Notas iniciais
Tem um tempinho que eu não posto, verdade. Porém! Agora sim a história está se encaminhando. Sinceramente? Eu achei que estavam ficando um pouquinho chatos os últimos capítulos, porém eram necessários e blá, blá, blá... Sem mais delongas ~Mais um rolo de pergaminho

Reino de Hades Olympus, 9, 10 de Outubro de 1778. 10:27 AM.

– Deveria tentar para direita – uma voz disse atrás de Nico no momento que um urso tentava ataca-lo por este lugar – pensei que fosse melhor que isso, princepezinho – zombou e o garoto ignorou atacando o predador – deve melhorar isso se quer mesmo me vencer.

Nico se virou assustado dando de cara com uma garota sorridente deitada na pedra despreocupadamente, sem ligar para a batalha a sua volta. A espada do garoto escorregou para o chão enquanto ela colocava a franja para o lado.

– Quem... Quem é você? – ele perguntou.

– Alguns me chamam de feiticeira – ela comentou distraidamente enquanto Nico voltava a empunhar a espada – um pouco rude na minha opinião. Ora, não, não, abaixe isso, é desnecessário...

– Fale isso depois que eu te matar – o garoto levantou a espada levando-a em direção a garota que apenas rolou os olhos e fez um gesto de descaso fazendo a espada voar para sua mão – mas... Como...?

– Não pode me matar, querido – ela afirmou se sentando e batendo na pedra para que Nicolas se senta-se – nenhum de vocês pode. O máximo que conseguiriam seria retardar meus planos, nada mais. Gaia tentou a alguns séculos, hoje a pobrezinha está dormindo.

– Gaia? A mãe Terra? – ele perguntou se sentando ao lado da feiticeira.

– Chame como quiser – ela disse em descaso – e quanto a sua pergunta, jovem herói, eu sou...

Foooogo! – uma voz gritou ao longe e um estrondo abafou a voz da garota.

– Como? – Nico perguntou quando o barulho sumiu.

– Me desculpe por isso – ela suspirou e estalou os dedos.

Nico não entendeu de imediato, porém logo uma fina camada de ar o envolveu, seu corpo amoleceu, os pensamentos ficaram confusos, a espada caiu no chão e finalmente a inconsciência tomou conta de si.

Véu: Reino 9, Rio Lete; Dia e horário não identificados.

Nico estava tentado a cair sob aquelas águas. Ele precisava apenas se debruçar e esqueceria-se de tudo e todos. Ele reviveria. Talvez fosse algum camponês na Inglaterra. Longe dos Reinos das terras caribenhas. Mas algo o impedia.

Seus próprios pensamentos o traíam fazendo lembrar do que estava deixando para trás. Ele sabia que ela não deixaria barato. E claro, elas ainda precisavam dele para encontrar seu tesouro. Um maldito caixão amaldiçoado, do qual Nico queria apenas esquecer-se.

– É uma terrível indecisão, não é? – uma voz perguntou ao seu lado despreocupadamente.

– O que quer agora? – ele perguntou se virando para ela que apenas lhe sorriu – o que quer que eu faça?

– Você sabe – ela afirmou.

– Estou morto – ele replicou.

– Isso não importa, você sabe – a garota disse calmamente.

– Ela não vai me trazer de volta – Nico disse.

– Ela ainda precisa de você – ela contradisse – ainda precisa do caixão. Com certeza ela lhe trará de volta.

– Acredita mesmo nisso? – ele perguntou.

– Se eu acredito? – ela soltou uma risadinha fraca – eu a conheço. Sei do que é capaz. Ela lhe trará de volta novamente, fará você escolher as piores escolhas e finalmente encontrar aquele maldito caixão.

– Eu voltaria para lá? – Nico perguntou e a feiticeira olhou-o com pena.

– Eu sinto muito por isso – ela suspirou.

– Não minta para mim, Daenerys – ele rosnou.

Reino de Hades Olympus, 9, 10 de Outubro de 1778. 06:45PM.

– Eu falei o que aconteceria. Bianca – a garota falou.

– Eu disse que era para protege-lo! – Bianca gritou com as lágrimas correndo pelos olhos.

– Eu não sou a culpada! – ela replicou – não tenho poderes sobre eles!

– Traga-o de volta! – a morena pediu.

A tempestade voava por cima delas com a luta do Reino 9 contra Daenerys e seus animais. Bianca já havia perdido a alijava e atirava facas sem parar na garota a sua frente que apenas se desviava.

– Eu não posso! – ela gritou.

– Sua irmã está atacando um exército de soldados com ajuda de animais! – ela protestou – você ressuscita os mortos! E não pode tirar meu irmão de um caixão?

– É letal! – a garota retrucou se desviando de outra faca – todos temos nossos pontos fracos, Bianca! Não posso tocar!

