último cigarro do dia, lembrando do que ela disse)
What she said
(O que ela disse)
— O que ela disse... – repetiu murmurando Nico. – Posso testar uma teoria?
— Qual? – perguntei.
— Apenas confie. Você confia em mim?
— Não – respondi. – Nós mal nos conhecemos, Nico. Como eu vou confiar em você?
He-ey
— Tente – disse ele.
— Vou tentar – respondi.
Ele assentiu e se inclinou para mim.
Yeah
— Nico, o que você... – não terminei a frase. Seus lábios colaram nos meus em um selinho demorado.
And here I am — on the road again
(Aqui estou eu — na estrada novamente)
There I am — up on a stage
(Lá estou eu — em cima do palco)
Here I go — playing star again
(Aqui vou eu — bancando a estrela de novo)
Sua língua pediu passagem e eu rapidamente consegui, transformando o selinho em um beijo quente. Sua boca estava totalmente colada na minha. Seu hálito tinha cheiro de menta. E sua língua explorava cada canto da minha. E eu estava nas nuvens.
There I go — turn the page
(Lá vou eu — vire a página)
There I go — turn that page
(Lá vou eu — vire essa página)
There I go, yeah, yeah
(Lá vou eu, yeah, yeah)
There I go, yeah, yeah
(Lá vou eu, yeah, yeah)
There I go, yeah
(Lá vou eu, yeah)
There I go, yeah
(Lá vou eu, yeah)
There I go, oo-oo-ooh
(Lá vou eu, oo-oo-ooh)
There I go
(Lá vou eu)
And I'm gone
(E eu fui)
Nos separamos no final da música, quando o maldito ar faltou. Olhamos nos olhos um do outro e eu esqueci totalmente do show, das pessoas em volta, de tudo, exceto da pessoa que estava à minha frente.
Mas como sempre, nada podia ser perfeito. Meus olhos capturaram pela minha visão periférica uma imagem no telão.
Não sei se você sabe, mas nossos olhos são naturalmente atraídos por reflexos (algo ligado à vaidade humana) como espelhos, superfícies brilhantes, objetos refletores ou... câmeras mostrando você na TV.
A câmera do beijo estava apontada para nós, e agora todos olhavam para nós com malícia; inclusive – ai que vergonha – os cantores que estavam no palco.
— Bem, essa foi uma música bem quente, não? – disse Eddie.
O que fazer numa situação como essa?
A) Sorrir, fingir que nada aconteceu e que os olhares não são pra você;
B) Fugir;
C) Esconder o rosto no peito da pessoa que te fez passar a maldita vergonha.
Ou tem o plano D, que se resume basicamente em acabar com a raça da pessoa, mas achei muito extremo e eu já havia atraído atenção demais, então optei pelo plano C e me escondi no peito de Nico, que eu sei que não é a melhor hora para dizer que por sinal era muito definido. Mesmo através da camisa eu conseguia sentir seus músculos enquanto ele ria baixinho e envolvia minha cintura com os braços. Espiei/olhei disfarçadamente para seu rosto. Ele estava todo vermelho. Eu não deveria estar muito diferente.
Ouvi Serj começar a dizer alguma coisa e juntei coragem suficiente para olhar para o palco.
— Bem, pessoal, foi muito bom estar aqui, mas precisamos voltar com a turnê – ouviu-se um "Ahhhh" coletivo da platéia. – Espero realmente poder voltar aqui. Vocês são incríveis!
— Nós amamos nossos fãs – disse Eddie.
— Eu sei que soa falso, mas é a mais pura verdade – disse James.
— Até mais, New York! – gritaram e uma fumaça espessa cobriu o palco. Quando ela abaixou, eles não estavam mais lá.
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