Thalamus

3 Velhos amigos


— Como foi o voo? — Perguntou-me James, Ele me conhecia tão bem quanto eu mesmo, e sabia o motivo pelo qual eu não abrira a boca desde que tínhamos deixado o hotel em Veneza. Mas eu devia alguma explicação a ele, e não só a ele. O Sr. Howard S. Wayward nos esperava em Viena na grande catedral, santo estêvão. Mas... Como eu diria a James e ao Sr. Wayward que eu não fora bem sucedido? Eu não podia simplesmente dizer: “Me deixei levar pelos sentimentos” Eu fora treinado para não acontecer isso.

— Agradável — Eu disse — O que sabemos sobre o contratante?

James me olhou surpreso, mas resolveu não questionar.

— Um grande músico renomado de Viena — James lia a ficha atentamente enquanto eu dirigia para a catedral — Escrevera grandes concertos para orquestras de todo o mundo... Tem cinco empresas em seu nome... Ficou famoso aos 22 anos... Ninguém sabe de onde veio sua grande fortuna...

Não fui muito longe e logo eu já não ouvia James, Ouvia Gabriela. Sua voz, Seu suspiro... Quando voltei para mim James me encarava com seus olhos verdes acinzentados que sempre me assustavam quando eu estava desprevenido.

— O que houve lá? — Ele perguntou sério.

— Eu... — Não passara mais nenhuma palavra de meus lábios gelados.

— Você perdeu a memória não foi? — Ele encostou o pescoço no banco. — Tá Legal, Eu disse que era uma má ideia nós termos aceito esse trabalho.

— Eu não tinha escolha, E a escolha foi sua de vir comigo — Respondi prontamente.

— Eu sabia que não seria fácil... — ele levou as mãos à cabeça — Claro que não... Era Gabriela!

— Tinha mais alguém lá — Eu disse torcendo pra ele levar a informação sem problemas.

— O que? — Ele tirou as mãos do rosto e me encarou novamente.

— Mais Alguém, E te conhecia... Fez uma memória com seu projetil.

— Como você fugiu? — Ele parecia mais preocupado comigo.

— Me matei!

— Como tinha certeza de que não era eu?

— Sua gravata — Eu disse olhando para gravata vermelha — As riscas estavam ao contrario, e também você não é canhoto, O maldito seja quem for segurava a arma com a canhota.

James refletiu alguns segundos, Pelo que pude ver o que veio aos seus pensamentos não foi nada agradável.

Enfim chegamos a catedral de santo Estêvão. Sua gigantesca estrutura detalhada me fez sentir seguro. Lembrei-me das palavras de meu antigo professor e também Pai: “Lembre-se quanto mais detalhes tiver uma memória mais ela é estruturada, podemos assim distinguir a realidade de uma memória” Me senti seguro por saber que nenhuma mente conseguiria fazer em memória os detalhes daquela Catedral. Não pude observar muito os detalhes, Não depois que o Sr. Wayward entrou vestido em seu terno cinza escuro que combinava com seus olhos e sua expressão aterradora. Estava acompanhado por mais dois Veteranos de Thalamu um em seu terno negro alinhado e gravata vermelha e outra vestida de vestido curto preto que eu reconheci de imediato. Amanda e Ricky. Foram meus colegas de classe há muito tempo, Porém seguimos caminhos diferentes.

Amanda se tornou caçadora de memórias, do jeito mais cruel. Se fosse preciso matava seu alvo para conseguir cumprir sua missão.

Ricky... Dele não ouvi falar muito, Alguns diziam que se tornou o melhor Pilar de memória de todos. Talvez ele sim fosse capaz de criar aquela catedral... Agora eu já começara a me preocupar.

— Sr. Lincoln — Wayward estendeu mão para me cumprimentar.

— É um prazer — Eu disse consentindo o cumprimento

Amanda me olhou surpresa.

— Lii... Então é assim que você está ganhando a vida? Ladrão de memorias! — Perguntou com um sorriso desafiador.

— Vejo que você também — Respondi.

Ela murmurou alguma coisa e sentou-se ao lado de Ricky.

Os bancos da grande Catedral eram todos de madeira mais ainda confortáveis. Em seu marrom envernizado era uma cor agradável, mas não chamativa. A igreja estava escura e calma, assim como os olhos de Wayward. Seu cabelo longo batia no ombro, e como os olhos eram acinzentados. Notei que carregava um estojo de violino.