– Você disse que eu saberia o que fazer! – Bianca caiu de joelhos sendo amparada pela feiticeira – eu não soube!

– Eu tentei alertar Nico – ela suspirou – a única coisa que pude fazer foi desacorda-lo. Isso... É mais forte que todos nós.

– Você não deveria ter se rendido! – a garota choramingou – do que serviu você ser feita...

Bianca parou no meio da frase vendo a garota se afastar alguns passos e sua expressão endurecer. Aquele movimento fez a garota se encolher e engolir as lágrimas. Não fora sua intenção, mas percebera que tocara num ponto fraco da feiticeira.

– Do que serviu ser feita de Orgulho? – a feiticeira perguntou lentamente com frieza – de luxúria? Soberba? Avareza? Ou quem sabe Ira? Inveja? Gula? Preguiça? Do que adianta ser o próprio pecado quando não se pode salvar o irmão da princesinha? Eu tentei Bianca di Angelo, por mais que não acredite.

– Eu não quis...

– Esqueça isso – ela a cortou – eu não me importo. Agora, avise a seu povo que nunca mais deverão me caçar. Não hesitarei em mata-los.

Então ela se virou e Bianca se encolheu. Aquela garota usara as palavras certas para faze-la se repreender. Um raio cortou o céu e de vislumbre a garota viu a feiticeira sorrir friamente. Tudo pareceu parar por um segundo. Então do centro da batalha um luz branca consumiu os guerreiros.

A última coisa que Bianca viu foi duas garotas vestidas de um branco brilhante andarem calmamente entre os soldados adormecidos acompanhadas de animais da selva que emitiam a mesma luz. Então tudo ficou escuro.

Cabana na Floresta "Encantada", 10 de Outubro de 1778. 8:00PM.

Nico acordou desnorteado olhando em volta. Não estava sendo atacado por animais tão pouco estava na guerra. Pelo contrário estava em uma cama confortável e quentinha numa cabana simples.

Uma mulher de meia idade estava de frente o fogão e assim que ouviu o ranger da cama se virou com um sorriso parcialmente banguela. Parecia uma maluca. Tinha uma verruga na ponta do nariz, como eram descritas as bruxas para as crianças, olhos esbugalhados azul turquesa, cabelos brancos espetados e era gordinha.

– Que bom que acordou, querido – ela disse com a voz estrangulada.

– Onde... Onde estou? – Nico perguntou.

– Ah, não ligue! Está longe dos poderes de Hinnata e Daenerys – a mulher afirmou.

Por alguma razão Nico ficou com medo. Aquela mulher, por que lhe era tão familiar? Sua cabeça girava, mas tinha certeza de uma coisa: a garota que estava com ele antes parecia muito mais simpática que aquela senhora.

– Chame como quiser... E quanto a sua pergunta, jovem herói, eu sou...

– Foooogo! – uma voz gritou ao longe e um estrondo abafou a voz da garota.

Hinnata. Nico tinha certeza que esse era o nome. Talvez em algum lugar na sua mente tivesse capitado alguma silaba do nome. Não sabia ao certo. Mas ele precisava sair dali. Mas tinha a impressão que não seria tão fácil.

– Sinto por isso, senhora – o garoto disse colocando-se para fora da cama calçando as botas – mas não posso ficar, minha irmã ela...

– Não se preocupe – a mulher disse balançando a mão mostrando uma imagem de Bianca e a mesma garota com quem conversara – sua irmã fez belos arremessos contra Hinnata, aquela garotinha insolente. É mais velha que eu e continua usando artimanhas de Deus sabe-se lá quando.

Nico não conseguia ver como a adolescente que sua irmã atirava facas poderia ser mais velha que aquela mulher de cabelos brancos que a cada segundo parecia mais velha e mortífera. Mas ele resolveu que aquela não era hora para perguntar.

Estava mais que claro que a mulher sabia fazer magia. Nico não queria sua espada voando novamente. Ele não sabia como escapar, mas sabia que aquela mulher representava perigo.

– Então... Hinnata, é a feiticeira? – Nico perguntou idiotamente.

– Ela não seria nada sem Daenerys – a mulher resmungou – vive imaginando, criando, dançando, é tão exaustivo! Se não fosse a irmã, Hinnata teria caído. É o único motivo por qual nunca as derrubei.

– Elas são uma equipe – o garoto adivinhou.

– Juntas fazem coisas extraordinárias – ela afirmou – separadas não são tão boas. Hinnata não é muito boa em combate, tende a ser diplomática e cheia de idéias. Já Daenerys não pensa muito, ela age. Isso pode ser ruim se tiver uma armadilha no caminho... Oh! Está na hora.

Nico não entendeu de imediato, porem a mulher o arrastou para os fundos da cabana e o empurrou para dentro de um caixão de ouro e cristais reluzentes. O garoto tentou resistir porém, não poderia imaginar que a mulher fosse mais forte que ele. Ela o pressionou lá dentro e fechou a tampa.

Nico fechou os olhos e tentou conter o medo. Mas em algum momento ele foi obrigado a abri-los, uma luz verde rastejava sobre si, um cheiro estranho estava perto demais. Ele nunca passara por isso antes, mas também não lutava contra feiticeiras malucas, portanto ele soube no momento em que a névoa tocou seu rosto.

Nicolas di Angelo, fora amaldiçoado.

Véu: Foresta "Encantada"; Dia e horário não identificados.

– Onde ela está? – Nico perguntou.

– Ela não vai saber responder, Nicolas – Daenerys rosnou.

Os dois andavam lado a lado indo em direção ao terreno onde viviam Hinnata e Daenerys Targaryen. A garota tentava convencer o garoto que não era a hora, porém, este não lhe dava ouvidos.

No poço um garota retirava água cantarolando. Os cabelos lisos e negros voavam nas costas e o chapéu pontudo azul com estrelinhas amarelas escorregava da cabeça. Ela parecia que iria cair no poço a qualquer momento. Os pés com uma sandália dourada estavam fora do chão balançando-se vezes enroscando-se na longa saia azul.

A garota não pareceu se incomodar com a presença deles, ela apenas voltou para o chão ajeito o chapéu e sorriu alegremente estendendo o balde de aguá para a irmã.

– Estava com saudade, Nico – ela disse fazendo um biquinho – pelo que soube você morreu de novo, significa que temos negócios a tratar.

O modo como a garota dizia morreu de novo, como se fosse bom dia ainda assustava Nico, porém seguiu a garota com Daenerys a seu encalço. Entraram na aconchegante cabana e garota jogou um manto da cor do chapéu por cima da roupa, colocou os óculos redondos e lhe serviu chá.

– Hinnata... – ele disse hesitante e a garota se contorceu de repente – o que foi?

– Estou perdendo os poderes – ela disse massageando as têmporas – aquela maldita está conseguindo.

– Merci? – Nico perguntou e a garota assentiu.

– Merlin me avisou sobre ela – a garota falou – desnecessário se me permite dizer. Daenerys achou algumas semelhanças entre mim e Arquimédes que vem me dando nos nervos.

A garota sorriu embora não parecesse envergonhada em comparar a irmã a uma coruja sabe tudo. Hinnata suspirou, fechou os olhos e estendeu a mão da qual Nico pegou. Parecia concentrada, mas logo torceu o nariz e abriu os olhos.

– O que foi? – Nico perguntou.

– Desculpe, Nico – ela pediu lhe lançando um olhar triste – eu não consigo.

– O que? – o garoto perguntou confuso.

– Não poço te trazer de volta dos mortos – Hinnata falou abaixando a cabeça fazendo que os óculos ficassem na ponta do nariz e o chapéu se inclinar para frente como se ela fosse um gnomo mas logo ela levantou e olhou para a irmã esperançosa – mas eu acho que sei de alguém que pode!

Pelo olhar que Daenerys lançou para a irmã, Nico soube que Hinnata tivera uma ideia maluca, provavelmente estranha, mas com toda certeza perigosa.

Floresta "Encantada", 29 de Setembro de 1782. 03:03 PM.

– Eu? – Thalia indagou cética para os garotos.

– Por que não? – Leo perguntou.

– Ficaram malucos – a garota afirmou – não vou liderar vocês atrás de bruxas malvadas que trazem pessoas de volta a vida.

– Elas não são malvadas – Piper afirmou sem tirar os olhos dos pergaminhos.

Todos olharam para a garota que não parecia sequer se mexer. Estudar a fundo aqueles pergaminhos havia virado um hobby para Piper, porém ela não conseguia conciliar as palavras confusas ao nomes. Piper ergueu os olhos e notou que todos a olhavam em expectativa, querendo conclusões ao comentário.

A garota apenas suspirou e voltou a ler os dois que mais lhe chamaram atenção, No pergaminho intitulado Preguiça a garota acabara por descobrir ser uma maldição de uma bruxa chamada Merci, que queria ser mais forte, e no intitulado Orgulho tinha sido um presente do pássaro do mago Merlin, Arquimédes, para evitar que elas se entregassem a opiniões desnecessárias.

– Certo, elas não são más – Jason quebrou o silêncio – ainda não sabemos como encontra-las.

– Isso é fácil – Piper afirmou.

– Tem certeza? – Leo perguntou tomado por um súbito interesse pelos pergaminhos.

– Aqui diz que apenas um guerreiro pode ver a que protege, a não ser que ela permita que outros da mesma missão vejam-a – a morena explicou – portanto podemos nos separar. Se ela quiser que apenas um de nós a veja, não se aproximará em quanto os outros estiverem por perto.