— O que eles fazem aqui? — Perguntou James.

— Eu precisava ter certeza de que vocês fariam o trabalho bem feito — A voz de Wayward soava pesada e sem nenhum sentimento, Parecia um homem morto.

— Então eram vocês que estavam na segunda memória! — Eu disse olhando Ricky, ele brincava teclando a tela de um celular dando a mínima atenção à conversa.

— Tsc... Eu disse que devíamos ter chamado Ricky de primeira — Amanda disse.

— Realmente aquele amador estava ridículo — Eu complementei.

O Sr. Wayward se levantou, caminhou ate o centro do salão.

— Sr. Lincoln — Começou — Quando ouvi dizer de você, o ladrão de memória mais cauteloso de Thalamus, eu pensei que fosse um homem frio, destemido e o suficiente para completar uma missão a qualquer custo — Me encarou profundamente — Não pensei que fosse um homem de sentimentos!

Droga! Ele sabia, é claro que sabia. Não era atoa que Amanda e Ricky estavam ali. Claramente o Sr. Wayward nos dispensaria do trabalho com essa falha ridícula. Mas a questão é como nos dispensaria? Matando-nos? Era o único jeito!

Eu continuei em silencio, O que dizer?

—... Proponho ao senhor então uma união de equipes...

— Eu não vou trabalhar com uma assassina — James atacou. Uma provocação desnecessária, todos ali éramos assassinos.

Vi Ricky levantar os olhos a James. Levei minha mão dentro do terno e encaixei meus dedos suando frio na .9 mm.

— Não pense nisso Lii — Amanda sorriu apontando a sua .9 mm pro rosto de James.

— Eu não quero problemas senhores — Wayward pareceu nem se importar com as armas a mostra.

— Dispense seus cachorros — James estava realmente provocando Ricky e Amanda, isso não seria bom se eles reagissem.

Wayward fez sinal e seu “Cachorro” que abaixou a armas. Pude relaxar minha .9 mm.

— Sr. Lincoln — Começou de novo Wayward — Admiro seu trabalho e entendo seus motivos por ter falhado nessa missão. Mas uma coisa é certa, eu não permito falhas...

— Dispensado Lii — Amanda disse satisfeita.

Wayward lançou o olhar a Amanda que se calou no mesmo segundo.

— Talvez se tivesse me dito que Gabriela já fora sua noiva...

James se levantou.

— Isso é desnecessário Sr. Way.

Concordei com James, aquilo estava ridículo. Sr. Wayward mais parecia um burguês mandão do que alguém que precisava de nossos serviços.

— Foi um prazer Sr. Howard, Com toda sua licença — Disse me levantando. Passei por Ricky e Amanda que me encararam e se pudessem pulavam no meu pescoço como lobos famintos.

— Sr. Lincoln — Disse Howard — Que fique bem claro, Não se envolva mais neste trabalho. Você esta dispensado da sua missão soldado — O Desgraçado riu.

Ignorei e continuei andando até a porta. “Não se envolva mais neste trabalho”. Ameaçando-me? Maldito! Eu nunca largo um trabalho mal feito. Se for preciso mato Ricky e Amanda.

O desgraçado despertou meu lado militar e...

— Quer que eu reúna a equipe? — James me perguntou ajeitando a gravata vermelha.

— Sim... — eu disse sem receio — Procure por Nick, Eu vou a universidade falar com meu pai.

— Pai? — James parou — O professor? Você não o vê há anos!

Continuei em silencio, James entendeu tudo. Nós enfrentaríamos Ricky, Precisaríamos de um gênio de igual valor a nosso lado.

— Onde nos encontramos? — Perguntou James voltando a passos longos ao meu lado.

— Paris, Daqui uma semana.

— Gabriela estará lá?

— Sim! E não só Gabriela...

— No hotel?

— Não teremos tempo, Leve todo o equipamento, vamos ter que agir na Torre!

— No casamento?

— Sim... — Eu disse hesitando, pensando qual seria a reação de Gabriela a me ver invadir o casamento dela para capturá-la. Nem mesmo sei se seria capaz.

Chegamos à imensa porta de entrada. James fez um cumprimento francês, pude sentir seu senso de humor, e foi em direção oposta a meu caminho. A universidade de Thalamu seria meu destino: As ilhas de Filipinas.