– Como nos encontramos depois disso? – Thalia perguntou.

– Bem eu tenho uma ideia – Leo falou retirando quatro círculos de metal de dentro do cinto – a cada duas horas subam em um lugar alto do qual poderemos ter visão de toda a floresta, se um de nós encontrar a feiticeira jogamos para cima, isso ativará a luz que durará cerca de um minuto, fará um barulho alto mas se estiverem muito longe pode ser que não o ouçam, por tanto fiquem atentos.

– Se não encontrarmos nada até as dez da noite, podemos ir até a acomodação mais próxima para descansar e amanhã no nascer do sol nos encontramos novamente aqui – Jason sugeriu.

– Eu acho uma boa ideia – Thalia disse e Piper assentiu distraída mas logo arregalou os olhos – o que foi?

– Vou ter de deixar isso – a morena disse – preciso encontrar Atena Chase.

– Lady Atena? – Thalia perguntou confusa.

– Ela possui livros nunca encontrados em todo o Reino – Piper falou se levantando juntando os pergaminhos – posso encontrar tudo o que precisamos, não só sobre as feiticeiras, mas para Nico também.

– Piper, eu não sei se isso é uma boa ideia – Leo falou.

– Eu preciso tentar – a garota afirmou.

– Vão mata-la se a encontrarem – Jason retrucou.

– Minha mãe não permitiria – a morena insistiu.

– Não procure Atena – Thalia interviu sob os olhares confusos pegando um dos pergaminhos, retirando uma pena da mochila e escrevendo freneticamente – procure por sua filha, Annabeth Chase. Mostre isso a ela e diga que estou com saudades.

Piper pegou o pergaminho e o guardou na própria mochila. Thalia subiu em seu corcel e a outra garota montou em um dos cavalos que os rebeldes haviam deixado fugir. Leo e Jason se entre olharam e deram do ombros virando-se para o estabulo improvisado alguns metros de distância. Totalmente desprotegido.

– Boa sorte a todos – Piper desejou dando um tapinha no cavalo que saiu em disparada para a floresta sumindo com a garota em poucos segundos.

– Espero que isso não demore – Thalia murmurou e Leo atirou um dos cilindros para ela.

– Boa sorte – o ferreiro desejou.

– A vocês também – a princesa disse e logo também sumiu pela floresta.

Leo e Jason se entreolharam e em um acordo silencioso correram para os "estábulos" dos rebeldes montando nos cavalos que relincharam atraindo a atenção do inimigo. Mas isso não foi problema, pois logo as flechas desapareceram por trás deles e dentro da floresta os garotos se separaram indo em busca a feiticeira.

*Daenerys Targeryen é uma personagem de George R. R. Martin na série e nos livros Game of Thrones, porém! Não há semelhanças entre elas apenas o nome indicado pela Cel que é apaixonada com a série. Uma das diferenças é que nossa Daenerys é uma feiticeira imortal, nascida a 100 antes de Cristo, como a filha do pecado, no Reino 9 e a Daenerys de Martin é uma princesa exilada da casa Targeryen (fãs de GOT me corrijam se eu estiver errada, foi a Cel quem indicou o nome) nascida em 284 DEPOIS de Cristo, filha do Rei Aerys II Targaryen com sua irmã-esposa a Rainha Rhaella Targaryen, na pedra do Dragão.

*Hinnata Targeryen é uma personagem criada por mim com o sobrenome de Daenerys de Martin e não contém qualquer semelhança com os livros ou a série (eu sequer não os li/vi) se por algum motivo a personagem ser identificada com um dos livros ou da série da Saga é pura coincidência, pois não tenho a intenção de lê-los (ao menos não por agora) e não sou a maior fã de séries medievais, certo?

Notas finais
E é isso pessoal! Espero que tenham gostado estou me empenhando bastante. Criar essas novas personagens foi muito bom para mim, espero que gostem delas apesar de que em algumas situações elas vão nos deixar com muita raiva (a ponto de gritar MORRA FEITICEIRA MALDITA) MAS! Elas são muito importantes na história e tem um passado MUITO conturbado com o Nico que liga a como ele se tornou um pirata. Ps: SIM! Nico só tinha 4 anos como pirata e se tornou Capitão pois o barco o pertencia e a tripulação de Tortuga procurava um capitão para voltarem a saquear, porém nosso querido pirata tinha seu dilema Robin Hood "Roubar dos ricos para dar aos pobres" o que influenciou a tripulação a fugir com o navio e deixa-lo no Reino 9. Ps²: Semana que vem é a semana de recuperação, acho que não peguei em nenhuma matéria e normalmente minha mãe deixa eu ficar em casa então terei mais tempo para postar, mas quero comentários, okay? Até o próximo (que não demora)... Beijos com gostinho de magia... ~ Mylla Thompson